
Comentando minhas leituras
Na coluna de resenhas “Leituras da Semana” deste sábado falaremos do quarto e último volume de Batman: Justiça Presente e do também volume final de Mabataki Yori Hayaku!!.
Igualmente falamos de mais três volumes de Não Mexa Comigo, Nagatoro. Vejam a seguir:
Batman: Justiça Presente #04: eu não tenho muito conhecimento sobre a franquia Batman. Meus maiores contatos foram com os desenhos clássicos do Batman e do Batman do Futuro, que passavam na televisão, além dos outros mangás do Batman lançados no Brasil. De maneira que eu li esse mangá sem saber o que tinha de algo totalmente novo e o que era reaproveitado pelos autores.
Claro, todo mundo conhece o Batman, o Robin e o Coringa, mas as diversas histórias e mais detalhes da franquia somente quem é muito fã consegue identificar.
Dito isso, eu achei Batman: Justiça Presente o melhor mangá do Batman publicado no Brasil e a história mais inventiva sobre o homem morcego. Os preâmbulos são os mesmos, Bruce Wayne é um milionário que resolveu se tornar o Batman porque seus pais foram assassinados no passado. Só que o Coringa não é o inimigo do Batman (ao menos a priori) e o Robin (o conhecido parceiro do Batman) é, na verdade, uma I.A (Inteligência Artificial) criada pelo próprio Wayne para ajudá-lo.
O subtítulo “Justiça Presente” diz exatamente o tema da obra, pois o mangá é centrado em o que é a justiça de verdade, quem a faz, quem manda nela e tudo mais. E nisso está o papel e a atuação do Batman.
Existe todo um questionamento a respeito do modo de trabalho e dos pensamentos de Wayne, tanto que mais de uma vez é colocado em foco o fato de a existência do Batman trazer mais e mais perigos à cidade de Gotham. O Batman nesse mangá é mais severo, é mais vingativo, e isso se mostra também no jeito que sua I.A foi criada.
Esse volume final coloca isso mais em foco, para mostrar a Bruce Wayne as consequências de seus atos e a escolha que ele deve fazer para salvar a cidade de um caos imediato. O modo como a trama desenvolve isso é bem emocionante e faz a gente pensar junto com o personagem, com a I.A e com os bandidos que igualmente a questão da justiça em foco.
Embora Gotham seja o salvamento prático, o mangá visa salvar o Batman, salvar Bruce Wayne de seu modo de pensar, transformando o Cavaleiro das Trevas em algo que traz luz aos habitantes da cidade. Foi um mangá muito maneiro de acompanhar, com uma bons diálogos, bons pensamentos e, claro, bom desenho.
Os autores fizeram uma história bem amarradinha e com desenhos muito bem dispostos nos quadrinhos, de maneira que a leitura é bastante fluída e a gente degusta cada momento, de maneira rápida e exuberante. Eu gostei muito mesmo desse mangá.
Por fim, um dado sobre Batman: Justiça Presente que devemos notar é que embora possa ser lido por pessoas que não conhecem a franquia (como a que vos escreve), ele tem diversas referências para os mais aficionados. Muitos personagens aparecem desde aqueles conhecidos por todos (como um tal de Super-Homem) ou aqueles mais específicos (como um tal de Dick, que viraria o Robin) de maneira que certamente a história pode parecer mais legal para quem já conhece.
No final, por exemplo, a gente se encontra com uma tal de Bárbara Gordon e, para quem não conhece, fica parecendo um final vazio de significado, como se estivesse faltando alguma coisa, mas pesquisando se descobre que se trata de uma referência à futura Batgirl, que os fãs da franquia sabem de imediato.
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Seria legal se tivesse uma nova obra do Batman feita por Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi, pois esse foi excelente.
“Batman: Justiça Presente” foi concluído no Japão em 4 volumes. Todos já foram lançados no Brasil
Título original: Batman Justice Buster (バットマン ジャスティスバスター)
Título nacional: Batman: Justiça Presente
Autor: Eiichi Shimizu; Tomohiro Shimoguchi
Preço: R$ 41,90
Mabataki Yori Hayaku!! #12: nos paratextos do volume final do mangá, o autor diz que gostaria de fazer isso, aquilo e aquilo outro na obra, mas que não pôde por não ser habilidoso o suficiente. Essa declaração pode parecer uma atitude de humildade por parte dele, porém nós que lemos o mangá sabemos que é a mais pura verdade.
Eu até gostei do mangá, achei que as lutas eram bem divertidas e emocionantes, apreciei muito o jeito da protagonista, gostei de uma ou outra personagem secundária, mas ficou bastante nítido que o autor não dominava bem a técnica narrativa desse tipo de mangá para fazer com que a obra deslanchasse.
Houve um excesso de explicações, muitas coisas surgidas do nada apenas para dar andamento para a obra, a falta de aproveitamento de determinados motes (principalmente a questão do “””poder””” da protagonista, além de um certo comentário de uma personagem secundária), oponentes em demasia, etc.
Ficou bem nítido durante todo o caminho que o autor gostaria de fazer uma obra mais longuinha (o número de oponentes e o modo como eles eram tratados dava bem a noção disso), mas o jeito fez ela ficar destrambelhada em muitos momentos. Isso fica mais evidente, pois esse volume final foi, na verdade, um grande epílogo, pois as coisas meio que já estavam definidas.
Sim, pois, a trama estava se centrando no fechamento ou não do clube de karatê e que a única forma de salvá-lo era ganhar o torneio. O problema é que tudo se resolveu no volume anterior (embora as meninas não soubessem), com uma mudança na avó das gêmeas. O resultado é que o fim do torneio basicamente nada importava.
Assim, o término do mangá foi desconjuntado e sem um grande desenvolvimento. Por outro lado, até que foi legal ver os epílogos (pois teve mais de um) da obra. Enfim, é um mangá até divertido, mas não é um título “brilhante” e dificilmente iremos reler.
“Mabataki Yori Hayaku!!” foi concluído no Japão em 12 volumes. Todos já foram publicados no Brasil.
Título original: 瞬きより迅く
Título nacional: Mabataki Yori Hayaku!!: Num Piscar de Olhos
Autor: Kazuki Funatsu
Preço: R$ 43,90
Não Mexa Comigo, Nagatoro #16, #17 e #18: a jovem Nagatoro e seu Senpai já são praticamente namorados há uns bons volumes, mas eles teimam em não oficializar isso por causa de um grandessíssimo “sei lá”.
Basicamente, os dois estão enrolando, estão criando um pretexto para buscar fazer algo que já querem. Nagatoro diz que se derrotar uma rival no judô dará um beijo em seu Senpai, enquanto este decide querer ficar no primeiro lugar num simulado para o vestibular para poder, enfim, se declarar para a garota.
O mangá já está se encaminhando para a reta final e nesses três volumes a gente vê uma série de desenvolvimentos que irão seguir para esse caminho. No volume #16 e em parte do #17, os dois acabam indo em um acampamento escolar, conjunto dos clubes de judô e artes.
No #17, conhecemos os rivais a quem o Senpai precisa derrotar no simulado e no #18 vemos o resultado do simulado, bem como o torneio no qual Nagatoro buscará vencer sua rival.
Foram 3 volumes muito bons envolvendo essa questão do romance entre os dois, o modo como eles se enxergam e como os outros enxergam eles, seus objetivos, etc.
Um ponto, porém, é que o autor nitidamente só fez toda essa questão dos objetivos antes da declaração para o mangá durar mais, pois é óbvio que eles se amam e bastava eles falarem, ou bastava um empurrãozinho de alguém, de alguns dos outros personagens, que também já perceberam tudo.
Não acho que tenha ficado ruim essa extensão, pois é muito legal ver como o relacionamento de Nagatoro e o Senpai evoluiu e como eles se tratam em comparação com o início do mangá. É algo que a gente gostaria, inclusive, de ver mais e mais, com eles namorando de verdade, porém quando o relacionamento deles começar de fato, o mangá será findado.
No aguardo dos próximos volumes.
“Não Mexa Comigo, Nagatoro” foi concluído no Japão em 20 volumes. No Brasil, saíram 18 até o momento e os volumes restantes estão em pré-venda.
Título original: イジらないで、長瀞さん
Título nacional: Não Mexa Comigo, Nagatoro
Autor: Nanashi
Preço: R$ 43,90
TRADUTORES DOS MANGÁS
Caio Suzuki
- Batman: Justiça Presente #04 (Panini)
Edward Kondo
- Não Mexa Comigo, Nagatoro #16, #17 e #18 (Panini)
Luis Libaneo
- Mabataki Yori Hayaku!! #12 (Panini)