Biblioteca Brasileira de Mangás

Resenha: “Angústia” (Livro)

Histórias horripilantes?

No último mês de abril, a editora JBC publicou no país o livro Angústia, de autoria de Hirokatsu Kihara e com ilustrações de Junji Ito. Se trata de uma coletânea de contos escritos por Kihara reunindo história sobrenaturais que supostamente teriam ocorrido de verdade.

O livro foi publicado originalmente no Japão em agosto de 2010, mas os contos saíram mensalmente na revista de mangás (mesmo não sendo um mangá) Monthly Shonen Sunday, da editora Shogakukan, entre maio de 2009 e fevereiro de 2010. Pelo que diz no posfácio da obra, esses capítulos já foram lançados na revista com as ilustrações do Junji Ito.

Cada conto é uma “angústia” diferente, daí o título da edição brasileira. Eu não entendi o conceito propriamente dito, eu não sei o que se quis dizer com “angústia”, mas pelas acepções do dicionário, talvez se refira a pequenos tormentos ou inquietudes provocadas pelas aparições sobrenaturais nas histórias.

Além dos contos em formato de texto, há ainda um conto em formato de mangá (ou uma “angústia” em formato de mangá), desenhado também por Junji Ito. Ele foi exclusivo do volume e não saiu na revista japonesa.

Provavelmente por conta desse conto, a edição brasileira segue o mesmo sentido de leitura dos mangás (da direita para a esquerda), existindo até mesmo o tradicional aviso de “Pare” na última página^^.

Como dito, Angústia é uma coletânea de contos de histórias sobrenaturais que teriam ocorrido de verdade, daí que se trata de um livro “de terror”, onde acompanharemos narrativas assustadoras. Ou pelo menos em teoria.

Os contos apresentam histórias de fantasmas ou outras coisas sobrenaturais envolvendo crianças e adultos. Em um, por exemplo, veremos uma criança ser acordada num quarto com a presença de outra criança que apareceu do nada, veremos uma menina entrando e desaparecendo em uma biblioteca, um boneco de madeira sendo manipulado por uma roupa, uma pessoa não aparecendo em uma foto, dentre outras coisas.

Tais contos são assustadores mais no nível dos personagens do que propriamente para o leitor. Então os personagens veem algo que não deveria acontecer ou existir, estranham e eventualmente se assustam (muito ou pouco). Ainda assim não é completamente. Algumas histórias, apesar de existir um susto ou outro, acabam de uma maneira terna, como se a aparição fosse algo bom e não ruim como imaginamos. Em outros, nem isso, há apenas o estranhamento de “isso não deveria acontecer”.

Como leitor, a obra não assusta, não nos desperta medo, pois é necessário uma série de fatores para o medo se fazer presente. De minha parte, por exemplo, histórias de fantasmas tendem a me assustar bastante, entretanto é preciso que existam outras condições do que só a história sendo contada, como algum nível de “plausividade” ou um detalhamento maior de elementos que faça com que me assuste.

Em Angústia existe uma certa distância entre mim e o que é contado talvez por conta da cultura ou da ambientação. Aqui não temos o Obon, por exemplo, daí que certas coisas apresentadas oferecem essa dita distância e não nos causa medo. Talvez o jeito de contar a história também contribua para isso, dentre outras coisas.

De uma maneira geral, as histórias são boas e legais de acompanhar, mas eu não gostei tanto assim do livro por conta, principalmente, de uma única condição: alguns contos terminam abruptamente. Eu sei que é o jeito de contar a história que é assim, que faz não precise mais coisas serem ditas, mas para o meu gosto pessoal eu acho que ficam faltando coisas.

Um exemplo é o do conto “Folk Dance”. Esse é um conto em que a gente advinha o que vai acontecer logo no comecinho. O pessoal está num acampamento e tem uma garota bonita no meio deles, eles dançam com ela, tiram fotos e… e… o que é previsível? Sim, a garota não aparece nas fotos, é um fantasma. Mas a história termina assim do nada, quando se descobre que ela não aparece em nenhuma foto.

Esse estilo parece ser para causar impacto e medo, aquela sensação de “oh”. Entretanto não é algo que funcione comigo. Para mim, seria mais impressionante se houvesse um pouco mais de história mostrando os personagens assustados com a situação, conjecturando quem era a moça, tendo mais medo ainda, etc, etc, etc.

Angústia me apresenta uma leitura que é interessante, mas ela fica longe, bem longe, de ser aquela obra indispensável. É só uma leitura ok, sem nada de mais.


A EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira do livro veio no formato 15 x 21 cm, com miolo em papel Pólen Bold 90g e capa cartonada com orelhas e verniz localizado. É uma edição muito bonita e bem feita, com um papel de boa qualidade, uma boa encadernação e uma capa com um design bem bonito.

Um detalhe interessante é que o texto é muito estilizado em determinados momentos (fontes maiores ou diferentes do restante, em negrito, etc), o que chama bastante atenção por ser pouco usual.

Inclusive tem uma linha de texto em um dos últimos contos em que as palavras ficam tudo junto, sem espaço, e eu fico em dúvida se é erro de revisão ou se é estilização também. E por falar em revisão, eu não notei erros (salvo o possível erro dito antes) e o texto é bem coeso e coerente.


CONCLUSÃO


Eu acho que Angústia é um livro interessante, com um conjunto de histórias bem legal, mas que não funciona direito comigo, daí que eu não acho que seja algo indispensável. Eu diria que é apenas uma leitura para passar o tempo, quando não se tem mais nada para fazer.

Por outro lado, para quem é muito fã de Junji Ito, é algo meio que necessário para ter a coleção mais completa do autor, pois aqui você verá novas ilustrações, além de um one-shot desenhado por ele.


Ficha Técnica


Título Original: 怪、刺す
Título: Angústia
Autor
: Hirokatsu Kihara
Ilustrador: Junji Ito
Tradutor: Mateus Britto
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa cartão com orelhas
Páginas: 120
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Histórias sobrenaturais que aconteceram de verdade… Contadas pelo colecionador de histórias sobrenaturais Hirokatsu Kihara, e ilustradas pelo Príncipe dos mangás de terror, Junji Ito. Esse time assustador está lançando uma coletânea de histórias e imagens que vão te fazer gritar. Além de um mangá completo, para comemorar esta publicação.


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