
Na semana que passou uma loja de São Paulo chamada Gibiteria anunciou que fecharia as portas. Fiquei sabendo da notícia por meio de uma série de tweets do Guilherme Kroll, da Balão Editorial (empresa que publicou, por exemplo, o Guia culinário do falido). Nessa série de tweets, ele diz que a cena atual dos quadrinhos seria uma das responsáveis pelo fechamento dessa e de outras comic shops, pois com o surgimento de novos pontos de vendas, os consumidores esqueciam dos antigos. Segundo ele deveríamos, dentre outras coisas, revezar nossas compras para não deixar esses ambientes sumirem.
Essa é uma realidade da qual eu não faço parte, na verdade. A minha cidade (Vila Velha / ES, a cidade da Fábrica de Chocolates Garoto) está bem distante, bem distante mesmo, de ser uma São Paulo em termos econômicos e culturais. Aqui bancas de revistas praticamente já acabaram há mais de dez anos (ainda existem, mas só no centro ou em bairros mais nobres ou comerciais. No subúrbio quando há banca, elas são precárias), livrarias são raras (salvo engano há mais livrarias evangélicas do que convencionais) e acho que nunca teve uma loja especializada em quadrinhos.
Por causa disso tudo, grande parte das minhas compras de mangás acabam por ser onlines, já que para chegar a uma banca de revista ou a uma livraria eu preciso pegar um ônibus e não vale a pena o esforço e o dinheiro gasto. Só vou nesses locais em situações especiais, mais como um passeio do que qualquer coisa.
Entretanto, esse caso do fechamento dessa loja em São Paulo me lembrou das minhas duas maiores perdas enquanto consumidor de mangás, a loja online Liga HQ e a Livraria Leitura do Shopping Vitória (que fica na cidade vizinha). Esta postagem especial é apenas para relatar um pouco sobre isso.
A Livraria Leitura era o ambiente que eu comprava mangás presencialmente e de forma constante. Foi nela que a maioria das minhas primeiras coleções teve início por volta de 2009 ou 2010. Até então, eu só adquiria meia dúzia de títulos que eu via em um sebo ocasionalmente.
Comprava constantemente nessa loja devido à sua enorme variedade e não havia uma vez que eu fosse ao Shopping Vitória e não visitasse a Leitura. Na verdade, o motivo de eu quase nunca recusar um convite para ir ao SV era a Leitura. Foi o mais perto de uma loja especializada que eu tive contato, pois além de mangás e quadrinhos em geral, a livraria ainda vendia algumas figures e outros produtos da cena nerd.
Porém, a livraria acabou fechando no primeiro semestre de 2016, após 14 anos de atuação no estado. As razões do fechamento seriam o crescimento de e-commerce (compras pela Internet) aliado ao alto custo de manter uma loja em um shopping. Além disso, o responsável pela loja disse em uma entrevista para um jornal local que a Leitura ainda teve alguns problemas trabalhistas, o que agravou a crise. Na mesma reportagem chegou a ser dito que a rede tentaria se manter no estado e abrir uma nova loja em outro local. Até agora nada infelizmente.
A Liga HQ, por sua vez, foi a primeira loja em que eu comprei mangás pela Internet, por volta de 2012. Nessa época, eu passei a acompanhar as editoras de mangás nas redes sociais e muitos títulos que eu queria comprar não tinham na Leitura. Fiz pesquisas na Internet e achei que a Liga HQ era a mais confiável e com melhor custo benefício.
Essa loja tinha um frete muito baixo e, além disso, oferecia um programa de pontos dos melhores possíveis, que você ia juntando e poderia abater parte do valor do produto. Em seus tempos áureos podíamos abater até 100% do preço de capa e pagar apenas o frete. Paguei no total só R$ 8,40 por todos os 6 volumes de Death Note Black Edition (cada volume custa R$ 39,90), nunca qualquer promoção de Amazon ou Saraiva me permitiu economizar tanto assim.
O sistema dessa loja era realmente muito bom para o consumidor, mas talvez fosse insustentável para ela a longo prazo. Um tempo depois, a empresa diminuiu a possibilidade abatimento para até 50% do preço de capa, mas nem isso salvou a empresa. Ela parou de receber lançamentos e um tempo depois faliu de vez.
O fim da Leitura e da Liga HQ mudou o meu modo de consumo. Juntamente com as assinaturas, Amazon e Saraiva tornaram-se praticamente minhas únicas formas de compras online, devido à praticidade, eficiência e o frete dessas lojas. Mas como nem todos os mangás iam para elas, eu acabava por adquirir alguns produtos em outras lojas onlines também.
Atualmente, eu frequento de vez em quando uma banca de revista no centro ou a Livraria Saraiva de algum shopping da minha cidade, mas, apesar de eu sempre comprar um ou outro mangá por impulso nesses estabelecimentos, acaba sendo mais um passeio do que uma visita a um local de compras. Eu simplesmente estou passando pelos locais e resolvo entrar e ver o que tem.
Porém nenhum desses ambientes se assemelha ao que era a Leitura em termos de variedade. Dizem que a Saraiva do Shopping Vitória está até com um estoque maior de mangás, porém não vou a esse shopping desde que a Leitura fechou e não pude comprovar com meus olhos.
Essas foram as minhas duas perdas enquanto consumidor, uma loja física na cidade vizinha e uma loja online, a melhor loja online. Foram duas perdas muito sentidas. Hoje dificilmente eu sentiria alguma perda parecida. Se as Livrarias Saraivas da minha cidade fechassem não faria diferença em minha vida, apenas reduziria um local de visita nas vezes em que iria a algum Shopping. Em termos de lojas online apenas o fim conjunto da Amazon e da Saraiva abalaria o meu método de compra, mas acho difícil as duas empresas sumirem do nada…
Não sei dizer se atualmente está melhor ou pior do que antes. A praticidade da Saraiva e da Amazon são ótimas, mas eu gostava realmente de ir na Leitura e do método da Liga HQ.
E você, leitor? Alguma loja, banca ou livraria que você gostava muito fechou e você sentiu falta? Conte-nos^^.
***
*Outro ponto da Liga HQ e que eu não achei brecha para comentar, eram as pré-vendas muito antecipadas. Não raras vezes, essa loja colocava à venda mangás que sairiam apenas 6 meses depois, de modo que se, por exemplo, a Panini não oferecia assinatura de um mangá que eu queria, eu comprava na Liga HQ vários volumes seguidos com meses de antecedência e ia recebendo aos poucos. Tudo muito prático. A Amazon faz isso em outros países, mas no Brasil ainda não.
**Eu não lembro ao certo quando eu comecei a comprar mangás no site da Saraiva. Há anos eu comprava livros nele, mas mangás eu nem pesquisava para saber se tinha.
***Quando falei de bancas e livrarias na minha cidade restringi-me a 4 de 5 regiões dela. A prefeitura subdivide a cidade em 5 regiões e em uma delas eu não costumo ir e não sei se há livrarias e bancas e nem como elas seriam.
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