
Comentando minhas leituras
A ideia desta coluna de resenhas é falar das minhas leituras semanais. Não falarei sobre lançamentos (volumes #01 e volumes únicos) e sim apenas obras regulares que estou acompanhando ou alguma releitura eventual que aconteça.
Assim eu posso falar com vocês um pouco mais sobre algumas obras, re-indicar elas, dentre outras coisas. Por fim, esta matéria não será aprofundada e sim apenas comentários gerais sobre as obras, o que estou gostando, imaginando e assim por diante. Dito isso, vamos à postagem, a nona desta coluna^^:
Atelier of Witch Hat #13: chegamos ao clímax do ataque da sanguessuga cortina ao festival e mais uma vez Atelier of Witch Hat coloca em debate o bem e o mal, ou mais precisamente a questão de ser errado ou não salvar uma pessoa com algo que não é lícito.
Desde o início do mangá, essa é uma questão que vem perpassando toda a história de uma maneira ou de outra. Os bruxos do mangá não podem fazer certos tipos de magias, pois elas são proibidas devido a eventos ocorridos em tempos remotos. Entretanto, dentre essas magias existem algumas que podem ser úteis para salvar pessoas. Por outro lado, elas mesmas podem ser usadas para o mal.
Existe, então, todo esse embate, todo esse conflito entre a ordem e o caos, o bem e o mal, e Atelier of Witch Hat faz questão de mostrar esses dois pontos de vista, chegando a um ponto alto nesse volume #13, com a nossa protagonista Coco buscando maneiras de conciliar a magia proibida com o salvamento de pessoas.
Todo o debate é muito bem feito no mangá. Os personagens malvados têm argumentos bem interessantes e muitos deles fazem sentido, principalmente quando as coisas confluem com certos comportamentos de personagens da parte dos “heróis”. Tudo nos leva a questionar, juntos dos personagens, se a rigidez é o melhor meio para se evitar problemas ou se é possível haver um pouco mais de liberdade.
Em um certo momento, me pareceu que essa grande questão poderia estar perto de ser resolvida nesse volume ou nos próximos, mas certas falas, e determinados acontecimentos, mostraram que tudo é realmente muito complexo e não se tem como resolver algo tão grande de uma hora para outra.
Atelier of Witch Hat é um mangá de ritmo lento, com as coisas girando e girando como se não saíssem do lugar, mas ao mesmo tempo mostrando cada vez mais detalhes dos questionamentos da obra.
Existe um caminho para a obra ser encerrada em breve, mas se assim for, ela perderá qualidade em relação a tudo o que foi feito até agora.
Mas se a autora continuar desenvolvendo o mangá do jeito que tem feito até aqui, eu imagino que nem tenha chegado na metade da série ainda, pois tem muita coisa a acontecer e tem muito o que se discutir. Particularmente, prefiro essa segunda opção, pois gosto muito da obra.
“Atelier of Witch Hat” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 13 volumes publicados. No Brasil, todos já foram publicados.
KonoSuba: Abençoado Mundo Maravilhoso!! #18: se tem algo de que não me arrependo foi de continuar a coleção do mangá KonoSuba! mesmo tendo achado chatíssimos os primeiros volumes. Eu conhecia a obra pelo anime, mas achei a versão em quadrinhos muito abaixo em termos de qualidade. O tempo foi passando, porém, e hoje eu já adoro o mangá.
Nesse volume #18 nós temos Kazuma e os demais protagonistas indo numa cidade de cassinos, onde o futuro noivo de Iris mora. E, como sempre, muitas confusões, aventuras e cenas para lá de engraçadas.
É muito divertido acompanhar as trapalhadas dos personagens, o modo como as personalidades deles influem em cada mini-trama, etc, etc, etc. Não tem muito mais o que falar da obra, a não ser que continuaremos a acompanhar com gosto^^.
“KonoSuba: Abençoado Mundo Maravilhoso!!” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 19 volumes publicados. No Brasil, saíram 18 até o momento.
Minha Adorável Cosplayer #12: esse é um volume que se passa no mês de dezembro, próximo ao Comiket, e, notadamente, terá alguma coisa relacionada ao Natal, ainda que ao estilo japonês (aquela coisa de ser um segundo dia dos namorados).
Mas o que me chamou a atenção e me deixou mais intrigado nesse volume é que a obra mostrou um pouco de drama nada usual nessa obra, colocando a cabeça do Wakana em parafuso por conta de um cosplay da Marin.
Achei bem interessante o que o mangá fez, pois no volume passado apresentou a questão de que um criador pode não ficar satisfeito com adaptações, e nesse falou detidamente que o próprio criador pode não gostar das próprias coisas, por querer sempre buscar algo mais, algo além, talvez inalcançável.
Nesse sentido, a gente consegue ver um Wakana muito mais próximo da cultura do cosplay do que antes. Não que ele já não se esforçasse o tempo todo em suas criações, a questão é que o drama que foi colocado aqui, ao ponto de fazê-lo se sentir deprimido, mostrou que ele está dando uma importância bem gigante, igual ao que Marin faz.
Para terminar, não podemos deixar de falar um pouco sobre a questão do romance, afinal essa é uma comédia romântica. E, basicamente, a cada volume a gente vê a Marin com seu amor pelo Wakana mais e mais definido. Nós já sabemos que ela o ama, mas a autora está colocando cenas a esse respeito a cada instante.
Wakana, por outro lado, e como tem sido desde o início do mangá, não parece nutrir qualquer sentimento amoroso por Marin, seja porque ele fica muito apegado aos cosplay, seja porque nunca tenha visto chances, etc, etc. Aí a gente fica imaginando, o que acontecerá quando a Marin revelar o que sente? Não parece faltar muito para isso.
“Minha Adorável Cosplayer” ainda está em andamento, atualmente com 13 volumes publicados e com 14º previsto para novembro. No Brasil, saíram 12 até o momento.
Mabataki Yoru Hayaku!!: Num Piscar de Olhos #03 e #04: mangás de esporte são raros no Brasil, mas os que aparecem quase sempre são muito bons e Mabataki Yori Hayaku!! é um desses excelentes. Se trata de um título muito legal sobre Karatê e vem atendendo todos os requisitos de uma boa obra de esporte precisa ter.
Para quem não conhece, a obra segue Himari Kohanai, uma garota meio tímida e desengonçada que, por certas razões, acabou no clube de Karatê da escola. Embora não tenha prática e não saiba lutar muito bem, ela tem bons olhos, capaz de ver e presumir os movimentos de seus adversários. Assim muitos dizem que ela tem um enorme potencial.
É fácil fazer um paralelo de Himari com o Ashito Aoi, de Ao Ashi: Craques da Bola, pois os dois têm uma visão muito mais aguçada do que a média e podem conseguir utilizá-la em prol de um esporte. A diferença é que Aoi já estava no mundo do esporte, enquanto Kohanai está entrando nesse ambiente, então ela ainda tem que crescer mais.
Assim sendo, no volume #03 nós tivemos o fim do torneio de primavera (em que Himari perde) e logo em seguida um mini-treinamento por parte da protagonista e o início de um pequeno drama envolvendo uma das personagens coadjuvantes. No quarto volume, o pequeno drama continua, juntamente com um embate amistoso entre escolas.
Todo o mangá, obviamente, gira em torno de Himari (apesar de ter um drama de uma personagem coadjuvante) e tudo é muito bem feito. Quando a gente analisa detidamente os elementos, a gente vê que o autor estudou direitinho a cartilha das obras de esporte e faz tudo muito bem, além de adicionar elementos próprios que colocam a obra em destaque.
Assim, é fácil sentirmos emoção, êxtase, adrenalina, e muito mais nas páginas desse mangá. Sem dúvida, é um mangá de esporte muito bom e tende a continuar assim. Se existe um demérito nele, é a dificuldade de identificar os personagens em vários momentos, pois acabam ficando parecidos vez ou outra…
“Mabataki Yoru Hayaku!!: Num Piscar de Olhos” ainda está em andamento no Japão atualmente com 10 volumes publicados e com o 11 previsto para setembro. No Brasil, o mangá possui 6 números lançados até o momento e o sétimo está em pré-venda.
Haikyu!! #13: continuando a falar de mangás de esporte, o protagonista de Haikyu!! é diferente dos protagonistas de Ao Ashi e Mabataki Yori Hayaku!!. Eles se assemelham por terem coisas que só eles conseguem fazer, mas Hinata, o protagonista de Haikyu!!, não tem uma habilidade propriamente única e individual.
Isto é, por mais que ele faça parte de uma grande arma de sua equipe, não é algo quase divino como nos outros mangás. Em outras palavras, Hinata é um personagem mais palpável, mais pés no chão, tanto que ele é só é uma arma dependendo de seus esforços (de treinar e de pular) e de uma cooperação de um dos integrantes da equipe (o levantador).
Assim, Hinata á uma pessoa comum, identificável, e, mesmo sendo comum, é capaz de aprender e fazer coisas. No volume #12 vimos muito dele observando e aprendendo e isso se deu também no início do volume #13, com a continuação desse mini-arco de treinamento.
Mas Haikyu!! não é só Hinata, os outros membros do clube de vôlei também são importantes. Nesse sentido, após o fim do treinamento, temos uma partida amistosa e acaba tendo um certo destaque para Kageyama, com ele ficando mais impaciente do que o normal e lembrando épocas outras, servindo como um bom drama durante essas páginas.
Por fim, dentre medos e dramas, no volume #13 também se inicia o torneio nacional de vôlei, que é o que vai movimentar o mangá durante muitos volumes a seguir. Gostei bastante da obra até aqui e continuarei acompanhar os nove volumes finais.
“Haikyu!!” foi concluído no Japão em 45 volumes. A edição brasileira compilará tudo em 22 volumes. Saíram 13 até o momento.
Silver Spoon #13: da última vez que falei de Silver Spoon, comentei que parece que o mangá acabou no volume #11 e a partir do volume #12 se iniciou um grande epílogo da obra, ainda que tenha desenvolvimentos pendentes. Essa sensação permaneceu no volume #13, embora tenha diminuído de certo modo.
Nós tivemos cenas maiores e mais desenvolvimento de algumas coisas, de maneira que pareceu mais estarmos no verdadeiro clima de Silver Spoon, com sua comédia característica e seu estilo habitual. Relembramos passagens icônicas dos primeiros volumes e conseguimos rir muito com uma coisa ou outra.
O clima de desfecho continua, é claro, mas aqui tivemos uma boa melhora em relação ao volume #12 mesmo. Espero que os dois volumes finais sejam dignos da obra e fechem a trama direitinho.
“Silver Spoon” foi concluído no Japão em 15 volumes. No Brasil, saíram 13 até o momento.
Migi e Dali #03 e #04: o fato de Migi e Dali ser um mangá esquisito se mostrou desde o primeiro volume, com os dois irmãos fingindo ser uma pessoa só e bolando artimanhas surreais para manter a farsa. E toda essa esquisitice e surrealidade se deixou ver mais ainda nos volumes #03 e #04.
Para quem não conhece: a obra apresenta os irmão Migi e Dali e sua tentativa de descobrir quem é o assassino de sua mãe. Para tanto, eles fingiram ser uma pessoa só e foram adotados por uma família rica. A partir daí eles começaram a investigar as pessoas do bairro…
Nesses dois volumes (#03 e #04), como dito, o mangá se apresentou como mais esquisito do que já era, com uma gama de personagens e situações que foram mais surreais do que a gente tinha visto até então. É difícil explicar sem relatar exatamente o que aconteceu, mas as coisas escalonaram de um jeito que todo o nonsense de antes pareceu normal perto das situações desses volumes.
E isso é o que tem feito esse mangá ser bem divertido e carismático. Todas essas situações estranhas, juntamente com a investigação da morte da mãe dos protagonistas, fazem com que a gente ria, ao mesmo tempo em que fica instigado com a trama, com os personagens e querendo saber quem de fato é o assassino. Pretendo ler até o final.
“Migi e Dali” foi concluído no Japão em 7 volumes. No Brasil, todos já foram publicados, o último deles começando a sair semana passada
Gash Bell!! #04: mais um volume bem divertido de acompanhar. Assim como os números anteriores, tivemos capítulos de batalha, em que Gash e Kiyomaro lutam contra algum mamodo após um ou outro incidente aleatório, e tivemos capítulos de humor, em que acompanhamos o dia a dia dos personagens, em aventuras mais leves para nos fazer rir.
Esse mangá tem um desenvolvimento mais lento, com capítulos ou conjunto de capítulos mais episódicos, e com a história principal andando bem devagar (nesse volume, por exemplo, a origem de Gash e o personagem “do mal” só foi mencionado uma vez), mas é muito divertido, tanto pelas histórias, muitas vezes emocionantes, quanto pelo jeito infantil do protagonista.
Gash Bell!! demorou para aparecer no Brasil e espero que faça o sucesso que merece, não só pelo título em si, mas também para podemos vermos no país mais obras que supostamente “passaram do tempo”.
“Gash Bell!!” foi concluído originalmente no Japão em 33 volumes e, posteriormente, foi relançado duas vezes em 16 volumes cada, todas por uma editora diferente. A versão brasileira segue a edição mais recente em 16 volumes. Saíram quatro números até o momento e o quinto está em pré-venda.
Tradutores dos mangás:
Caio Suzuki
- Minha Adorável Cosplayer #12 (Panini)
Camilla Kanashiro
- KonoSuba: Abençoado Mundo Maravilhoso!! #18 (Panini)
Lídia Ivasa
- Atelier of Witch Hat #13 (Panini)
Lucas Cabral
- Migi e Dali #03 (Panini)
Luis Libaneo
- Mabataki Yori Hayaku!!: Num Piscar de Olhos #03 e #04 (Panini)
Mateus Britto
- Migi e Dali #04 (Panini)
Natalia Farago
- Silver Spoon #13 (JBC)
Renata Leitão
- Gash Bell!! #04 (MPEG)
- Haikyu!! #13 (JBC)
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