
Empresa fala da questão
Além de comentar a data de lançamento de I Sold My Life (saiba mais) e dizer outras previsões da retomada de títulos impressos (saiba mais), a live da editora JBC realizada na última sexta-feira, 24 de julho de 2020, também contou com algumas outras informações por parte da empresa, em especial sobre a questão da política de reimpressões e republicações da empresa.
Estiveram presentes Marina Shoji, Marcelo del Greco e Edi Carlos Rodrigues. Eis os principais pontos sobre a política de reimpressão da editora.
REPUBLICAÇÃO X REIMPRESSÃO
Antes de mais nada, a editora quis fazer uma separação entre Republicação/Relançamento (a volta de títulos lançado anteriormente pela editora em outro formato) e Reimpressão (a reposição de volumes específicos esgotados de alguma série).
A política da editora é reimprimir os volumes sempre que possível. A empresa foi bem clara em dizer que faz as reimpressões nos títulos que estão on going (em andamento) ou nos títulos recentemente finalizados. Ou seja, se My Hero Academia (obra ainda em andamento pela empresa) está com volumes esgotados, em algum momento eles serão reimpressos. O mesmo vale para obras recentemente concluídas. O volume único de Your Name., por exemplo, lançado em dezembro do ano passado já está esgotado na editora e irá ser reimpresso.
As reposições são feitas de acordo com a demanda. Segundo a empresa, porém, alguns títulos têm até uma certa demanda para uma reimpressão, mas não é o suficiente para fazer uma reposição ainda. Nessa métrica entra não só os pedidos dos consumidores nas redes sociais, como também os pedidos feitos aos lojistas, o que os consumidores estão querendo encontrar e não conseguindo, etc.
Passado um tempo, porém, a reimpressão não é interessante. Depois de dois ou três anos já não existe tanta demanda, os preços mudam muito e não faz muito sentido fazer uma reposição. Nesses casos, em geral, as obras entram nas filas de possíveis republicações (volta da obra em outro formato no futuro).
PRINT ON DEMAND
A editora também comentou sobre o sistema POD (Print On Demand). Para quem não sabe, os mangás costumam ser impressos em gráficas em grandes quantidades (milhares ou dezenas de milhares de cópias de uma vez) e reimpressões costumam custar mais caro, muitas vezes nem tendo demanda o suficiente para a editora realizar uma nova tiragem.
Já o sistema Print on Demand é feito por uma empresa especializada e é possível a impressão de um volume de cada vez. Apesar de ser uma boa pedida para sempre ser possível ter volumes disponíveis, a editora disse que ele não será a solução total para reimpressões, pois títulos em papel jornal ou títulos com alguns acabamentos como o da nova edição Fullmetal Alchemist não serão possíveis, pois o maquinário desse tipo de impressão não permite.
TÍTULOS QUE SERÃO REIMPRESSOS EM BREVE
A editora ainda está estudando quais volumes e de quais obras serão reimpressos em breve, mas a empresa comentou sobre alguns títulos. Vejam a seguir:
-Fullmetal Alchemist [Edição Especial]: Antes de falar da reimpressão dos volumes esgotados, a editora falou que o volume 1 da obra foi lançado em 2016 e de lá para cá foram feitas duas reposições, uma em novembro de 2017 e uma em dezembro de 2018. Os volumes #02 a #08 também tiveram várias reposições. Acerca dos volumes mais raros, a editora lembrou que publicou o #23 e o #24 em outubro de 2018 e os reimprimiu em dezembro do mesmo ano. Já os #25 a #27 foram lançados em novembro de 2018 e repostos em março de 2019. A JBC vai repor essas últimas edições de novo, mas muito provavelmente vai ser a última reposição dessa coleção.
-My Hero Academia: O volume 1 saiu em outubro de 2016 e desde então foram 4 reposições desse volume (dezembro de 2017, janeiro de 2019, abril de 2019 e dezembro de 2019). No meio disso, outros volumes foram reimpressos várias vezes também. Em dezembro de 2019, não foi apenas o número um e sim os dez primeiros da série. Existem planos para repor do 13 ao 20, mas ainda sem data definida.
-The Seven Deadly Sins: também há planos de repor volumes esgotados da série. Salvo engano, a editora só comentou do volume 17 na live, mas isso não quer dizer que outros não serão reimpressos também.
-Hokuto no Ken: esgotados na editora, os volumes iniciais de Hokuto no Ken também serão reimpressos em breve.
-Your Name. [Edição Única]: também esgotado na editora, o mangá será reimpresso em breve.
É IMPORTANTE ACOMPANHAR OS MANGÁS DO INÍCIO?
Um ponto que foi controverso entre alguns consumidores foi a editora ter dito que o ideal é as pessoas comprarem no início, assim que os volumes saírem, enquanto as obras ainda estão em publicação no Brasil. Segundo a empresa, para garantir a coleção de verdade é importante começar a colecionar no lançamento e não ficar, por exemplo, esperando descontos. Isso tem impacto também nos números das vendas da editora e das tiragens das edições futuras. Caso se venda poucos exemplares no início, a tendência é que a tiragem vá diminuindo e diminuindo ao longo do tempo. Isso já era comum na época de bancas de revistas e agora com tiragens menores tende a ser pior. O resultado é que ficaria mais difícil encontrar os volumes finais de uma dada obra, já que obviamente uma tiragem menor esgota bem mais rápido.
Esse foi um ponto controverso por várias coisas. Em primeiro lugar, como os mangás estão cada vez mais caros e a editora lança por blocos de volumes (2, 3 ou até 4 de uma vez) fica difícil para a pessoa conseguir comprar assim que sair. O segundo é que muita gente achou que a empresa quis dizer que não iria mais fazer reposições caso os volumes esgotassem e, com isso, estivesse obrigando as pessoas a comprarem os títulos assim que eles saírem.
Esses questionamentos foram feitos na hora, durante a live, então a editora reformulou o que disse e comentou que não é preciso comprar assim que sair como era no tempo da venda de bancas de revistas, pois os volumes não são recolhidos. Como se trata de venda para livrarias e lojas especializadas, é possível que os volumes fiquem bastante tempo nesses pontos comerciais, assim a pessoa pode ir comprando aos poucos se desejar. O lançamento em blocos ocorre porque existem pessoas que gostam (e podem) comprar vários de uma vez para concluir logo, por exemplo.
O que pode acontecer nesse meio tempo, caso você não consiga comprar assim que sair, é que o mangá esgote. E se esgotar, a editora irá reimprimir. A JBC reforçou que continuará fazendo reimpressões perto do lançamento normalmente. O que a editora disse é que é difícil reimprimir depois de algum tempo de a obra ser concluída. Próximo do lançamento, a editora busca fazer reposições. Eis a citação da fala de Marina Shoji ao responder a um dos consumidores:
“Quando a gente falou em comprar logo, eu não disse que a reposição não é uma opção, principalmente quando tá próximo do lançamento, e isso a gente tem [feito] e eu acho que cheguei a falar isso naquele momento [no início da live]. A gente tem essa preocupação de fazer a reposição no início, e isso tem acontecido, sim. O que a gente falou é que é difícil depois de dois anos, um ano e meio, aí a demanda começa a ficar menor“.
Obviamente, apesar de fazer as reimpressões, elas podem não manter o mesmo preço da época do lançamento. O primeiro volume de Akira, por exemplo, saiu por R$ 69,90. Na mais recente reimpressão, o volume veio custando R$ 76,90. O mesmo deve acontecer quando a JBC republicar o CdZ – Kanzenban #02 ou outros tomos de outras séries.
CASOS E CASOS
Evidentemente cada caso é um caso e a editora estuda tudo individualmente. A empresa citou vários casos de “pepinos” da empresa, como o Hunter x Hunter ou o Cavaleiros do Zodíaco – Next Dimension, obras que ganham volumes muito espaçadamente no Japão e ficam parados por lá por looongo tempo. A editora vive discutindo o que fazer, se seria interessante uma reimpressão, um relançamento, além de como fazer isso, etc. Mas até o momento, a empresa não tem nada definido acerca dessas séries.