
Hoje damos continuidade à nossa série de postagens de retrospectiva, relembrando o ano de 2017 em nosso mercado de mangás. Nesta postagem iremos falar sobre o péssimo ano para os mangás shoujos e joseis no Brasil, com quase nada em publicação por aqui. Um ano para ser esquecido de tão ruim que foi. Vejamos em detalhes:
Joseis
Em outras palavras, está cada vez mais difícil as editoras irem atrás de mangás joseis. Em 2014 até tivemos três mangás dessa demografia um pouco mais extensos, mas isso não se repetiu nos anos posteriores.
Em relação a volumes de séries antigas, tivemos apenas o tomo final de Usagi Drop. Sim, só isso, 2017 foi o ano escasso de joseis. Foi o pior ano pra essa demografia no Brasil desde 2006. Só para você entender a dimensão disso: o primeiro mangá josei a ser publicado no Brasil foi Paradise Kiss, em 2007. Pois é…
Shoujos
Já em relação aos shoujos, a situação é um pouco melhor, mas ainda assim 2017 foi um ano para ser esquecido, com publicações pífias e nada impactantes. Durante o ano foram quatro lançamentos, todos eles curtíssimos e sem impacto. Hal (volume único) e Last Notes (3 volumes) pela Panini, Fragmentos do Horror (volume único) pela Darkside Books e Coin Laundry Lady (volume único), pela JBC.
Em 2016, apenas dois shoujos começaram a ser publicados, mas eram Lovely Complex e Ore Monogatari!. Ou seja, ano passado tivemos metade do número de lançamentos, mas as obras foram mais impactantes. Os lançamentos de 2017 foram, em sua maioria, completamente irrelevantes para quem anseia por mais obras dessa demografia.
Fragmentos e Coin Laundry sequer foram vendidos como shoujo, atingindo um público bem diferente. O primeiro engloba fãs de mangás de terror e o segundo fãs do autor de Another^^. Hal, por sua vez, na opinião deste que vos escreve, concorre fortemente como um dos piores mangás publicados no Brasil em 2017, enquanto Last Notes é até legalzinho, mas está longe de ser uma obra grandiosa. Não fosse por ser da autora de Black Bird, seria só mais um título esquecível em nosso mercado.
Em contrapartida a esses lançamentos pouco chamativos, Aoharaido, Alice Hearts e Psychic Detective Yakumo acabaram, não tendo sido substituídos adequadamente por obras tão impactantes quanto. No 6, por seu turno, esteve paralisado o ano todo, não ganhando um único volume sequer. Já Kimi ni todoke – considerando o volume do checklist de dezembro – só teve dois tomos ao longo do ano. O que salvou 2017 de ser um fracasso maior ainda foram os títulos que estavam em publicação, Lovely e Ore!.
Só para se ter uma ideia de como o ano foi ruim, juntando todas as séries houve apenas 26 volumes de mangás shoujos publicados em 2017, isso já considerando os três shoujos da Panini no checklist de dezembro. Se você não entende qual a dimensão de termos apenas 26 volumes durante todo o ano, saiba que – segundo leventamento que fizemos no Guia dos Quadrinhos – somente em 2001 e 2003 esse número foi menor. Sim, somente lá no início do nosso mercado de mangás…
Em outras palavras, 2017 foi o pior ano para os mangás shoujos nos últimos quatorze anos. A conclusão a que se chega é que, se em um ano você só tem mais publicações do que nos primeiros do nosso mercado de mangás, fica claro que há um desinteresse completo e total com obras dessa demografia.
Shoujos de sucesso não faltam no Japão, mas não parecem ser o foco das editoras. O porquê disso é até fácil de imaginar, mas esta não é uma postagem para discutir o assunto^^. O que se espera agora é que esse cenário mude em 2018, do contrário o futuro dos shoujos será tão sombrio quanto hoje é para joseis ou para os mangás de esporte.
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*Obs: se você chegou aqui e não sabe o que quer dizer shoujo e josei, podemos resumir da seguinte forma: são mangás voltados originalmente para mulheres no Japão. Shoujos, em geral, buscam atingir uma faixa etária até mais ou menos 18 anos. Joseis buscam atingir uma faixa etária acima dos 18 anos. O que define se um mangá é shoujo ou josei é apenas a revista em que é publicada.
** Obs 2: Muita gente confunde demografias e acha que certas temáticas são exclusivas de mangás shoujos, o que não é verdade. Como dito acima, o que vai definir se um mangá é shoujo é a revista em que ele foi publicado. Dito isso, é preciso lembrar que One Week Friends, A voz do silêncio e Your Lie In April são mangás shonens, pois foram publicados em revistas shonens. Em outras palavras, são mangás voltados ao público masculino adolescente no Japão. Muita gente acha que esses três títulos são shoujos por causa das temáticas, mas trata-se de um equívoco de informação.
EXTRAS
-Capas dos Shoujos e joseis lançados durante o ano
-Shoujos Anunciados
Prelúdio do Arco-íris – 1 volume (NewPOP)
No Café kochijoji – 3 volumes (NewPOP)
Malicious Code – 4 volumes (Nova Sampa)
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