Resenha: “Radiant” (volume 1)

Aquele mangá francês que foi lançado até mesmo no Japão

Provavelmente, o mangá ocidental mais famoso em todo o mundo atenda pelo nome de Radiant. De autoria do francês Tony Valente, a obra está em publicação na França pela Ankama Editions desde 2013 e já soma 11 volumes lançados em seu país de origem.

Publicado até mesmo no Japão, o mangá se tornou famoso por influência de Yusuke Murata, responsável pelo remake de One-Punch Man, que fez até mesmo o obi (aquela faixa de propaganda) de recomendação do primeiro volume nipônico de Radiant. Embora já gozasse de popularidade, a obra deu mais um salto e conseguiu ter uma adaptação em animê, já com uma segunda temporada anunciada, o que a deixou mais em evidência ainda.

Capa japonesa

Já publicado em outros países também como Espanha e Itália, o mangá francês foi anunciado no Brasil em dezembro de 2018 pela editora Panini e começou a ser publicado por agora. Adquirimos o primeiro volume, lemos a obra e viemos dar nossa opinião sobre o título para vocês. Vem ver :).

  • Sinopse Oficial

Seth é um garoto da área de Pompo Hills que deseja se tornar um grande feiticeiro. Como todos os feiticeiros, ele é um “infectado”, um dos poucos seres vivos que sobreviveram ao contato com os Nêmesis, os monstros que caem do céu dessa terra mística, contaminando e dizimando tudo o que tocam. Com sua aparente imunidade, ele acaba virando um caçador de Nêmesis, o que o leva à missão de procurar o Radiant, sob o terrível olho da Inquisição…

  • História e desenvolvimento

A história de Radiant se passa em um mundo de fantasia onde há monstros conhecidos como Nêmesis, feiticeiros e uma organização conhecida como Inquisição. Além de humanos comuns e normais, é claro.

Na obra, os Nêmesis caem do céu e quase todos os humanos que entram em contato com um deles acaba morrendo. Alguns, porém, têm a sorte de sobreviver, ganhando imunidade ao toque dos Nêmesis, capacidade de usar magia (chamado de “Fantasia” nessa obra), mas também tornando-se um infectado, com alguma anomalia que o diferencia dos demais (chifres, bipolaridade, cabelos em excesso, macarrão no lugar de pelos O_o, etc). Esses são os feiticeiros.

A explicação

Os humanos têm medo dos Nêmesis, porém igualmente têm preconceito para com os feiticeiros, muitas vezes tendo tanto ou mais temor deles do que dos Nêmesis. Por sua vez, a Inquisição está sempre atrás dos feiticeiros, prontos para aniquilarem qualquer um que destoe dos demais.

É nesse mundo que conhecemos Seth, um feiticeiro com dois chifres na cabeça e que deseja acabar com os Nêmesis, embora não saiba qual a aparência deles. Demais impulsivo – e até meio burro algumas vezes – o rapaz está sempre em busca de uma luta contra um deles, porém o que ele mais consegue é fazer confusão e ser mal visto pelas pessoas comuns. Somente Alma, sua mestre, é capaz de contê-lo e o salvar dos perigos.

Após um certo incidente, porém, Seth decide abandonar a companhia de Alma e partir em uma jornada própria, não mais apenas atrás dos outros Nêmesis, mas sim em busca do lendário local de nascimento deles, conhecido como “Radiant”.

A obra de Tony Valente sem dúvida alguma é herdeira dos battle shonens tradicionais e isso está longe de ser um demérito, pois o autor francês consegue fazer uma obra bastante interessante, consistente e divertida. Seth é aquele protagonista padrão que se mostra como diferente, com algo único, tal qual o Goku, de Dragon Ball, ou mesmo o Ed, de Fullmetal Alchemist. Ele consegue usar “Fantasia” de mãos vazias, algo completamente incomum no mundo de Radiant e isso terá consequências para o rapaz no futuro, sendo alvo da Inquisição.

Além disso, como dissemos mais acima, ele é totalmente agitado e meio burro que o coloca em diversas confusões (e faz outras pessoas entrarem nelas também), mantendo a obra em andamento. Ora ele é enganado por um grupo de feiticeiros bandidos, ora é enganado por um gato amarelo e assim por diante.

Mas o mangá brilha muito é nos momentos de humor. A comédia é o ponto forte nesse primeiro volume, com diversas passagens que te fazem gargalhar com as tiradas de Seth, os duplos sentidos (não) intencionais, entre diversas outras situações que colocam um sorriso no rosto do leitor.

Aquele duplo sentido…

Radiant lembra muito o início de Dragon Ball nesse quesito, apresentando um humor bastante característico que faz a gente se afeiçoar aos personagens e ao modo como a história vai sendo contada. É um humor simples, mas que funciona e funciona muito bem.

Sim, é assim que se faz as pazes, batendo nos outros^^.

Sem dúvida alguma, Radiant foi a grande surpresa dentre os lançamentos recentes da Panini. Uma obra que a gente não espera muita coisa, mas que consegue se sobressair e agradar por sua qualidade inconteste.

Seth quer ajudar, mas é confundindo com um maníaco
  • A edição Nacional

A edição nacional veio no formato 13,7 x 20 cm (tamanho padrão da Panini), com miolo em papel offwhite, e algumas páginas coloridas ao preço de R$ 22,90. Apesar de ser um mangá de origem ocidental, a leitura é oriental como qualquer obra japonesa.

De modo geral, a edição está boa. Maleável na medida do possível, permitindo o folheamento sem muitos percalços e dando para abri-lo bem sem formar “ondas” ou amassados. O papel é aquele de sempre que a Panini vem utilizando em seus mangás desde meados de 2018. É uma edição normal, sem nada demais. O maior demérito é as páginas coloridas serem em offwhite também, pois esse papel não faz com que as cores se sobressaiam.

Diferentemente de Yuuna (clique aqui para ler a resenha) e Dragon Ball – Edição Definitiva (clique aqui), a editora não colocou uma sinopse na quarta-capa, deixando apenas uma frase genérica no lugar. Em nossa opinião, uma informação mais detalhada sobre a história do mangá faria bem mais sentido e poderia chamar mais leitores para conhecer a obra.

Em relação ao texto, ele está muito bem adaptado, bastante fluído, dando um ritmo bem dinâmico à leitura. Não encontrei erros de revisão, então o trabalho da editora nesse quesito foi muito bom em Radiant.

Por fim, vale mencionar que em nenhum momento é dito que a obra é de origem francesa, de modo que se você não souber disso, o mangá lhe parecerá um título japonês como qualquer outro, e isso é muito legal.

  • Conclusão

Um tempo atrás eu havia lido o início de Radiant e tinha gostado do que vi na época. Entretanto, eu não havia experimentado o mangá por inteiro, eu ainda não tinha descoberto o quão divertido era essa obra. A versão brasileira da Panini trouxe uma narrativa extremamente bem humorada, com um desenvolvimento interessante e que não deixa nada a desejar a qualquer mangá japonês. Na verdade, eu vou até mais longe, o início desse mangá consegue superar o início de vários battle shonens medalhões por aí.

Radiant definitivamente foi uma enorme surpresa e vale muito a pena acompanhar. Se você tem R$ 22,90 sobrando, não deixe de adquirir essa obra, pois ela realmente é divertida e tem bastante potencial.

  • Ficha Técnica

TítuloRadiant
Autor: Tony Valente
Tradutor: Eliana Takara
Editora: Panini
Número de volumes na França: 11 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil até o momento: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel offwhite
Acabamento: Capa cartonada simples + algumas páginas coloridas
Classificação indicativa: 12 anos
Preço: R$ 22,90
Onde comprarAmazon / Americanas

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