Biblioteca Brasileira de Mangás

OPINIÃO: O que as editoras precisam melhorar em 2026?

Como melhorar o mercado

Último dia do ano, última postagem do ano, e nela eu gostaria de apontar algumas coisas que eu acho que precisam mudar nas principais editoras brasileiras de mangás que melhorariam a relação delas com nós, consumidores de mangás.


NEWPOP


A NewPOP é a editora brasileira com mais problemas no mercado brasileiro de mangás e que precisam de uma solução imediata.

Há uma infinidade de títulos anunciados e que não são lançados, há obras em andamento que não têm periodicidade fixa, há obras que ficam meses ou até anos sem volume novo, há problemas de revisão constantes, há escolhas bastante questionáveis em relação a determinadas publicações, etc, etc, etc.

Tudo isso precisava mudar na editora, mas acho que a empresa precisa de duas coisas principais: parar de fazer promessas e anunciar o cancelamento de séries.

A NewPOP (na figura de seu dono, Junior Fonseca) é uma empresa que vive fazendo promessas e mais promessas e quase nunca elas são cumpridas. Muitas vezes ela diz uma coisa sobre uma determinada série, depois diz outra completamente diferente e assim por diante (os casos de Loveless e Log Horizon são exemplares, com diversas mudanças de versões ao longo dos anos sobre o porquê não saírem ou estarem parados).

Mais ainda, se a gente olhar as chamadas Cartas do Editor (que a empresa publicava) verá uma grande gama de promessas que não foram cumpridas. Era óbvio que não seriam (a editora parecia não ter tanto dinheiro assim), mas mesmo assim ela colocava lá um mundo de promessas sem fim.

As Cartas do Editor foram tiradas do ar do site da NewPOP, mas é possível lê-las no Web Archives (um site que tira prints de momentos específicos da internet). Você pode ver as promessas clicando aqui (2022 para 2023), aqui (2023 para 2024) e aqui (2024 para 2025).

Em 2025 não teve Carta do Editor com promessas para 2026, mas a editora vai realizar em janeiro um evento presencial onde ela disse que falará sobre diversas obras. O que eu espero, de verdade, é que ela não fale promessas irrealizáveis. Eu espero que a empresa olhe para o orçamento do ano, veja o que pode e o que não pode fazer e apenas informe o que efetivamente for possível.

Sim, pois não dá para ficar mais ano após ano ouvindo promessas e mais promessas não serem cumpridas. Os fãs da editora (aqueles que veem as lives da empresa e tudo mais) podem até não ver os problemas, podem até não ligar para isso, mas nós consumidores “””imparciais””” vemos muito bem e não podemos fazer outra coisa senão criticar.

A questão é que a editora parece achar que todo mundo é hater e não faz questão de mudar os problemas apontados. É quase como se fosse aquela coisa de “em time que está ganhando não se mexe”. Se a empresa tá ganhando dinheiro mesmo com a desorganização, falta de periodicidade e promessas não cumpridas, para quê mudar? Para que ouvir as críticas e melhorar?

Mas eu espero que alguém coloque um pouco de luz na cabeça do dono da empresa e ele comece a escutar as críticas e a mudar, começando com parar de fazer promessas que não consegue cumprir.

Sim, pois, a gente quer comprar os mangás da editora, mas primeiro a gente quer ter a certeza de que a obra não vai ficar parada seis meses ou mais, de que a editora não vai “fazer checklists diferenciados” prometendo voltar ao normal em seguida, mas só retornando com tal ou qual obra mais de seis meses depois, etc, etc, etc. A gente quer regularidade, a gente que confiança, a gente quer – como consumidores – ser bem tratado.

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A editora precisa também anunciar o cancelamento de diversas séries. Ficar falando “não cancelamos séries” e ao mesmo tempo ficar com Loveless completando 10 anos na geladeira da editora em 2026 é uma contradição clara. A editora pode até ainda ter a licença desse mangá, mas a obra está claramente cancelada. Qual o problema de anunciar o cancelamento de verdade?

A empresa devia anunciar de uma vez o cancelamento da novel de Number Six, das novels da série K, mangá e novel de Shakugan no Shana., novel de Zero no Tsukaima, mangá Corpse Party: Book of Shadows, e mais um monte de outras obras que foram paradas ou nem começaram a ser lançadas.

Penso nisso porque a empresa tem muita obra acumulada (numa bola de neve sem fim) e publica muito pouco todo mês. Para dar conta de tudo, ela teria que no mínimo dobrar os lançamentos mensais, passando a ter 20 publicações todo mês. Ela tem dinheiro para isso? Não me parece. O ideal, para mim, é que ela anuncie um cancelamento em massa e só fique com o que efetivamente poderá publicar, ainda mais que ela não lança mais só publicações japonesas.

Assim, sabendo que a editora não têm interesse mais nas séries, a gente pode pedir para outras empresas adquirirem quando o contrato acabar.

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Por fim, uma coisa que eu gostaria, como Blog de Notícias, é que a editora voltasse a ter checklists oficiais com os lançamentos efetivos do mês. No início de 2025, a empresa estava lançando certinho, mas de alguns meses para cá, ela passou a lançar checklists oficiais com lançamentos que só chegam as lojas no mês seguinte (o checklist oficial de dezembro, por exemplo, só terão os lançamentos em janeiro). A gente gostaria de seguir o checklist oficial, mas como prezamos os lançamentos reais acabamos sempre tendo que editar as postagens tirando as obras que não saíram e colocando como lançamentos do mês seguinte.


DEVIR


A Devir só não é uma editora tão odiada porque não faz tantas promessas e porque têm poucos (e bons) mangás,

A Devir lança suas obras sem uma periodicidade de fixa, volta e meia há um espaçamento muito grande entre um volume e outro, de maneira que colecionar suas obras acaba sendo um martírio para quem GOSTA DE LER.

Para 2026, eu gostaria que a Devir eliminasse esse problema e lançasse suas obras de maneira bem regular e sem tanto espaço entre um número e outro. Só essa mudança já tornaria a Devir uma editora 100% ok. Haveria ainda alguns “quês” e “poréns” (como a escolha por colocar título em inglês, ao invés de português), mas seriam coisas de menor importância.


JBC


Em 2025, a JBC teve um bom aprimoramento, com o número de publicações tendo aumentado e o ritmo de lançamentos melhorado, porém ainda há coisas que precisam de atenção.

A editora ainda têm algumas obras que estão com pausas enormes (como Flying Witch e My Home Hero) e ela precisa evitar que isso aconteça. Obras com aprovação lenta e demorada (como o Nausicaä do Vale do Vento) a gente entende perfeitamente um lançamento espaçado e uma falta de periodicidade, mas títulos básicos precisam de lançamento constante e regular.

Junto da Panini, a JBC era mestre nisso durante muito tempo, mas desde 2018/2019 o ritmo mudou bastante e só agora as coisas têm voltado ao normal. A gente espera que em 2026, a editora se aperfeiçoe ainda mais nesse quesito e elimine todas as lacunas de lançamentos, tendo uma periodicidade mais constante para todas (ou a maioria) de suas séries.

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A JBC precisa melhorar também no quesito encadernação. Alguns mangás não têm tido uma encadernação muito boa e isso é alvo constante de reclamação de muitos consumidores. Eu tive poucos produtos com isso, mas é nítido que é algo real e que a empresa precisa trabalhar junto às gráficas para eliminar esse problema, que têm acontecido em alguns mangás que usam o papel Pólen Natural.

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Como Blog de Notícias, o que eu gostaria também é que a empresa voltasse a ter checklists que refletissem os lançamentos reais.

Assim como no caso da NewPOP, os checklists oficiais da JBC não mostram as publicações do mês necessariamente. Só que, se os checklists da NewPOP apresentam títulos que só sairão no mês seguinte, os da JBC ficam com algumas obras que já saíram no mês anterior.

Não tenho certeza, mas parece que os checklists listam as obras que chegam na Amazon. Nas lojas especializadas e livrarias os lançamentos costumam chegar até um mês antes do que na Amazon, por isso a diferença.


MPEG


A MPEG é a “grande esperança” do mercado brasileiro de mangás, é a nossa “quarta editora”, que veio para abalar e trazer coisas impensáveis e impossíveis. Porém ela precisa rever algumas coisas para não se tornar uma NewPOP 2.

Os pontos de melhoria são periodicidade e promessas. A empresa prometeu várias vezes arrumar a periodicidade de suas obras, fazer um lançamento certinho e menos espaçado e isso não se cumpriu até o momento. Por ser uma empresa nova, a editora ainda tem crédito com a maioria dos consumidores, mas o número de anúncios feitos e o número de obras a lançar e a estabilizar é grande e pode virar uma bola de neve (como ocorreu com a NewPOP).

Além da falta de periodicidade e a demora entre um volume e outro (Nodame Cantabile e Beck, por exemplo, tiveram o primeiro volume em junho e o segundo só sairá agora em janeiro), uma coisa que incomoda é os remanejamento constante. A empresa coloca obras em pré-venda sem ter a capa aprovada, há uma demora para a aprovação, e o lançamento acaba postergado (foi justamente o que aconteceu com Nodame e Beck).

O ideal seria iniciar as pré-vendas só quando as capas tiverem aprovadas, do jeito que estão fazendo a JBC, a NewPOP e recentemente a Panini, assim evitando esse tipo de coisa.

Como dito, a editora ainda tem crédito e está ciente de seus problemas, então a gente espera que em 2026 a MPEG consiga arrumar esses pontos e tenha suas publicações bem regulares. Fazendo isso ela tem tudo para despontar de verdade, pois tem bons títulos, bom acabamento e tem trazido obras que nenhuma outra empresa ousou trazer.


PANINI


A principal mudança que precisa ocorrer na Panini em 2026 é começar passar a situação de suas obras para o público, é responder os comentários com as dúvidas pertinentes dos consumidores em redes sociais, é não deixar os leitores no escuro acerca da continuidade ou não de determinadas obras.

O que houve com Undead Unluck e Kemono Jihen? Todo mundo aflito e zero respostas por parte da editora. Cadê o anunciado box de Claymore? E a edição deluxe de Vinland Saga? O volume final será um 3 em 1? Perguntas como essa se acumulam e deveriam ser respondidas pela empresa nas redes sociais.

Ninguém espera que a empresa vá responder se ela tem a intenção de trazer tal ou qual mangá para o Brasil, mas as obras que já são dela é meio que uma obrigação deixar os consumidores informados, pois essa incerteza de continuidade é horrível para o consumidor.

Não custa muito tempo passar para o Social Media as principais informações, o que ele pode responder acerca de determinadas perguntas e tal.

Sinceramente eu não acredito que isso vá acontecer, pois a Panini é uma empresa grande, cheia de setores, e não acho que isso seja algo de preocupação, mas eu desejo estar errado e que a editora passe a deixar os consumidores mais informados…

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Os remanejamentos constantes que vinham ocorrendo desde 2024 diminuíram bastante nos últimos tempos e a Panini parece que vai conseguir contornar tudo em breve. Então, o que efetivamente precisa mudar é esse contato com o leitor, trazer mais informações pertinentes, responder dúvidas, etc.


PIPOCA & NANQUIM


Dentre as principais editoras, a com menos problemas é a Pipoca & Nanquim. Mesmo quando ela dá previsões e elas não são cumpridas, não demora muito para o lançamento acontecer. A periodicidade dos títulos é mais certinha, etc, etc, etc. O maior problema da empresa é o preço, mas isso é algo que não têm o que fazer dado o foco dela.

Ela é, então, uma editora 100% ok e o que precisa de melhora são apenas pequenas questiúnculas. A editora poderia colocar uma página de “Pare!” nos mangás, em vez de ter só um aviso do sentido de leitura, poderia diversificar mais seu catálogo (com autoras clássicas do shoujo, por exemplo), dentre outras coisas.

A Pipoca & Nanquim é uma editora organizada, que lança poucas publicações, mas lança bem.

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