Biblioteca Brasileira de Mangás

O que a Panini pode ensinar às outras editoras brasileiras?

Muitas consumidores, por algum motivo desconhecido, gostam de comparar editoras de mangás, mostrando pretensas qualidades de sua favorita e apontando defeitos (e supostos defeitos) das concorrentes. Geralmente as discussões são improdutivas, pois muitas vezes há uma tentativa de desqualificar outras editoras por motivos, até certo ponto, infantis.

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Não achamos correto ficar comparando as empresas, pois cada uma tem suas especificidades. Como comparar uma multinacional com (possivelmente) centenas de funcionários com uma empresa nacional de 30 membros? E como comparar esta última com uma que só tem 4 empregados fixos? É preciso ser muito cuidadoso para não ficar criticando as editoras à toa, comparando infrutiferamente com as demais.

Entretanto não se pode ignorar que as editoras têm sim suas diferenças. Cada uma tem características próprias, tendo tanto erros quanto acertos bem distintos. Mas o que eu acho interessante é que muitos desses acertos poderiam muito bem ser seguidos pelas concorrentes, com vistas a melhorar seus produtos e sua imagem para com os consumidores. Em vista disso, resolvemos, então, realizar uma série de postagens listando alguns itens que as editoras nacionais poderiam aprender umas com as outras.

Vale dizer que esta abordagem é muito imediatista, ou seja, está embasada especificamente no momento atual, podendo haver uma mudança drástica de cenário em muito pouco tempo. Em resumo, isso vale para o agora, pois daqui a um mês ou dois as concorrentes podem começar a se mover e a colocar em prática as atitudes das concorrentes…

Começaremos mostrando o que as outras editoras nacionais poderiam aprender com a Panini. Note-se que só iremos colocar características positivas da editora que nós acreditamos que se fossem seguidas pelas outras empresas melhorariam a qualidade das mesmas. Ou seja, mesmo conhecendo os pontos falhos dela (que são inúmeros), não os levaremos em consideração; o que importa aqui são as qualidades que a Panini têm e que faltam às suas concorrentes. Agora que já estabelecemos as bases dessa série de postagem, vamos à primeira delas:

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5. Loja online

Falta para as editoras de mangás uma loja online própria para vender seus produtos. Querendo ou não, a editora ter uma loja própria é imprescindível para estreitar as relações com o leitor. Muitos títulos não se encontram na maioria das lojas sejam físicas, sejam onlines, mesmo que tais títulos não estejam esgotados. Com uma loja própria, as editoras poderiam vender diretamente a seus leitores essas obras e evitariam pedidos desnecessários de reimpressão de mangás ainda em estoque, além de diminuir os velhos problemas que ocorrem com distribuição e fretes exorbitantes que diversas lojas online cobram…

Entre as maiores editoras, a Panini é a única a possuir uma loja própria. Tem seus problemas é verdade, mas pelo menos possui uma. Duas das concorrentes da Panini há tempos prometem, mas até o momento isso não se concretizou. Em relação a uma delas, ao que parece, a loja já deveria estar pronta, mas a empresa que estava desenvolvendo faliu e, com isso, todo o planejamento acabou não se concretizando. Já a outra disse que a loja está em fase de testes e, em breve, será liberada. Aos consumidores, resta esperar…

4. Sistema de assinatura mais rápido e intuitivo

Somente Panini e uma das demais editoras fazem assinatura de seus mangás. Porém, o sistema da concorrente é bastante lento, necessitando esperar o contato da editora para poder realizar o pagamento, independente de a assinatura ser por cartão ou por boleto bancário. No sistema da Panini, a assinatura é automática.

A concorrente precisa implementar essa melhoria para seu sistema de vendas ser melhor. Com tantos anos fazendo assinatura me parece muito estranho que o sistema da concorrente seja tão rudimentar. Será que não haveria um jeito de melhorá-lo?

Quanto às editoras menores já está na hora delas criarem um sistema de assinaturas também. Sabemos que uma delas já disse não possuir estrutura para um sistema de assinaturas, mas será que custa muito colocar um ou outro funcionário novo para implementar esse sistema? Assim como no caso das lojas online próprias, assinaturas são importantes para os leitores, pois como dito antes muitos mangás não chegam às bancas e a maioria das lojas online cobram fretes exorbitantes. Parte importante da melhoria do mercado de mangás no Brasil passa justamente por uma loja online e um sistema de assinatura rápido e eficiente.

3. Cumprir o checklist 

Quando uma editora divulga seus lançamentos para um mês, essa divulgação ganha status de uma promessa aos seus leitores e, não raras vezes, as editoras deixam de cumpri-la. Há quem não se importe, porém mesmo assim seria bom que as empresas evitassem esses atrasos. Talvez as pessoas não reparem, mas a Panini é a editora que mais segue à risca o checklist. No último ano, somente em oportunidades isoladas a Panini não conseguiu lançar todos os títulos prometidos.

Essa organização devia ser uma constante nas demais editoras, independente do tamanho delas e do números de funcionários. Sabemos que podem ocorrer problemas com gráfica ou com atraso na aprovação de materiais por parte do Japão, mas será que não daria para as editoras se organizarem para minimizar esses contratempos?

2. Manter a periodicidade

O pior desses atrasos é a não manutenção da periodicidade acordada. Quantas vezes a gente já não viu um mangá ser anunciado como bimestral, mas a diferença entre um e outro ser de três meses ou mais? Mesmo na maior concorrente da Panini aconteceu recentemente um caso de um mangá de dois volumes ser anunciado como mensal, mas o segundo volume só sair dois meses após o primeiro.

Sabemos das dificuldades das empresas, sabemos dos problemas, mas acho que daria para dar uma melhorada nesse aspecto. Se a Panini consegue manter a periodicidade direitinho de seus títulos porque as concorrentes não conseguem? Não seria o caso de contratar mais funcionários para adiantar diversos passos da confecção dos mangás?

1. Onegai desu

Um local específico para pedidos de mangás nas redes sociais foi uma das melhores ideias implementadas pela Panini. Antes de ela criar esse canal era realmente muito ruim ver as pessoas pedindo mangás e mais mangás em meio a postagens interessantes que a editora fazia no facebook. Desde que a editora criou o Onegai-desu (nome do local específico para pedidos de mangás) as discussões nas postagens ficaram mais focadas nos conteúdos das postagens ou à apresentação de outras reclamações bem mais relevantes do que pedidos de títulos.

As demais editoras deveriam seguir o exemplo e criar um canal exclusivo para isso. Embora nenhuma delas tenha tantos pedidos quanto tinha a Panini, ainda assim há um incomodo no excesso de pedidos que ocorrem de vez em quando.

O Onegai-Desu se tornou um lugar importante para os pedidos dos leitores, visto que a editora italiana já atendeu a alguns dos mangás mais pedidos nesse canal, como Tokyo Ghoul e Akame ga kill… E então, concorrentes, por que não implementam isso também?

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Essa foi a postagem de hoje. É preciso ficar claro que essas ideias são ditas por alguém que está “do lado de fora” das empresas, um leitor, consumidor, fã e colecionador como você. Seriam medidas que se eu estivesse dentro das editoras e tivesse poder de decisão e a empresa tivesse verba suficiente, implementaria o mais rápido que pudesse, a fim de melhorar a empresa perante o público. Talvez não seja possível para as empresas realizar essas melhorias a curto prazo, mas as medidas apresentadas aqui realmente seriam muito úteis a elas e a nós.

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A segunda matéria dessa série de postagens sai daqui a duas semanas, novamente em uma segunda-feira, e tratará da editora Newpop. Mas o que você acrescentaria a essa lista? O que retiraria dela? Acha que fomos perfeitos ou criticamos demais? Diga-nos nos comentários^^.

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