Resenha: “Museum: O Assassino Ri na Chuva #01”

Mais uma história de investigação

Em abril, a editora JBC começou a publicar o mangá Museum: O Assassino Ri na Chuva, de Ryousuke Tomoe. Se trata de um título que foi publicado no Japão entre 2013 e 2014 na revista Young Magazine, da editora Kodansha, e que teve seus capítulos compilados em 3 volumes no total.

A edição brasileira seguirá a edição nipônica e também será completa em 3 volumes. De posse do primeiro número, lemos o mangá e viemos comentar um pouco dele para vocês. Para adiantar, falamos que é um mangá de investigação bastante intrigante, mas têm seus poréns…

Museum acompanha Sawamura,  um detetive muito perspicaz, mas que vive para o trabalho, a ponto de negligenciar a esposa e o filho. A negligência é tanta que sua mulher não aguenta a situação e resolve sair de casa levando a criança junto.

O mangá começa com Sawamura já tendo que lidar com isso (sempre lembrando do acontecido, não conseguindo dormir direito) em meio a uma tentativa de desvendar uma série de crimes violentos que se avizinhava. O que ele não esperava é que essa série crimes acabaria envolvendo sua própria família…

Museum: O Assassino Ri na Chuva é um mangá de investigação e suspense. Um assassino em série está “julgando” pessoas e condenando-as à morte de maneiras cruéis, como cortando partes do corpo ou fazendo-a ser dilacerada por cães famintos. Em comum, o fato de que os crimes ocorrem em dias chuvosos (daí o subtítulo do mangá) e de que todas as vítimas fizeram parte de um mesmo júri, que condenou uma pessoa à morte.

Por ser de investigação e suspense, a gente vai acompanhar Sawamura e os demais membros da polícia investigando o caso, conjeturando hipóteses e descobrindo coisas, tudo de uma maneira que nós, leitores, ficamos entusiasmados e chocados.

Esse mangá fica sempre no limite entre uma obra mais séria, mais adulta, mais calcada na realidade, e uma ficção que baseia na dissonância, que apresenta elementos grotescos e irreais (mas que eventualmente poderiam sim, ser reais, daí o estar sempre no limite).

A cada par de páginas, o mangá tende a nos deixar perplexos e, em alguns momentos, até enojados com as cenas. Tem uma em específico que não tem nada demais, mas quando aparece a gente não está preparado para aquilo e uma sensação nauseante pode aparecer.

o assassino usa uma máscara de sapo, daí a capa do mangá.

Em linhas gerais, a questão da investigação funciona muito bem, com diversas reviravoltas aqui e ali que vão deixando a trama mais e mais emocionante. Desde o primeiro momento, o mangá nos pega pela mão e a gente não consegue mais largar de tão bom que é. É uma leitura realmente eletrizante.

Entretanto, nós temos alguns problemas. É bem interessante a gente notar que tudo é muito arquitetado, ver que as cenas que acontecem vai tudo se encaminhando para um “ponto”, porém o final do volume (os desenvolvimentos ali apresentados) colocam uma pulga atrás da minha orelha.

Eu não gostei do que acontece no final do volume, pois parece que, após chegar a esse “ponto”, a história vai para um caminho que tende a não ser tão bom, um caminho em que a investigação diminuirá de foco, ou será reformulada, etc, etc. De tudo o que foi desenvolvido nesse volume inicial, ainda há uma situação em aberto e é essa situação que parece guiar os demais, deixando uma grande incógnita no ar.

A questão principal, para mim, é que um mangá de investigação que começa muito bom pode, em algum momento, pegar um desvio e acabar de uma maneira decepcionante. E como o final do primeiro volume já me deixou com um certo gosto de estranheza, eu fico meio balançado e – mesmo tendo gostado da história – preciso pensar bastante se continuarei a colecionar…


A EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira de Museum veio no formato 15 x 21 cm (um tamanho um pouco maior que a maioria dos mangás da editora, e similar às novas edições de Evangelion, Soul Eater e Shaman King) com miolo em papel Pólen Bold 90g e capa cartonada com orelhas.  São 232 páginas, todas em preto e branco. O preço é R$ 64,90.

De um modo geral, o preço é algo assustador e impeditivo, mas superado esse trauma (i.e, se você tem dinheiro sobrando^^) é uma edição muito bem feita, com um papel de excelente qualidade e miolo colado e costurado (que dá maior firmeza à encadernação e te permite abrir o mangá mais do que a média). Além disso, as orelhas dão uma robustez ao produto, e a capa possui verniz localizado no título que dá um charme extra ao volume.

Então, é sim, uma edição muito bem feita e de boa qualidade geral. Algo que se espera de um produto mais premium e de preço elevado. Particularmente, espero que vire tendência nesses mangás da editora.

Comparação de “Museum” (em cima, com miolo costurado) com “Os Gatos do Louvre” (em baixo, com miolo apenas colado).

CONCLUSÃO


Museum: O Assassino Ri na Chuva é um mangá que eu considerei muito bom. Um título intrigante, que desperta curiosidade e que vai o tempo todo nos dando mais e mais emoção. É um mangazão para quem gosta de obras de mistério, investigação e suspense (e que não se importa com um pouco de grotesco). Aliado a isso, a edição brasileira é muito boa, valendo cada centavo.

O “porém” é mesmo o final do volume que não me cheira bem. Achei mesmo que o desenrolar da trama nas últimas páginas do primeiro número não foram lá tão marcantes e meio que fizeram o tomo inicial terminar, de certa forma, em baixa. Digo “de certa forma”, pois a emoção continua firme e forte ali, a questão é o que os acontecimentos podem querer dizer do desenrolar da trama.

Como dito antes, uma obra de investigação pode ser estragada em determinado momento por escolhas ruins do autor e eu senti que isso pode acontecer com esse mangá pelos desenvolvimentos do final do volume. Evidentemente eu quero estar errado, mas isso é algo que só veremos no futuro.

***

Por tudo isso, eu acho que já está claro o que vou comentar. As minhas conjecturas podem estar erradas, mas a minha experiência de leitura com o vibrante volume #01 não está. Eu acho que quem gosta de obras de investigação e suspense um pouco mais realistas vai adorar Museum, pois esse primeiro número foi bem impactante e eletrizante.

Então se você tem dinheiro ou se você vir Museum com uma boa promoção, acho que vale a pena experimentar ao menos o volume #01, principalmente se o gênero do mangá é um dos seus favoritos.


Ficha Técnica


Título Original: ミュージアム
Título: Museum: O Assassino Ri na Chuva
Autor
: Ryousuke Tomoe
Tradutor: Natália Rosa
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 3 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa cartão com orelhas
Páginas: 232
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 64,90
Onde comprar: Amazon

SinopseO medo tem uma nova face! Um serial killer vestindo uma sinistra máscara de sapo deixa todos em pânico após cometer brutais assassinatos. Ninguém tem ideia de sua identidade, sua motivação ou quem poderá ser sua próxima vítima. Recém-separado de sua esposa, o Sargento Sawamura investiga o caso, porém, quanto mais perto fica da verdade mais o perigo se aproxima! Museum, do mangaká Ryosuke Tomoe, é completo em 3 volumes repletos de cenas fortes, reviravoltas e tensão!


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