Uma surpresa chamada “Napping Princess”

Quando um título surpreende positivamente…

Sabe quando você vê a sinopse de um mangá, não vem nenhum interesse e você deixa ele passar sem qualquer culpa na consciência? Certamente isso já aconteceu várias vezes com você e com todo mundo que coleciona quadrinhos japoneses. Um desses casos, para mim, foi Napping Princess. A editora NewPOP o anunciou, o lançou e não me despertou qualquer espécie de curiosidade em nenhum momento.  Parecia ser só mais um mangá de fantasia genérico e que não valia a pena investir tempo e dinheiro. Mas algo mudou, um fato aleatório ao próprio mangá.

Na minha cidade, abriu uma Livraria Leitura alguns meses atrás e hoje ela tem um acervo bem interessante de mangás. Não é tão grande como a falecida Livraria Leitura da cidade vizinha, mas não está de se jogar fora, ainda mais considerando que alguns meses atrás por aqui não tinha nenhum ponto de venda fora algumas bancas que só vendiam mangás da Panini e encalhes da Nova Sampa.

Então, um dia desses eu fui lá fazer a minha parte para que aquela livraria dê certo e seja um sucesso (a política da Leitura é sem dó, se uma loja dá prejuízo por um certo tempo eles fecham e vão para outro lugar), comprando alguns quadrinhos japoneses. Havia lançamentos recentes como Hokuto no Ken e Overlord, além de vários outros mangás e light novels.

Mas eu não queria iniciar uma coleção, eu queria algum volume único, mas todos os que a loja tinha eu já havia lido, então procurei alguma série curta que eu pudesse comprar todos os volumes sem gastar muito. Havia algumas opções como o The Irregular at Magic High School, lançado ano passado pela Panini, mas se eu comprasse esse mangá iriam só nisso mais de 80 reais e não valia a pena. Eu desejava algo mais barato, por menos de R$ 50, e três opções surgiram Love In The Hell, Corpse Party: Another Child e Napping Princess. Optei por este último e não me arrependi.

Napping Princess nasceu originalmente como um filme de animação, escrito e dirigido por Kenji Kamiyama (um diretor até conhecido no meio tendo trabalhado em diversas obras, como Medabots, e alguns animes da franquia Ghost In The Shell), sendo lançado no Japão em março de 2017. Um mês antes – como é comum nesses casos – um livro foi publicado por lá contando a história do vindouro filme. Além disso, o primeiro capítulo da adaptação em mangá foi lançado no mesmo mês na revista NewType.

O livro foi escrito pelo próprio Kamiyama e, devemos lembrar, será lançado no Brasil em breve pela NewPOP. O mangá, por sua vez, teve dois volumes no total, o último deles lançado em dezembro de 2017, e ficou por conta de Hana Ichika. No Brasil, a NewPOP o publicou por aqui entre abril e maio de 2019. Mas o que ele tem de tão bom que me fez ficar fascinado pela obra? Você saberá a seguir…

  • Sinopse oficial

A jovem colegial Kokone Morikawa, que vive cochilando, perdeu a mãe e mora com o pai em Okayama. Recentemente, ela começou a ver sempre o mesmo sonho. Era sobre um conto de fadas sobre máquinas e magia que seu pai, Momotarou, lhe contava quando era criança. Nesse sonho, ela é a princesa Ancien com poderes mágicos capazes de dar vida às coisas. No verão de 2020, três dias antes das Olimpíadas de Tóquio, Momotarou foi preso repentinamente. O único jeito de salvar seu pai que estava sendo acusado injustamente era… “sonhar”.

  • História e Desenvolvimento

A sinopse não deixa dúvidas de que Napping Princess é apenas uma história genérica de ação e aventura, daquelas que já vimos incontáveis vezes e é meio difícil olhar para ela com bons olhos se você não a conhecer previamente. Entretanto, se você der uma chance poderá ser surpreendido por uma narrativa bem mais interessante do que a premissa da princesa dorminhoca dá a entender.

Basicamente, a história se passa em dois planos distintos, o mundo real em que Kokone, a protagonista, de repente se vê envolvida em uma situação que não esperava devido ao sequestro de seu pai, e o chamado “mundo dos sonhos”, em que uma princesa chamada Ancien tem que lutar com magia contra os malefícios da tecnologia (ou quase isso^^).

O enredo é extremamente simples. Ocorre o sequestro do pai de Kokone, os sequestradores vão atrás dela também e ela consegue escapar com a ajuda de um amigo. A partir daí os dois começam a perseguir o paradeiro do pai e a relação que esse sumiço tem com uma famosa empresa de automóveis. A obra é muito bem feita narrativamente falando, jogando pouco a pouco os elementos que irão compor a história, falando, por exemplo, das Olimpíadas de 2020 (algo que é importante), dentre outras coisas que vão se encaminhando para o desfecho.

Enquanto isso acontece, uma outra história se desenvolve, ocorrendo nos sonhos de Kokone. Nele existe um mundo totalmente tecnológico, com engarrafamentos enormes e em que, por exemplo, as pessoas, mesmo não querendo, precisam trocar de carro constantemente. No mundo, porém, existe magia e Ancien, filha do rei, é uma das detentoras desse poder, usando um tablet para dar vida a criaturas. Há todo um contexto em que a magia seria proibida e atrapalharia a tecnologia, existindo até um monstro que aparece na cidade, supostamente pelo uso dela.

A obra intercala esses planos muito bem e o que acontece em um mundo parece influenciar o que acontece em outro, de modo que há todo um jogo entre o que é real e o que não é. Assim como no mundos dos sonhos também existia magia no mundo real? Há inclusive alguns momentos bem icônicos, em que a obra brinca com essa dubiedade, há uma cena em que o pai de Kokone conversa com o ursinho de pelúcia da garota (que no mundo dos sonhos fala e se mexe) dizendo que só ele sabe o que aconteceu no passado, há uma outra em que Kokone usa o tablet para pedir uma coisa e essa coisa aparece como se fosse mágica e assim por diante. Tudo é muito bem feitinho e divertido.

Como não vi o filme e nem li o livro, não sei como essas intercalações dos dois planos acontecem, mas no mangá o modo como é feito é muito legal, como se um fosse de continuação do outro. Claro que há momentos em que fica óbvia a mudança de cara, mas em outros em um quadro se está em um plano e logo em seguida em outro. Inclusive, na primeira mudança, ocorrida ainda nas páginas iniciais do primeiro volume, você precisa ter um pouco mais de atenção para perceber que são dois momentos distintos. Não lhe será muito difícil perceber isso, mas quem não está acostumado com esse tipo de narrativa pode estranhar um pouco.

O clímax da obra é bastante intenso, com os dois planos de história quase que se fundindo, em que quem está salvando alguém em um mundo, está sendo salvo em outro. No fim, a história de Kokone e Ancien são uma só, separadas não por mundos distintos, mas por tempos diferentes (ou quase isso, você entenderá quando ler).

Naturalmente, Napping Princess não é perfeito e falha em algumas coisas (a questão, por exemplo, da humanidade ser controlada pelo desejo consumista, de ter que sempre comprar produtos novos, é pouco aproveitada durante o mangá e deixa a impressão de que a obra poderia ter ido além), mas é uma história, ainda que simples, com uma boa execução e com um desenvolvimento bem interessante que não deixa dúvidas de que o dinheiro gasto na obra foi bem empregado.

  • Conclusão

Napping Princess é uma obra com uma história bem simples, com uma aventura convencional, mas que diverte bastante exatamente por isso mesmo. A premissa inicial da princesa dorminhoca soa realmente meio boba, mas com o desenrolar da trama tudo parece fazer sentido e é bem interligado. Ajuda para isso, o fato de Hana Ichika conseguir apresentar uma narrativa bem redondinha, mostrando relação de causa e consequências entre as diversas partes da história, mesmo em uma obra que precisava mesclar dois pontos distintos. Outros mangakás (sim, Daichi Matsuse, falamos de você ) conseguiriam estragar um roteiro bem mais simples do que esse, então devemos dar todos os méritos para Ichika por ter feito um bom trabalho.

De modo geral, indico Napping Princess para todo mundo que queira ler algo curto e fechado, sem maiores compromissos. Não é um mangá que mudará sua vida, nem nada do tipo, mas é um entretenimento bem interessante…

  • FICHA TÉCNICA

Título Original:  ひるね姫 〜知らないワタシの物語〜
Título NacionalNapping Princess – A Minha História que eu Não Conhecia
Autor: Hana Ichika
Tradutor: Karen Kazumi Hayashida
Editora: NewPOP
Dimensões: 12,8 x 18 cm
Miolo: Papel Offset
Acabamento: Capa cartonada, miolo costurado, páginas coloridas.
Classificação indicativa: 14 anos
Número de volumes no Japão: 2 (completo)
Número de volumes lançados: 2 (completo)
Preço: R$ 18,00
Onde comprarAmazon / Americanas / Submarino

2 comentários

  1. Uma ótima abalize da obra.
    Comprei os dois juntos quando saiu o numero dois. A incio achei que seria uma historia simples somente. E realmente era. Mas o modo de contar a historia estava bem legal e o modo como os eventos vão se amarando até o final é bem interessante. É um manga divertido, não é o melhor manga do mundo mas diverte bastante. Uma leitura rápida e que entretêm a pessoa que lê. Diria que é uma boa coa compra com bom custo beneficio.

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