
Veja como está o mangá
CLAMP PREMIUM COLLECTION é o nome de uma coleção que está republicando os mangás do CLAMP no Japão em uma nova roupagem, com capas novas e um leiaute semelhante, de maneira que as obras sejam bem identificadas como pertencentes a uma mesma coleção.
Essa coleção é publicada por duas editoras japonesas, a Kodansha e a Kadokawa, e elas se revezam na publicação dos títulos. XXX Holic foi o primeiro mangá a ser lançado por essa coleção, tendo saído entre agosto de 2021 e maio de 2022 pela Kodansha, em um total de 19 volumes (o mesmo da publicação original do mangá).
Apesar de ter Premium no nome e muita gente associar a uma edição de luxo, a versão japonesa têm pouco de premium. Ele tem tamanho pequeno (similar aos demais mangás japoneses) e o papel usado no miolo é do tipo offwhite, relativamente fino e semelhante aos usados no Brasil e no próprio Japão.
As diferenças ficam para as páginas coloridas e para a sobrecapa que usam um papel bem mais grosso e que dá um certo destaque. A sobrecapa em si é que dá esse aspecto de premium.
A edição brasileira de XXX Holic – CLAMP PREMIUM COLLECTION têm diferenças em relação à edição japonesa, algumas delas que fazem a versão local ser bem melhor que a original…
A versão brasileira vem no formato 15 x 21 cm. Esse é um tamanho grande, maior do que a edição japonesa e maior que os mangás normais do Brasil. A JBC usa esse tamanho nos seus mangás premium, com acabamento diferenciado e, consequentemente, preço maior.
XXX Holic – CLAMP PREMIUM COLLECTION não foge à regra e vem num excelente acabamento, contendo sobrecapa, miolo em papel Pólen Bold 90g , boa encadernação, além de um postal de brinde.
Acerca da sobrecapa nós temos pontos positivos e negativos. Para começar, a sobrecapa da edição brasileira utiliza um material comum, mais fino, igual à maioria das sobrecapas dos mangás do Brasil (e do Japão).
Como dito, a sobrecapa japonesa desse mangá é bem mais grossa do que a média. Assim, o grande detalhe “premium” da edição japonesa, não têm na versão brasileira.
POR OUTRO LADO, enquanto a sobrecapa japonesa é em acabamento fosco simples, a sobrecapa brasileira possui detalhes em verniz localizado, tornando a “nossa” bem mais bonita esteticamente, dando mais destaque à ilustração da Yuko. No vídeo abaixo fica nítida a diferença. Primeiro aparece a versão japonesa, em seguida a brasileira.
Já a capa (abaixo da sobrecapa) também é comum (em questão de material), com acabamento brilho. O design é o mesmo da edição nipônica, com uma única cor e alguns escritos.
As capas internas são brancas (sem nenhuma ilustração ou detalhe), o que é normal nesse tipo de produto. A própria edição japonesa é assim também.
Agora, adentrando no mangá, após a capa interna de trás, nós temos o tradicional avise de “Pare!!!”, seguido da página de expediente e copyright.
Após a capa interna da frente nós temos uma página totalmente preta, seguidas de algumas folhas de rosto e o início do mangá com páginas coloridas.
Falando dessas páginas coloridas, elas usam o papel couchê (ou semelhante). É aquele papel mais lisinho. É um bom papel, bem grossinho, mas ainda assim menos do que o original japonês.
É basicamente o mesmo caso da sobrecapa, mas aqui não vejo deméritos por conta disso. Considero que o papel usado está de bom tamanho e dá o mesmo charme à edição brasileira que tem a edição japonesa.
Já o papel usado nas páginas em preto e branco é o Pólen Bold 90g. Esse é o papel usado nas edições de luxo da NewPOP, Pipoca & Nanquim e Comix Zone. A JBC também o usa bastante em sua linha mais premium e em alguns mangás de entrada.
É talvez o melhor papel para mangá atualmente e não sem razão é usado em publicações deluxe de várias empresas diferentes. É um papel de cor creme (ou seja, não é aquele branco gritante), praticamente não há transparência (só se você se incomodar demais com isso é que você perceberá algo) e a impressão é muito boa.
Sobre o postal que vem de brinde, ele é o mesmo da edição japonesa, com a ilustração da capa da edição antiga. Além disso, em cada volume virá um postal diferente.
No que toca ao texto, eu achei a adaptação muito boa, o letreiramento também e não vi nenhum erro de revisão. Pode até ter tido algum, mas se teve, não percebi na leitura.
Fora isso, gostei de uma nota de rodapé explicando a aparição de certos personagens do CLAMP de um mangá que eu ainda não havia lido. É algo importante em vários mangás do CLAMP, mas principalmente nesse mangá.
CLAMP PREMIUM COLLECTION NO BRASIL: UMA COMPARAÇÃO
Assim como ocorre no Japão, no Brasil a CLAMP PREMIUM COLLECTION está sendo publicada por duas editoras diferentes, a JBC e a Panini. A JBC ficou com os mangás da Kodansha, XXX Holic e Guerreiras Mágicas de Rayearth. A Panini ficou com os da Kadokawa, X e Tokyo Babylon.
No Japão, apesar de os mangás saírem por duas editoras diferentes, o tamanho das obras é o mesmo e as lombadas também seguem o mesmo padrão. Isso não ocorre no Brasil.
Para começar, o tamanho usado pela JBC é maior do que os da Panini. Em segundo lugar, as lombadas também não combinam.
A Panini usou a sua orientação de lombada padrão, enquanto a JBC seguiu a versão japonesa, com o título estando de cima para baixo. A própria Panini, porém, já fez uma quebra no padrão da lombada, pois em Tokyo Babylon o nome “CLAMP PREMIUM COLLECTION” foi feito de forma recolhida e diminuta, enquanto em X esse nome ficou em destaque.
Então, não temos nenhum padrão no Brasil, a não ser o design das capas.
Agora, no que toca às edições físicas, eu gostei dos mangás da Panini, mas eles são apenas edições simples acrescidas de sobrecapa. Não tem nada de diferente das demais edições brasileiras, então o que era para ser um produto diferenciado, infelizmente não é.
Como eu disse antes, a PREMIUM COLLECTION japonesa não é exatamente uma edição de luxo, mas ela também não é igual aos mangás comuns de lá, têm certas diferenças, como a citada sobrecapa mais grossa. A edição da Panini, por outro, não se diferencia em nada.
O XXX Holic, da JBC, por outro lado, é um mangá mais bem acabado. É mais próximo do que é a edição japonesa, em alguns quesitos é melhor, e é, sim, um produto diferenciado em relação aos mangás comuns daqui, sejam da própria JBC, da Panini, NewPOP ou MPEG.
Falar que é de luxo pode ser um tanto quanto exagerado nos dias de hoje, mas é uma edição premium das boas.
Então, e para terminar, acho que o XXX Holic – CLAMP PREMIUM COLLECTION tem uma boa encadernação, um bom acabamento no geral e o único demérito (e ainda assim não é um demérito grande) é o papel da sobrecapa não ser mais grosso. É um produto bem feito e que está valendo a pena.
XXX Holic é um mangá de autoria do grupo CLAMP e foi publicado originalmente no Japão entre 2003 e 2011 na Young Magazine, da editora Kodansha, tendo seus capítulos compilados em um total de 19 volumes. Entre 2021 e 2022 a obra foi republicada na CLAMP PREMIUM COLLECTION, também em 19 volumes.
No Brasil, a JBC publicou o mangá pela primeira vez entre 2006 e 2011, mas na época a empresa dividiu cada volume japonês em dois por aqui, dando um total de 38 volumes.
A nova edição brasileira (que foi alvo da presente resenha) segue o número de volumes originais, então ela terá 19 volumes no total.
FICHA TÉCNICA
Título Original: XXX Holic (XXX ホリック)
Título: XXX Holic – CLAMP PREMIUM COLLECTION
Autor: CLAMP
Tradutor: Luis Otávio Kobayashi
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 19 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (em publicação)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa Cartão com Sobrecapa
Páginas: 184
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 59,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Kimihiro Watanuki é um estudante que sofre há muito tempo por ser importunado por criaturas sobrenaturais que se sentem magicamente atraídas por ele. Esses seres que o perseguem são invisíveis para o restante das pessoas, o que dificulta ainda mais a vida do garoto. Tudo muda quando Kimihiro conhece a loja de desejos da sedutora e misteriosa bruxa Yuko Ichihara. Para se livrar da perseguição do além, ele se torna seu assistente. E, entre uma faxina e outra, ele precisa realizar os mais estranhos trabalhos com todos os tipos de pessoas (e criaturas). Sem falar dos “clientes” que Yuko recebe de outras dimensões…