Biblioteca Brasileira de Mangás

Resenha: “Mandala de Fogo”

Eu ainda não sei o que é mandala

No final de outubro, a editora Pipoca & Nanquim lançou no Brasil o mangá Mandala de Fogo, de Chie Shimomoto. A obra é um volume único publicado no Japão em 2016 pela editora Leed e chegou por aqui no excelente acabamento da editora, em um tamanho grande, com miolo em um papel excelente e em capa cartão com sobrecapa.

Recebemos a obra diretamente da editora há pouco tempo, o lemos e viemos dar nossa sincera opinião sobre a obra para vocês.

Assim como vários mangás da editora Pipoca & Nanquim, Mandala de Fogo é uma obra de caráter histórico, se passando no século XVI e acompanhando uma figura real, no caso um famoso artista chamado Hasegawa Touhaku, pintor admirado e lendário do Japão. Em um único volume, a autora busca nos apresentar o período em que Touhaku apreendeu o estilo de arte que desejava e os anos seguintes que o transformaram na pessoa se perpetuaria pela história.

Basicamente, o protagonista se encontrava perdido na vida, sem ter conseguido ser um artista reconhecido, até que uma série de acontecimentos fazem com que ele se embrenhe em meio às chamas e vê uma pintura que o faz mudar por completo. E o resto é história…

Com toda a sinceridade do mundo, os dois primeiros capítulos de Mandala de Fogo são um porre total, ao ponto de eu ter dito que até ali era o pior mangá da Pipoca & Nanquim que eu tinha tido a oportunidade de ler até então. E, assim, a distância dele para qualquer outro mangá da editora era de quilômetros de distância.

Até ali o mangá era chato, sem qualquer emoção, os personagens com zero carisma e um desenvolvimento desastroso. Em cada capítulo, por exemplo, tinha um certo momento de clímax que a gente via que deveria ser algo intenso e grandioso, mas no fim não acaba sendo nada de mais (como a visão da pintura por parte do protagonista.).

E isso prosseguiu um pouco no terceiro capítulo também. O que eu vi é que até aquele momento a autora ainda não tinha pegado o jeito do que queria contar e como queria contar. O ritmo parecia acelerado demais em algumas partes e ela tentava fazer cenas de humor apenas por fazer e tudo parecia muito caricato e sem harmonia.

As coisas começam a mudar mais ou menos na metade desse terceiro capítulo, quando um pintor debate-se consigo mesmo em uma cena bem intensa. A partir daí (e já estamos falando da metade do mangá) ele ganha outros contornos, mais densos e intensos. Ainda tem algumas coisas pueris como certas maneiras de expressar o rosto dos personagens, mas no quesito história e intensidade a obra evolui bastante.

A gente não entende o conceito de Mandala daí que algumas coisas podem ter ficado fora do alcance do nosso entendimento (mesmo com as notas de tradução), o que dá para compreender, no entanto, é o amor à arte e a maneira como se dedica a ela, até o último suspiro. Isso se mostra mesmo nos momentos de perda e angustia que permeiam o protagonista.

Talvez a obra não quisesse contar a história de Touhaku propriamente dita, mas sim apresentar como a ânsia, como o fogo pela arte e pela vida se desperta, por meio da figura de um grande artista do passado. De igual modo, parece querer mostrar que não importa o que aconteça, nós precisamos seguir, continuar, evoluir, pois sempre tem um algo a mais ao nosso redor, à nossa vida.

***

Para terminar, vale dizer que Mandala de Fogo não foi o pior mangá da Pipoca & Nanquim que eu li. De todos os que eu já li da empresa, o único que eu não gostei verdadeiramente foi O Último Voo das Borboletas, de resto todos eu tive algum apreço, em maior ou menor grau.

Apesar disso, não consigo indicar para todo mundo. Embora tenha melhorado com o passar dos capítulos, sinto que nem todos podem ter a mesma sensação. Eu acho que esse título é mais para quem gosta de obras de caráter histórico e que prefiram aquelas que sejam mais calmas (sem lutas e combates)…

Essa resenha foi feita graças a um exemplar cedido a nós pela editora Pipoca & Nanquim, a quem agradecemos a parceria. As opiniões a respeito da história independem disso. 


Ficha Técnica


Título Original: 焔色のまんだら
Título: Mandala de Fogo
Autor
: Chie Shimomoto
Tradutor: Drik Sada
Editora: Pipoca & Nanquim
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 15 x 22 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 234
Classificação indicativa: não divulgado
Preço: R$ 74,90
Onde comprar: Amazon

SinopseO ciclo flamejante da arte que atravessou séculos! Hasegawa Touhaku (1539 – 1610) foi um dos maiores pintores na história do Japão, com versatilidade para transitar entre a opulência ofuscante de painéis com folhas de ouro e o sereno minimalismo que o nanquim sobre papel pode proporcionar. Suas obras, muitas delas classificadas como Tesouros Nacionais, podem ser contempladas até hoje em diversos templos e museus. Neste mangá, a autora Chie Shimomoto nos apresenta a paixão ardente e os sacrifícios que moveram Touhaku, a partir da desilusão na meia-idade — quando seu entusiasmo se extinguia por não ter renome nem trabalhos relevantes —, da morte do governante Oda Nobunaga (1534 – 1582), que inflamou o cenário político, da fusão entre a arte e o budismo, da faísca inicial da filosofia estética que via beleza no simples e imperfeito (hoje conhecida como wabi-sabi), e da chama das rivalidades, até alcançar o topo da carreira e se imortalizar.


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