Biblioteca Brasileira de Mangás

Leituras da Semana: “Ao Ashi #11” e outras obras

Comentando minhas leituras

Na semana que se passou eu li o volume #11 de Ao Ashi, o #04 de My Home Hero, dentre várias outras obras. Vejam a seguir os comentários de minhas leituras.

My Home Hero #04: cada capítulo desse mangá gera mais e mais suspense, mais e mais expectativa, mais e mais tudo. A gente fica o tempo todo fisgado no desenrolar da história para ver como cada coisa irá se desenrolar.

Será que o protagonista será descoberto? Como ele escapará de tal situação? Por que as coisas não estão dando certo? Tudo isso vai se somando e criando uma narrativa muito bem feita.

Evidentemente, há elementos que foram feitos apenas para a história acontecer. O fato de o protagonista gostar de obras policiais e ter conhecimento de diversas coisas foi feito exclusivamente para termos uma história. Ele saber como esconder um corpo (nos volumes anteriores), para que serve uma determinada lanterna, como destrancar uma porta sem a chave, é apenas para a trama continuar, pois do contrário não teríamos mangá^^.

Há também certas cenas feitas apenas para causar impacto (o protagonista chegando quase no mesmo momento em que o bandido também chegava), mas isso tudo fica em segundo plano com o modo como vemos a história girar, com o protagonista tendo que se defender e defender a sua família dos planos da Yakuza, etc. É absurdamente bom.

***

Eu imagino que o próximo volume termine a primeira parte da história e eu acho que pararei a leitura por aqui. Está bem claro que eu gostei muito desse mangá, mas (como falei em outras postagens) eu costumo ficar cansado em obras de suspense, por isso não pretendo ler a história toda…

“My Home Hero” foi concluído no Japão em 26 volumes. No Brasil saíram 4 até o momento e o quinto está em pré-venda.

Ao Ashi: Craques da Bola #11: não que Ao Ashi tenha tido volumes medianos até aqui, mas o décimo primeiro número foi um dos mais grandioso em termos de qualidade e emoção.

Os defensores que se odeiam e precisavam se entender para poderem vencer, a decisão de Ashito de fazer o que lhe fora ordenado, a confusão ocasionada no time adversário, as lições passadas pelos técnicos, tudo foi muito sublime e fez com que a gente visse com mais detalhes a magia e a intensidade que era esse mangá. Não à toa, esse foi o ponto escolhido para o fim da primeira (e por enquanto última) temporada do anime.

Sobretudo gostei do capítulo “Memórias do Camp Nou” em que vemos uma grande concentração de coisas acontecendo, com Ashito muito consciente de suas habilidades, de seus propósitos e comandando as pessoas ao seu redor para que até ele mesmo pudesse marcar um gol.

O título do capítulo, por sua vez, tem a ver com Hana e uma lembrança de sua infância ao ver algo semelhante no passado, ao ver Fukuda brilhando na Espanha. Isso também lembra o início da trama no qual a garota achou Ashito parecido com Fukuda.

Gostei muito mesmo desse volume e estou no aguardo dos próximos (E esse mangá precisa sair mais rápido, JBC).

“Ao Ashi – Craques da Bola” ainda está em publicação no Japão atualmente com 38 volumes lançados, mas já se encontra em seu arco final e deve ser concluído em 40 volumes. No Brasil saíram 11 volumes até o momento.

Yona – A Princesa do Alvorecer #05: eu demorei bastante para ler esse volume, pois eu estava conjecturando sobre continuar ou não a coleção, afinal a obra é longa e eu não sabia com clareza para onde a trama estava indo. Após a leitura dele eu decidi continuar^^.

Isso porque esse volume foi excelente, talvez o melhor da série até aqui. Ele mostra com mais detalhes o mundo do mangá e deixa-nos ver os problemas do lugar e o que é possível para melhorar.

Sim, pois, se nos volumes anteriores a gente viu Yona fugindo e descobrindo como era diferente a vida fora do palácio, aqui nós vemos os problemas reais, em especial os da tribo do fogo que ocasionaram uma extrema pobreza em diversos vilarejos.

Em linhas gerais, após verem os oficiais cobrando impostos de forma abusiva, Yona e os demais protagonistas decidem “se tornar bandidos” e “atacar” os vilarejos com o objetivo de ter eles em “seus territórios”, de modo a proteger os moradores da cobrança dos oficiais.

O grupo começa a ajudar os pequenos povoados, mesmo não podendo mudar a realidade deles de maneira significativa. O legal é que há toda uma discussão a respeito disso, com a aparição de um personagem de um volume anterior e que começa a aprender o que Yona havia aprendido.

A gente sai do volume com a mensagem e a sensação de que a gente não pode mesmo mudar o mundo de uma vez, mas que também devemos fazer a nossa parte para, quem sabe, algum dos poderosos consiga se sentir tocado e passe a ajudar na causa…

Sim, pois, Yona é sobre uma princesa querendo retomar o poder, mas é também a história de alguém que vê que o mundo é ruim, que vê que os poderosos oprimem os mais pobres e que é preciso fazer alguma coisa…

“Yona – A Princesa do Alvorecer” ainda está em publicação no Japão, atualmente com 45 volumes publicados. No Brasil, o mangá é publicado compilando dois volumes em um. Até o momento saíram 6 volumes (equivalente ao 12 original japonês).

Pluto – Edição de Luxo #03: o modo de contar histórias de Naoki Urasawa é realmente fascinante, os mistérios vão sendo colocados pouco a pouco, sempre deixando algo no ar, e, ao mesmo tempo, muita coisa acontece em poucas páginas, despejando uma centena de informações.

Neste volume, além de continuarmos a questão de alguém estar indo atrás de todos os robôs mais sofisticados do mundo, foi deixado mais claro um outro ambiente desse mundo futurista, o preconceito latente para com os robôs por uma parte dos humanos, ao ponto de existir uma organização similar à Ku Klux Klan, que deseja o fim deles.

Para além disso, finalmente descobrimos quem é “Pluto” e tivemos uma interessante discussão sobre o que é viver e o que é morrer.

Assim, a história tem sido interessantíssima até aqui e os mistérios que vão sendo colocados acabam atiçando mais e mais o nosso desejo de continuar a leitura. No aguardo do quarto volume.

“Pluto” foi concluído no Japão em 8 volumes. No Brasil, saíram 3 até o momento. Os números #04 e #05 estão em pré-venda.

Blanc #01: a ideia desta coluna é não falar sobre volumes #01, mas como este mangá faz parte de uma série que vai contando a história de amor dos protagonistas ao longo do tempo, abrimos uma exceção…

De uma maneira geral, esse foi o volume mais denso e dramático de toda a coleção até aqui, distando bastante daquele mangá mais “amorzinho” que vemos em outros volumes.

Não que a obra fosse só água com açúcar até então, muito pelo contrário, mas o clima em geral era bem leve com algumas pitadas de drama aqui e ali.

Em Blanc, o drama está acontecendo o tempo todo: Sajou têm preocupações para com o futuro e não sabe mais se ficará para sempre junto de Kusakabe. Este, por sua vez, acaba se distanciando um pouco pelas atribulações da vida e, após uma briga, não consegue mais dizer que o ama. E, em meio a isso, a doença da mãe de Sajou se faz mais presente, deixando um clima de pesadelo.

Se trata de um volume muito denso realmente em que várias coisas são colocadas quase ao mesmo tempo. Além da doença da mãe do protagonista, por si só causadora de um grande baque e uma enorme tensão, também esteve presente a questão de o casamento entre pessoas do mesmo sexo não serem oficiais no Japão, resultando em um momento em que nos faz refletir sobre como esse preconceito institucional existiu durante anos e privou pessoas de viverem uma vida plena.

Eu não esperava uma discussão mais séria nesse mangá, então (mesmo a discussão não tendo sido tão desenvolvida) foi uma grande surpresa e que causou um choque muito grande em mim. Isso porque eu não sabia de certos detalhes de como eram as leis japonesas (eu apenas sabia a questão do “não pode”) e nem como poderia impactar as pessoas, como impactou o Sajou.

Foi um volume muito bom. No aguardo do segundo e último volume dessa série.

“Blanc” foi concluído no Japão em 2 volumes. No Brasil, saiu um até o momento. A obra, vale lembrar, faz parte da série Doukyusei que a JBC está publicando há algum tempo.


Tradutores dos mangás:

Cristhielle Ogura

Dirce Miyamura

Hiro Tamaki

Lucas Cabral

Luis Libaneo

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