Biblioteca Brasileira de Mangás

Resenha: “Suzume #01”

Outra adaptação de Makoto Shinkai

No início de setembro, a editora JBC começou a publicar no Brasil o mangá Suzume, de Denki Amashima, obra que adapta o livro e filme de mesmo nome de Makoto Shinkai.

Suzume começou a ser publicado no Japão no dia 25 de outubro de 2022 (duas semanas antes da estreia do filme) na revista Afternoon, da editora Kodansha, e seguiu até 25 de dezembro de 2023. Seus capítulos foram compilados em um total de 3 volumes, o último dos quais lançado em fevereiro de 2024.

Para quem não sabe, é bastante comum que os filmes do diretor Makoto Shinkai ganhem um livro (este escrito pelo próprio Shinkai) e um mangá pouco antes da estreia do filme e servem como um atrativo e uma propaganda para todas as partes envolvidas.

Foi assim com 5 Centímetros por Segundo, O Jardim das Palavras, Your Name., O Tempo com Você, dentre outros. No Brasil, apenas Your Name. (pela editora Verus) e O Tempo com Você (pela editora JBC) tiveram o livro publicados, mas os mangás ganharam espaço ao longo dos anos e Suzume é mais um que vem se juntar à lista dos quadrinhos.

Suzume acompanha uma adolescente de mesmo nome que vive com a tia desde pequena, após a morte de sua mãe. Constantemente, a garota tem um sonho em que ela está procurando por sua mãe na época da morte dela.

Um dia, ao ir para a escola, a garota encontra um rapaz mais velho que diz estar procurando uma porta em alguma ruína. A menina indica um lugar próximo e vai para a escola em seguida, mas ao ser lembrada dos perigos do local a garota volta imediatamente à sua procura.

Muitas coisas acontecem a partir daí, Suzume e o rapaz (chamado Souta) salvam o lugar de um possível grande terremoto, aparece um gato falante (posteriormente nomeado de Daijin), o rapaz é transformado numa cadeira pelo gato, e ele (Souta) e Suzume partem em uma viagem pelo Japão em busca de Daijin.

Suzume é uma daquelas obras conhecidas como “Romance de Estrada” ou “Ficção de Estrada” em que veremos os personagens viajando por diversos lugares em busca de alguma coisa, coisas esta que se mostrará tanto no aspecto físico, quanto emocional.

Isto é, são aquelas obras em que a viagem levará os personagens à procura de algo ou para algum lugar com um objetivo específico e nesse caminho veremos questionamentos e libertações que estavam intrínsecos e escondidos na mente dos personagens.

Suzume é exatamente assim. A garota e Souta (transformado em cadeira) viajam o Japão em busca da Daijin para que este o transforme de volta em humano e, nesse meio tempo, os dois vão descobrindo coisas a respeito deles mesmos e de suas vidas até então.

Mas uma obra de Makoto Shinkai não se resumo apenas ao “Romance de Estrada” por si só, e por meio do aspecto fantasioso ele busca passar uma outra mensagem muito interessante (e que pode ou não estar envolvido com os personagens), de valorização da memória, mostrando a importância de determinados lugares que uma vez foram habitados ou visitados e atualmente encontram-se abandonados ou esquecidos.

Esse primeiro volume ainda é bastante introdutório, mas já tem boa parte da essência da trama. Souta viaja pelo Japão “fechando portas”, que seriam lugares que ligam o mundo humano a um outro mundo. Quando os dois mundos entram em contato, pode haver um desastre como um grande terremoto.

As portas ficam localizadas justamente em locais não mais habitados e abandonados, como as ruínas próximas à casa de Suzume, como um parque fechado, dentre diversos outros lugares. Assim, a viagem de Suzume e Souta terminará por ser também uma viagem para fechar essas portas e evitar desastres.

Em relação ao “Romance de Estrada” todos os elementos já estão presentes também, com a ida a um lugar, a ida a outro, o encontro com uma pessoa nova, o encontro com outra e assim por diante, tudo criando um clima de aventura muito legal de acompanhar.

Em relação aos personagens, Souta é um daqueles que gostam de fazer as coisas sozinho e só aceitam ajuda se não houver opção. Ele busca proteger os outros (no caso, a Suzume) sacrificando-se. Já Suzume é o oposto. Mesmo conhecendo Souta há pouco tempo, ela decide o ajudar sem pensar duas vezes, pouco se importante consigo mesma, gastando até suas próprias economias para seguir viagem.

Essa é uma junção perfeita para esse tipo de obra, pois ajuda na criação da imagem e da ambientação da aventura, incluindo alguns pequenos conflitos. A impulsividade da Suzume, por exemplo, acarretará em uma intensa preocupação de sua tia a respeito da menina.

De maneira geral, esse primeiro volume é bem divertido, gostosinho de ler e acompanhar, com a história avançando de maneira bem cadenciada, emocionando quando tem que emocionar, gerando adrenalina quando tem que gerar, e assim por diante…

…O que não quer dizer que ele não tenha problemas.

De uma maneira geral, eu não gosto dos filmes do Makoto Shinkai. Com Your Name., porém, houve uma virada e os filmes dele a partir de então (Your Name., O Tempo com Você e Suzume) me apeteceram bem mais.

Entretanto, apesar de não gostar da maioria dos filmes antigos do diretor, eu gosto bastante dos mangás e sempre digo que são melhores (mais bem feitos, mais bem desenvolvidos) do que os filmes.

5 Centímetros, O Jardim das Palavras e The Voices of a Distant Star, por exemplo, são três mangás excepcionais que deixam as animações no chileno de tão melhores, principalmente The Voices of a Distant Star que expande bem mais a história e coloca uma carga dramática bem mais enfática do que o filme.

O mangá Suzume não faz parte dessa lista. Como dito, ele é legal de acompanhar, é divertido, mas fica muito distante em termos de qualidade.

Para começar, a arte de Denki Amashima não faz os personagens brilharem. Não sei exatamente qual foi o estranhamento, mas talvez o estilo do rosto dos personagens não me apeteceu, assim como os olhos que não parecem dar profundidade a eles, não nos permitindo ver “sua alma”.

O modo como a história é contada também deixa a desejar. Quando se fala de adaptação, muita gente preza por uma similaridade ipsis literis como a mídia original, mas isso não é algo que funcione 100% do tempo. Uma boa adaptação coloca elementos próprios e faz aquela mídia ser única.

Suzume é uma adaptação fiel da história do filme, mas é só isso. Denki Amashima não usou a mídia mangá para criar um algo a mais, assim em muitos momentos o mangá ficou parecendo apenas um resumo da animação.

Com tudo isso, e em linhas gerais, eu adorei o mangá e vou comprar os dois volumes restantes sem sobre de dúvida porque é divertido e é legal, mas ele passa uma imagem de que não é tão bom assim por não ter saído da sombra da animação. Ficaram faltando elementos para o mangá Suzume se sobressair como mídia própria.

Assim, em minha opinião, para quem não conhece a história, vale mais a pena conhecer pelo filme do que pela adaptação em mangá. Ele pode dar uma impressão “mais ou menos” e fazer você não gostar tanto assim da história.

Entretanto, não estou dizendo que o mangá é ruim, apenas que ele fica distante em termos de qualidade para a mídia original. Como história em quadrinhos, ele funciona bem, te apresenta a história e faz você querer continuar a ler, mas pode ser que algumas pessoa achem que a obra é apenas mais do mesmo, o que não é verdade.

De mais a mais, para quem já conhece e quer ter algo da obra, o mangá é uma boa pedida.

***

A edição brasileira de Suzume veio no formato padrão da editora JBC, no tamanho 13,2 x 20 cm, com miolo em papel Pólen Natural 70g e capa cartonada simples em acabamento brilho.

Trata-se de uma edição bem bacana com um papel excelente (é o que eu acho melhor atualmente), bem amarelado e sem transparência, com uma boa qualidade de impressão e uma encadernação também boa, que permitem ler e folhear o mangá sem problemas.

No todo, é uma edição do tipo básica da JBC, sem adereços, mas bem bonita. O preço é R$ 39,90.

Esta resenha foi feita por meio de um exemplar cedido a nós pela editora JBC por meio do programa de parcerias 2024.


Ficha Técnica


Título Original: すずめの戸締まり
Título: Suzume
Autor
: Denki Amashima
Tradutor: Natalia Rosa
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 3 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Pólen Natural 70g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 200
Classificação indicativa: 12 anos
Preço: R$ 39,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: A jovem estudante Suzume tem o sonho de se tornar uma enfermeira, como sua falecida mãe. Morando com sua tia, ela se encontra com um misterioso jovem que parece estar procurando pelo que chamam de “uma porta” em algum lugar da cidade. Após dar direções ao homem, Suzume é alertada por suas amigas que o local que ele procura teve sua entrada proibida, pois pode ser muito perigoso. Neste momento, ela percebe ao olhar pela janela que um tipo de criatura gigante parece ter surgido sobre o local para o qual disse que o jovem deveria ir. A aventura de Suzume começa quando “a porta” abre um caminho inesperado para um mundo que as pessoas não estão cientes de que existe…


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