Biblioteca Brasileira de Mangás

Resenha: “Akane-Banashi #01”

Um Shonen Jump dos bons

Mangás da editora Shueisha e, em especial advindos da revista Shonen Jump, costumam aparecer no Brasil por apenas duas editoras, JBC e Panini. Existem algumas exceções, mas no geral as duas monopolizam os títulos da maior editora de mangás do Japão.

Nessa briga por licenças também há uma característica marcante. Mangás em andamento costumam vir apenas pela Panini e mangás concluídos podem vir por qualquer uma das duas. Evidentemente também existem exceções, como o My Hero Academia, em 2016, ou o Hunter x Hunter, em 2008, mas em geral é assim. O porquê de ser assim, não sabemos e só se pode especular.

***

E eis que em março de 2024 fomos surpreendidos com a editora JBC anunciando não um, mas dois títulos da Weekly Shonen Jump ainda em andamento, coisa que não acontecia desde 2016 com o já citado MHA. Naquele mês, a editora anunciou a aquisição da licença dos mangá Blue Box e Akane-Banashi.

A vinda dos dois títulos era 100% de certeza, pois eram mangás da Shonen Jump, relativamente populares e que estavam sendo licenciados em todo o canto, então era natural que viesse ao país também. A surpresa foi o que comentamos, a raridade de não vir pela Panini^^.

Blue Box começou a sair em julho e já fizemos resenha dele (clique aqui para ler), enquanto Akane-Banashi começou a sair em setembro e agora viemos falar um pouco dele para vocês.

Akane-Banashi é um mangá de autoria de Yuki Suenaga e Takamasa Moue e começou a ser publicado no Japão em fevereiro de 2022 e ainda segue em andamento, atualmente com 13 volumes publicados e com o 14º previsto para sair em novembro.

A obra conta a história de Akane, uma garota que tem o sonho de se tornar uma profissional de Rakugo e mostrar ao mundo a verdadeira arte de seu pai.

A obra começa destacando Akane ainda criança, fascinada com a qualidade da arte e performance do pai em suas apresentações de Rakugo. Na época, o pai da garota estava desejando se tornar um “Shin’uichi”, a categoria mais alta do Rakugo, mas quando ele foi fazer a prova para a mudança de classe um grande imprevisto aconteceu e ele acabou abandonando o Rakugo para sempre.

Anos depois, Akane – agora com 17 anos – buscará realizar o sonho que seu pai não conseguiu e, para isso, contará com ajuda do antigo mestre de seu pai…

Rakugo é uma arte de contar histórias com diversas especificidades. O profissional deve contar a trama para uma plateia de maneira performática representando diversos personagens e o narrador com a ajuda de mímica e gesticulações, e quanto melhor for a interpretação, melhor será a performance. Além disso, o humor é uma característica essencial, pois a plateia deve rir.

Diz o site da Fundação Japão:

A arte narrativa RAKUGO consiste na interpretação solo de um narrador que o faz sentado, contando histórias hilárias ou tocantes do comportamento humano. Essencialmente, as narrativas se desenrolam com base nos diálogos dos personagens. Usualmente, o narrador faz uso apenas de um leque e uma toalhinha, e as gesticulações para interpretar diferentemente cada um dos papéis.

As histórias tem sempre um desfecho inusitado e esdrúxulo, chamados de “ochi” ou “sage”. Diz-se que a origem da denominação RAKUGO é literal da junção dos ideogramas “otosu – fazer cair”, e “hanashi – história/conto”, literalmente histórias para fazer cair (…de rir/chorar/emoção)“.

Assim, o objetivo de Akane é se tornar uma contadora de histórias, uma profissional desse tipo de arte. Por consequência Akane-Banashi é um mangá que falará sobre essa arte, boas técnicas, melhorias, etc.

Esse primeiro volume foi um primor, pois ele é um típico mangá da Shonen Jump com todas as características marcantes que fazem as obras se desenrolarem e se tornarem queridas do público.

Akane, por exemplo, é aquela personagem com um sonho de ser melhor em alguma coisa, além de ter uma capacidade inata, mas que mesmo assim precisa de treinamento para melhorar. Fora isso, aparece um “rival” em sua vida e ela buscará ultrapassá-lo em termos de qualidade e técnica.

Logo, é possível definir Akane-Banashi como um mangá de lutinha da Shonen Jump, mas sem luta, ou também como um glorioso mangá de esporte, mas sem ser de esporte… é uma obra que veremos o mundo do Rakugo.

O grande problema do primeiro volume foi a enorme quantidade de termos novos e difíceis que quebram um pouco a leitura. Além disso, a pouca familiaridade da gente com o Rakugo faz com que o processo de ler o mangá também tenha algumas intercorrências, mas não é nada que chegue a atrapalhar a nossa compreensão e gosto da história.

Assim, passadas esses momentos iniciais, a gente consegue ler e gostar muito da obra. É como se a gente estivesse aprendendo as regras de um novo esporte (daí a comparação que fizemos com mangá de esporte) e fosse acompanhando a evolução da protagonista nessa atividade.

O humor do Rakugo não chega a passar para a gente (e não sei se era intenção passar), mas isso é o de menos, pois a história em si é bem cativante, assim como a protagonista.

Akane é uma daquelas personagens que despertam bastante alegria na gente e consegue levar a obra sozinha, com seus momentos de admiração, perspicácia e atuação. Há uma parte em que ela tem que interagir com um turista estrangeiro que é brilhante e mostra toda a astúcia da garota.

Esse volume inicial é, como dito, apenas o volume inicial, mas já dá para ver a qualidade da obra por essas cerca de duzentas páginas. É um mangá que nos instiga pela proposta inusitada, nos faz conhecer algo novo e nos cativa com um estilo comum de várias obras.

Por mais que a proposta de Akane-Banashi pareça diferente, ele é um mangá tradicional e dos bons, que dá gosto de acompanhar, que nos faz querer ver a evolução da protagonista nesse seu mundinho particular do Rakugo.

Em outras palavras, esse é um mangá para você que quer experimentar algo novo, uma temática diferenciada, mas com todas as características que você já conhece de outras obras. Essa dualidade me marcou bastante e certamente irei continuar a coleção do título.

***

A edição brasileira de Akane-Banashi veio no formato padrão da editora JBC, no tamanho 13,2 x 20 cm, com miolo em papel Pólen Natural 70g e capa cartonada simples em acabamento brilho.

Trata-se de uma edição legal, com um papel que eu considero o melhor atualmente, daqueles bem opacos e sem transparência. Além disso, a obra tem uma boa qualidade de impressão e uma encadernação também excelente, que permite ler e folhear o mangá sem problemas.

No todo, é uma edição do tipo básica da JBC, sem detalhes adicionais (sem orelhas, sobrecapa ou verniz localizado), mas bem bonita. O preço é R$ 39,90.

Esta resenha foi feita por meio de um exemplar cedido a nós pela editora JBC por meio do programa de parcerias 2024.


Ficha Técnica


Título Original: あかね噺
Título: Akane-Banashi
Autor
: Yuki Suenaga; Takamasa Moue
Tradutor: Mie Ishii
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 13 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Pólen Natural 70g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 200
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 39,90
Onde comprar: Amazon / Livraria Leitura no Mercado Livre

Sinopse: Quando criança, Akane ficou fascinada a ao assistir ao rakugo mágico do pai e desde então começou a trilhar o caminho para se tornar uma contadora de histórias. Agora, com 17 anos, o seu objetivo é alcançar a posição mais alta nomundo do rakugo: a de shin’uchi. Várias provações aguardam por Akane para que ela possa adquirir habilidades de primeira classe?! Nasce aqui uma nova heroína do Rakugo!!!


NOS SIGA EM NOSSAS REDES SOCIAIS



Sair da versão mobile