Mangá Aberto: “Black Paradox”

Veja como está o mangá

Mangá Aberto é uma nova coluna de resenhas aqui do blog em que mostraremos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. O nome advém de um antigo blog em língua espanhola que fazia exatamente isso^^.

A ideia é apresentar aos leitores exclusivos do blog o que já fazemos em nossas redes sociais, mostrar fotos do mangá acrescentando alguns detalhes sobre as obras e opiniões. A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de Black Paradox, mangá publicado no Brasil pela editora JBC no fim de novembro/início de dezembro de 2023.


PEQUENAS INFORMAÇÕES SOBRE A OBRA


Black Paradox é um mangá de autoria de Junji Ito e teve seus capítulos publicados entre 2007 e 2008 na revista Big Comic Spirits, da Shogakukan, sendo reunidos em um único volume. A obra apresenta três histórias, a que dá título ao mangá, em seis capítulos, além de dois contos one-shots, “A Mulher que Lambe” e “Pavilhão Sobrenatural”.

O mangá foi anunciado no Brasil no dia 16 de julho de 2023, durante o painel da editora no evento Anime Friends. O lançamento ocorreu no final de novembro, especialmente para a CCXP.


FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira veio no formato 15 x 21 cm, com capa cartão com orelhas e um papel de muito boa qualidade. O tamanho, para quem não conhece as dimensões, é semelhante a Diário dos Gatos, Banana Fish, Paradise Kiss, dentre outros, sendo ligeiramente maior que os mangás comuns da JBC e da Panini.

O mangá possui 248 páginas no total, sendo 4 coloridas. É um volume bem feito, com acabamento, maleável, sendo bastante confortável para a leitura.


CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA


Em termos de imagem, a capa da edição brasileira segue exatamente a capa original japonesa, tendo como diferença básica apenas as inscrições (nome do mangá, nome do autor, logo da editora) em seus respectivos idiomas.

Não tive acesso à versão física original japonesa, mas a edição brasileira possui a capa quase toda envernizada, com todas as imagens (a central e os pássaros) se destacando quando movimentado o mangá contra a luz. A única parte sem verniz é a parte em cinza onde ficam os pássaros pretos.

Imagem da capa original japonesa

A quarta-capa segue o mesmo efeito de verniz localizado, com apenas a parte cinza (onde ficam os pássaros) sem ele. De mais a mais, assim como a capa, a quarta-capa segue a original japonesa com uma personagem centralizada e alguns textos referentes à história, mudando apenas a localização deles.

Para além disso, a quarta-capa brasileira tem um aviso de conteúdo logo acima do código de barras, onde a editora alerta que a obra possui violência gráfica e gatilhos para traumas psicológicos, aviso esse que é bem importante atualmente.

Imagem da quarta-capa original japonesa

Tanto a capa quanto a quarta-capa eu considero bem Ok’s. Não as acho bonitas, mas também não as acho feias. A lombada, por sua vez, eu acho que não ficou boa. No meu entender um estilo mais minimalista (sem as imagens dos personagens) destacaria mais a lombada e faria ela ser bem mais apresentável…


CAPAS INTERNAS


As capas internas do mangá são pretas com uns círculos brancos que tem a ver com a história principal. Embora eu prefira quando as capas internas não tenha nada, acho que combinou bastante com o estilo do mangá.


PAPEL DO MIOLO


Até onde sei a editora não divulgou o tipo de papel utilizado no mangá, mas se trata de um papel de excelente qualidade e boa gramatura. Aparenta ser o Pólen Bold 90g por ser similar a mangás que o utilizam, com os da Pipoca & Nanquim e alguns da própria JBC, como o Soul Eater Perfect Edition.

Considero, então, um papel muito bom, perfeito para a leitura e com uma ótima qualidade de impressão.


ACABAMENTO GERAL


Black Paradox vem em um acabamento um pouco melhor do que os mangás em formato padrão da JBC. Além de ter um tamanho um pouco maior, um papel de maior gramatura, ele também tem orelhas, o que garante uma maior solidez ao produto.

Embora não tenha miolo costurado, a encadernação é excelente, sem problema de colagem ou qualquer outro, o que permite folhear e ler o mangá sem problemas.

Para além disso, vale também comentar, com o acabamento sendo muito bom, não há nenhum problema de páginas, quadrinhos ou balões cortados.


DETALHES EDITORIAIS


O mangá segue o mesmo padrão da JBC que a gente conhece com uma tradução e uma adaptação muito boas, daquelas que deixam a leitura bastante fluída e atrativa para todos, não existindo gargalos linguísticos desnecessários. Algumas coisas, evidente, não dá para traduzir ou adaptar e a editora sempre coloca uma nota.

Em relação às onomatopeia, a editora segue o mesmo padrão de sempre, que costuma agradar a maioria dos consumidores, mantendo o original japonês e colocando uma legenda com a tradução em algum lugar próximo.


A HISTÓRIA E UMA CONCLUSÃO


Black Paradox é uma das raras histórias de Junji Ito que não se encerram em um único capítulo e, por isso mesmo, ela acaba escalando de um jeito louco. Mas, na verdade, a obra já começa com uma baita tensão e tudo o que acontece é consequência disso.

Basicamente, o mangá inicia com quatro pessoas se encontrando após se conhecerem em um site chamado justamente “Black Paradox”, o objetivo do site era conectar pessoas que gostariam de se suicidar. O encontro dos quatro, então, é para tirarem suas vidas coletivamente e sem sofrimento. A partir daí começa uma série de coisas sobrenaturais e sem sentido, envolvendo duplos, um “mundo novo”, pedras preciosas e muitas outras coisas.

No mangá vemos algumas bizarrices gráficas típicas dos mangás do Junji Ito e que causa um certo desconforto em algumas pessoas, mas o interessante é que apesar das coisas sobrenaturais acontecendo o tempo todo, o que mais assusta é justamente uma atitude humana, a ganância acima de tudo e de diversos modos.

E esse acaba sendo um detalhe crucial da maneira como o mangá se desenvolve e como ele termina. A história vai caminhando de um jeito em que fica evidente que a obra é uma crítica ao modelo econômico atual do mundo, que prioriza o lucro acima de tudo, que não importa com a vida das pessoas, etc, etc, etc. É uma história sensacional do Junji Ito.

***

Sobre as histórias extras, “Pavilhão Sobrenatural” é uma historieta de 4 páginas e o seu grande diferencial é ser totalmente colorida. Fora isso é uma história bem boba, nem fede nem cheira. “A Mulher que Lambe” é um conto que a gente já tinha lido em Vênus Invisível (no Japão, Black Paradox saiu antes de Vênus Invisível, mas aqui foi o contrário), então já tínhamos uma impressão inicial sobre essa história.

Essa é uma história em que uma mulher lambe as pessoas na rua e elas começam a morrer. Isso se torna um caso conhecido e todos começam a caça-la. É uma narrativa sensacional com um suspense e uma angustia visual incrível, daquelas que colocam uma sensação ruim no leitor. Também é um dos contos que eu mais gosto do autor e que tem uma das cenas que eu mais passo rápido por não querer ver^^.

No todo, Black Paradox é um mangá muito bom e que vale a pena dar uma conferida.


Ficha Técnica


Título Original: ブラックパラドクス
Título: Black Paradox
Autor
: Junji Ito
Tradutor: Pedro Hamaya
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Não divulgado, mas parece ser o papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa cartão com orelhas
Páginas: 248
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 59,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Junji Ito, o Mestre do Terror dos mangás, traz três histórias de tirar o sono. Quatro indivíduos se conhecem por meio do site “Black Paradox”, especializado em suicídio. Marusoh, uma enfermeira cheia de apreensões sobre o futuro, Taburoh, um homem atormentado pelo seu clone, Piitan, um engenheiro que tem um robô idêntico a ele, e Baratchi, uma mulher que sofre por causa de uma cicatriz que deforma metade de seu rosto, combinam de tirarem a vida juntos. Porém, algo dá errado e acabam abrindo uma porta para o inesperado…


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2 Comments

  • Anônimo

    Show de bola. Mas achei o preço de capa muito salgado levando em conta a qualidade do acabamento. Para quem sabe ler em inglês, sugiro aguardar uma boa promoção da versão da Viz, que tem acabamento bem melhor.

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