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Mangá Aberto: “Minha História de Amor com Yamada-kun Nível 999”

Veja como está o mangá

Após alguns atrasos, no início de janeiro a editora Galera Record publicou no Brasil o primeiro volume do mangá Minha História de Amor com Yamada-kun Nível 999, de Mashiro.

Conhecida por conta da adaptação em anime, a obra foi amplamente comemorada na ocasião do anúncio, mas tempos depois quando a capa foi divulgada (similar à edição americana) começaram as críticas e os receios de como seria a edição.

A Galera Record nos enviou um exemplar para análise e agora viemos informar a vocês, leitores, nossas impressões sobre o produto (capa, acabamento, papel, detalhes editoriais, etc). Mas já adiantamos, a gente não gostou do trabalho da empresa.


UM POUCO SOBRE A OBRA


Minha História de Amor com Yamada-kun Nível 999 começou a ser publicado no Japão em 2019 no site Ganma!, da editora Comic Start, fazendo logo um relativo sucesso.

De pronto, a obra começou a ganhar uma edição impressa pela editora Media Factory (grupo Kadokawa) e ainda segue em publicação até hoje, atualmente com 10 volumes publicados. Como dito, o título chegou a ganhar uma adaptação em anime, esta indo ao ar entre abril e junho de 2023.

No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Galera Record no dia 27 de março de 2024, durante uma live para o canal Fora do Plástico, e tinha previsão inicial de ser lançado em julho do mesmo ano. A obra, no entanto, foi sendo adiada e só começou a chegar aos consumidores nos primeiros dias de 2025.


A HISTÓRIA


A história gira em torno de Akane, uma garota que acabou de sofrer o término de um relacionamento após seu namorado se apaixonar por uma garota dentro de um jogo online. Buscando mostrar-se forte, ela resolve ir a um evento e, por uma série de coincidências, tromba com Yamada, um rapaz que fazia parte de seu clã nesse jogo. A partir de então a vida de Akane e de Yamada passará a estar entrelaçada de um jeito ou de outro.

Se trata de uma história bem divertida de acompanhar, sendo um romance que – apesar de estar envolto na questão de uma separação – é bem mais alegre do que dramático, com boas passagens de humor envolvendo certos acontecimentos aqui e ali. Nesse primeiro volume, a gente ainda não têm a “história de amor com Yamada-kun”, mas já vemos os prenúncios disso e a leitura está bem interessante…


 CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA


A maioria das capas de mangás publicados no Brasil segue ipsis literis a capa original japonesa, apenas mudando o idioma e alguns detalhes de design. Entretanto, a capa de Minha História de Amor com Yamada-Kun Nível 999 segue e capa americana.

A ilustração usada na capa é a mesma da versão japonesa, sim, mas todo o design é da versão dos Estados Unidos, a moldura em vermelho, o fundo branco, o título em caixas de texto, etc. A maior diferença (com exceção do idioma, é claro) é o logo da Galera Record.

Vale frisar que a capa americana foi muito criticada na comunidade internacional na época de divulgação, e mesmo assim a edição brasileira acabou seguindo ela, de maneira que já de cara a versão local acabou sendo muito rejeitada pelos consumidores. Os outros países que publicaram a obra fizeram suas versões à parte. Vejam a comparação.

A quarta-capa, por sua vez, segue o mesmo estilo da capa com a moldura em vermelho e o fundo branco com alguns desenhos em rosa.

Também é a mesma coisa que foi feita na edição dos Estados Unidos. Felizmente, a versão americana fez o trabalho direitinho nessa parte e colocou uma boa sinopse, então a versão da Galera também teve isso.

quarta-capa brasileira
Quarta-capa americana, retirada no Reddit

Já a lombada é bem simples, no mesmo vermelho da moldura, com o título, nome da autora e logo da editora, além do número do volume é claro.

Importante também mencionar, já que se trata do primeiro mangá da editora, que ela utiliza a orientação de lombada americana (o mesmo usado na maioria dos mangás da JBC, por exemplo, e que é diferente do padrão europeu, usado na maioria dos mangás da Panini).

Novamente, é igual à versão dos Estados Unidos, mas aí acho que é uma mistura entre ser igual ao que foi feito lá e a Galera preferir esse tipo de orientação da lombada (os poucos livros da Galera que eu tenho usam a mesma orientação).

Versão dos Estados Unidos. Imagem do Instagram

Agora falando em termos de acabamento (e nos restringindo à edição brasileira, já que é ela que estamos analisando), o mangá possui uma capa cartão comum (idêntica à maioria dos mangás publicados no Brasil), não possuindo orelhas e nem sobrecapa.

Ela possui laminação fosca com reserva de verniz no título, e esse verniz localizado é o único detalhe especial do acabamento da capa e não se repete em nenhum outro lugar (não tem na lombada e nem na quarta-capa).


CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS


As capas internas do mangá são vermelhas em tom semelhante ao da capa. Logo após a capa interna “da frente” nós já temos a folha de rosto. Nesta a gente já encontra um problema com o título quase sumindo junto ao local de colagem.

Faltou um pouco de discernimento em diminuir a fonte e deixar um respiro maior na página para evitar isso. Fora que o tamanho deixou uma impressão ruim, de poluição visual nessa página de abertura. A versão dos Estados Unidos, ao menos na edição digital, foi mais bem feita, com tudo alinhado à esquerda (clique aqui para ver).

Voltando a falar da versão brasileira, após essa página de abertura, temos o sumário e já começa a história a seguir.

A letra “R” de “Amor” quase some junto à colagem.

Falando agora das últimas páginas, a página final – ao lado da capa interna de trás – tem a informação do tipo de papel utilizado e a gráfica em que o produto foi impresso.

Em seguida tem a página com a ficha catalográfica e o expediente. É nessa mesma página que a editora colocou o aviso de que a obra respeita o sentido de leitura original japonês.


PAPEL


O papel utilizado no miolo é o Offset 90g. Para quem não tá ligado em nomes de papel, é o mesmo papel usado em obras como Gash Bell!!, Jojo’s Bizarre Adventure, Shaman King, Neon Genesis Evangelion, dentre outros.

É o famoso papel branco. Muita gente o prefere,  então o seu uso é um acerto por uma editora nova nesse ramo, pois vai agradar uma parcela considerável do público. De nossa parte não gostamos tanto dele pela questão de refletir muito a luz e não ser tão bom para a leitura, mas a gente não reclama tanto assim^^.


ENCADERNAÇÃO E ACABAMENTO GERAL


O miolo do mangá é apenas colado, ou seja não tem costura. Mesmo assim a encadernação é boa, permitindo ler e folhear o produto sem quaisquer problemas. Por usar o Offset 90g, naturalmente o mangá é mais durinho, mas isso não chega a atrapalhar o folheamento e nem a leitura.

Agora falando do acabamento geral (consideração a encadernação, o tipo de papel, capa, etc) podemos dizer que é bom, não apresentando nada que a gente considerasse um defeito irremediável. Entretanto, se trata de um mangá da linha dos básicos, não possuindo diferenciais e estando longe de ser qualquer produto premium ou de luxo. E isso acaba sendo bem ruim ao vermos que o preço do mangá é R$ 49,90 (falaremos mais disso na conclusão).


ASPECTOS EDITORIAIS


Por ser o primeiro mangá da editora Galera, é importante olharmos com mais atenção os aspectos editoriais. E eles foram os que a gente menos gostou. Teve a questão da capa e a folha de rosto (ambas já mencionadas anteriormente), mas também houve algumas outras questões que fizeram a experiência de leitura não ser lá tão boa, mas vamos por partes…

-Margens Mínimas

Assim como no caso da folha de rosto citada antes, em alguns momentos as margens foram tão pequenas que os textos tiveram alguma parte “comida” pela impressão ou pela colagem.

Em um determinado momento, há um balão na página à direita em que precisa abrir muito o mangá para conseguir enxergar a última letra. Em outro, a impressão cortou metade de uma letra.

Ainda é possível ler em ambos os casos, mas de toda forma é um problema que raramente é visto nas principais editoras de mangás e, quando é visto, dificilmente acontece mais de uma vez no mesmo mangá.

-Fontes e Diagramação

Se a gente pega um mangá da JBC, da Panini, da Pipoca & Nanquim, da MPEG ou da Comix Zone, dentre outras, a gente consegue notar que existem diferenças em questão de escolha de fontes, no tamanho, na diagramação das letras dentro dos balões, etc, etc, etc. Ainda assim, todas elas costumam realizar um trabalho bem competente, de maneira que a gente não estranha o que foi feito, a gente nota uma qualidade, a gente nota uma grande harmonia.

Editoras de livros tradicionais, por outro lado, nem sempre acertam a mão quando vão publicar quadrinhos, em especial mangás. Os mangás da L&PM, por exemplo, são bem significativos nesse sentido, pois as fontes utilizadas costumam ser grandes demais e a maneira como fazem a diagramação dos balões é bem problemática, havendo uma poluição visual muito grande nas páginas (leia nossa resenha de Solanin).

O trabalho da Galera Record, em um determinado aspecto, não ficou tão ruim quanto o da L&PM, mas igualmente deixou a sensação de que o trabalho não foi bem feito. A questão da poluição visual se fez presente e o modo como se escolheu colocar as letras dentro dos quadrinhos nem sempre foi eficaz.

Eu não sei dizer se o problema foi a fonte escolhida ou o tamanho dela, mas se eu tivesse que dar uma resposta definitiva seria o tamanho. A imagem que a gente colocou acima (e repetimos a seguir) dá uma boa dimensão do problema. O balão do meio, por exemplo, se tivesse uma fonte de tamanho menor daria uma maior harmonia no geral.

Não é que tudo esteja ruim, mas desde as primeiras páginas a gente nota algo estar errado, algo estar estranho na composição dos textos da página. Ainda que a gente se acostume com o decorrer da leitura, é inevitável dizer que não ficou muito bom.

-Onomatopeias

Nessa questão de poluição visual das páginas contribui para isso o tratamento das onomatopeias. De uma maneira geral, as editoras possuem duas escolhas no modo de lidar com as onomatopeias: 1) Mantê-las e colocar uma legendinha 2) Traduzi-las por completo.

No Brasil, a primeira opção é a mais comum, não só por ser mais fácil, mas também porque o público daqui prefere assim e a Galera seguiu exatamente esse rito. Entretanto, existem maneiras e maneiras de se colocar a legendinha.

Eu não sou lá especialista do assunto (é bem raro eu me importar, então pode ser que nesse quesito eu fale alguma besteira), mas normalmente, as legendas são colocadas de forma discreta em meio à onomatopeia (do lado, do meio, etc) e nunca concorre com ela. Isto é, o grande destaque é a onomatopeia e não a legenda.

A Galera meio que colocou destaque nas legendas em muitas partes, fazendo-as maior do que as onomatopeias e colocando elas em fontes bem diferentes da onomatopeia original. Isso não chega a ser necessariamente um problema, outras editoras fazem isso, só que o jeito em que foi feito pela editora destoou demais, gerando a dita poluição visual.

Legendas maiores que a onomatopeia e destoando muito da fonte original
Legendas grandes e destoando da onomatopeia
Já aqui a onomatopeia está mais discreta, mas ainda assim parece meio esquisita.

Para entender melhor o problema, talvez valha um comparação com a edição espanhola. Na imagem abaixo, a gente nota exatamente as mesmas coisas ditas antes, a legenda grande em um momento, destoando em outro, etc.

Já a edição da Espanha é mais discreta e as legendas são inteiramente colocadas e integradas nas onomatopeias, sem roubar a atenção delas, sem poluir visualmente a página e com fontes semelhantes aos das onomatopeias.

Edição Espanhola

Para além disso, em alguns momentos os textos são colocados de maneira diversa para a mesma onomatopeia, além de ter alguns erros evidentes. Na imagem abaixo dá para ver exatamente isso. É a mesma onomatopeia, no mesmo estilo, mas a legenda é colocada ora fina, ora grossa.  Além disso, a legenda grossa está até cobrindo parte da onomatopeia.

Isso de cobrir parte da onomatopeia não é um caso isolado. Em outras oportunidades a editora igualmente colocou uma legenda dentro de um quadro de texto e esse quadro cobriu parte da onomatopeia, mostrando uma falta de cuidado ou uma falta de maior conhecimento no trato com quadrinhos japoneses.

-Caixas de texto e reconstrução

Esse problema de ter uma caixa de texto cobrindo onomatopeias leva a gente ver um outro problema no mangá, a falta de reconstruções adequadas.

Em um ou outro momento, a gente tem algumas caixas de texto cobrindo parte da arte de uma maneira maior do que deveria, indicando que a editora não quis ou não sabia que poderia fazer um trabalho de reconstrução. Na imagem abaixo, por exemplo, a gente vê um “*De Ressaca*” num quadro bem grande.

O quadro grande advém da versão japonesa mesmo, mas ao olhá-la, a gente vê que a caixa está estilizada de maneira a comportar os caracteres japoneses, daí que quando transportado para o português fica esquisitíssimos, a começar pelo tamanho da fonte utilizada.

A maioria das editoras costuma fazer algum trabalho de reconstrução nesses momentos. Podemos exemplificar com a versão francesa, em que foi deixado uma caixa de texto, mas em tamanho bem menor e compactado para o idioma local.

Edição francesa, foto nos mandada pelo site Lacradores Desintoxicados

Não é o único momento em que houve falta de uma reconstrução. Vejam o quadrinho abaixo da versão japonesa. Há um texto em que um caractere chega até a roupa do personagem fazendo um semicírculo. O mesmo ocorre em relação ao mouse.

Na versão brasileira o semicírculo de ambas as partes se mantém, mesmo não tendo nenhum caractere ali, dando a impressão de que a roupa do personagem foi cortada por alguma coisa e que o mouse sumiu de lá.

A editora poderia ter feito um trabalho de reconstrução ali, redesenhando a camisa do personagem ou, o mais fácil, adaptando o texto de maneira que algum caractere também aparecesse ali. Na parte do mouse era até mais fácil, bastando colocar um pouquinho mais para baixo o texto, o que não ocorreu.

A título de comparação, a versão francesa da obra fez a reconstrução da camisa, mas ficou devendo no mouse. A versão espanhola reconstruiu o mouse, mas ficou devendo na camisa. A versão dos EUA, por sua vez, não fez nada na camisa, mas cobriu o mouse com o texto, do jeito que eu achei que a galera poderia fazer.

Edição francesa, foto nos mandada pelo site Lacradores Desintoxicados
Edição espanhola, amostra da Amazon
Edição americana, amostra da Amazon

Esse é um tipo de problema evitável e que mostra mais bem claramente a questão da empresa ser nova nesse ramo e não se atentar a esses detalhes. Sim, pois, a gente vê que outras editoras ao redor do mundo não se atentaram completamente, mas a Galera foi a única a deixar passar tudo.

Esse tipo de coisa não é constante no volume, mas se repete em algumas oportunidades. Assim, somando tudo, essa parte do trabalho editorial não foi bom.

Vale dizer que uma parte disso, muito provavelmente, advém do trabalho da versão dos Estados Unidos, que foi uma versão bem criticada também. No quadrinho abaixo, por exemplo, a edição dos Estados Unidos cobriu um caractere japonês com uma palavra em inglês. A Galera Record, em vez de adaptar, fez exatamente o mesmo que a editora americana, mas com o texto em português.

Versão dos Estados Unidos. Retirada do Twitter.
Versão brasileira

A título de comparação e para mostrar um trabalho melhor, a edição espanhola colocou a tradução na parte de baixo. Isso evidencia que o trabalho da Galera pode ter sido mesmo todo em cima da versão dos Estados Unidos e que ela não tinha um bom manejo dos quadrinhos japoneses.

Edição espanhola, Amazon Kindle

TEXTO


A partir do momento em que a capa e a tradutora foram divulgadas, muito se comentou sobre a possibilidade de o mangá ter sido traduzido do inglês, visto que a capa era claramente a americana e a tradutora ser conhecida por traduzir do idioma falado nos Estados Unidos.

A gente não pode dar uma confirmação 100% disso, mas (assim como parece que a edição foi feita tendo como base a versão dos Estados Unidos) é verdade que existem indícios, fortes indícios.

A adaptação de texto em português não dista muito da versão dos Estados Unidos (do que foi possível ver na amostra da Amazon), o mesmo vale para o trato das onomatopeias e outros detalhes editoriais que criticamos no tópico anterior. Assim, existe mesmo a possibilidade de o mangá ter sido traduzido da versão em inglês.

Corrobora (ou confirma) essa hipótese o fato de a tradutora não ter o idioma japonês listado em seus perfis públicos em redes sociais, como Linkedin.

***

Isso significa que o texto está ruim? Não é essa a questão. Pelo que eu pude ler, o texto está bom, a gente consegue usufruir da leitura sem qualquer problema, pois está tudo bem coeso e coerente, e o único problema é a falta de algumas notas explicativas de alguns termos bem específicos. Então no geral, ou no superficial, está legal.

A questão é que tradução significa perdas. Se você está lendo qualquer coisa que não está no seu idioma original, você está lendo uma versão. Por mais que se tenha em mente a fidelidade com o original, isso nunca é possível por diversas barreiras, tanto linguísticas, quanto culturais.

Por isso a gente vê diversas notas de rodapé nos mangás, pois não estamos inseridos na cultura japonesa e precisamos dessas notas para entender certas coisas. Do mesmo modo, a tradução fiel de uma palavra nem sempre passa a mensagem do original e precisa de adaptações e essa simples coisa já significa uma perda.

Por exemplo, no japonês existem diversas palavras que, quando traduzidas para o português vão dar na palavra “eu”. Só que cada uma delas no Japão pode carregar um significado. Umas são faladas apenas por homens, outros apenas por mulheres, por crianças, etc. Dependendo do contexto, traduzir a palavra para “eu” pode dar uma ideia errada ou perder toda a essência do que se estava sendo falado, então é preciso tentar adaptar todo o texto para tentar dar a mesma conotação do original.

Assim toda tradução é uma nova criação, você está colocando uma visão sobre algo e buscando colocar semelhanças para ficar legível e visível uma cultura para um outro povo, mas certamente haverá perdas ali.

Quando você traduz uma obra de uma outra tradução você já perdeu o referente original e mais coisas podem se perder no processo. Talvez a outra tradução inventou alguma coisa e você não sabe já que não está advindo do original. Talvez a outra tradução adaptou uma coisa para a língua e o contexto daquele país, aí quando você vai traduzir dessa tradução não fará sentido para a gente e assim por diante.

Os problemas de não traduzir do original são enormes. Assim, não basta o texto estar bom de ler, estar coerente e tal, pois se não foi traduzido diretamente do japonês, estamos perdendo muita coisa, mais do que deveria.


CONCLUSÃO


Vamos abstrair dos problemas e supor que o mangá foi traduzido do japonês e foi bem editado. Ainda assim o mangá custa R$ 49,90 e ele não passa de uma edição muito simples, sem detalhes adicionais.

A gente costuma entender os preços praticados por editoras novas, pois normalmente elas fazem tiragens menores (pois estão experimentando no mercado ou não são editoras grandes) e seu método de agir é diferente. Além disso, via de regra, elas fazem algumas edições mais caprichadas. Assim faz sentido o preço ser maior do que a média.

Entretanto, Minha História de Amor com Yamada-Kun Nível 999 possui uma acabamento bem básico, de modo que a gente não consegue ver motivos para ele custar tanto. Ainda que a gente possa “””passar pano””” pelo fato de ser o primeiro quadrinho japonês da empresa e tal, o trabalho editorial da Galera foi contra isso.

O processo editorial não foi bom, mostrando uma certa falta de prática no trato com os quadrinhos japoneses. Não houve reconstruções em vários momentos, algumas palavras ficaram em cima de onomatopeias, muitas das páginas ficaram com poluição visual, etc, etc, etc.

Além disso, supostamente, tudo veio da edição americana, inclusive a tradução, daí que o preço soa mais absurdo ainda. Então o trabalho realizado pela editora ficou longe de ser um trabalho competente e meio que não faz sentido indicar o título para  vocês por agora.

Se no segundo volume houver alguma melhora, a gente fala e indica, mas por enquanto não faz sentido, nem mesmo em promoção (a não ser que seja uma excelente promoção).

***

A gente agradece à Galera Record por nos ter enviado o primeiro volume, mas é inevitável destacar que o trabalho da empresa não ficou adequado para os padrões de exigência dos consumidores brasileiros. Fosse até 2010 talvez passasse, hoje em dia, não.


Ficha Técnica


Título Original: 山田くんとLv999の恋をする
Título: Minha História de Amor com Yamada-kun Nível 999
Autor
: Mashiro
Tradutor: Angélica Andrade
Editora: Galera Record
Número de volumes no Japão: 10 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 14 x 20,5 cm
Miolo: Papel Pólen Offset 90g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 192
Classificação indicativa: não divulgado
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon / Livrarias Curitiba

SinopseAkane acabou de levar um pé na bunda do namorado. Na maior fossa, ela decide sair do jogo virtual de RPG que os dois costumavam jogar juntos. Só que, em vez de deletar a própria conta, Akane resolve enfrentar os inimigos fraquinhos no jogo como forma de lidar com o estresse e a mágoa. É assim que ela conhece Yamada, um pro gamer tão na dele que Akane não sabe se o garoto é blasé ou fascinante. Precisando encontrar um jeito de superar o ex, Akane começa a passar mais tempo no jogo, e, mesmo sem querer, seu caminho insiste em cruzar com o de Yamada. O que será que existe por trás da fachada impassível daquele pro gamer? Parece que ele está interessado apenas no jogo, mas isso está ótimo para Akane. Afinal, ela não quer saber de viver outro um relacionamento nem tão cedo. Será mesmo?


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