
Quem acompanha os blogs brasileiros sobre mangás e animês conhece One-Punch Man há vários anos. A obra nasceu como uma webcomic escrita e desenhada por um artista conhecido pelo pseudônimo de One e fazia muito sucesso. A popularidade daquela história mal desenhada foi tanta que chamou a atenção da Shueisha e do desenhista Yusuke Murata que contactou o autor para uma parceria.
A partir de 2012, o “remake” da webcomic começou a ser serializado digitalmente na Tonari no Young Jump, da Shueisha, tendo como artista o Yusuke Murata. Esse “remake” fez a obra ficar ainda mais popular, ganhou versão digital nos Estados Unidos, volumes físicos no Japão e, desde 2015, começou a ser licenciado em diversos países do mundo. Em 2015 mesmo, o título ainda ganhou uma versão animada que fez a série explodir de vez…
No Brasil, a obra chegou pelas mãos da multinacional Panini, tendo seu primeiro volume lançado em março de 2016, com direito a um evento próprio de lançamento, coisa que a editora não costuma fazer. O mangá era um dos mais esperados em nosso país e muitos o consideram como o melhor lançamento do ano. Será que o mangá corresponde ao hype? Ou será mais um mangá mediano que ganhou as graças do povo devido a um pequeno e insignificante diferencial? Deslindaremos o volume 1 agora…
Em um mundo em que constantemente monstros aparecem e causam destruição e mortes, surge um herói capaz de vencer a todos com apenas um soco. Porém, Saitama – o herói – não está nada feliz com sua condição e não vê emoção nas lutas em que participa. Por mais fortes que aparentem ser, por mais malvados que sejam, todos os inimigos acabam subjugados após um mísero golpe e isso entedia o herói. Será que surgirá um inimigo capaz de enfrentar Saitama de igual para igual?
Desenvolvimento
No primeiro volume de One-Punch Man conhecemos o herói careca Saitama, descobrimos sua força, sua motivação para se tornar um herói e acompanhamos algumas lutas entediantes para ele, em que os monstros são derrotados com apenas um golpe. Conhecemos também Genos, um homem ciborgue que acaba sendo salvo por Saitama e resolve virar seu aprendiz.
Também vemos uma grande quantidade de monstros, a história chata de Genos e uma menção a uma corporação que poderia estar por trás dos monstros, ou de pelo menos alguns deles. As bases da história são colocadas muito bem. De um lado temos Saitama, o homem que quando criança queria ser um super-herói que ganharia dos inimigos com um soco só, e de outro monstros extremamente poderosos que se autovangloriam de sua força e capacidade de matar. Dessa junção temos o herói careca derrotando o inimigo realmente com apenas um golpe^^.
Entretanto o sonho de infância de Saitama está longe de trazer felicidade ao rapaz. Ele fica entediado e não sente qualquer emoção nas lutas. Ele até compara sua situação com o fato de matarmos um mosquito, que não oferece qualquer sentimento gratificante. Sua ânsia por uma luta digna é tão grande que ele chega a sonhar com batalha vibrante, porém seu sonho não se concretiza.
O volume não explica muita coisa. Ainda não sabemos o porquê de os monstros surgirem e que tipo de planeta é aquele em que existem ciborgues, monstros e heróis. Somos jogados na história e obrigados a nos divertir com as lutas mesmo sem entender todo o contexto daquele mundo. O que sabemos é que, por exemplo, uma pessoa que come muito pode se transformar em um monstro e pesquisas científicas também podem gerar criaturas horrendas.
Não parece ser necessário saber mais do que isso nesse momento. Os monstros existem, eles atacam e é só isso. Mesmo Saitama sequer se pergunta o porquê de eles existirem. O fato de ele ser um herói por hobby corrobora essa falta de explicação, porém o mangá não pode ficar só nisso e os volumes subsequentes devem trazer maiores detalhes. Em todo primeiro volume, o único questionamento feito por Saitama é o significado de ser um herói, porém o questionamento é muito curto e não se desenvolve mais para priorizar a ação e a comédia que são as duas forças motrizes do mangá.
E por falar em comédia, ela não funcionou nesse primeiro volume. Há vários momentos durante o mangá em que você sente que era para ser engraçado, mas simplesmente não dá para esboçar sequer um sorriso. Quando Genos conta a sua vida e enche dois quadros inteiros de palavras e mais palavras e, no final, quando aparece um boneco de neve gigante e Saitama fica aterrorizado porque lembrou que esqueceu de separar o lixo são dois momentos icônicos em que você vê nitidamente a piada, mas não consegue rir por não haver um timing ali que propicie isso. A primeira cena talvez precisasse de mais quadros para realmente dar graça, e o segundo era realmente previsível que a cara assustada do herói não era por causa do boneco.
Em resumo,o mangá é bom, desperta bastante interesse, porém eu não consegui ver tudo o que as pessoas falaram sobre o ele durante todos esses anos e o resultado foi um pouco decepcionante. Ele não apresenta nada que justifique a tamanha fama que ele ganhou nos últimos tempos. De fato, vencer o inimigo com um só golpe e ver os inimigos ferozes serem destruídos instantaneamente parece uma premissa interessante e única, mas só isso não é capaz de sustentar o mangá e nem o faz ser uma obra prima.
De todo modo, é um mangá com muito potencial e continuarei acompanhando ele, pois parece haver uma trama interessante que pode ser desenvolvida nos próximos volumes e que torne a história mais profunda. Neste primeiro volume, no entanto, One-Punch Man é apenas uma história mediana e muito previsível.
A edição nacional
A edição nacional tem sido elogiada e, de fato, merece pelo acabamento melhor que boa parte dos demais mangás da editora, possuindo miolo em papel Offset de boa gramatura e orelhas. Tudo isso ao preço de R$ 16,90.
Quem acompanha essas resenhas sabe que volta e meia reclamo da política da editora de utilizar honoríficos em seus títulos, mas felizmente em One-Punch Man eles praticamente inexistem, o que torna a leitura bem menos artificial do que em outros mangás da editora. O que é mais um ponto positivo para essa edição.
É claro que o volume tem seus deméritos, referentes a algumas escolhas da Panini. O termo “sensei” poderia muito bem ser substituído por “mestre” que não ocasionaria perdas de sentido muito grandes. Fora isso é difícil entender o porquê de a editora ter preferido manter os nomes originais de vilões quando poderiam ser facilmente traduzidos e não necessitariam de notas de rodapé. Para quê manter Mosquito Musume e colocar uma nota quando poderia traduzir para garota-mosquito simplesmente? Não faz sentido.
De todo modo, na balança entre o positivo e o negativo, o positivo ganha facilmente^^.
Veredicto
One-Punch Man é, sem dúvidas, um mangá muito divertido de acompanhar e que vai agradar muitos fãs dos chamados battle shonens (embora OPM não seja um). Se esse tipo de obra te agrada e tem dinheiro sobrando, não pense duas vezes em investir nesse mangá, pois vale muito a pena.
Se não tem interesse nesse tipo de obra, a Panini e as outras editoras tem mangás muito melhores a serem lançados este ano^^.
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One-Punch Man possui o formato 13,7 x 20 cm, orelhas e miolo em papel Offset 90g, ao preço de R$ 16,90. O título tem periodicidade bimestral e ainda está em publicação no Japão, possuindo atualmente 10 volumes.
BBM