
Veja como está o mangá americano
Mangá Aberto é uma coluna de resenhas em que mostramos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. Nela apresentamos fotos dos mangás, acrescentando alguns detalhes e opiniões.
A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de The Witcher: Ronin, mangá americano publicado no Brasil em janeiro de 2024 pela editora Excelsior.
PEQUENAS INFORMAÇÕES SOBRE A OBRA
The Witcher: Ronin é uma história em quadrinhos norte-americana em estilo mangá feita por Rafal Jaki e Hataya e tem como base um jogo de vídeogame chamado The Witcher.
Ele foi lançado nos Estados Unidos em dezembro de 2022 pela editora Dark Horse, com 120 páginas no total, todas coloridas, e em sentido de leitura japonês. No Brasil, o mangá estadunidense foi lançado pela editora Excelsior em janeiro de 2024.
FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira veio no formato 13,5 x 20,5 cm (mesmo tamanho de Hunter x Hunter, Nas Montanhas do Terror, dentre outros), com miolo em papel offset (branco) e capa cartonada com verniz localizado. São 120 páginas, sendo todas coloridas.
CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA
A capa da edição brasileira segue a mesma ilustração e design da norte-americana, sendo a única diferença o logo da editora Excelsior. Em termos de acabamento, se trata de uma capa cartão comum, mas com verniz localizado no título, logo da editora e nomes dos autores.
Na quarta-capa temos a repetição do título, uma ilustração e uma sinopse da história, além de alguns elementos obrigatórios (código de barras, logo, etc). É uma composição que ficou bem bonita e acho que só o tamanho do código de barras que destoou um pouco.
Além disso, também há verniz localizado na quarta-capa, novamente no título, nos logos da empresas e, também, no texto em vermelho. Já a lombada, por sua vez, é quase toda em vermelho e também possui verniz localizado.
CAPAS INTERNAS E PRIMEIRAS PÁGINAS
As capas internas são brancas (como costumam ser). Sobre as primeiras páginas, logo após a folha de rosto já temos o início do primeiro capítulo.
Na parte de trás temos o expediente e a ficha catalográfica. Em seguida (ou antes disso) temos um “bestiário”, onde são colocadas informações sobre seres mitológicos japoneses e o modo como apareceram no quadrinho.
PAPEL DO MIOLO
O papel utilizado no miolo é o offset, aquele papel branco usado em mangás como Shaman King, One-Punch Man e Fênix. Não foi revelado a gramatura, mas parece ser alta (no mínimo 90g), pois as páginas são grossas e o mangá mesmo tendo poucas páginas é um pouco pesado para a média. No todo, é um bom papel e não notei nenhuma transparência nas páginas.
ACABAMENTO GERAL
O acabamento geral de The Witcher: Ronin é “ok”, mas isso não significa que seja 100% aceitável. O verniz localizado na capa é ótimo, a encadernação é boa (você consegue ler e folhear sem problemas) e o papel também é bom, considerando que todas as páginas são coloridas. Só que há “poréns”.
Em primeiro lugar, ele não tem orelhas o que deixa o acabamento mais simples. Em segundo lugar, ele não tem miolo costurado (é apenas colado), o que acarreta no mesmo. E ele custa R$ 49,90 mesmo assim. Talvez o preço esteja na média do mercado para publicações 100% coloridas, mas como consumidor é complicado ver esse valor com tão poucas páginas e o acabamento não ser premium ou pelo menos com um pouquinho mais de capricho.
DETALHES EDITORIAIS
O mangá americano foi feito no sentido de leitura japonês, de maneira que se lê da direita para a esquerda como os mangás nipônicos. Entretanto, a editora Excelsior não colocou o tradicional aviso de que se deve começar a ler do outro lado.
Para além disso, a pessoa responsável pelos desenhos é do Japão (não há informação sobre isso no mangá, mas é isso o que informa alguns sites) e, portanto, usam-se onomatopeias japonesas. A respeito disso, a Excelsior manteve as onomatopeias originais em japonês, colocando uma tradução ao lado. Diferente da maioria das empresas (que colocam uma legenda discreta), a tradução delas foi grande e no meio da página.
A respeito do texto, achei ele bem adaptado, mas estranhei a pontuação em alguns momentos, que fez ficar meio travado, mas no geral ficou bom e não notei nenhum problema de revisão.
Para terminar, a editora evita notas explicativas o máximo que pode. O mangá se passa no Japão de séculos passados e é citado, por exemplo, a moeda usada na época e a editora não faz nenhuma nota para ela. Outras editoras como JBC, Panini e Pipoca & Nanquim colocariam uma nota para contextualizar. Não chega a ser um demérito este tipo de coisa, é apenas uma característica diferente que gostaríamos de relatar.
A HISTÓRIA E CONCLUSÃO
The Witcher: Ronin é baseado em um jogo chamado The Witcher, mas não existe a menor necessidade de se conhecê-lo, pois o quadrinho se sustenta em si mesmo. Se a Excelsior, por exemplo, não tivesse feito a divulgação falando disso eu nem saberia da existência desse jogo. E lendo a hq realmente não há necessidade de saber.
A obra se passa no Japão, séculos atrás, mas um Japão modificado em que os seres sobrenaturais como Kappas e Tengus existem e podem interferir no mundo humano. Nisso, acompanhamos um ronin chamado Geralt e suas andanças pelo Japão em busca de um ser conhecido como A Mulher da Neve.
Geralt, além de samurai, é alguma espécie de bruxo e está atrás dessa mulher para saber o paradeiro de alguma coisa ou alguma pessoa. Os capítulos seguem uma ordem temporal, mas cada um é meio que fechado em si mesmo, na qual veremos uma historinha em que Geralt se envolve e acaba tendo um confronto, seja com seres místicos, seja com humanos.
***
The Witcher: Ronin é um quadrinho muito bem feito que nada deve a qualquer mangá japonês de ação e aventura. Os rostos de alguns personagens parecem meio genéricos e tal, mas no todo o enredo e a quadrinização é muito bem feita, de maneira que você fica fascinado pela história e termina de ler em uma sentada só.
O problema é que coisas ficam no ar e o mangá americano termina dando a entender que pode haver um volume dois. Digamos que esse quadrinho tenha uma trama geral e essa trama é desenvolvida praticamente por inteiro nesse primeiro volume, mas além de não sabermos o passado do protagonista, nem diversas outras coisas, ele coloca um outro elemento, uma outra figura, mostrando uma nova busca a ser iniciada.
Então, a história é boa, é bem contada, nos prende, mas coisas ficam no ar para um possível volume #02. Vale dizer que nem na capa original norte-americana, nem na capa brasileira existe um número #01, então é como se ele fosse um volume único mesmo, mas ao final do mangá há a informação de que é o fim do volume #01.
Não temos informações se realmente existirá um volume #02 nos Estados Unidos, então eu acho que talvez não valha muito a pena comprar esse quadrinho. Por mais legal que seja, o preço é muito alto para comprar algo que você não sabe se terá continuação ou não…
Ficha Técnica
Título Original: The Witcher: Ronin
Título: The Witcher: Ronin
Autor: Rafal Jaki, Hataya
Tradutor: Lina Machado
Editora: Excelsior
Número de volumes nos EUA: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 13,5 x 20,5 cm
Miolo: Papel offset
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 120 (todas coloridas)
Classificação indicativa: não divulgado
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Um mangá original ambientado no universo de The Witcher! Em um novo mundo inspirado no Japão do período Edo, Geralt encara decisões morais complicadas enquanto luta contra diversos yōkai e oni, criaturas inspiradas nos mitos japoneses. Cada encontro fornece uma pista em sua busca desesperada pela misteriosa aparição conhecida como Dama da Neve, yuki onna, pois ela é a chave para encontrar quem Geralt busca, porém, localizá-la não será fácil..
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