Biblioteca Brasileira de Mangás

Mangá Aberto: “Duranki”

O último Kentaro Miura

Mangá Aberto é uma coluna de resenhas em que mostramos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. Nela apresentamos fotos dos mangás, acrescentando alguns detalhes e opiniões.

A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de Duranki (ou DU-RAN-KI), mangá publicado no Brasil em janeiro de 2024 pela editora Panini.


PEQUENAS INFORMAÇÕES SOBRE A OBRA


DU-RAN-KI é um mangá de autoria de Kentaro Miura e foi publicado no Japão entre setembro de 2019 e maio de 2020 na revista Young Animal Zero, da editora Hakusensha. Ele contava com desenhos do Studio Gaga, o estúdio com assistentes do autor. Na época de sua publicação se falou que era uma espécie de projeto de treinamento para no futuro eles ficarem  como os únicos responsáveis pela arte de Berserk.

Apesar de ter parado de ganhar capítulos um ano antes da morte de Kentaro Miura, o mangá ficou incompleto. Havia planos para ele ser continuado, mas com o falecimento de Miura isso não se concretizou e a obra foi encerrada assim mesmo.

O volume compilando os capítulos lançados foi publicado no Japão postumamente em dezembro de 2021, no mesmo dia em que saiu o volume #41 de Berserk. Além dos capítulos, o mangá traz também “Amazonas”, o roteiro criado por Kentaro Miura que posteriormente daria vida à DU-RAN-KI.

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No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Panini no dia 29 de setembro de 2023 e tinha previsão inicial de ser lançado em dezembro do mesmo ano, mas houve um pequeno atraso e ele só saiu em meados de janeiro de 2024.


FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira veio no formato 13,7 x 20 cm (padrão da Panini e mesmo tamanho da edição mais recente de Berserk), com capa cartão com hot stamping dourado e miolo em papel offwhite. São 256 páginas ao todo, todas em preto e branco. Há, porém, um pôster encartado em papel couchê e todo colorido.


CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA


A capa da edição brasileira segue a mesma ilustração da versão original japonesa e as únicas mudanças são os textos e o logo da editora. A diferença mais marcante é o título que no original é feito uma fonte de cor preta, enquanto na brasileira é uma cor dourada.

No que toca ao acabamento, se trata de uma capa cartão comum (sem orelhas, sem sobrecapa) com hot-stamping no título, que dá um brilho e um destaque a mais a essa parte. O hot-stamping também está presente na lombada e na quarta-capa.

Falando da quarta-capa, ela tem uma nova ilustração e a repetição do título e os nomes do autores, além do logo da editora e os elementos obrigatórios (código de barras). Há também uma boa sinopse descrevendo a obra.

A lombada possui ao fundo o arco-íris que se estende para a quarta-capa, além de imagens advindas da capa. É uma lombada bem bonita e que chama a atenção.


CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS


Na primeira capa interna nós temos uma ilustração de uma personagem do mangá e, em seguida, temos um pôster encartado dupla face. Uma das imagens do pôster é justamente a imagem da capa interna, mas dessa vez colorida. Após o pôster temos a folha de rosto e em seguida o índice e já o início do mangá.

Na segunda capa interna temos apenas um símbolo e a repetição do nome do mangá e dos autores. Em seguida temos a tradicional página de “Pare” e depois o expediente e algumas folhas em preto.


PAPEL DO MIOLO


Havia a expectativa de que a Panini utilizasse em DU-RAN-KI o mesmo papel utilizado na versão mais recente de Berserk (o papel offset, o papel branco), entretanto a editora utilizou o seu papel padrão, o offwhite.

É aquele papel de cor creme que estamos acostumados e que tem um pouco de transparência aqui e ali. Não é algo que chegue a incomodar a leitura, porém. E em DU-RAN-KI a maioria das cenas tem pouco espaço em branco, assim a dita transparência nem acontece em grande parte das páginas. Entretanto, ela se torna bem evidente na parte do roteiro.


ACABAMENTO GERAL


Como dito antes, o mangá veio com capa cartão simples, mas com um hot stamping no título que dá um charme a mais. O papel utilizado é o offwhite comum, então ele não dista praticamente em nada dos outros mangás da editora. A única diferença relevante (além do hot stamping na capa) é o pôster encartado.

Fora isso não há problemas de encadernação, então, no geral, é um acabamento “ok”, similar aos demais mangás básicos do mercado brasileiro.


DETALHES EDITORIAIS


A tradução de DU-RAN-KI ficou a cargo de Lidia Ivasa e se trata de uma tradução que, ao meu ver, parece muito bem feita, sem nada que a gente estranhasse no texto. Então a tradução, juntamente com o trabalho editorial da Panini, está impecável, do jeito que se espera de uma obra em língua portuguesa, sem honoríficos, sem palavras japonesas que podem ser traduzidas, etc, etc, etc.

Demais a mais, o resto é comum aos mangás da Panini, com as onomatopeias originais com legenda, um bom letreiramento, etc. Em relação ao roteiro de “Amazonas” ele igualmente bem traduzido, com um texto impecável, sem erros de revisão, sendo um trabalho muito bem feito.


A HISTÓRIA E CONCLUSÃO


Em DU-RAN-KI acompanhamos uma criança chamada Usum que parece ser filha de deuses e que foi enviada à terra assim que nasceu por um certo motivo… Adotada por dois velhinhos humanos, Usum cresce e se torna uma criança com grandes habilidades, pensando em soluções para certos problemas insolúveis, criando armas, etc. No decorrer do volume veremos Usum ter contato com outras crianças e descobrindo pouco a pouco o mundo, incluindo suas desgraças…

É uma história bem simples em sua concepção, mas dotada de grande carga de conhecimento (principalmente sobre mitologia ocidental) e que veremos um desenvolvimento interessante, com diversas falas e questionamentos a respeito dos seres humanos, dentre outras coisas.

Apesar de toda a simplicidade da história, ela agrada bastante e você consegue se afeiçoar aos personagens em pouco tempo. Além isso, a arte é linda, com cenários bastante carregados, de maneira que você tem que ler os balões e depois parar para apreciar os detalhes dos desenhos.

Infelizmente, como dito no início do texto, o mangá termina sem um final, no meio de um certo acontecimento, deixando um vazio e sendo um mangá incompleto.

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Não é a primeira vez que temos no Brasil um mangá que ficou incompleto no país de origem ainda em seus momentos iniciais. Já aconteceu com Shunkaden, do CLAMP, em que temos a introdução da história e só, e a adaptação em mangá de Log Horizon, que só teve um volume para nunca mais. Pode ter outros casos, mas esses são os que me recordo atualmente.

A diferença básica, entretanto, é que DU-RAN-KI foi encerrado porque o autor morreu. Assim, a equipe editorial, juntamente com os membros do Studio Gaga (que foram os principais responsáveis por este mangá), decidiu não dar continuidade após o falecimento de Kentaro Miura.

Sendo assim, DU-RAN-KI é único e exclusivamente dedicado a quem é muito fã de Kentaro Miura e gostaria de ter mais um produto em mãos que adveio da mente desse artista. Para outras pessoas, essa obra não é lá recomendada, pois você vai ler uma história, vai começar a gostar dela, e ela termina de repente em um cliffhanger.

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Além dessa história, temos nesse mangá um roteiro de Kentaro Miura chamado “Amazonas” que, posteriormente, daria origem a DU-RAN-KI. “Amazonas”, entretanto, não é o roteiro de DU-RAN-KI, é uma história própria e à parte que depois foi totalmente modificada até chegar no que é o mangá.

No texto é explicado que a história de “Amazonas” possuía a trama de um jovem do mundo moderno sendo levado para a Grécia Antiga (e mitológica) e tendo problemas e desafios por lá, assemelhando-se às obras de “viagem para outro mundo”, os conhecido isekais.

Embora já existissem muitas obras assim, o departamento editorial considerava algo meio inovador, mas posteriormente à proposta de “Amazonas”, o gênero isekai ficou muito famoso e eles realizaram diversas alterações que levaram a obra a ser DU-RAN-KI.

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E o roteiro é exatamente um roteiro, ele não é uma “novel”, tanto que ele não tem um acabamento total, nomes de personagens podem ser provisórios, etc, etc, etc, etc. Existe um detalhamento maior em uma “primeira parte” (há até muitos diálogos escritos) que serve como uma amostra dos personagens, do ambiente e do que se vai discutir (tipo: sempre existiram guerras e tal). O roteiro não tem um “fim”, há apenas uma ideia geral do que vai se passar na história a partir de determinado momento.

E, como dito, o roteiro de “Amazonas” não tem nada de semelhante a DU-RAN-KI. As únicas coisas que coincidem são o fato da personagem principal ser capaz de inventar coisas (no mangá por ser dotada de uma inteligência “dos deuses”, no roteiro por ser uma pessoa vinda do futuro) e a questão da mitologia grega estar presente de algum modo.

O roteiro do isekai de Kentaro Miura é muito bom e eu fiquei bastante interessado nessa história descartada que não virou mangá e eu adoraria ver algum roteirista desenvolvendo-a e a transformando em uma animação. Mas isso não deve acontecer.

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De mais a mais é como eu disse antes. Essa obra é apenas para os fãs de Kentaro Miura que desejam ver um pouco mais de coisas criativas advindas da mente dele. Para quem não é fã, não vale a pena adquirir, pois embora seja possível que você goste, o fato é que o mangá fica incompleto e o roteiro não tem um desfecho, devendo tudo ficar para a imaginação do leitor.


Ficha Técnica


Título Original: ドゥルアンキ
Título: DU-RAN-KI
Autor
: Kentaro Miura; Studio Gaga
Tradutor: Lidia Ivasa
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel offwhite 66g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 256
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 37,90
Onde comprar: Loja da Panini

SinopseUma lenda diz que, na Antiguidade, humanos foram criados a partir da lama por mãos divinas… Entre o céu e a terra vive uma criança que não é divina nem humana, nomeada de Usumgallu, que significa “dragão”. Criada por um casal de idosos que guardam o monte Nisir, Usum costuma ter grandes inspirações e cria ferramentas que ajudam o cotidiano dos moradores. A história tem início quando ela conhece os garotos do vilarejo. Com sua sabedoria, um novo mito surge tendo como palco o mundo antigo!! Além dos capítulos publicados na revista Young Animal ZERO, este volume contém materiais inéditos e o roteiro que serviu de base para a história.


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