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O que as editoras brasileiras poderiam aprender com as editoras estrangeiras?

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Às vezes é bom olhar para fora…

Olá, navegantes. Como toda segunda-feira, hoje é dia de uma nova postagem no blog… Em nossa postagem falaremos mal do Brasil… Melhor dizendo, falaremos bem dos outros países… bem… mais ou menos…

Acredito que uma boa forma de melhorar o mercado brasileiro de mangás seria as editoras brasileiras começarem a olhar mais para fora e verificar a forma como outros países publicam seus mangás e a estratégia utilizada por eles para vender seus produtos. A postagem de hoje é justamente isso:  O que as editoras brasileiras poderiam aprender com as editoras estrangeiras? Quais práticas já deveriam estar implantadas aqui, mas que, por algum motivo, ainda nem estão nos planos? Vamos expor aqui cinco práticas que JBC, Panini e Newpop já deveriam ao menos ter pensado em implementar…

Vale lembrar que as editoras brasileira JÁ utilizam algumas estratégias inspiradas no que as estrangeiras fazem. O Onegai Desu, da Panini, é nitidamente inspirado na estratégia que a editora Norma, na Espanha, adota desde 2008. E o formato BIG da JBC é abertamente inspirado no formato americano idealizado pela Viz. Mas há muito mais coisas que as editoras brasileiras poderiam aprender com as estrangeiras.

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5. Mangás digitais

As editoras brasileiras deviam aprender com a Viz (nos EUA) que resolveu disponibilizar todo o seu catálogo em forma digital, ou com a Panini (na Itália) e outras editoras pelo mundo que também oferecem seus títulos em formato digital. Embora em número bem pequeno há, no Brasil, pessoas que estão dispostas a pagar pelo produto nessa mídia, porém nenhuma editora nacional oferece e nem tem o desejo de oferecer a curto prazo. Após a mesa redonda com as editoras no Anime Friends ficamos com a ideia de que elas ainda estão muito presas ao passado e não tem qualquer estimativa de pensar no futuro.

Compreendemos perfeitamente as editoras, sabemos da dificuldades e acreditamos piamente nelas, mas isso não impede de acharmos que já era hora de alguma delas ter estudado mais afundo o tema e ido atrás da publicação de títulos digitais. Não digo tanto de um sistema de simulcast como Crunchyroll ou a publicação da Shonen Jump digital que ocorre nos Estados Unidos, mas sim da disponibilização de seus mangás também em versão digital em uma Amazon, por exemplo, ou mesmo no próprio Crunchyroll.

É lógico que o mercado brasileiro é bem diferente do americano, mas há realmente quem prefira o título digital em algumas situações, por diversos motivos possíveis. Não sei se a licença é cara, não sei se daria lucro, mas ao menos um estudo mais enfático para investir nessa área já deveria ter sido feito há muito tempo. Recentemente, a editora Newpop realizou uma pesquisa com o seu público e nela uma das perguntas era justamente sobre o formato digital. É um passo interessante e eu espero que com essa pesquisa a editora resolva investir também nessa área, porém ainda sou bastante cético quanto a isso…

4. Sobrecapas e capa dura

Mangás digitais têm minha apreciação, mas também não troco as publicações em papel de jeito nenhum e ainda mais publicações com qualidade acima da média. Considero sobrecapas muito interessantes, pois servem para a proteção dos mangás, além de agregar um valor maior a eles. Porém não vemos nenhum mangá com essas características por aqui. A gente sabe que já existiu, no passado, com mangás com sobrecapas, porém acreditamos que elas deviam ser uma constante, ao menos em edições de luxo. Um Zero Eterno ou um Planetes com sobrecapas ficariam muito melhores do que já são.

As editoras já disseram que sobrecapas encarecem o produto e por isso não é viável sua colocação. Acredito nas editoras, sei que dizem a verdade, afinal elas não têm qualquer razão para mentir sobre essa questão, mas o problema é que as editoras estrangeiras fazem isso. A editora Ivrea, aqui do lado na Argentina, por exemplo, publica alguns títulos com sobrecapa. Então porque as editoras não seguem o exemplo de nossos vizinhos? O título ficará mais caro? Com certeza, mas dava para arriscar em um título aqui e outro ali…

Se já é raro mangás com sobrecapas, imagine com capa dura? Se não estamos enganados, nenhum mangá publicado no Brasil já teve esse tipo de acabamento. Uma edição especial de colecionador em capa dura seria muito interessante de ser ter por aqui, tal qual ocorre em outros países. Há alguns casos nos Estados Unidos de um mangá ter sido lançado em uma versão comum e, ao mesmo tempo, uma versão de luxo com capa dura. Será que não dava para repetir essa estratégia por aqui?

3. Avisar quais títulos estão fora do catálogo

Em 2007, a Panini publicou o mangá O estranho mundo de Jack. O título se encontrava esgotado e era vendido a um preço bem alto no Mercado Livre e em grupos de venda. Mas aí surgiu uma nova edição em 2015, não pela multinacional italiana, mas sim pela Abril. A Panini sequer avisou que não tinha mais os direitos da obra, assim como nenhuma outra editora nacional o faz quando o contrato cessa. A única exceção é o da Conrad, quando ela perdeu os direitos de vários de seus mangás…

E no exterior? Existem editoras estrangeiras que fazem isso. Recentemente, a Norma, da Espanha, anunciou que iria retirar de seu catálogo 25 títulos e ainda explicou aos seus leitores o motivo pelo qual as obras sairiam dele. Consideramos a atitude da editora Norma sensacional e achamos que as editoras brasileiras deviam fazer isso em relação a seus títulos.

Se olharmos no site da Panini, veremos que vários mangás publicados por ela não se encontram listados em seu catálogo, incluindo títulos de renome como Lobo solitário e Crying Freeman. Será que eles não têm mais os direitos de publicação? Será que os títulos que não se encontram lá podem ser adquiridos sem problemas por outras editoras? Nunca saberemos…

Em tempo: o editor da Panini Levi Trindade disse recentemente em duas entrevistas que a editora tem interesse em Lobo solitário e estavam tentando trazer o título novamente. Contudo, ele ressaltou que, como a publicação aconteceu há muito tempo, a negociação teria que começar do zero, dando a entender que existiam outras editoras interessadas no título.

2. Checklists antecipados

Checklists da Nova Sampa? Temos que caçar aqui e ali para descobrir o que foi lançado. Newpop? Basicamente a editora só coloca seus lançamentos no facebook e raramente os coloca de uma vez. JBC e Panini são mais certinhas e disponibilizam seus checklists mensais nas datas certas.

Mas e se eu disser que isso não é suficiente? Nenhuma dessas quatro editoras chega ao nível de sofisticação das maiores editoras italianas, por exemplo. A editora Star Comics e a Panini italiana divulgam a prévia dos seus checklists com pelo menos DOIS MESES de antecedência, ajudando os leitores a preparar o orçamento e saber exatamente o quanto vai gastar em cada mês.

Não me parece uma medida de difícil realização também no Brasil, afinal as editoras têm planejamento para vários meses em sequência. O problema seria apenas conseguir cumprir os checklists. Não sabemos quais diferenças existem entre o mercado italiano e o mercado brasileiro. Por exemplo, será que na Itália as editoras imprimem seus títulos com antecedência e estocam? E no Brasil, como é? Essa e outras questões podem influenciar na divulgação e na não divulgação dos checklists antecipados e pode não ser viável no Brasil. Todavia acho que pelo menos a multinacional Panini deveria seguir os passos de sua matriz italiana e tentar implementar essa melhoria para o bem dos leitores. Não seria ótimo saber exatamente se, quando uma editora anunciasse um título, ele já dissesse o mês em que ele vai sair?

1. Investir em propaganda

Quando a JBC lançou Sailor Moon, ela colocou propaganda no metrô de São Paulo. Quando a Panini lançou Kuroko no basket e Assassination Classroom colocaram propaganda na televisão por assinatura. Essas atitudes são muito positivas, porém isoladas demais.

Nenhuma editora nacional consegue trabalhar o marketing de maneira adequada e nem fazer campanhas diferenciadas que chamem pessoas “de fora”. As editoras, especialmente a JBC, vem se utilizando da internet como forma de divulgação, porém por mais que a internet seja um meio que a cada dia vem se consolidando mais e mais, faltam ações por parte das empresas brasileiras para expandir seu mercado para fora do nicho habitual de consumidores. É preciso algum tipo de campanha mais maciça que convide essas pessoas a iniciar uma coleção de quadrinhos.

As editoras estrangeiras dão o exemplo. Como mostra uma matéria do blog Shoujo-café, a editora francesa Kana utilizou-se de um expediente muito interessante para aumentar as vendas: quem comprasse um kit com dois volumes de qualquer mangá shoujo recebia como brinde um conjunto volta às aulas, com caderno, caneta, etc. Venhamos e convenhamos: as editoras japonesas seriam tão mesquinhas ao ponto de não deixar uma editora brasileira fazer uma campanha parecida? Tenho certeza que uma ou outra editora nipônica aceitaria de bom grado. Se, por exemplo, a Shogakukan deixou fazer mangá em formato gibi, porque não uma campanha publicitária desse nível?

Todos sabem, mas é necessário repetir: não basta vender mangá apenas para quem já é fã de mangá. É preciso que as editoras pensem mais a fundo nisso e comecem a querer expandir o mercado, pois uma hora ou outra pode haver uma queda brusca nas vendas e aí será tarde demais para tentar conquistar um outro público. Compreendo perfeitamente o lado das editoras e que o retorno feito com uma propaganda mais maciça pode não compensar o investimento feito, mas será que não haveria situações específicas em que se pudesse tentar mais?

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Com essa alta do dólar é meio difícil querer que as editoras implementem todas essas coisas, mas fica o nosso desejo de que alguma editora realize os nossos desejos… você, leitor, conhece alguma medida que as editoras brasileiras poderiam aprender com as estrangeiras? Discorda de alguma de nossas colocações? Os comentários estão abertos para uma discussão…

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