
Saiba quais
Há uma lista de mangás mais vendidos no Brasil? Não, não existe, mas o texto do título da matéria é verdadeiro e é preciso explicar algumas coisas antes de você ver os mangás mais vendidos de 2022, segundo o portal PublishNews.
Basicamente, embora eu já a conhecesse de outros carnavais, eu só vi essa lista de 2022 hoje e eu fiquei bem surpreso com alguns números de alguns mangás. Então postei nas redes sociais do blog e resolvi trazer essa curiosidade para cá também. Entretanto, como dito, é necessário que existam algumas explicações.
Então se você está confuso até aqui continue lendo que vai dar certo e você entenderá…
LISTA DE MANGÁS MAIS VENDIDOS NO JAPÃO? E NO BRASIL?
Muita gente gostaria de saber quanto vende tal ou qual mangá no Brasil e ficam ressabiadas sobre o porquê de as editoras brasileiras não revelarem os números. A verdade, entretanto, é que editora de nenhum país do mundo revela esse tipo de dado.
Existem ocasiões especiais em que as editoras falam, por propaganda, por exemplo, mas isso é mais uma exceção do que a regra. Na verdade, dados exatos as editoras nem têm de verdade. Isso porque a editora vende para lojas e essas lojas não precisam informar à editora o que foi ou não vendido. O que a editora sabe é o que foi colocado ao comércio e não o número de unidades vendidas, número a número.
Então do que são essas listas de mangás mais vendidos que a gente vê em países como o Japão e França? Pois bem, editoras não divulgam dados mesmo, mas nesses países existem empresas (ou organizações) que fazem o levantamento de venda junto a lojistas. É o caso da Oricon, no Japão.
As listas de mangás mais vendidos no Japão que a gente vê por aí toda semana, não são fornecidas oficialmente pelas editoras japonesas, é essa empresa, a Oricon, que consegue os dados com as lojas, possivelmente comprando essas informações.
No Brasil, não temos uma lista de mangás mais vendidos, pois não existe nenhuma empresa que faça esse tipo de levantamento por aqui. É por isso que a gente não vê uma lista semanal de mangás mais vendidos em nosso país. E até que surja uma, nunca vamos ter.
O PUBLISHNEWS E SUA LISTA DE MAIS VENDIDOS
O PublishNews (https://www.publishnews.com.br/) é o maior site que cobre o mercado editorial brasileiro e ele têm, sim, uma LISTA DE LIVROS MAIS VENDIDOS, publicada toda semana. Essa lista é obtida junto a um número limitado de livrarias, que informam, NO MÁXIMO, 20 títulos mais vendidos da semana por categoria (ficção, não-ficção, juvenil, etc). A partir disso, o site faz uma soma simples do que apareceu e publica.
A ideia dessa lista, o próprio site diz, é ser uma amostra do comércio, e não representa toda a realidade de venda de livros no Brasil. Ou seja, é para se ter uma ideia do mercado livreiro brasileiro, para não se ficar no escuro, mas os números não representam a totalidade das vendas.
Eis as lojas com as quais o PublishNews consegue os dados:
Como é possível ver, são apenas 18 livrarias (ou redes de livrarias) e três lojas com Market Place (Americanas, Submarino e Magazine Luíza). É um número realmente pequeno e desfalcado de empresas importantes, ou de pelo menos de uma delas: não há o número de vendas da Amazon, por exemplo, que, supõe-se, seja o maior player desse mercado atualmente.
Apesar dessas limitações, as amostras do PublishNews são muito interessantes, pois nos apresentam alguns números impressionantes da venda de livros no Brasil (alguns chegando na casa das centenas de milhares em um ano). E, também, nos mostram até mesmo NÚMEROS DE MANGÁS de vez em quando. E é isso o que nos interessa, não é mesmo?
MANGÁS MAIS VENDIDOS NO BRASIL EM 2022, SEGUNDO O PUBLISHNEWS
Sim, como mangás são vendidos em Livrarias algumas vezes eles aparecem na lista de mais vendidos do PublishNews. A consolidação de 2022 mostrou números consideravelmente altos em alguns títulos, com o destaque para Demon Slayer #01 com mais de 25.000 unidades vendidas e One Piece 3 em 1 #01 com quase 20.000.
Na lista do ano de 2022, aparecem um total de 31 mangás, sendo 28 pela Panini e 3 pela JBC. Vejamos as listas, por editora, a seguir:
- JBC
- Panini
A lista completa pode ser vista aqui.
COMO INTERPRETAR ESSAS LISTAS?
O PublishNews explica que o número da tabela anual (a que mostramos) é apenas a soma de todas as unidades que apareceram durante as listas semanais pelo ano. Ou seja, o número não representa tudo o que vendeu nas livrarias listadas, o número mostra apenas o que apareceu como mais vendido durante uma semana, duas ou várias semanas durante o ano.
Desse modo, se você viu as 814 cópias de Death Note Black Edition #01 e achou pouco para um ano inteiro, saiba que ele não vendeu só isso. Esses foram os números que chegaram ao Publish News, por meio da lista de mais vendidos semanais. Os números reais tendem a ser maiores.
Vamos exemplificar: o mangá Jojo’s Bizarre Adventure: Parte 1 – Phantom Blood #01 vendeu 364 cópias na lista anual e foi o título com menos cópias da editora Panini. Pesquisando, o mangá vendeu todas essas 364 cópias na semana de 25/04/2022 a 01/05/2022 (clique aqui). Ele não vendeu mais nada depois disso nas livrarias que fazem parte da lista do Publish News? Certamente que sim, só que ele não atingiu números altos o suficiente para que reaparece na lista em outras semanas. Ele pode ter vendido mais de 1000 cópias ou mais de 2000 cópias (ou até muito mais do que isso) espalhados durante o ano e divididos entre diversas livrarias, e aí a lista do PublishNews não tem como pegar.
Então o número que aparece na lista anual é o número mínimo de cópias que foram vendidas, mas certamente os títulos venderam mais nesses locais.
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Mas os números de Demon Slayer #01 e One Piece 3 em 1 #01? Ou mesmo os de Jujutsu Kaisen #01 e Spy x Family #01? São diferentes? Não, é a mesma coisa e é justamente aqui que eu queria chegar com esse texto.
A questão é que esses títulos ficaram tão em voga, fizeram tanto sucesso, que apareceram nas listas muitas e muitas semanas, resultando em um número de vendas tão alto. E, embora os números talvez pareçam mais precisos por causa disso, continua sendo uma amostra do todo. Isso porque mesmo que um título tenha aparecido na lista de mais vendidos toda a semana, não significa que todas as livrarias enviaram os mesmos títulos.
Vamos explicar: suponha que Demon Slayer #01 tenha vendido 1200 cópias na Livraria da Vila em uma semana e tenha sido um dos 20 mais vendidos na categoria ficção. Ela então envia os dados para a PublishNews e eles são computados pelo site. Suponha que, na mesma semana, o mesmo mangá vendeu as mesmas 1200 cópias na Livraria Leitura e ele não ficou entre os 20 mais vendidos na categoria. A Livraria Leitura não irá enviar esses dados das 1200 cópias e eles não entrarão na contagem do site. Então, em vez de vez de 2400 cópias, a lista do Publish News terá apenas 1200 marcadas. Ficou claro?
Dito isso, as 25.000 unidades vendidas de Demon Slayer #01 em 2022 foram impressionantes mesmo, One Piece 3 em 1 #01 também e os outros dois citados, igualmente, mas isso é só uma amostra. O número real provavelmente é muito maior. Quanto maior? Aí é impossível de medir.
UNIVERSO DIMINUTO
E eu não sei se você prestou atenção mesmo neste texto, mas o número de cópias vendidas da lista do PublishNews é de um universo diminuto. O PublishNews (como dito antes) não tem dados de vendas da Amazon, então aqueles mangás em promoção que você comprou não estão contados. Aquelas pré-vendas que você sempre faz também não.
E sabe aquela promoção de 30% de desconto na loja da Panini? Pois então os mangás que você comprou também não entraram na lista. Comprou mangá em uma Comic Shop física? Em uma banca de revista? Também não entrou na conta do PublishNews. Mas e aquela compra de uma Comic Shop online na Shopee ou no Mercado Livre? Igualmente não é contado. O máximo que poderia ser contado é se você comprou nas Americanas, no Submarino ou no Magazine Luiza (visto que os três têm market place e algumas lojas de mangás vendem por eles). Ou seja, tem uma infinidade de pontos de vendas de mangás que não entram na contagem.
Estou chamando muito a sua atenção para esse universo diminuto da lista para enfatizar o sucesso que foram determinadas obras em 2022. Se Spy x Family #01 vendeu umas dez mil cópias em um número pequeno de livrarias, será que ele vendeu duas, três ou quatro vezes mais contando Amazon e loja da Panini? Ou ele fez sucesso especificamente no povo que compra fisicamente, a preço de capa, sem desconto, e não vendeu tanto assim nos outros players?
Não temos como saber, mas uma coisa é certa, esses números altos de alguns mangás mostram que ainda tem muita gente comprando mangá a preço de capa, mesmo com a elevação do preço médio que ocorreu massivamente nos últimos quatro anos. Isso já era algo que “meio-que-se-sabia”, tendo em vista que as publicações não param de sair no país e cada vez chega mais e mais títulos, mas olhar esses números da lista do PublishNews dá uma confirmação.
Claro que é preciso ponderar (a maioria são volumes #01 e são de obras muito famosas), mas mesmo assim, olhar esses números dá (ao menos para mim) uma realidade muito positiva para o mercado de quadrinhos japoneses por aqui. Sim, pois, se sem considerar os enormes descontos da Amazon já se tem uma venda tão alta, imagina com ela???
2023 e FIM
A lista de 2023 até o momento (clique aqui para ver os títulos da Panini) não tem números tão altos quanto de 2022, mas tem alguns que despontam da mesma forma, como a reimpressão de One Piece #01 que já acumula mais de 9.000 cópias e Demon Slayer #01 que já ultrapassou 3.000, enquanto Chainsaw Man #01, One Piece #103 e Spy x Family #01 têm mais de 2500 cada.
Esse texto não chega a ter uma conclusão propriamente dita, pois eu só queria trazer essa curiosidade (dos mangás na lista do PublishNews) para vocês que não nos acompanham nas redes sociais e mostrar esse meu lado otimista. É bom imaginar que mesmo que eu (e outras pessoas) tenhamos diminuído nossas compras por causa dos preços, provavelmente existem outras pessoas por aí para suprir essa lacuna e fazer o mercado continuar crescendo…
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