
Veja como está o mangá
Mangá Aberto é uma nova coluna de resenhas aqui do blog em que mostraremos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. O nome advém de um antigo blog em língua espanhola que fazia exatamente isso^^.
A ideia é apresentar aos leitores exclusivos do blog o que já fazemos em nossas redes sociais, mostrar fotos do mangá acrescentando alguns detalhes sobre as obras e opiniões. A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de Ikkyu, mangá publicado no Brasil pela editora Veneta no fim de novembro/início de dezembro de 2023.
PEQUENAS INFORMAÇÕES SOBRE A OBRA
Ikkyu é um mangá de autoria de Hisashi Sakaguchi e foi publicado no Japão entre maio de 1993 e novembro de 1995 na revista Afternoon, da editora Kodansha, tendo seus capítulos compilados em um total de 4 volumes de mais de 300 páginas cada. Foi a última obra do autor antes de seu falecimento, sendo o quarto volume lançado postumamente. A obra busca narrar a vida de Ikkyu, o mais famoso monge budista da história do Japão.
No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Veneta no dia 22 de setembro de 2023 e o primeiro volume (dos quatro volumes no total) foi lançado no finalzinho de novembro, durante a CCXP 2023.
FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira de Ikkyu foi lançada em capa dura, com um papel de excelente qualidade e algumas páginas coloridas no mesmo papel.
Em relação ao tamanho, ele veio no formato 21 x 28 cm, sendo enorme e, provavelmente, só ficando atrás em tamanho de Guardiões do Louvre e Rohan no Louvre no Brasil.
É um volume com muitas páginas (são 320 no total) e como ele é grande acaba pesando um pouco no manuseio, de maneira que o recomendado é ler o mangá com ele apoiado na cama ou na mesa.
CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA
A capa da edição brasileira é uma produção local, distando bastante das versões nipônicas e sendo única mesmo entre os lançamentos ocidentais. Particularmente achei a composição das imagens muito boa, formando uma harmonia quase como se mostrasse o ciclo da vida (criança, jovem, adulto e morte), embora esse volume inicial narre a infância do protagonista da obra,
Um detalhe importante é que esse é o primeiro volume de uma série, mas não há um número na capa. A editora optou por colocar o subtítulo “terra” para marcar esse volume, bem ao lado do título do mangá e do nome do autor. Ou seja, então, em vez de ser “Ikkyu #01” esse seria o “Ikkyu: terra”.
A quarta-capa tem o mesmo tom roseado da capa juntamente com uma imagem (a ilustração da capa original japonesa), o código de barras e o logo da editora, além de algumas inscrições importantes.
A Veneta colocou na parte superior duas falas de grandes autores japoneses (Osamu Tezuka e Naoki Urasawa) sobre o Hisashi Sakaguchi e, na parte inferior, a sinopse da obra (mostrando que se trata de um mangá biográfico) e um pequeno relato sobre o autor.
Acho que a capa e a quarta-capa ficaram muito bonitas, tanto pela cor, quanto pela sua construção. A lombada, no entanto, acho que destoou um pouco. A distribuição dos elementos (título, nome do autor, logo da editora) está bem ok, bastante sóbria, mas a cor achei que ficou aquém.
Eu sinto que a editora quis, com essa cor, representar a terra, o subtítulo do volume, mas, em minha opinião, não ficou bonita, deixando um aspecto mais envelhecido. Mas, de todo modo, isso é só um detalhe.
CAPAS INTERNAS
Eu disse que sinto que a editora quis representar a terra com a escolha da cor da lombada, pois as guardas do mangá seguem a mesma cor, como sendo algo do “meio”, algo “interno”, como é a terra.
“Guardas” é o nome que se dá às páginas internas que estão coladas na capa e na quarta-capa de um livro (geralmente em capa dura).
PAPEL DO MIOLO
A editora não divulgou o tipo de papel utilizado no mangá, mas se trata de um papel de excelente qualidade e boa gramatura. Aparenta ser o Pólen Bold 90g por ser similar a mangás que o utilizam, com os da Pipoca & Nanquim e alguns da JBC.
Considero, então, um papel muito bom, perfeito para a leitura e com uma ótima qualidade de impressão.
ACABAMENTO GERAL
Por ser um produto de luxo, o acabamento geral do mangá é excelente. Para além do tamanho grande e do papel de boa qualidade, tem a já citada capa dura e o miolo colado e costurado como deve ser. É um produto premium muito bem feito e seu único ponto negativo é a dificuldade de leitura (tem que deixar ele em algum lugar enquanto você está lendo).
DETALHES EDITORIAIS
Para este post ainda não foi feita uma leitura completa do mangá, apenas fizemos uma análise dele por cima e algumas coisas chamam a atenção. A começar que, logo no início, temos trechos em japonês (os ideogramas, para ficar claro) nas páginas com uma tradução ao lado. O normal nesses casos seria limpar o texto, refazer e deixar apenas o texto em português.
Há duas hipóteses para isso. A primeira é que a editora não quis ter o trabalho de apagar essas partes. A segunda diz respeito a Ikkyu (a figura história retratada no mangá). Em vida ele deixou textos, sobretudo poemas, e a editora pode ter querido manter esses poemas no original, tendo em vista a dificuldade/impossibilidade de se fazer uma tradução adequada/fiel desse gênero literário.
Essa hipótese da tradução é corroborada porque em outros momentos do mangá a editora faz a mesma coisa, mesmo em locais em que a simples retirada seria fácil, como em um fundo preto.
Agora a edição da Veneta é um pouco diferente no que tange às onomatopeias. A maioria das editoras brasileiras costuma deixar a onomatopeia original e colocam uma legenda com a tradução em algum lugar do quadrinho, geralmente discreto junto à própria onomatopeia.
A veneta, por outro lado, coloca a tradução abaixo do quadrinho, de modo que você só lê os sons se desviar o olhar ou após ler o texto dos balões. É algo bem diferente, mas logo você se acostuma.
PARATEXTOS
O mangá possui alguns paratextos interessantes e importantes. Desses, temos dois grandes textos, um de Rogério de Campos, dono da Veneta, e outro de Kenzo Suzuki, tradutor francês.
O texto de Rogério de Campos conta um pouco da história de Sakaguchi, fala dos mangakás que o idolatram, dentre diversas outras coisas. E após a leitura do texto você sai fascinado, querendo não só ler o mangá, como querendo tudo do autor, para ver por você mesmo as maravilhas que é esse artista.
O texto de Kenzo Suzuki fala mais sobre Ikkyu, a personalidade histórica retratada no mangá. O tradutor é um grande especialista na obra de Hisashi Sakaguchi e estudou com afinco a figura de Ikkyu. Nesse texto, ele relata as verdades, os mitos e o modo como Ikkyu foi parar no imaginário japonês.
Além desses dois textos, outro paratexto do mangá é um grande glossário com diversas notas (do autor, do tradutor, do editor e, até mesmo, notas de Kenzo Suzuki).
UMA CONCLUSÃO
Como dito mais acima, para este texto não foi feita uma leitura integral do volume. A ideia era apresentar esta postagem a respeito da edição física para os que ainda não tenham visto e tenham dúvidas gerais do acabamento. Sobre a história em si talvez a gente faça uma resenha ano que vem. Do que eu li, até o momento, gostei bastante.
Demais a mais considero a edição Veneta muito boa, com um excelente acabamento, e vale a pena dar uma chance. Mas, claro, a nossa indicação é válida apenas e tão somente para quem pode arcar com um produto de valor tão dispendioso (R$ 124,90).
Há quem diga que as pessoas podem comprar mangás da Veneta de olhos fechados, pois a curadoria deles é muito boa. E, de fato é, mas isso não significa que todo mundo irá gostar. Por isso – como não comentamos da história – a nossa indicação é para quem tem bastante dinheiro sobrando…
Ficha Técnica
Título Original: あっかんべェ一休
Título: Ikkyu
Autor: Hisashi Sakaguchi
Tradutor: Drik Sada
Editora: Veneta
Número de volumes no Japão: 4 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 21 x 28 cm
Miolo: Não divulgado, mas parece ser o papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa dura
Páginas: 320 (sendo 7 coloridas)
Classificação indicativa: não há
Preço: R$ 124,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Ikkyu é o mais famoso monge budista da história do Japão. Filho ilegítimo do imperador Go-Komatsu, Ikkyu viveu no século XV e marcou decisivamente não apenas o budismo japonês, mas também o desenvolvimento de manifestações culturais que hoje simbolizam o Japão, como a cerimônia do chá, os arranjos florais e a caligrafia. Ao mesmo tempo, foi um herege que gostava de rir, principalmente da hipocrisia e da pomposidade burocrática da religião organizada. Ficou famoso como um asceta, um erudito e, ao mesmo tempo, um libertino. Tornou-se, assim, um herói popular do Japão e, no século XX, um herói da contracultura mundial. Nesse primeiro volume, Ikkyu Terra, Sakaguchi fala da infância e adolescência de Ikkyu. É o período de legendárias demonstrações de seu talento precoce como pensador iconoclasta. Ikkyu aparece aqui como um garoto esperto autor de frases cheias de inteligência e humor, que o tornaram também um herói de livros infantis e até desenhos animados. Mas um menino que, depois, aprofunda o questionamento do mundo em que é criado. Ao mesmo tempo, Sakaguchi descreve com grande realismo um período conturbado da história do Japão.
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