Biblioteca Brasileira de Mangás

Naruto Gold: quase dois anos depois, várias cidades ainda não receberam o volume 1

naruto

Diz-se muito que Naruto é, ainda hoje, o mangá mais vendido no Brasil. Com renovação de público constante, o mangá encontra-se em sua terceira edição diferente no Brasil. A mais recente delas foi apelidada de Naruto Gold por conta dos detalhes em dourado na capa. Pela primeira vez publicado em papel offset e com onomatopeias originais, a edição começou a ser publicada em julho de 2015. Passados quase dois anos, várias cidades do país ainda não receberam o volume 1.

À época, Naruto Gold foi lançado em distribuição setorizada, isto é, primeiro chegaria às cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais e regiões metropolitanas do país (chamada de FASE 1) e só depois iriam para as outras cidades do país (FASE 2). A distribuição setorizada da Panini era um caos e vários títulos demoravam meses ou até anos para chegar em algumas cidades  e quem não morava em cidades com lojas especializadas e não conhecia as lojas onlines tinha que ter muita, mas muita  paciência mesmo.

Naruto Gold

Em março de 2016, porém, a distribuição setorizada começou a ser abolida e Naruto Gold foi um dos primeiros títulos a passar a ter distribuição nacional. Os consumidores das cidades de FASE 2 perceberam a mudança ao se depararem com o volume 8 nas bancas. Sim, o volume 8. Na época, a Panini confirmou a alteração e emitiu uma nota prometendo que essas cidades passariam a receber o volume 1 a partir de abril daquele ano paralelamente ao volume 9. Assim os consumidores dessas cidades teriam que comprar o volume 1 e 9, 2 e 10, 3 e 11 e assim sucessivamente até a coleção ficar completa. A promessa não foi cumprida.

Chegamos em abril de 2017 e nada dessas cidades receberem o volume 1. Para piorar a situação, o volume encontra-se esgotado e mesmo se as pessoas quisessem comprar por meio de lojas onlines não conseguiriam. Convenhamos um completo descaso com o consumidor dessas cidades que compram em bancas de revista.

Note que existe uma diferença bastante clara em relação ao comportamento das editoras. Uma coisa é a empresa não distribuir os mangás em bancas de revista como faz a JBC em alguns títulos ou a NewPOP em todas as suas obras, outra bem diferente é a editora lançar em bancas de revistas e não conseguir, por problemas próprios, cumprir essa tarefa tão simples.

Note que eu falo de “problemas próprios”, pois Naruto Gold ainda não ter ido para as cidades de FASE 2 é algo interno da Panini. Muitos consumidores reclamam de que em suas cidades números de diversos mangás são pulados ou algumas obras não aparecem, mas isso é um problema ocasionado pela empresa de distribuição, a Dinap, e pouco ou nada a Panini e qualquer outra editora pode fazer. O caso de Naruto Gold é falta de organização clara, agravada por uma promessa não cumprida.

Está certo que, nitidamente, a mudança de distribuição setorizada, para distribuição nacional foi algo um tanto quanto repentino, provavelmente imposto pela Dinap, mas não era necessário fazer promessas e demorar tanto para normalizar a situação. Quantas pessoas não acreditaram na palavra da editora, esperaram o mangá chegar e agora não conseguem encontrar em lugar nenhum? A organização nesse caso, passou longe, longe…

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Na mesma ocasião, a Panini fez outra promessa relacionada a Naruto. A primeira publicação do mangá ainda estava rolando nas cidades de FASE 2, à época no volume 67. A editora prometeu que o título chegaria mensalmente para encerrar-se logo e essa promessa também não foi cumprida. O volume 72 só começou a chegar nas bancas dessas cidades agora em março de 2017.

Agora, a única esperança é que com o fim desta primeira publicação nessas cidades, a editora finalmente lance o primeiro volume de Naruto Gold nessas cidades. Esse caso decerto fica para o rol das piores promessas não cumpridas pelas editoras…

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-Leia também: Panini se pronuncia sobre críticas a Naruto Gold

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