Resenha: Shakugan no Shana #01 (Mangá)

Lutando para sobreviver quando você já está morto?

Talvez um dos anúncios mais inesperados de 2017 tenha vindo por parte da NewPOP, ao divulgar que lançaria no Brasil tanto o mangá, quanto a light novel de Shakugan no Shana. Obra de relevante destaque na primeira década do século XXI por conta de sua adaptação em animê, Shakugan no Shana parecia um daqueles títulos que estavam relegados ao ostracismo e que nunca veríamos oficialmente no Brasil. Veio e em novembro de 2018 foi lançado o primeiro volume da adaptação em mangá.

Shakugan no Shana nasceu originalmente como uma série de light novels escrita por Yashichiro Takahashi, com ilustrações de Noizi Ito (mesma que fez as ilustrações de Haruhi Suzumiya), tendo sido publicada entre 2002 e 2011, em um total de 22 volumes pela editora Media Works. Há ainda outros 4 livros (1 de Shakugan no Shana 0 e 3 de Shakugan no Shana S, também a serem publicadas pela NewPOP), totalizando 26.

A adaptação em mangá, por sua vez, esteve a cargo de Ayato Sasakura e foi publicado entre 2005 e 2011 nas páginas da revista Comic Dengeki Daioh!, da editora Media Works, sendo compilado em um total de 10 volumes. Como é o normal em adaptações de light novels, o mangá não adapta toda a história. Mas será que vale a pena acompanhar esse título mesmo assim ou é uma adaptação desnecessária? Falaremos nesta postagem.

  • Sinopse Oficial

Yuji Sakai jamais poderia imaginar que o seu pacato cotidiano como um estudante do Ensino Médio seria completamente virado do avesso por invasores extradimensionais chamados de “Habitantes da Realidade Escarlate”. Por sorte, quando ele foi atacado pelos monstros que não eram de seu mundo, foi salvo por uma misteriosa garota de olhos e cabelos vermelhos como o fogo. No entanto, foi a partir dela que o pobre garoto descobre a cruel verdade: ele já era uma “pessoa morta” e que agora não passava de um mero “resquício” do humano que um dia se chamou Yuji Sakai…!

  • História e desenvolvimento

A sinopse de Shagukan no Shana deixa claro desde o início que a obra será centrada em fantasia com ação. Então veremos monstros, magias e lutas no decorrer da obra. E se é isso que você deseja, é isso o que você terá nesse primeiro volume em mais de um momento.

Basicamente, o mundo de Shakugan no Shana funciona da seguinte forma: além da nossa realidade, onde os humanos existem, há também um outro local, um mundo alternativo, chamado de “Realidade Escarlate” ou também chamado “Templo em Turbilhão”. Quando vêm para o nosso mundo, os habitantes dessa realidade tomam dos humanos a chamada “Força de Existência” para que possam se manifestar e manejar poderes sobrenaturais.

Entretanto, todo humano que tenha sua “Força” drenada e seja morto, desaparece completamente, como se nunca tivesse existido, trazendo uma distorção ao mundo. Conforme mais e mais habitantes iam ao mundo humano, alguns outros habitantes perceberam o perigo disso e resolveram atacar seus conterrâneos. Para tanto, utilizaram-se de humanos que juraram vingança aos habitantes para que estes pudessem manifestar seu poder, esses foram chamados de “Flame Haze”. Shana, que dá título ao mangá, nada mais é do que uma “Flame Haze” de um soberano da Realidade Escarlate chamado Alastor.

A história do mangá começa com um prólogo em que esses detalhes são explicados, para em seguida sermos apresentados ao protagonista Yuji Sakai, que se encontra com “monstros” da Realidade Escarlate, mas acaba salvo por Shana. O que Yuji não contava é que ele já estivesse morto^^.

Para amenizar os efeitos da distorção causada pelo ataque dos habitantes, os humanos mortos eram provisoriamente substituídos por “cópias” com uma pequena chama que tão logo se apagasse faria a “cópia” sumir desse mundo. Yuji era apenas mais uma cópia, pois fora morto anteriormente. A questão é que Yuji não é uma simples cópia, ele é chamado de “Mystes” e possui algo mais dentro de seu corpo, ao ponto de fazer Shana entrar para a escola do rapaz e protegê-lo.

Shana e Yuji

Esse é o resumo básico da história de Shakugan no Shana nesse primeiro volume. A obra ora veste-se com as roupas da ação, com batalhas entre Shana e os “monstros”, ora traja uma roupa explicativa para não deixar o leitor boiando sobre o que está acontecendo na história. E no meio disso ainda há um ou outro elemento extra, como uma tentativa de humor com, por exemplo, a garota ridicularizando os professores durante a aula.

Muito embora essa mistura de climas seja totalmente clássica, usada e reusada em praticamente todas as obras, nem sempre essa mescla acaba resultando em algo bom. Esse é o caso de Shakugan no Shana. O mangá não tem um desenvolvimento competente e toda essa combinação apenas reforça isso.

Para começar, o modo como as explicações são passadas não são tão didáticas quanto se presumiria para um mundo relativamente denso. Dito de outro modo, o mangá nos apresenta boa parte da rotina daquele mundo como se já tivéssemos visto antes e só estivéssemos relembrando. Ou seja, é quase como se o mangá tivesse sido feito apenas e tão somente para quem já era fã da obra original.

Essa hipótese não é objetiva, pois como dito antes o primeiro capítulo do mangá, na verdade, é um prólogo em que o mundo nos é explicado. Posteriormente, porém, Shana reexplicará a Yuji esse funcionamento, ao mesmo tempo em que outras coisas são ditas e a compreensão disso tudo não é fácil. É preciso reler o mangá pelo menos umas duas vezes para você ter certeza de que entendeu todos os mecanismos. Isso é um tanto quanto complicado e pode afastar leitores de primeira viagem logo de cara.

O problema é duplo nessa questão, pois o leitor se sente perdido, mas as explicações ocupam páginas e mais páginas, de maneira bastante burocrática, enfadonha até, em que só se destaca as expressões de Shana feliz comendo alguma coisa.

O pior demérito do primeiro volume, porém, são justamente os personagens. Se Shana se destaca com o humor e suas expressões ao comer, no restante do mangá ela parece sem uma alma própria, sem algo que a destaque, só um personagem comum e que luta. Ainda assim ela é uma personagem interessante.

O mesmo não podemos dizer de Yuji. Bonzinho demais e sem motivações, ele está sempre fazendo expressões caricatas ou se preocupando em demasia. Não há nada dele que nos faça querer acompanhá-lo, saber de sua vida, o que acontecerá com ele, etc. Faltou um desenvolvimento maior dessa questão (como era a vida do rapaz antes de ser morto? E como ele foi morto?), faltou chamar mais o leitor para a obra.

Shakugan no Shana, entretanto, não é de todo ruim. As lutinhas são interessantes ao seu modo, a garota consegue se sobressair em alguns momentos e os elementos de humor até que são legalzinhos. Mas isso é muito pouco para essa adaptação. A obra não nos prendeu e não nos instigou a continuar a leitura, então acabou sendo uma  pequena decepção.

  • A edição nacional

A edição nacional veio com as dimensões 12,8 x 18,7 cm (muito parecido com outros títulos da editora como Number Six e Madoka Magica), miolo em papel offset, capas internas coloridas e ainda uma primeira página colorida, contendo uma ilustração da Shana. O acabamento como um todo é aquele padrão da NewPOP de sempre, com miolo costurado e maleabilidade boa das páginas. Não há muito o que falar que já não se tenha falado em outras resenhas de mangás da editora.

Um ponto negativo a ser mencionado, porém, é que em algumas páginas parte dos balões de fala foram “comidos” pela impressão, como na imagem abaixo:

Fora isso, praticamente não vi problemas na edição brasileira do mangá. Erros de revisão só notei uma ou outra vírgula má emprega (ou pelo menos questionável) e a frase abaixo que deveria um “contaria” em vez de “contar”.

Agora sobre a adaptação, diferente de outros mangás da editora, o texto parece meio travado em alguns momentos, especialmente nos capítulos iniciais quando ocorre a explicação do mundo ou quando Shana e Alastor chamam Yuji de “isto”. Não pareceu muito natural. Talvez a intenção fosse exatamente essa mesma, mas se foi o texto não conseguiu nos dizer que era intencional. De modo geral, porém, a leitura ainda flui muito bem e sem maiores percalços.

  • Veredicto

Apesar de iniciar com uma grande explicação sobre o mundo do mangá, a adaptação de Shakugan no Shana carece de um pouco mais de clareza. A obra te insere naquele ambiente, mas em seguida deixa as coisas confusas com um monte de citações a coisas que você ainda não viu ou apreendeu corretamente. O resultado é que o leitor que não é iniciado da obra acabará se sentindo meio perdido.

E se isso é um problema, Shakugan no Shana peca também no oposto disso, ao dedicar páginas e páginas para explicar de forma mais detalhada o que está acontecendo, não parecendo uma explicação totalmente natural e nem totalmente eficaz.

O grande problema, entretanto, é que falta algo mais no mangá. Algo que nos faça querer continuar lendo aquela obra, algo que desperte interesse, que nos faça nos importarmos mais com os personagens. Nesse primeiro volume, tanto Shana, quanto Yuji pareceram dois invólucros vazios, sem uma personalidade mais forte que nos chamasse a atenção.

Dito de outro modo, a trama não fez os personagens aparecerem como deveriam e o mangá terminou por parecer uma sucessão de coisas jogadas, quase de forma aleatória. Não chega a ser ruim, mas sem dúvida não é algo que valha a pena acompanhar, ainda mais sabendo que é uma adaptação de light novel e que essa adaptação não cobre toda a história. O melhor talvez seja esperar pelo lançamento da obra original, que deverá ocorrer em 2019.

  • Ficha Técnica

Título: Shakugan no Shana
Autor: Ayato Sasakura
Tradutor: Thiago Nojiri
Editora: NewPOP
Número de volumes total no Japão: 10
Número de volumes lançados no Brasil até o momento: 1
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos
Preço da versão: R$ 18,00
Dimensões da ed. física: 12,8 x 18,7 cm
Acabamento: Papel offset, capa cartonada e capas internas coloridas
Onde comprar: Amazon / BuscapéNewPOP Shop

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3 comentários

  1. Reconheço que é um erro meu e que por causa disso acabo deixando de ler muita coisa boa, mas quando um mangá (ou anime) envolve uma trama colegial costumo desdenhá-lo.

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