Retrospectiva 2017 – O escasso ano de shoujos e joseis…

Os números não mentem…

Hoje damos continuidade à nossa série de postagens de retrospectiva, relembrando o ano de 2017 em nosso mercado de mangás. Nesta postagem iremos falar sobre o péssimo ano para os mangás shoujos e joseis no Brasil, com quase nada em publicação por aqui. Um ano para ser esquecido de tão ruim que foi. Vejamos em detalhes:

Joseis

Não se lança mangás joseis em nosso país. Se você pegar a Lista dos Mangás Publicados no Brasil e for caçar os mangás joseis nela perceberá que eles são quase totalmente escassos. Em 2017 não foi lançado nenhum mangá dessa demografia no Brasil. A situação é pior ao lembrar que em 2016 só foram publicados dois volumes únicos, enquanto em 2015 também não houve nenhum lançamento.

Em outras palavras, está cada vez mais difícil as editoras irem atrás de mangás joseis. Em 2014 até tivemos três mangás dessa demografia um pouco mais extensos, mas isso não se repetiu nos anos posteriores.

Em relação a volumes de séries antigas, tivemos apenas o tomo final de Usagi Drop. Sim, só isso, 2017 foi o ano escasso de joseis. Foi o pior ano pra essa demografia no Brasil desde 2006. Só para você entender a dimensão disso: o primeiro mangá josei a ser publicado no Brasil foi Paradise Kiss, em 2007. Pois é…

Shoujos

Já em relação aos shoujos, a situação é um pouco melhor, mas ainda assim 2017 foi um ano para ser esquecido, com publicações pífias e nada impactantes. Durante o ano foram quatro lançamentos, todos eles curtíssimos e sem impacto. Hal (volume único) e Last Notes (3 volumes) pela Panini, Fragmentos do Horror (volume único) pela Darkside Books e Coin Laundry Lady (volume único), pela JBC.

Em 2016, apenas dois shoujos começaram a ser publicados, mas eram Lovely Complex e Ore Monogatari!. Ou seja, ano passado tivemos metade do número de lançamentos, mas as obras foram mais impactantes. Os lançamentos de 2017 foram, em sua maioria, completamente irrelevantes para quem anseia por mais obras dessa demografia.

Fragmentos e Coin Laundry sequer foram vendidos como shoujo, atingindo um público bem diferente. O primeiro engloba fãs de mangás de terror e o segundo fãs do autor de Another^^. Hal, por sua vez, na opinião deste que vos escreve, concorre fortemente como um dos piores mangás publicados no Brasil em 2017, enquanto Last Notes é até legalzinho, mas está longe de ser uma obra grandiosa. Não fosse por ser da autora de Black Bird, seria só mais um título esquecível em nosso mercado.

Em contrapartida a esses lançamentos pouco chamativos, Aoharaido, Alice Hearts e Psychic Detective Yakumo acabaram, não tendo sido substituídos adequadamente por obras tão impactantes quanto. No 6, por seu turno, esteve paralisado o ano todo, não ganhando um único volume sequer. Já Kimi ni todoke – considerando o volume do checklist de dezembro – só teve dois tomos ao longo do ano. O que salvou 2017 de ser um fracasso maior ainda foram os títulos que estavam em publicação, Lovely e Ore!.

Só para se ter uma ideia de como o ano foi ruim, juntando todas as séries houve apenas 26 volumes de mangás shoujos publicados em 2017, isso já considerando os três shoujos da Panini no checklist de dezembro. Se você não entende qual a dimensão de termos apenas 26 volumes durante todo o ano, saiba que – segundo leventamento que fizemos no Guia dos Quadrinhos – somente em 2001 e 2003 esse número foi menor. Sim, somente lá no início do nosso mercado de mangás…

Em outras palavras, 2017 foi o pior ano para os mangás shoujos nos últimos quatorze anos. A conclusão a que se chega é que, se em um ano você só tem mais publicações do que nos primeiros do nosso mercado de mangás, fica claro que há um desinteresse completo e total com obras dessa demografia.

Shoujos de sucesso não faltam no Japão, mas não parecem ser o foco das editoras. O porquê disso é até fácil de imaginar, mas esta não é uma postagem para discutir o assunto^^. O que se espera agora é que esse cenário mude em 2018, do contrário o futuro dos shoujos será tão sombrio quanto hoje é para joseis ou para os mangás de esporte.

***
*Obs: se você chegou aqui e não sabe o que quer dizer shoujo e josei, podemos resumir da seguinte forma: são mangás voltados originalmente para mulheres no Japão. Shoujos, em geral, buscam atingir uma faixa etária até mais ou menos 18 anos. Joseis buscam atingir uma faixa etária acima dos 18 anos. O que define se um mangá é shoujo ou josei é apenas a revista em que é publicada.
** Obs 2: Muita gente confunde demografias e acha que certas temáticas são exclusivas de mangás shoujos, o que não é verdade. Como dito acima, o que vai definir se um mangá é shoujo é a revista em que ele foi publicado. Dito isso, é preciso lembrar que One Week Friends, A voz do silêncio e Your Lie In April são mangás shonens, pois foram publicados em revistas shonens. Em outras palavras, são mangás voltados ao público masculino adolescente no Japão. Muita gente acha que esses três títulos são shoujos por causa das temáticas, mas trata-se de um equívoco de informação.

EXTRAS


-Capas dos Shoujos e joseis lançados durante o ano



-Shoujos Anunciados


Prelúdio do Arco-íris – 1 volume (NewPOP)

No Café kochijoji – 3 volumes (NewPOP)

Malicious Code – 4 volumes (Nova Sampa)

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10 Comments

  • pimpao10

    O que vende mesmo é shonen porradeira e “clássicos pros ocidentais”. Acho que o que mais se aproxima disso são as comédias românticas Slice of Life. Acho que até no Japão a proporção de lançamentos (pelo menos de animes e mangás mais vendidos) deve ser mais ou menos a mesma. Se não vendem, é porque não compram. Mas também não culpo os fãs, não tem como comprar todos, a maioria é tão genérico quanto as capas dos livros do Sparks!

    PS: Junji Ito lançado numa revista shoujo? A cada dia se aprende uma coisa nova…

    • Tem que lembrar que existem revistas e revistas e as características de obras de uma podem ser muito diferentes das de outra. A Betsuma é muito diferente da Asuka, por exemplo. O mesmo vale a Nemuki + (revista em que foram lançados a maioria dos contos de Fragmentos of horror).

      Na verdade, ela é uma revista descrita apenas como feminina, sem especificar se é shoujo ou se é josei. Porém, o público alvo da revista é a partir do colegial para quem “está cansada do mangá genérico” e se é a partir do colegial, chamamos de shoujo.

  • “fica claro que há um desinteresse completo e total com obras dessa demografia”

    A questão é, não existe interesse da editoras ou do público? Tenho certezas que se joseis e shoujos vendessem bem, as editoras lançariam. Editora não é fã, ela lança para vender, lucrar. Não é para agradar público X ou Y. É para vender para público X ou Y. Pedem Shoujo, mas se o público não compra, não vejo porque uma EMPRESA investiria no lançamento.

    Se me perguntar se eu sei os números de vendas, de fato não sei. Mas acho que podemos presumir.

    • Yuki

      O problema é outro, não vendem porque os fãs pedem e não compram ou porque eles lançam uma coisa como Hal, que é horrível? Será que se colocassem um Tonari no Kaibutsu-kun, Strobe Edge, Koukou Debut (sendo que esses dois são autoras de mangás shoujo consagrados no Brasil) não venderia?
      A Roses tem um artigo aqui mesmo no BBM falando disso, do famoso não vende porque não compram.
      Ah, Kyon, Alive não é considerado shoujo também? Tudo bem que é tão shoujo quanto FdH, mas acho que é shoujo.

      • pimpao10

        Na verdade a classificação de shoujo, seinen, shonen, etc; é o publico alvo da revista qual o mangá é lançado, no caso de Alive seria a Young Jump, se não me engano, uma revista voltada para o publico adultos, seinen. A mesma revista de Tokyo Ghoul e Terra Formars, por exemplo. Mas se você for ver os títulos da revista logo verá Himouto Umaru Chan.

        Pra mim não faz o menor sentido, K-ON! por exemplo, um mangá sobre garotas colegiais que formam uma banda no clube da escola. E é seinen… É com isso que eu me espanto. Fico me perguntando se isso é só para atrair um publico maior para a revista…

        • O caso específico de K-on deve fazer sentido para os japoneses. Se não estou enganado, ele realmente é uma obra destinada a otakus homens adultos, por isso foi publicado em uma revista seinen. Depois da animação pode ter ganhado um outro público, mas inicialmente era apenas para homens adultos que gostam de garotinhas colegiais O_o.

          Então não é para atrair mais público e sim uma característica nata da obra. Mas isso não significa que não se coloque uma obra em uma revista para se atrair mais público. O mangá Ataque dos titãs – sem arrependimentos foi publicado na revista shoujo Aria e, ao que parece, enquanto ele era publicado a revista teve um aumento absurdo de vendas, vindo das pessoas que acompanhavam a obra original na revista Monthtly Shonen Magazine. Pois é, acontece esse tipo de coisa…

          • anderson

            Little Witch Academia também teve um mangá publicado em uma revista Seinen e
            diferente de K-on é uma franquia mais para a família do que otakus.Os criadores de
            LWA até disseram que vão probir qualquer mercadoria erótica.

    • Olha, se o público pede shoujo e ele não compra é porque a editora não trouxe AQUELE shoujo. Consumidor NÃO TEM QUE COMPRAR QUALQUER COISA, ele deve comprar os títulos que têm interesse. É obrigação da própria empresa fazer o leitor ter interesse em seus títulos. Se as editoras só lançam shoujos desinteressantes e não trabalha eles de modo que eles possam ser lucrativos, qual é a culpa do leitor? Nenhuma…

      Olhe a Panini, por exemplo. Ela lançou um monte de shoujo genérico em anos anteriores, eles venderam mal e ela diminuiu significativamente as publicações. Como resultado, os shoujos de sucesso – os que o público quer comprar – permanecem inéditos. Recentemente, houve uma pequena mudança, ela publicou 3 obras de sucesso (Aoharaido, Lovely e Ore), mas um monte de outros shoujos de sucesso ainda estão a ver navios. Em 2017, a Panini, em vez de seguir nessa pegada, novamente cometeu o mesmo erro, lançando mais shoujos genéricos. Se eles não venderem a culpa será do leitor que pediu shoujo e não comprou? Claro que não, é culpa da empresa por tê-los lançados e não ter feito marketing adequado sobre a obra. Quando as pessoas pedem shoujo, elas não estão pedindo qualquer shoujo e sim aqueles de sucesso que as editoras teimam em não lançar…

      Então, se temos pouco shoujo no mercado, a falta de interesse é das próprias editoras, por receios sem sentido e falta de planejamento adequado. É claro que uma empresa não vai publicar algo que não dê lucro, mas tem um monte de obras de sucesso, que poderiam dar lucro facilmente com um bom planejamento, mas as empresa deixam elas de lado, preferindo outras…

      —–

      Obs (1): Não se tem como saber se josei vende ou não. Nos últimos anos só A NewPOP lançou joseis famosos, Usagi Drop e Loveless. O primeiro a editora disse que vendeu muito bem, o segundo a editora nunca escondeu que foi um fracasso. Ou seja, está 50 a 50. Como não se lança joseis no Brasil nem tem como tirar a prova e saber se vende ou não. Mangás de volumes único como Helter Skelter e The Wedding Eve (ambos lançados em 2016) não podem ser parâmetros…

      Obs (2): cada editora trabalha de um modo diferente e tem um planejamento diferente. Então a falta de interesse de cada uma delas é bem relativa. A Panini parece ter estabelecido uma “cota” de shoujos devido ao seu histórico passado. A JBC só lança se o mangá for muito famoso e tenha poucos volumes ou ou caso tenha algum potencial de vendas (ser do mesmo autor de Another ou ser mangá de sobrevivência como foi Limit). A NewPOP é uma incógnita.

  • Eu queria colecionar Last Notes,mas não me admiro os shoujos serem taxados por venderem mal no Brasil,faz tempo que eu não vou numa loja especializada de Porto Alegre,a Nerdz,para colocar em dia a minha coleção,eu compro a maioria dos meus mangas na principal banca da minha cidade,Gravataí RS,pois bem,uma cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre com mais de 230 000 habitantes,e não chegou nenhum exemplar de nenhum volume do manga Last Notes na principal banca da cidade,ou seja, a tiragem dele deve ser bem menor do que outros mangas,e a mudança na distribuição da Panini também deve ter ajudado na falta dele por aqui,eu não posso reclamar muito,porque moro perto de uma loja especializada,mas quem mora longe das grandes cidades e das lojas especializadas e que,muitas vezes,só tem uma banca de revista para recorrer,pois também não compra pela internet,tenho certeza,que essa ainda é uma parcela de público significativa no número final de vendas dos mangas,basta ver pelos comentários face afora.No passado,se falava com o jornaleiro e ele conseguia encomendar algumas coisas…

  • anon

    Concordo com Yuki, o problema não é falta de interesse dos consumidores, o problema é ter tido 4 lançamentos no ano sendo que 2 deles nem foram vendidos como shoujo e os outros 2 serem irrelevantes. Na NewPop tava acontecendo isso com os yaoi também, não adianta trazer vários volumes únicos desconhecidos e esperar que o público vá comprar tudo, se é arriscado lançar obras mais longas, então pelo menos deveriam escolher obras curtas, mas que tenham uma boa trama, que chame atenção pela arte ou que tenham anime.

    E falando em shoujo da Panini, meu sonho seria que relançassem Sunadokei, mas pelo jeito sem chances disso acontecer.

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