Biblioteca Brasileira de Mangás

BBM Lista – 5 autores que tiveram problemas com a Lei

Os mangakás criminosos…

Por mais que muita gente idolatre os autores por suas criações, artistas são seres humanos como quaisquer outros e podem eventualmente ter uma conduta que não apreciaríamos em ninguém, manchando a imagem que temos deles.

Hoje iremos relembrar 5 artistas que tiveram problemas com a lei no Japão (4 autores de mangás e 1 autor de light novel). Venha ver.

Provavelmente você não conhece esse autor, mas Kazuichi Hanawa já teve uma obra publicada no Brasil e uma obra emblemática para o tema desta postagem. Ele é o responsável pelo mangá Na prisão (刑務所の中), lançado em 2005 pela editora Conrad.

Na Prisão. Foto: Guia dos Quadrinhos

Hanawa era um profundo entusiasta das armas de fogo e no ano de 1994 ele foi detido por porte ilegal de armas, enquanto testava suas novas armas em uma montanha. O autor foi condenado a três anos de prisão em regime fechado pelo seu crime. O mangá Na prisão é justamente um relato autobiográfico dessa experiência.

Um dos casos mais recentes de autores com problemas com a lei japonesa foi o de Umezu Daisuke, nome verdadeiro de Mamare Touno, autor da light novel Log Horizon (ログ・ホライズン). Em dezembro de 2015, o autor ficou preso em prisão domiciliar pelo não pagamento de impostos.

Log Horizon. Foto: NewPOP

Sua empresa de licenciamento foi acusada de ter deixado de pagar trinta milhões de Ienes (quase 1 milhão de reais pela cotação da época) em impostos para o governo japonês. Em abril do mesmo ano o autor já havia sido acusado de evasão fiscal por supostamente deixar de registrar 122 milhões de Ienes (quase 4 milhões de reais ) nos últimos três anos.

Em abril de 2016, o autor foi julgado e considerado culpado. Ele foi condenado a devolver todo o valor devido aos cofres públicos. Além disso, Mamare Touno foi sentenciado há 10 meses de prisão pelo ocorrido. Felizmente para ele a pena acabou suspensa por três anos, o que significa que, se portando bem, não precisará ir para a cadeia.

Mitsutoshi Shimabukuro é conhecido no Brasil como o autor de Toriko (トリコ), sua obra mais famosa por aqui. O que nem todos sabem ou se lembram é que o artista foi mais um que teve problemas com as leis japonesas.

Toriko. Foto: Panini Mangás

Em 2002, Shimabukuro foi preso por abuso de menor de idade em uma investigação relacionada a prostituição de alunas do secundário. Ao que se sabe, a investigação mostrou que em novembro de 2001 ele havia ido a um hotel com uma menina de 16 anos que ele havia conhecido por meio da Internet. Alguns meses após o caso, o autor foi condenado a dois anos de prisão por seu crime, entretanto sua pena foi suspensa por quatro anos. Ou seja, caso se comportasse bem durante quatro anos, ele não precisaria cumprir os dois anos de cadeia.

Na época, o autor fazia uma série chamada Seikimatsu Leader Den Takeshi (世紀末リーダー伝たけし!) e devido à repercussão do caso, a Shueisha acabou cancelando o mangá tempos depois. A atitude da Shueisha acabou sendo alvo de críticas de alguns autores, um deles Eiichiro Oda. Apesar do ocorrido, o autor acabou voltando a publicar mangás e está na ativa até hoje. Toriko é a série mais longa do autor.

O caso mais recente da lista, sem dúvida, é o de Nobuhiro Watsuki, criador de Rurouni Kenshin (るろうに剣心 -明治剣客浪漫譚-). Em novembro de 2017, Watsuki foi pego em posse de pornografia infantil. Segundo a polícia japonesa o autor possuía muitos DVDs contendo meninas nuas e armazenou esses vídeos em um escritório em Tóquio. A acusação contra Nobuhiro Watsuki diz que ele teria esses vídeos pornográficos desde julho de 2015 e a polícia chegou a ele por acaso, enquanto investigava outra coisa.

Em seu testemunho, o mangaká confirmou que gostava de meninas bem novinhas. No Japão, a posse de pornografia infantil é considerado crime apenas desde 2015 e traz uma penalidade de até um ano de prisão e uma multa de até um milhão de ienes se for considerado culpado.

Rurouni Kenshin. Foto: Editora JBC

Em fevereiro de 2018, a pena foi divulgada. O ministério público japonês arquivou o indiciamento e o autor teve que pagar uma multa de apenas 200 000 Ienes (cerca de 6000 reais), uma multa ínfima.

Apesar disso tudo o seu mangá atual – Rurouni Kenshin – Hokkaido Arc (るろうに剣心-明治剣客浪漫譚・北海道編-) – não sofreu danos. O título foi paralisado enquanto havia a investigação e tempos depois da sentença ter sido pronunciada, a Shueisha resolveu dar continuidade ao mangá, pois nas palavras da editora, o autor estaria vivendo uma vida de reflexão e a Shueisha e Watsuki decidiram retomar a obra em resposta ao anseio dos fãs O_o.

Em outras palavras, apesar do crime gravíssimo o autor saiu praticamente ileso…

Sim, o desenhista de Death Note, Bakuman e Platinum End também teve problemas com a justiça e uma das mais inusitadas possíveis. ele foi detido por porte de arma branca em setembro de 2006. Pelo que se sabe, o autor teve seu carro parado e ele estava de posse de uma faca com lâmina maior do que é permitida pela lei japonesa (6 cm).

Death Note. Foto: Guia dos Quadrinhos.

A faca, na verdade, era um do tipo canivete e media 8,6 cm. A explicação do autor é que o canivete seria para uso de Camping, mas essa não foi considerada uma justificativa plausível e ele acabou levado para a delegacia. A punição dele, porém, foi leve, apenas uma multa. Ele só seria condenado à prisão se a arma estivesse relacionado a um assalto ou crime parecido.

Se você sabe japonês, neste link há uma tirinha com Death Note em que parecem estar brincando com esse episódio.


Provavelmente há outros casos de autores que tiveram problemas com a lei, mas nos detivemos nestes cinco. Você conhece mais algum caso de um autor de mangá que teve problema com a lei? Nos diga nos comentários^^.

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