
I
Olhando os comentários de uma postagem na página do blog no Facebook, vejo uma pessoa indagando se o formato BIG era realmente necessário no mangá Battle Angel Alita, sendo que ele possui apenas 9 volumes originalmente. Tal comentário me chamou a atenção e me motivou a escrever esta postagem, pois não se trata de um comentário aleatório e a pessoa que perguntou isso não está sozinha nessa dúvida. Muitos, aliás, sequer têm dúvidas e dizem que escolher esse formato foi um erro da JBC.
De fato, eu imaginava que, por ser apenas nove volumes, uma publicação aos moldes de Blame! seria o ideal, afinal o público de ambas as séries é mais ou menos parecido. Em minha opinião, mesmo uma publicação mais simples aos moldes de Your Name ou Fullmetal Alchemist estava valendo e eu realmente não entendi, em um primeiro momento, a escolha pelo formato BIG.
Mas com o tempo a minha percepção mudou e hoje eu digo que o formato BIG era realmente necessário em Alita. E digo mais que isso: esse é o melhor formato que a editora poderia publicar o mangá. O motivo de eu pensar assim se chama Battle Angel Alita – Last Order.
II
Você já deve ter percebido que as editoras nacionais dificilmente lançam obras longas que não são um sucesso absoluto. Se o mangá não tiver uma grande popularidade, um título de quinze volumes ou mais raramente tende a aparecer no Brasil. Pior, às vezes se um título tem 10 volumes e ele não for mangá da Shonen Jump ele já se torna improvável em nosso país.
Só para se ter uma ideia, de 2015 para cá os únicos títulos com 10 volumes ou mais que a Panini lançou e não eram hits de popularidade foram Arakawa Under The Bridge e Novo Lobo Solitário, ainda assim, os títulos eram relativamente famosos. No mesmo período, pela JBC apareceram apenas Fort of Apocalypse e Blame!, sendo que este último também era relativamente famoso por causa de seu autor.
O motivo dessa relutância em lançar obras longas tem um motivo claro. Embora nem todo mundo tenha ideia, todos os mangás sofrem da chamada “curva de vendas”, com cada volume novo vendendo menos do que o anterior. Então, quanto mais volumes tiver uma obra, menos ela venderá com o tempo. Em razão disso, em tempos de crise econômica essa relutância se torna muito maior.
Nesse sentido, o formato adotado em Battle Angel Alita é o melhor que a editora JBC poderia ter feito. Por mais que os nove volumes originais não sejam considerados como “muito”, a verdade é que a obra poderia sofrer com essa curva de vendas e inviabilizar a publicação de suas continuações.
Sim, pois, para os fãs hardcore do mangá, Alita como um todo não é “só nove volumes”. Sua continuação direta, Last Order, possui mais dezenove tomos (ou doze na versão condensada) e se a JBC lançasse Alita no formato original e as vendas não fossem tão altas, ela jamais iria atrás de uma continuação com um número tão grande de volumes.
Alita nunca foi um hit de popularidade no Brasil e é natural que a editora prefira um formato mais seguro e com vendas mais estáveis para a republicação da obra. Com apenas 4 volumes, a “curva” tende a ser bem menor, dando mais possibilidade de sucesso ao título, mesmo com o preço mais elevado.
Além disso, como o formato BIG tem um preço maior, provavelmente a editora precisa que menos pessoas comprem para obter lucro. Consequentemente para o título ser um sucesso e viabilizar a publicação de suas continuações, igualmente menos pessoas precisam comprar.
III
Vale comentar que Battle Angel Alita conclui-se bem em seus 9 volumes originais, não necessitando de continuação. Então é possível ler essa primeira parte sem sentir falta de nada. Entretanto, como existe uma continuação e muitos dos fãs anseiam por ela, creio eu que realmente o BIG foi uma boa escolha, baseado no que comentamos acima sobre a curva de vendas e o fato de o mangá não ser um título mega popular.
É lógico que essa versão não garante que Last Order apareça. Na verdade pode até ser que a continuação jamais seja lançada no Brasil, mas a publicação de Alita em formato BIG torna muito mais fácil a sua vinda. Na verdade, o lançamento nesse formato talvez seja realmente a única chance de a continuação aparecer.
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Atualmente, Yukito Kishiro, autor do mangá, publica outra sequência de Alita, chamada Mars Chronicle ou (Kasei Senki), possuindo quatro volumes atualmente.
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