
Mangá de terror com verdades escondidas…
No final do mês de junho, a editora Conrad publicou no Brasil o mangá Happyland: Parque de Diversões do Inferno, de Shingo Honda. A empresa nos enviou um exemplar, lemos o título e viemos comentar dele para vocês…
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Lançado originalmente entre agosto de 2019 e março de 2021 na Manga Goraku Special, da editora Nihon Bugeisha, o mangá teve seus capítulos compilados em um total de 2 volumes, ambos postos à venda no dia 29 de junho de 2021.
A edição brasileira impressa compila os dois volumes originais em apenas um. A Conrad também lançou a obra em formato digital (ebook) e nele publicou seguindo o número de tomos japoneses.
SINOPSE OFICIAL
Os Komiya eram uma família normal e feliz… Ou era o que pensavam. Quando entram por acaso no parque de diversões Happyland, o que deveria ser um passeio divertido se transforma em uma tragédia infernal. De uma hora para a outra, a família supostamente ideal se vê presa em um jogo de sobrevivência mortal, em que segredos obscuros são revelados e colocam tudo em risco. Happyland – Parque de Diversões do Inferno é um mangá de terror gore em volume único de Shingo Honda.
HISTÓRIA, DESENVOLVIMENTO E OPINIÕES
O mangá começa de um jeito esquisito, com uma família (os Komiya) indo a um passeio surpresa definido pelo patriarca. É uma família comum, com a mãe, o pai e dois filhos, sendo um menino (16 anos) e uma menina (13 anos).
Todos parecem se dar bem e estão felizes nessa viagem, mesmo sem saber exatamente para onde vão. O pai, porém, se a gente notar com atenção, parece estar meio nervoso, como se escondesse alguma coisa, e eis que de repente eles estão perdidos e se encontram num parque de diversões que nunca ouviram falar, o Happyland.
Perguntado se aquele era o local surpresa que ele queria levá-los, o pai diz que não e, na verdade, ele nem estava mais conseguindo se lembrar o local para onde iriam. Aliado a isso, o parque parecia estranho, pois outras pessoas, outras famílias, também chegavam ao local sem querer…
Mesmo assim, os Komiya se animaram e a menina (Rin) logo se apressou a ir para a fila da montanha russa. O que eles não esperavam é o que o parque mostraria sua verdadeira natureza e as pessoas que tinham ido primeiro acabaram tendo suas cabeças cortadas ali.
O pânico se instaura, todos querem sair, mas as portas estão fechadas. O líder do parque, um homem com cabeça de coelho (ou um coelho antropomorfizado), diz que todos precisam se divertir, mas para tanto eles precisam se despir de si mesmos e falarem as verdades escondidas se quiserem sobreviver…
Happyland: Parque de Diversões do Inferno é parcialmente um daqueles mangás de sobrevivência em que um grupo de pessoas têm que buscar manter-se vivos, exatamente ao estilo battle royale. A diferença, porém, é que (embora existam formas de matar seus concorrentes) a maneira de escapar das torturas e da morte é a sinceridade, é a revelação de segredos escondidos diante de seus familiares.
Assim, embora o mangá tenha cenas de terror e gore, o grande medo apresentado na trama é a revelação de intimidades que as pessoas gostariam de esconder da própria família e as consequências advindas disso. Traições, roubos e tudo mais podem não ser bem compreendidas pelas pessoas próximas e gerar um leve caos.
O mangá se fixa nos Kamiya, então veremos que todos os quatro integrantes possuem segredos escondidos, em maior ou menor escala, causando mais e mais revelações e gerando mais conflitos na relações entre eles. Há quem não goste do outro, há reclamações, segredos sujos, etc.
Happyland, então, é um mangá que visa falar das relações familiares, as raivas que nutrimos, os segredos que escondemos mesmo de pessoas próximas. Ele coloca em destaque o fato de que pessoas que parecem felizes e normais podem ter coisas que mantém em completo sigilo.
É um mangá bem divertido que une essas reflexões (tendo, na maior parte do tempo, a família principal como responsável) com o terror do parque e a morte iminente.
A obra diverte tanto pelas brigas, pelas revelações, quanto pelo suspense daquele parque caótico e infernal. Assim, a obra não dista em nada de um bom filme de terror, um filme que – embora não gostemos de uma coisa ou outra – saímos da sessão de cinema com a sensação de que o dinheiro foi bem gasto.
Em coisas mais técnicas, Happyland é um mangá bem construído narrativamente falando, daqueles em que a gente nota bem que o autor pensou em todos os detalhes, e construiu uma história bem amarrada na medida do possível e sem deixar que certas coisas acabassem desviando do rumo no meio do caminho.
Até certos elementos que parecem discrepantes e feitos apenas para gerar um efeito de horror (como uma certa passagem em que os personagens vão comer e uma certa cabeça aparece) está interligada na trama e tem uma razão de estar ali. Em outras palavras, o mangá não desperdiça ou quase não desperdiça páginas ou cenas.
A única coisa que não teve uma explicação, ao meu ver, foi a presença de outros animais além do coelho. Está certo que existe a necessidade de outros seres no local para todas as atrações funcionarem, mas a presença deles foi a única sem uma explicação clara.
Sim, pois, até há um momento em que o mangá visa a explicar a isso, por meio de um dos personagens, mas é uma explicação errônea visto a natureza fantasiosa do ambiente.
Para terminar, em questão de história, Happyland – Parque de Diversões do Inferno é um bom mangá, que diverte, que entretém, mas não passa muito disso, ficando na esfera daqueles títulos em que é muito legal de ler, mas que nunca entrarão entre os favoritos da galera.
Algumas coisas, como a revelação final, por mais que tenham toda uma construção narrativa por trás e que esteja bem amarradas desde o início, podem soar pueris para alguns e, por isso, não gostar da experiência. O que acontece é que falta um pouco de maestria no enredo, no que a história conta, mas no todo é um título de suspense bem divertido.
O que podemos dizer é que você não deve esperar muito do mangá, pois ele não inventa a roda, ele só faz ela girar e de uma maneira bem interessante e agradável. E pensando dessa forma você verá que é um título feito para divertir e ele faz isso muito bem.
EDIÇÃO BRASILEIRA E CONCLUSÃO
A edição brasileira de Happyland – Parque de Diversões do Inferno veio no formato 13,5 x 20,5 cm, com miolo em papel Pólen Bold 90g e capa cartão com laminação fosca e verniz localizado. São 352 páginas ao todo, todas em preto e branco, e o preço é R$ 79,90.
Se trata de uma edição boa que poderíamos chamar de intermediária, sendo de melhor qualidade do que os mangás básicos, mas pior do que os um pouco mais premium. O tamanho é semelhante a alguns mangás antigos da JBC, como Hunter x Hunter, NANA e The Seven Deadly Sins, mas o papel é daqueles de melhor qualidade do mercado atual, sendo o mesmo usado nos mangás da Pipoca & Nanquim e Comix Zone e algumas edições mais premium da JBC e NewPOP, como Soul Eater – Perfect Edition e Devilman – Edição Histórica.
A capa não tem orelhas e nem sobrecapa, mas se destaca um pouco por ter um bonito verniz localizado. Já a encadernação é apenas colada (não tem costura), mas é muito boa e maleável. Por todo esse contexto é que, em termos de qualidade, podemos dizer que ele tem um acabamento intermediário, como dito antes melhor do que os básicos, mas pior do que os um pouco mais premium.
No que toca à história, como comentado durante o texto, é uma narrativa bem interessante ao estilo battle royale, mas com o diferencial de ser uma obra sobre a revelação de segredos ser crucial para a sobrevivência dos personagens.
Não é um mangá que mudará a sua vida e nem nada do tipo, mas possui uma história redondinha narrativamente falando e que pode agradar a todos que desejem ter uma boa diversão. Recomendo :).
Ficha Técnica
Título Original: 終園地
Título: Happyland: Parque de Diversões do Inferno
Autor: Shingo Honda
Tradutor: Bruna Ogawa
Editora: Conrad
Número de volumes no Japão: 2 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 13,5 x 20,5 cm
Miolo: Papel Polén Bold 90g
Acabamento: Capa Cartão
Páginas: 352 páginas
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 79,90
Onde comprar: Amazon / Mercado Livre / Mundos Infinitos
Sinopse: Os Komiya eram uma família normal e feliz… Ou era o que pensavam. Quando entram por acaso no parque de diversões Happyland, o que deveria ser um passeio divertido se transforma em uma tragédia infernal. De uma hora para a outra, a família supostamente ideal se vê presa em um jogo de sobrevivência mortal, em que segredos obscuros são revelados e colocam tudo em risco. Happyland – Parque de Diversões do Inferno é um mangá de terror gore em volume único de Shingo Honda.