
Vamos para uma polêmica básica?
Sexta-feira da semana passada, durante o Henshin online, a editora JBC anunciou o relançamento do mangá Blade, a lâmina do imortal. O título foi publicado pela Conrad tempos atrás e era um dos cancelados mais pedidos pelas pessoas, desde que JBC e Panini começaram a resgatar os mangás inconclusos da editora.
O anúncio do título foi muito comemorado pelas pessoas, porém o formato que será utilizado na obra não foi unanimidade e gerou discordância entre uma boa parte do público. A JBC pretende experimentar em Blade novamente o formato BIG, juntando dois tankos em um só, tal qual está fazendo com Eden, outro mangá que fora cancelado no passado por outra editora e que retornou pelas mãos da JBC. Em vista disso, viemos aqui dar nosso pitaco…
I
Desde que a JBC anunciou a criação do formato BIG fui um dos mais entusiastas do assunto e achei a ideia sensacional. Inclusive, na matéria que fizemos intitulada “O que a JBC pode ensinar às outras editoras brasileiras?” indicamos justamente esses formatos diferenciados. Na ocasião escrevemos o seguinte:
Além de ficarem bonitas na estante, essas edições especiais podem permitir que alguns títulos mais complicados de se trazer aportem em território nacional.
Nesse texto, eu defendia a ideia de que outras editoras nacionais seguissem o exemplo da JBC e começassem a utilizar o formato BIG também. Na ocasião já se sabia que a Newpop tinha planos disso, embora até agora não tenha realizado. Contudo, mais recentemente, outra editora, a Nova Sampa, fez uma consulta em suas redes sociais para saber a recepção do público a esse formato e foi bastante positiva e poderemos ter novidades em breve.
Entretanto há uma coisa que escapou um pouco às pessoas: a ideia por trás do formato BIG no Brasil. Nos Estados Unidos a Viz utiliza esse formato quase sempre para baratear o preço dos mangás, assim é mais econômico para as pessoas comprarem edições BIG do que edições avulsas. Porém aqui no Brasil esse formato não está funcionando da mesma forma e não é essa a ideia que as editoras querem implementar, ao menos por ora.
Tanto a JBC, quanto a Nova Sampa deixaram claro o objetivo do formato BIG: possibilitar que algumas obras mais difíceis de serem trazidas possam aportar no Brasil sem o risco de cancelamento. A JBC não prometeu que o preço seria mais barato e, em sua consulta, a Nova Sampa também não prometeu preços mais em conta, apenas equivalentes. A ideia é realmente conseguir publicar obras que, de outra forma, não poderiam ser publicadas por aqui e não baratear os custos.
II
A polêmica em relação ao formato foi tanta que a JBC teve que dedicar os minutos iniciais de seu Henshin online de ontem para explicar novamente para as pessoas essa ideia.
Eden e Blade foram mangás cancelados no passado e seriam difíceis de serem publicados pela JBC se não fosse o formato BIG. Aceitando ou não, esses dois títulos são arriscados demais e não daria para saber a receptividade do público hoje em dia e nem se essas obras conseguiriam captar muitos leitores novos se fossem para as bancas em um formato mais convencional.
O termômetro para o lançamento de uma obra muitas vezes é o pedido do público, porém mesmo assim não dá para saber exatamente quantas das pessoas que estão pedindo irão comprar o mangá, ainda mais em um segmento de mercado em que o público se descontenta com um erro de lombada, com a finura do papel, entre outras coisas quase insignificantes.
Por mais que muita gente pedisse Eden e Blade, eles não são mangás para todo mundo e é fácil as pessoas se desgostarem dele e pararem de comprá-los para priorizar outras séries. Creio firmemente que a possibilidade de serem cancelados novamente seria muito grande senão fosse esse novo formato.
III
“Está certo, eu entendi isso, mas o que aconteceu para Eden ficar tão caro?”.
A livraria aconteceu. Muita gente ficou falando que o formato BIG era uma furada, porque ele era muito caro do que dois tankos separados, mas a realidade é que isso não é uma verdade absoluta. A tendência das pessoas é comparar Eden com um mangá comum de banca, tal qual Terra Formars, para afirmar que o formato big era muito mais caro.
Acontece que a comparação é injusta. Já não é legal ficar comparando preços de mangás de bancas, pior ainda é comparar um mangá de banca com um mangá de livraria. A JBC já explicou que mangás de livraria possuem um valor mais elevado, entre outros motivos, por ter uma tiragem menor. Quanto menor a tiragem de um mangá (ou livro, ou revista), maior é o custo unitário do produto.
Thermae Romae saiu a R$ 19,90, Zero Eterno a R$ 23,90, O cão que guarda as estrelas e O outro cão que guarda as estrelas saíram a R$ 23,90 e R$ 24,90 respectivamente. Todos eles foram exclusivamente para livrarias e tiveram seu preço muito acima de um mangá comum da editora. Dado que Eden é a junção de dois tankos em um só, seu preço pode ser considerado equivalente ao preço de dois mangás de livraria da editora. Então, amigos: Eden não é mais caro do que dois tankos separados.
IV
Então você está dizendo que Eden é barato? Faça-me o favor!
Eu nunca disse isso. Somente rico considera R$ 39,90 barato. Eu apenas demonstrei que a comparação com mangás de banca é completamente injusta e não tem um sentido prático de existir. Eden é um mangá muito caro realmente, mas ao meu ver o preço é justificado por ser um título de livraria e não deveria ser alvo de tanto desgosto por parte de uma parcela de consumidores. Eden não tem atrativos de uma edição de colecionador (orelhas, por exemplo), mas de qualquer forma é uma boa edição para se ter na estante e vale cada centavo gasto.
***
Sei e entendo que o valor é alto demais para muita gente e que se as pessoas reclamam é porque queriam comprar e não poderão por causa do preço, mas a realidade dura e cruel é que só rico pode comprar tudo o que quer. A maioria das pessoas tem que escolher bem o que quer e o que pode comprar. Se Eden não cabe no orçamento, paciência. Se quer muito o mangá, faça-o caber. O mundo é assim, feito de escolhas.
De minha parte, espero realmente que o JBC-BIG dê certo e que a editora consiga trazer outras obras nesse formato. Essa pode realmente ser a única maneira de vermos certas obras no Brasil, como um possível relançamento de Inu Yasha, até hoje sequer cogitado pela editora.
Biblioteca Brasileira de Mangás