
Veja como está o mangá
Mangá Aberto é uma coluna de resenhas em que mostramos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. Nela apresentamos fotos dos mangás, acrescentando alguns detalhes e opiniões.
A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de GoGo Monster, mangá publicado no Brasil em janeiro de 2024 pela editora Devir.
PEQUENAS INFORMAÇÕES SOBRE A OBRA
GoGo Monster é um mangá de autoria de Taiyo Matsumoto e foi publicado no Japão originalmente no ano 2000, eu um único volume de mais de 400 páginas. Em 2022, o mangá foi republicado, em outro formato, mas também em volume único.
No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Devir em 14 de fevereiro de 2022, por meio de uma live para o Fora do Plástico no Youtube, e, na ocasião, ele tinha previsão de ser lançado em abril daquele mesmo ano, mas isso não ocorreu.
Em dezembro daquele ano, a empresa cadastrou o título em algumas lojas com previsão para janeiro de 2023, mas novamente o lançamento não ocorreu por questão de aprovações. O ano foi passando e só em novembro fomos ter notícias mais concretas e o mangá enfim saiu agora em janeiro de 2024.
FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA
A editora Devir publicava seus mangás em dois tamanhos distintos, o 12,5 x 19 cm (de Astra Lost In Space e The Ancient Magus Bride) e o 17 x 24 cm (dos mangás do selo Tsuru), GoGo Monster, porém, vem um novo tamanho, o 15 x 21 cm.
Esse é o tamanho de Os Gatos do Louvre, Diário dos Gatos, Paradise Kiss, dentre outros. É um tamanho um pouco maior do que a maioria dos mangás da JBC e da Panini.
Outra mudança é que o mangá vem em capa cartão com orelhas, sendo o primeiro mangá da empresa com isso. Já o papel utilizado no miolo é algum tipo de offwhite bem alvo, mas com uma baixa opacidade (falaremos disso em outro tópico). São 470 páginas ao todo, sendo duas delas coloridas.
CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA
A capa da edição brasileira segue a mesma ilustração da primeira edição japonesa, mas com um logo próprio para a versão local. O mangá, importante mencionar, possui uma ilustração contínua que começa na capa, passa pela lombada, pela quarta-capa e chega em uma das orelhas.
Além da ilustração, a única coisa que tem na quarta-capa é o código de barras. Eu entendo o conceito, mas acho que faltou uma sinopse para os consumidores de lojas físicas. Existe uma sinopse em uma das orelhas, mas como ele é vendido lacrado, não há como ver.
A lombada, por sua vez só tem o logotipo da editora e o nome do mangá e do autor, estes últimos sob um fundo preto semelhante àquele círculo da capa original japonesa. Não é algo bonito, que se destaque, mas também não é feio, em minha opinião.
Em termos de material trata-se de uma capa cartão comum em acabamento brilho, destacando por ter duas ENORMES ORELHAS que fazem com que o produto tenha uma firmeza bem melhor do que mangás sem orelhas ou mesmo àqueles com orelhas menores.
Em uma das orelhas tem uma sinopse, como comentado anteriormente, na outra há uma pequena biografia de Taiyo Matsumoto e uma lista de suas principais obras.
CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS
As capas internas são rosas diferenciando-se dos demais mangás da editora (que são brancas nos mangás pockets e possuem um padrão nos do selo Tsuru). Na capa interna da frente há uma ilustração.
Uma coisa diferente desse mangá é que ele já começa com página de história, mas é a página -7 e aí vai aumentando até a -1. Após isso chegamos nas páginas coloridas, com o expediente, o sumário, e só aí começa a contagem positiva a partir do 1.
Após a capa interna da parte de trás temos uma folha com as obras do Taiyo Matsumoto publicadas pela Devir até então. Depois disso temos um desenho e as folhas finais do mangá.
PAPEL DO MIOLO
A editora Devir não divulgou o papel utilizado no miolo do mangá, mas é um da família dos offwhites, aqueles que tem uma cor mais creme. Só olhando não consigo saber se é algum da marca Pólen, mas eu chutaria que não é. Mas independente de qual marca seja, se trata de um papel fino (no sentido de finura, não de elegante) e, como consequência, é possível ver uma transparência mais acentuada em muitas páginas do mangá.
Não é algo que chegue a atrapalha a leitura, não é um nível de transparência tão elevado como Clockwork Planet, mas é uma transparência que pode gerar um pouco de incomodo em alguns leitores. O incomodo maior, entretanto, é que o mangá custa R$ 95,00 e mesmo assim tem esse problema.
Importante ficar claro que o papel ter um pouco de transparência termina por ser normal e mesmo papeis utilizados em publicações de luxo como couchê e o Pólen Bold 90g podem ter lotes com um pouco de transparência, mas o papel de GoGo Monster teve uma transparência um maior do que a média e por ele ter um preço tão alto isso causa um certo mau estar, mau estar que seria menor se fosse em uma publicação mais comum.
ACABAMENTO GERAL
Eu acho que a capa cartão com orelhas (enormes orelhas) é muito boa, dando uma robustez ao produto, e considero que a encadernação também é assim (ao menos em certo sentido). É um mangá bem maleável (sem qualquer problema para ler e folhear) e até leve para um produto de quase 500 páginas, de forma que você vai conseguir ler confortavelmente.
Ele tem problemas, entretanto. O já referido papel que tem uma transparência maior do que se esperaria para um mangá de quase R$ 100 é um deles. Além disso, como muitos livros com uma quantidade considerável de páginas, a lombada fica marcada com facilidade. Esteticamente, esse é um problema que poderia ser resolvido com a sobrecapa, mas como a editora não está usando nessa obra. Fora isso, o miolo é apenas colado e não tem costura.
DETALHES EDITORIAIS
Apesar de ter sido lançado apenas agora, GoGo Monster foi produzido antes da editora Devir realizar sua mudança no tocante ao uso das onomatopeias, assim o mangá ainda possui onomatopeias em alfabeto romano, como era o costume da editora no Brasil até pouco tempo atrás.
Como eu disse em outras oportunidades, eu nunca me importei com isso, mas muita gente preferia as onomatopeias originais japonesas e a Devir já ouviu os leitores e começou a mudar. Saturn Apartments e Hitler já vieram no novo jeito.
Em relação ao texto, eu achei ele muito bem adaptado, sendo bem coeso e coerente. Não encontrei nenhum erro de revisão nele. Posso ter deixado passar alguma coisa, claro, mas na leitura não percebi nada. Entretanto, a edição da Devir tem um erro de revisão, sim. Na página 17 temos um círculo branco deixado pela editora no meio do mangá, ocultando parte do rosto e do cabelo do personagem. Foi o único problema que encontrei no mangá, faltou atenção por parte da empresa.
A HISTÓRIA E CONCLUSÃO
A história de GoGo Monster é, talvez, uma grande interrogação, mas vamos por partes. Antes de seu lançamento, algumas pessoas diziam que essa era uma obra difícil e, em razão disso, eu estava preparado para um novo Nijigahara Holograph, em que as coisas vão acontecendo e você não entende muita coisa. GoGo Monster, entretanto, não é nada disso, porém isso não quer dizer que a história seja de fácil compreensão.
A bem da verdade, a leitura de GoGo Monster é bem leve. A gente acompanha um estudante chamado Yuki Tachibana que vive sozinho e é ridicularizado na escola pelas coisa que fala. Ele afirma que existem seres sobrenaturais e só ele consegue ver, ou sentir, e tais seres estariam em uma disputa contra outros seres malvados que estariam ocasionando o caos na escola.
Certo dia, alguns alunos novos são transferidos para a escola, entre eles Makoto, um garoto que acaba fixado por Tachibana e termina ficando amigo dele. A história do mangá, então, se passará durante cerca de um ano e terá como palco unicamente a escola, no qual veremos Yuki cada vez mais falando dos seres e dos perigos que estavam acontecendo, suas visões aumentando, ao mesmo tempo em que Makoto continuará ao lado dele.
Trata-se de uma história muito leve, com muitas páginas com poucos quadros, com poucas falas, em que a gente vai acompanhado de uma forma muito confortável, ao mesmo tempo em que vamos nos questionando e nos indagando se o que Tachibana fala a respeito dos seres é real ou não. Os tais monstros existem mesmo?
Não há muita dificuldade na leitura, é até uma leitura fácil e reconfortante em que vemos apenas o cotidiano dos alunos de um colégio. A grande dificuldade são as mensagens que estão por trás da obra. O que o mangá quis passar? O que o final significa de verdade? O que é o possível esquecimento que é falado em um determinado momento? Essas coisas precisam de um pouco de tempo e uma releitura para melhor apreciação e, mesmo assim, talvez não se chegue a uma conclusão facilmente.
Por isso que a história é uma grande interrogação. Você conseguirá ler e gostar muito do que está lendo, mas talvez fique confuso com o que se está querendo dizer. Isso não é um demérito do mangá, pois você consegue apreciar bem a superfície da história e terá um bom final ao terminar o volume. Além disso, o aspecto reconfortante do mangá fará você ver toda a ternura e intimismo característicos das obras de Taiyo Matsumoto, como Ping Pong e Gatos do Louvre.
Assim, ele pode ser difícil mesmo, mas ao mesmo tempo é uma leitura leve e prazerosa. Em resumo, GoGo Monster é um mangá muito bom, diferente, mas muito bom, daqueles que te obrigam a ler de novo para buscar ver mais camadas interpretativas do que apenas a superfície.
É um mangá que eu acho que vale a leitura de todo mundo, mas infelizmente o seu preço é um grande impeditivo. Então, a minha recomendação é que você coloque ele na sua listinha e espere uma boa promoção…
Ficha Técnica
Título Original: GOGOモンスター
Título: GoGo Monster
Autor: Taiyo Matsumoto
Tradutor: Arnaldo Oka
Editora: Devir
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel de cor creme muito alva
Acabamento: Capa cartão com orelhas
Páginas: 470 (sendo 2 coloridas)
Classificação indicativa: não divulgado
Preço: R$ 95,00
Onde comprar: Amazon
Sinopse: O aluno da terceira série Yuki Tachibana vive em dois mundos. Em um deles, ele é um garoto solitário, ridicularizado por seus colegas e que sempre leva bronca dos professores por contar histórias de criaturas sobrenaturais que apenas ele consegue ver. No outro mundo, os seres sobrenaturais, liderados pelo Superstar, disputam o poder com espíritos malignos que trazem o caos para a escola e para a vida dos estudantes.
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