Resenha: “Ilha dos Cachorros”

Faltou muito para termos uma história…

Em meados de 2018, foi lançado no Brasil e no mundo o filme de animação em stop motion Ilha dos Cachorros, dirigido pelo prestigiado diretor Wes Andersen (mesmo responsável por Moonrise Kingdom), ganhando diversos prêmios internacionais posteriormente.

Na mesma época da estreia mundial da película, a obra começou a ganhar uma adaptação para mangá no Japão, sendo concluído em pouco tempo. Desde então, o mangá começou a ser licenciado em outros países, incluindo o Brasil.

O mangá Ilha dos Cachorros ficou a cargo de Minetaro Mochizuki e foi publicado no Japão entre abril e agosto de 2018 na revista de mangás seinens (destinado ao público adulto) Morning, da editora Kodansha, tendo seus capítulos compilados em um único volume.

A Morning – para quem não sabe – é a mesma revista em que saíram títulos como Vagabond, Planetes, Crônicas da Era do Gelo e Chi’s Sweet Home.

No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora NewPOP em novembro de 2020 e foi publicado no mês de junho de 2021, em uma edição de tamanho grande, em capa dura e com sobrecapa.

Na obra, um prefeito corrupto decide banir todos os cães da cidade devido a uma doença que estava assolando a população e que tinha origem nos caninos. Os bichinhos, então, eram destinados a uma ilha, onde teriam que sobreviver por si mesmos, se fosse possível.

Um dos cachorros enviados a esse lugar foi Spots, o cãozinho fiel de Atari Kobayashi, menino que perdeu os pais em um acidente e passou a viver com o prefeito, seu único parente, e que encontrou no bicho  sua válvula de escape. O garoto, então, parte em uma viagem até a ilha.

Ou seja, a história fala basicamente do modo como os humanos tratam os cachorros, existindo medo, desprezo e, em contrapartida, amor. O protagonista da história, o jovem Atari, é um menino que ama demais os cães, os trata com ternura e jura nunca fazer nada de mal com eles, nunca os deixar sós, etc.

E é nesse ínterim que ele viaja para a ilha, buscando recuperar o seu cachorro, para ter o seu velho companheiro de volta e poder dar de novo todo o carinho que ele merece. Entretanto, coisas acontecerão durante o caminho, como o contato com outros cães, e que fará o jovem ver uma coisa que não esperava…

Ilha dos Cachorros é uma obra, então, que busca expressar o modo como humanos e animais podem ser amigos, ajudar uns aos outros, etc. Uma obra perfeita para todos os que gostam desse tipo de história…

Só que não!

A verdade é que Ilha dos Cachorros é um mangá completamente apático. Ele tem apenas 80 páginas e apresenta uma história muito curta e que se desenvolve muito rapidamente (você lerá em menos de 30 minutos, talvez em menos de 15), de maneira que as coisas acontecem de forma tão acelerada, mas tão acelerada, que o mangá se torna bastante raso, não conseguindo ir a fundo em nada do que tenta fazer.

A obra fala de uma doença, mas ela é apenas citada. Fala de um prefeito corrupto, mas igualmente isso só é citado. A única coisa que se fala um pouco mais é sobre os cães e a relação afetiva para com os humanos, mas mesmo assim tudo fica longe de ter qualquer substância, de ter um desenvolvimento e uma conclusão satisfatórias.

A própria existência da trama em si não é bem explicada. Os cachorros foram mandados para a ilha e o menino foi lá procurar o seu canino por sentir falta dele, por ser seu único amigo, mas – assim como outras coisas no mangá – isso é só citado, só é falado, não tem uma sequência de desenvolvimento marcante. Tanto que, no final, quando o garoto reencontra seu cachorro e ocorre uma espécie de virada na história, tudo parece sem sal, pois as coisas, os sentimentos, não foram explicados a contento.

Ficou faltando alguma coisa.

Dito de outro modo: Ilha dos Cachorros tenta ser emotivo e não consegue; tenta passar uma lição e não consegue; tenta falar de corrupção e não consegue; tenta falar de amizade e não consegue; tenta ser uma história e não consegue.

Eu não assisti ao filme, mas só de ler o mangá eu já sei que a adaptação é muito, mas muito, mas muito, mas muito, mas muito ruim. Afinal não dá para um filme ser tão elogiado e ter uma narrativa tão fraca como a desse mangá.

Logo, a maior definição para Ilha dos Cachorros, ao meu ver, é esquecível. Não dá para tratá-lo como bom, como ruim, como mediano, como nada. Ele é apenas uma obra que parece totalmente incompleta, uma obra amadora e que não sabe o que quer fazer…

Para piorar, ele nem é um mangá infantil (foi publicado no Japão em uma revista seinen e saiu no Brasil com classificação indicativa de 14 anos), de modo que o fraco roteiro nem pode ser amenizado pela questão de ser uma obra para crianças…

Em suma, Ilha dos Cachorros é um mangá que o blog BBM recomenda você passar longe, pois não há nada nele que seja proveitoso.

***

O preço da obra (R$ 49,90) é extremamente caro pelo que oferece, mas eu comprei em uma promoção, saindo por R$ 27,00, o que deixou as coisas mais em conta. Ainda assim, esse valor com desconto continua sendo muito alto para a história que apresenta, então o blog reafirma a desrecomendação do mangá.

Entretanto, é importante destacar que, apesar de não ser uma obra infantil, não existe nada demais nela e talvez uma criança ainda possa gostar (já que usualmente elas não têm discernimento sobre histórias boas e ruins), então se você tiver um filho ou sobrinho e quiser introduzi-lo no mundo dos mangás, esse pode ser uma opção. Mas que fique claro, só compre em promoção e por menos de R$ 27,00^^.

Ficha Técnica

Título Original:犬ヶ島
TítuloIlha dos Cachorros
Autor: Minetaro Mochizuki
Tradutor: Thiago Nojiri
Editora: NewPOP
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 18 x 25,5 cm
Miolo: Papel pólen
Acabamento: Capa dura com sobrecapa
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon / Comix  / Livrarias Curitiba

3 Comments

  • Nossa destruiram o mangá kkkkk, eu já não ia comprar por causa do preço, mas agora mesmo numa promoção parece uma má aquisição. Gosto bastante do filme e do diretor, que inclusive dirigiu o fantástico senhor raposo que é um dos meus filmes preferidos da vida, mas quanto ao ilha dos cachorros vou ficar só com a lembrança do filme mesmo

  • Lis

    No fim acaba funcionando como uma propaganda do material original de um jeito meio diferente: é tão sem-graça que você pensa ‘não é possível que o material original seja tão sem-graça assim’ e vai conferir hahaha

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