Biblioteca Brasileira de Mangás

A importância de “Video Girl Ai” para o mercado de mangás no Brasil

Como um título desconhecido tornou-se essencial para o mercado

Em setembro de 2017, completa-se 25 anos do final do mangá Denei Shoujo, ou como ficou conhecido no Brasil, Video Girl Ai. De autoria de Masakasu Katsura, mesmo autor de ZetmanVideo Girl Ai é uma comédia romântica bastante honesta, com toques de sensualidade e um drama bem desenvolvido que consegue prender e cativar o leitor, mesmo aqueles que não são muito afeitos do gênero.

Serializado na revista Weekly Shonen Jump, da Shueisha, entre 1989 e 1992, Video Girl Ai chegou ao Brasil na primeira leva de mangás da editora JBC, juntamente com Rurouni Kenshin (Samurai X), Sakura Card Captors e Guerreiras Mágicas de Rayearth. Dos quatro títulos, Video Girl Ai era o patinho feio, o único desconhecido, mas sua importância no mercado de mangás no Brasil é inconteste. Ao menos, para a JBC.

Enquanto os outros três mangás vieram por causa de suas animações e que seriam vistas pelos consumidores como “os quadrinhos daquele desenho que eu assisto”, Video Girl Ai era uma obra completamente inédita no Brasil e que, em uma era que quase ninguém tinha internet, apenas meia dúzia de gatos pingados conhecia.

Nitidamente, a obra era um risco enorme que poderia encalhar nas bancas de revista e gerar prejuízo para a editora. Mas era um risco calculado, para ser um teste de mercado. Enquanto Samurai X, Sakura e Rayearth venderiam por conta de seus animês, e , portanto, eram sucessos certos, Video Girl Ai deveria vender por si só, sem um apelo maior por trás.

Em outras palavras, Video Girl era o verdadeiro teste da editora JBC para saber se mangás sem animê exibido no Brasil poderiam ter aceitação em nosso país. E teve. Na edição final do mangá, a JBC colocou uma mensagem em que afirmou a importância do título:

É claro que Video Girl não foi o primeiro mangá sem animê no Brasil a ser lançado por aqui. Sem contar os títulos do fim da década de 1980 e início da década de 1990, tivemos o Ranma 1/2 pela Animangá e a edição americanizada do clássico Gen Pés Descalços, pela Conrad. Porém Video Girl foi o primeiro da JBC e teve uma importância muito grande para a empresa. Ao menos é o que a editora diz…

Durante anos, em palestras e entrevistas, a JBC reafirmou essa importância do mangá, sem o qual provavelmente certos títulos de peso não teriam chegado ao Brasil pela editora. Video Girl provou para a empresa que títulos sem animê na televisão brasileira poderiam ser rentáveis e, até hoje, a editora sobrevive no mercado e investe em obras, sejam conhecidas, sejam desconhecidas…

Infelizmente, dos quatro mangás iniciais da editora, ele é o único título a ainda não ter sido republicado, uma pena. Resta agora apenas torcer para que existam planos ainda não revelados ao público e que no futuro o título volte a aparecer.

***

Aliás, a JBC possui em seu site um local para indicação de títulos (clique aqui). Se você deseja Video Girl Ai novamente, não deixe de pedir para a editora. Mas não peça mais de um vez com e-mails diferentes e nem crie campanhas com pessoas que não queiram o título, pois isso não ajuda em nada.

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