Biblioteca Brasileira de Mangás

Leituras da Semana: “Centauros #02” e outras obras

Comentando minhas leituras…

Em mais uma postagem desta coluna, leituras da semana, dessa vez venho comentar o volume final de Museum, o segundo número de Centauros, dentre outras obras.

Museum: O Assassino Ri na Chuva #03: esse foi o último volume desse mangá e talvez a melhor definição para ele é “legalzinho”. Ele não é ruim, mas daí a dizer que é bom vai uma vida. Mas há algumas nuances nisso…

Ele é um mangá de suspense, então ele está o tempo todo com aquele clima desse tipo de obra, com a gente sempre aflito esperando o que irá acontecer. Isso o mangá faz bem, então ele é bem construído dentro do seu gênero, de maneira que a leitura é bastante agradável e você não consegue resistir e vai lendo e lendo até o fim.

Só que a história deixa um pouco a desejar. Ao final do primeiro volume a gente fica com uma sensação de que a obra vai por caminhos estranhos e no segundo volume, embora ele não vá para onde achou que fosse, ele tem uma mudança que eu não gostei tanto e que culmina nesse terceiro volume com um desfecho que não agrada adequadamente.

A bem da verdade, o protagonista era bem qualquer coisa e não importava tanto o seu destino e sim como a obra levaria a ele. E eu acho que faltou um pouco mais de coragem (sejam dos autores, sejam dos editores) para terminar o mangá sem um final feliz, com a obra optando por algo mais tradicional.

Apesar disso, gostei da escolha de toda a situação gerar um trauma difícil de superar, pois assim mostrou um pouco de realismo. Ainda assim, particularmente gostaria que o trauma fosse causado por outras situações que acabaram não sendo desenvolvidas no mangá.

Assim, ele é legalzinho no sentido de que se eu não tiver mais nada para ler, e quiser uma obra de investigação policial e suspense, um mangá de poucos volumes como Museum pode servir muito bem, pois ele apresenta uma trama que irá prender. Agora se eu tenho opções, eu não escolheria ele, eu iria em outras obras melhores…

***

O segundo e o terceiro volume possuem histórias extras muito boas e que valem a leitura. Não são nada extraordinárias, mas ambas têm um clima e um estilo muito bom. Agora, falando sobre o mangá como um todo, eu acho que só indicaria para vocês comprarem em promoções acima de 40% de desconto.

“Museum: O Assassino Ri na Chuva” foi concluído no Japão em 3 volumes. No Brasil, todos já foram publicados.

Chaos Game #02: esse mangá é, em certo sentido, parecido com Museum. É um mangá de investigação com suspense que te prende o tempo todo. A diferença é que aqui temos uma obra de fantasia, misturando deuses, um culto secreto e uma jornalista que está sendo alvo dos malvados.

É um mangá daquela vibe mais pop em que as coisas vão acontecendo uma após a outra, com personagens bem caricatos no geral (a editora esquisita, os seres fantasiados numa reunião, etc, etc, etc) e uma trama que mesmo assim diverte e entrega bastante.

A gente está o tempo todo vendo a protagonista, Ran Suzuki, fazer sua investigação e buscar sua sobrevivência contra um cara que se corta, um incêndio de grandes proporções e muito mais. É divertidíssimo acompanhar.

Esse mangá tem sido um grande achado até aqui. Não é uma obra que a gente vira e diz que é o melhor dos melhores já feitas, nem nada disso, mas é um título que consegue agradar bastante, sendo um bom passatempo para quem gosta do gênero.

“Chaos Game” foi concluído no Japão em 5 volumes. No Brasil, saíram 4 até o momento e o volume final está previsto para março.

Centauros #02: para quem não conhece, esse mangá conta a história do convívio de humanos e centauros e o primeiro volume havia sido algo avassalador. Ele começou meio qualquer coisa e tal, mas foi evoluindo e evoluindo, colocando diversas reflexões no meio do caminho, e terminou de um jeito que a gente não esperava, espetacular e nada catártico, mas que condiz bem com a temática proposta ali.

No segundo volume nós temos outros protagonistas e uma outra mensagem na trama. O primeiro número focou na maldade inata dos seres humanos, de sempre acharem que tudo na natureza lhes pertencem e buscando se apropriar de outros seres vivos (no caso os centauros) para seu uso próprio. Aqui, vários anos se passaram e o mundo já é outro. O pesadelo dos confrontos havia acabado e as pessoas conviviam em harmonia com os centauros.  Assim, se no primeiro número vimos a maldade, aqui nos vemos a paz.

A história mostra que ainda existe um pouco de preconceito entre humanos e centauros e comenta que deverão passar ainda algumas décadas para não existir mais ressentimentos, mas , no meio disso, o grande mote da trama é vermos Gon, o protagonista, buscando compreender e aceitar essa nova realidade, em uma cidade em que humanos e centauros convivem juntos, após ele viver anos a fio nas montanhas isolado por causa das guerras do passado.

Olhando de uma forma otimista, esse volume tenta conciliar duas coisas difíceis, o esquecimento e a memória. Grande parte da dificuldade de Gon de reconhecer a paz existente vem do fato dos demais centauros parecem ter esquecido (por não ter vivido?) as épocas sofridas do passado, em que os centauros eram caçados como animais pelos seres humanos. Assim lhe parece algo errado, algo que não deveria acontecer.

Esse embate é bem interessante, pois se o esquecimento é necessário para poder perdoar e existir um convívio adequado e sem conflitos, por outro manter viva a memória de algo dolorido também é importante para não se repetir. Entretanto, como dito, isso foi uma forma otimista de ver as coisas.

Eu acho que o autor não conseguiu colocar adequadamente a questão de manter a memória viva. Sim, pois, apenas poucos centauros tinham memórias do passado e a questão era mais debatida do ponto de vista pessoal e não do conjunto. No primeiro volume, embora a obra se centrasse em determinados personagens, ela fazia um eco com o todo, com todos os centauros e todos os humanos. No segundo, parece que tudo fica na questão do personagem e não do todo.

A obra parece apenas querer mostrar que com o tempo as coisas vão melhorando, vão mudando e se moldando. Assim, o esquecimento acaba prevalecendo em oposição à memória. Gon não esquecerá, Gon sempre manterá vivo o passado, mesmo agora tendo um bom convívio com humanos, mas e o resto?

A bem da verdade, embora eu ache que o autor não conseguiu passar uma mensagem a contento, a trama mostra exatamente como é o mundo, como são as pessoas: as novas gerações dificilmente lembrarão do passado e apenas uns poucos é que terão na memória os acontecimentos ruins…

***

Apesar desses pontos de crítica, achei que o segundo volume de Centauros foi bom. Ele tem uma pegada diferente do primeiro realmente, sendo mais calmo e não tendo quase nenhum tom aventuresco, mesmo assim a leitura é agradável e as páginas passam voando… Gostei bastante.

Vale dizer que assim como o primeiro volume poderia ter encerrado a história ali mesmo, o segundo também poderia, pois ambos concluem bem uma trama que propuseram fazer. No mais, nos paratextos, o autor diz que a obra estava planejada para ser curtinha e essa segunda parte não estava engendrada… No aguardo da terceira e última parte^^.

“Centauros” foi concluído no Japão em 6 volumes. A edição brasileira compila dois volumes em um, então a versão local será completa em 3 números. Até o momento dois foram publicados e o terceiro está previsto para este mês.

Mabataki Yori Hayaku!! Num Piscar de Olhos #07: semana passada eu li o volume #06 e ele foi um volume de pausa, um volume para conhecermos o passado e vermos as razões do grande conflito entre as irmãs Amabuki. Aqui voltou o clima de mangá de esporte, com o início do torneio de equipes que ditará a sobrevivência ou não do clube de karatê da escola.

Foi um volume bem típico das obras de esporte, com disputas emocionantes, informações e detalhes sobre o esporte e tudo mais. Foi bem divertido, embora tenha sido aquém do volume anterior. A trama do torneio continua nos próximo volume e espero que tenha uma boa melhora…

“Mabataki Yori Hayaku!! Num Piscar de Olhos” está em andamento no Japão atualmente com 11 volumes publicados, mas com o final já programado devendo ser encerrado em 12 volumes. No Brasil, saíram 8 volumes até agora e os números #09 e #10 estão em pré-venda.

Você Me Deixa Sem Fôlego #03: semana passada, ao ler o volume #02, eu pensei que cada volume teria uma história mais ou menos fechada, mas eu estava enganado. Neste terceiro volume uma nova história começa com, dentre outras coisas, a chegada de um ex-colega de banda de um dos protagonistas e os impactos disso na relação do casal, seus desejos, etc. Mas ao contrário dos volumes iniciais em que a história começou e terminou dentro do próprio volume, aqui a trama se estendeu para o próximo…

Vale comentar ainda que esse volume trouxe o título do mangá de volta. O “Você me deixa sem fôlego” tem a ver com o fato dos protagonistas estarem numa banda de sopro e após uma apresentação eles sentirem desejo sexual e irem transar. Isso foi meio esquecido no volume #02, mas voltou a aparecer neste número… A ver como será daqui em diante, mas continua bem bom o mangá^^.

“Você Me Deixa Sem Fôlego” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 5 volumes publicados. No Brasil, saíram 3 até o momento e os outros dois estão em pré-venda.

House of Five Leaves #03: não lembro se eu já disse aqui nesse site, mas todo mangá de Natsume Ono parece bastante diferente entre si. Complicado é um estilo, O Homem que Foge é outro e House of Five Leaves é mais um e todos eles são um primor, cada um seu estilo.

Acerca deste último, se trata de um drama de época japonês, com samurais, ronin’s e tudo mais, mas sem se focar em luta, não existindo combates e nem nada do tipo. A obra se foca sobre um ronin medroso que acaba, meio sem querer, envolvido com um grupo de bandidos chamado bando das 5 folhas.

O rapaz logo se afeiçoa a todos eles e começa, pouco a pouco, a descobrir mais de suas vidas e o porquê de estarem ali, as dívidas que eles têm, as histórias pregressas, etc, etc, etc.

O mangá é bom desde o primeiro volume, mas aqui neste terceiro ele já está no status de excepcional. Agora que a gente já tem um pouco mais de conhecimento sobre os personagens, as histórias que vão sendo contadas acabam dando um maior impacto, as coisas vão se conectando a gente já está muito mais familiarizado com aquele mundo. Então tudo tem sido excelente, tudo tem sido maravilhoso. É um mangá que eu não canso de recomendar.

“House of Five Leaves” foi concluído no Japão em 8 volumes. No Brasil, saíram 3 até o momento e ainda não há uma data certa para o quarto.




Tradutores dos mangás:

Dirce Miyamura

Edward Kondo

Gabriela Takahashi

Karen Kazumi Hayashida

Luis Libaneo

Natália Rosa

Agradecemos à Conrad por nos ter enviado Centauros #02 e a Devir por ter nos enviado House of Five Leaves #03.


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