Review – A pessoa amada

A pessoa amada

Uma gracinha de mangá

E hoje transformamos novamente este blog em uma filial “clampiniana”, com mais uma resenha de um título do grupo Clamp lançado no Brasil: A pessoa amada, mangá de volume único publicado por aqui em 2012 pela editora Newpop.

O título retornou para as bancas no início do ano juntamente com outros mangás da editora como K-on, Alice no país das maravilhas e Gate 7. Compramos o título nesse retorno, o lemos e viemos trazer nossas impressões sobre o mangá. A edição nacional está boa? A obra é digna de leitura? Vamos ver…

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Edição Nacional

O padrão Newpop de acabamento se faz sentir novamente: não há nada o que reclamar da edição física e fazer elogios são desnecessários. O título saiu ao preço de R$ 14,00, possui cerca de 140 páginas, sendo que 10 dessas páginas são coloridas.

O texto, no entanto, tem alguns problemas visíveis mesmo para um não especialista. Volta e meia há vírgulas mal colocadas e o uso constante de aspas desnecessariamente causa incomodo. Não costumo ligar para essas questões (erros assim acontecem em todo lugar e acabam passando batido, mesmo com várias revisões), mas o excesso torna-se visível demais para não ser reparado.

O uso de aspas é mais um incomodo de minha parte, pois talvez a editora tenha visto alguma estratégia narrativa que necessitasse o uso delas e eu não consegui reparar. Fora esses detalhes, um leitor comum não sentirá qualquer incomodo ao ler o mangá.

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A(s) história(s)

A pessoa Amada é um mangá formado por 12 histórias curtas de apenas 7 páginas cada, seguida de uma explicação de 3 páginas escrita pelo Clamp a respeito daquela história, detalhando como surgiram e de quais situações se inspiraram para a criação de cada capítulo.

As histórias foram publicadas nas páginas da revista josei Young Rose, da Kadokawa Shoten, e em comum possuem as angústias (e alegrias) da vida das protagonistas: Será que há problema em se apaixonar por alguém mais velho (ou mais novo)? Será que posso agir diferente se usar uma roupa diferente? Será que depois de casarmos vamos ser diferentes do que somos agora? E será que isso é um problema? Esses e outros questionamentos são postos em cada uma das histórias do volume.a pessoa amada 02

É fácil nos identificarmos com cada uma das histórias ali presentes, com cada fato, com cada dúvida, nos levando a refletir, de forma divertida, as atitudes que tomamos em determinadas situações, independente de se ser um homem ou de se ser mulher.

Nesse sentido, a 11ª história deve ser destacada, chamada de “distância” que, como o nome sugere, faz divagações sobre o amor mantido a distância. É incrível a capacidade do grupo Clamp de colocar as aflições das personagens de forma tão viva e interessante. Embora não existam razões para se duvidar do amor da outra pessoa, inevitavelmente a mente das pessoas começa a divagar e a criar preocupações que, em teoria, não deveriam existir. Se duas pessoas realmente se amam, não é porque estão separadas pela distância que o amor entre elas deixa de existir.a pessoa amada 03

Por sua vez, a segunda história, chamada “gracinha”, é a melhor de todo o mangá, pois engloba de maneira magistral o clima de romance, a comédia característica do grupo Clamp (“esse bueiro é uma gracinha”), além de uma discussão interessante sobre o significado e a mudança de significado que as palavras podem ter de acordo com quem a tenha a dito.

Todos os humanos são sensíveis às palavras e aos outros humanos (somos seres sociáveis e suscetíveis a mudanças de acordo com ambiente e com pessoas com quem conversamos) e é justamente a empatia, a amizade e o amor que sentimos para com certas pessoas, que fazem as mesmas palavras soarem tão diferente dependendo de quem a preferiu. E isso é o que o Clamp prova nessa história ao mostrar que a palavra “gracinha” pode ter um significado bem mais especial se quem a disser for uma pessoa de nossa muita estima…

Em A pessoa amada, mesmo que as histórias, muitas vezes, pareçam despretensiosas, o Clamp soube ir bem fundo nas preocupações e questionamentos, mostrando vários aspectos que são comuns a todas as pessoas em diferentes fases da vida, especialmente na juventude pós-escolar.

Esse mangá é o tipo de obra para agradar a todos os Clamp-fanáticos e aos amantes dos mangás de romance e slice of life. Infelizmente acho que pessoas acostumadas com battle shonens ou com seinens violentos não irão se interessar por esse mangá. Entretanto acredito que todos deveriam sair de sua zona de conforto dar uma chance ao título. Afinal não se perde nada em sua leitura, pois o mangá é de volume único e cada historinha tem um número muito pequeno de páginas…

***

Título: A pessoa amada
Autor: Clamp
ISBN: 978-85-60647-91-0
Formato: 12,5 x 18 cm
Páginas: 140 páginas
Acabamento: papel offset + páginas coloridas em papel couché
Valor: R$ 14,00
Volumes: 1

Biblioteca Brasileira de Mangás

3 Comments

  • Victor

    Gostei da sua análise, se não fosse da Clamp eu iria procurar pra ler. Mas já li o suficiente da Clamp pra saber que não faço parte do público deles hahaha gostei bastante dessas matérias de análise, tomara que continuem ^^

  • Phammy

    Antigo, mas vale o comentário. As “aspas”, são mania japonesas. São como eles destacam palavras e é um recurso que eles usam bastante. É como o nosso sublinhado ou negrito. Acaba sendo algo vindo direto do CLAMP, não da tradutora.

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