
Não raramente alguma pessoa fica incomodada com o fato de a editora JBC não mandar os seus mangás lacrados para as bancas de revistas e se perguntam o porquê de a empresa não seguir o procedimento de embalar os produtos tal qual sua principal concorrente faz.
Grande parte da reclamação gira em torno de, em muitas cidades, os mangás chegarem constantemente em mal estado devido à falta de cuidado de manuseio por parte da distribuidora. Como estas dúvidas se repetem, vim aqui desvendar esse mistério.
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Resposta oficial
A resposta oficial da editora está descrito no F.A.Q. presente no site da empresa (clique aqui para ler). Segundo a JBC, embalar os produtos não é uma atitude ecologicamente correta e, por isso, eles só colocam lacre plástico em produtos com algum tratamento especial – verniz na capa, por exemplo – ou por determinação legal – produtos para maiores de 18 anos.
O que eu acho? É realmente muito bom que uma empresa se preocupe com o meio ambiente dessa forma e seria muito importante que todas as demais editoras buscassem esse tipo de comportamento, afinal nos dias de hoje a sustentabilidade é essencial. Mas não se pode negar que essa resposta não é totalmente satisfatória. O discurso é bonito e tudo mais, porém existem detalhes que questionam essa preocupação da empresa.
Os produtos enviados pelo seu serviço assinatura, por exemplo, costumam ser enviados em embalagens plásticas e, além disso, diferentemente dos mangás das bancas, são lacrados. Salvo engano, tanto as embalagens, quanto o lacre não são biodegradáveis e isso coloca um ponto de dúvida na resposta oficial da editora de preocupação com o socioambiental. Os títulos enviados para livrarias muitas vezes também são lacrados, impedindo que possamos folheá-los nesses ambientes. Por que a preocupação ambiental ocorre somente com os títulos enviados para as bancas? Mesmo que o volume de assinaturas e títulos para livrarias seja menor, ainda assim a preocupação ambiental não deveria ser a mesma?
Motivos e benesses
A política da JBC de não lacrar seus mangás enviados para bancas é, antes de tudo, uma medida de economia para a empresa. Por não ter que embalar volume a volume, a editora corta um pequeno gasto, gerando economia que, mesmo pequena, pode fazer diferença para os cofres da JBC. Essa é uma das táticas de economia que a editora precisa fazer para se manter forte e competitiva no mercado…
Mas não é só para a empresa que essa medida é boa. Por mais que alguns leitores reclamem, a verdade é que isso é muito bom para eles também, pois podem folhear o título, ver se os desenhos os agradam, se a história realmente é boa e se o papel utilizado condiz com o preço. Com isso, o leitor pode decidir se irá ou não comprar com uma base mais sólida do que uma mera sinopse e informações de divulgação. É simplesmente a mesma lógica dos livros nas livrarias e das histórias em quadrinhos Disney e Turma da Mônica que temos a possibilidade de folhear antes de comprar.
Não somente isso, se o mangá tiver algum problema de impressão (páginas repetidas, por exemplo) você terá a chance de ver na hora e avisar ao jornaleiro do problema e, consequentemente, não precisará ter que retornar ao local que comprou para trocar, como costumeiramente acontece com os títulos da Panini. Vale lembrar que nem todo mundo mora em São Paulo ou grandes cidades em que existe banca em todo canto. Muita gente precisa pegar ônibus (eu!) ou caminhar longas distâncias até encontrar uma banca que vende mangás, então qualquer problema gráfico dentro do quadrinho significa um gasto a mais não planejado.
É lógico que existe o problema de transporte e manuseio que pode fazer o mangá chegar em mal estado a algumas cidades, porém esses problemas ocorrem mesmo com os títulos lacrados como provavelmente todos vocês já viram com mangás de outras editoras. Deixei de comprar Pandora Hearts, pois os únicos exemplares que tinham na banca estavam amassados. Ou seja, a falta de cuidado no transporte acontece com os mangás de todas as editoras, independente de ser da JBC ou da Panini. A questão é que – entre os benefícios e os malefícios – realmente é muito melhor para o consumidor poder folhear o produto que pretende levar.
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“Então você está dizendo que eu devo aceitar um produto defeituoso?”. O fato de o mangá não estar lacrado não significa que ele esteja defeituoso. O defeito acontece com a falta de cuidado com o manuseio. Se você chega em uma banca e todos os produtos de um certo título estão avariados, basta não comprar, obviamente, assim como eu fiz com Pandora Hearts. Ninguém obriga você a comprar o que você acha ruim, simples assim^^. Entretanto, vale lembrar que o mau estado dos mangás acontecia principalmente em cidades de fase 2 (a minha inclusa), no qual recebíamos as sobras das vendas de São Paulo e Rio de Janeiro. Mas agora como todos os mangás da editora tornaram-se de distribuição nacional isso deve diminuir gradativamente. Por aqui (Vila Velha/ES) já não tenho encontrado tantos mangás mal-conservados, como era antes.
Em resumo, defendo que reclamar que o produto não vai lacrado para a banca é simplesmente besteira. Não é porque Panini manda seus produtos lacrados que isso é necessariamente o certo, visto que retira do leitor a possibilidade de averiguar o produto antes de se decidir a comprar.
O que se deve mesmo questionar da JBC, então, é o porquê de alguns produtos para livrarias serem embalados! Acaso quem compra em livraria não tem o direito de folhear o produto? Fora casos como o volume 2 de Anohana (que veio com um postal de brinde para lojas especializadas) qual o problema de mandar os mangás para livraria do mesmo jeito que para banca, abertos, sem lacre? Por que o pessoal que compra em livraria não pode ter o mesmo direito do que os que compram em banca de revista?
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BBM