Biblioteca Brasileira de Mangás

Resenha: Alice hearts #02

aliceO país dos corações é complicado…

Atenção: conterá Spoilers

O primeiro volume de Alice Hearts terminou com um cliffhanger interessante. O chapeleiro que parecia gostar muito de Alice disse não a amava e que só tinha um interesse passageiro e, quando passasse, bastava matá-la. Esse cliffhanger – como qualquer outro – gerou uma grande expectativa de que coisas fossem reveladas e existisse uma verdade mais cruel por trás do “jogo”. Entretanto o segundo volume começa com o mesmo clima de mistério, com todos tratando Alice muito bem ou parecendo amá-la, que ocorrera no primeiro volume. Na verdade, mesmo a expectativa gerada no final do primeiro tomo foi dilacerada em poucas páginas…

Alice Hearts

Ao menos, em partes foi isso o que aconteceu. Um pouco do mistério envolvendo esse mundo começou a ser revelado, em especial a questão da morte e a função do relojoeiro. No primeiro volume já havíamos visto o quão descartável parecia ser a vida naquele mundo, afinal se um soldado morresse um outro viria assumir seu lugar. Agora no segundo tomo entendemos de verdade o raciocínio e, com isso, descobrimos uma parte do funcionamento do “país dos corações”.

Todos os habitantes desse mundo possuem um relógio no lugar do coração e quando eles morrem o relógio pode ser consertado pelo relojoeiro dando vida novamente a uma pessoa. E note, a uma outra pessoa. Todos consideram normal que se morrerem serão substituídos em seguida, eles não possuem aquele sentimento de perda de um ente querido e o sentimento de manter-se vivo. E é Alice que começa a passar esse sentimento a alguns personagens.

Esse país dos corações parece extremamente gelado e artificial. Por mais que as pessoas se tratem bem aqui e ali, parece que nenhuma delas se importa de fato com os demais. Esse é, talvez, o resultado dessa “vida” por meio dos relógios.

Entretanto algo não se encaixa muito bem. Se eles são assim e não se importam com as pessoas que se vão, então porque a profissão de relojoeiro é tão mal vista? O objetivo do relojoeiro é consertar os relógios e trazer a vida de novo a eles, ainda que esse “eles” sejam outros completamente diferentes; então se as pessoas não se importam com a morte não haveria motivo de o relojoeiro ser mal visto.

O que deu para compreender nesse volume é que algumas (ou muitas?) pessoas se importam sim com as pessoas que se vão. O grande exemplo disso é o personagem Elliot que trabalha para o chapeleiro. Ele foi condenado à prisão por destruir o relógio de um amigo morto, pois este era seu desejo, não reviver como outra pessoa. O chapeleiro o ajudou a fugir e ainda prometeu que quando ele morresse, ele o mataria de verdade, isto é, destruiria o relógio.

A individualidade da vida, nesse sentido, deve estar impregnada em muitas pessoas do país dos corações, por isso também o ajudante do relojoeiro teve que matar um monte de gente que queria proteger os relógios dos amigos recém falecidos…

A questão que fica, portanto, é porque as pessoas próximas à Alice parecerem não se importar tanto com a vida dos outros. Será um mero disfarce aos reais sentimentos? Ou será que eles se sentem assim por serem os líderes (ou estarem próximos aos líderes) das facções que estão no “jogo”? E qual é a função de Alice nisso tudo? O que o fato de ela ser uma forasteira e ter um coração em vez de um relógio tem a ver com o comportamento do personagens perante a ela? Tudo isso ainda fica em suspenso…

***

Em tempo: Peter White, o coelho branco que levou Alice a esse mundo, continua insuportável.

BBM

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