Leituras da Semana: “Silver Spoon #14” e outras obras

Comentando minhas leituras

A ideia desta coluna de resenhas é falar das minhas leituras semanais. Não falarei sobre lançamentos (volumes #01 e volumes únicos) e sim apenas obras regulares que estou acompanhando ou alguma releitura eventual que aconteça.

Assim eu posso falar com vocês um pouco mais sobre algumas obras, re-indicar elas, dentre outras coisas. Por fim, esta matéria não será aprofundada e sim apenas comentários gerais sobre as obras, o que estou gostando, imaginando e assim por diante. Dito isso, vamos à postagem, a décima sexta desta coluna^^:

Silver Spoon #14: depois de um volume #12 mais ou menos (em que parecia o início de um grande epílogo) e um #13 melhorzinho, o #14 voltou a ser o deslumbrante Silver Spoon de sempre, com sua comédia para lá de hilariante e o clima harmônico (ou não) do mangá continuando a nos dar aquela velha sensação de prazer e alegria de acompanhar.

A gente já vai se despedindo dos personagens (é a parte final da trama, com eles arranjando emprego, sendo aprovados ou não em suas futuras faculdades, etc) e a sensação que fica é de um mangá muito bom, com todas as qualidades que uma boa obra de vida cotidiana precisa ter, aliado às brilhantes cenas de humor feitas por Hiromu Arakawa.

Ainda falta um volume para o final (e deve sair ainda em 2024), mas o desfecho já está a caminho, com a inserção até mesmo de um quadro falando sobre um acontecimento futuro.

Assim, a gente já está dando adeus para esse título e já estamos sentido falta do Hachiken, da Mikage e dos demais personagens da obra. Agora ficamos no aguardo do volume final e, esperamos, com um belo desfecho para todos eles.

“Silver Spoon” foi concluído no Japão em 15 volumes. No Brasil, saíram 14 até o momento e o 15º está em pré-venda.

Skip e Loafer #02: esse é outro slice of life de vida escolar e novamente a gente tem um caso de um mangá maravilhoso. O primeiro volume foi um encanto que a gente não cansou de tecer elogios e esse segundo não ficou atrás.

Quer dizer, na verdade, o início do segundo volume não foi lá tão grandioso, mas é mais porque havia passado um tempo da leitura do primeiro número e havia uma grande expectativa de minha parte, mas com o desenrolar das páginas nós vimos novamente o quão boa é essa obra.

As relações interpessoais dos estudantes que compõem o núcleo central de personagens permanecem complexas, mas ao mesmo tempo elas (as relações) colocam um tom de leveza que fazem com que a obra nos deixe sempre deleitados com os acontecimentos.

Nesse volume, há uma interessante disputa esportiva (em que o esporte não é importante e nem é mostrado), há reflexões e compreensões, dentre diversas outras coisas.

E Há conflitos também. A nossa protagonista, Iwakura, acaba se envolvendo em um com seu grande amigo, Shima, por não se expressar corretamente. Foi o momento mais instigante e tenso da obra até aqui, mas que cuja resolução demonstrou com perfeição o que é Skip e Loafer.

O que podemos dizer é que esse mangá nos coloca a realidade uma vida escolar (em que conflitos diversos sempre existirão, com pessoas sentindo inveja, outras ciúmes, mais algumas fazendo bullying nos outros, etc), mas foca-se num ambiente e num grupo de personagens adaptável e que vai se moldando para um lado harmônico e alegre.

É aquela coisa de que o ambiente e o contato com as pessoas moldam o nosso comportamento e personalidade, e, desse modo, Skip e Loafer parece dizer que em volta de Iwakura tudo vai ficando bem: a pessoa que poderia fazer bullying não faz, a pessoa que trata mal alguém acaba repreendida, e assim por diante. Mesmo com conflitos, tudo vai se mostrando legal, sem problemas maiores, mesmo numa perspectiva mais realista da coisa.

O tanto que eu falo bem desse mangá pode fazer com que você se decepcione um pouco ao lê-lo, pois talvez seja necessário um pouco de mais vivência e mais leituras de obras de vida cotidiana para notar o quão bom é Skip e Loafer. Não que normalmente as pessoas já não achem o mangá maravilhoso por si só, mas se você tiver mais leituras desse gênero pode gostar ainda mais do título. E eu realmente espero que vocês gostem dele^^.

“Skip e Loafer” ainda está em publicação no Japão, atualmente com 10 volumes lançados e o décimo primeiro previsto para dezembro. No Brasil, saíram 2 até o momento. Não há uma data certa para o terceiro.

Cherry Magic #03: se as obras anteriores eram de vida cotidiana escolar, Cherry Magic é de vida cotidiana adulta, mostrando profissionais no ambiente de trabalho e fora dele, vivendo suas vidas normais. E, como deu para ver pela imagem acima, também é uma obra de romance.

Confesso que eu não esperava que a obra fosse avançar tanto em tão pouco tempo. Eu achava que o Kurosawa fosse ficar reprimindo o seu sentimento, deixando o seu amor por seu colega de trabalho, apenas como platônico durante boa parte da trama, mas eis que já no volume três houve uma declaração formal.

E tudo indica que Adachi deve corresponder aos sentimentos dele. Não que isso seja uma surpresa, já que é um mangá BL e ele é o personagem principal, mas igualmente foi bem mais rápido do que eu imaginava, embora talvez ainda tenha chão até os dois ficarem efetivamente juntos.

***

Para além do romance, Cherry Magic é um bom mangá de comédia, com diversas passagens divertidíssimas, muitas delas causadas pelo poder do protagonista de ler mentes. Uma das mais divertidas desse volume para mim, porém, não tem a ver com isso, e sim com um pressuposto a respeito de uma personagem leitora que me tirou uma boa gargalhada. Uma personagem é tida como uma ávida leitora (de clássicos), mas quando vai ver, ela é uma leitora de mangás BL’s^^ e esconde isso.

Enfim, nesses três volumes iniciais, Cherry Magic se mostrou um mangá impecável em romance, comédia e vida cotidiana. Tem sido um título bem gosto de acompanhar o desenvolvimento, o modo como os personagens vão interagindo e tudo mais. Gosto particularmente do fato da autora ir fazendo elos entre os personagens, do mesmo jeito que é na vida real. Muitos não se conhecem, não tem relações uns com outros, mas um acaba sendo amigo do outro, ou amigo do amigo e assim por diante…

No aguardo dos próximos volumes dessa divertida história.

“Cherry Magic” ainda está em publicação no Japão, atualmente com 14 volumes lançados e o décimo quinto previsto para janeiro. No Brasil, saíram 3 até o momento. Não há uma data certa para o quarto.

Museum – O Assassino Ri na Chuva #02: a parceria JBC 2024 permite com que a gente escolha 4 títulos por vez. Os títulos anteriores, eu escolhi por gostar bastante e por eu pretender levar a coleção até o fim. Museum, por outro lado, é um caso diferente. Eu gostei do primeiro volume, mas nos momentos finais dele, comecei a achar que o mangá poderia ir para caminhos não tão bons daí que eu fiquei em dúvida sobre continuar ou não a obra.

Em razão disso, eu demoraria bastante para comprar o volume #02, teria que esperar alguma promoção, e não conseguiria passar a vocês rapidamente uma nova impressão sobre o título. Então eu o incluí entre as minhas pedidas para poder ler logo e fazer o tira-teima para vocês.

E eu estava um pouco certo e um pouco enganado sobre a minha impressão. De fato houve uma certa mudança que não gostei tanto, mas de modo geral o clima da obra permaneceu.

No título, um serial killer está matando pessoas que condenaram um sujeito por um crime que não cometeu. Nisso, o protagonista da obra, um detetive chamado Sawamura, têm sua família sequestrada por esse criminoso, visto que sua esposa fora uma das juradas que condenara o inocente.

O primeiro volume foi muito bom, com um excelente clima investigativo, e o segundo, apesar de uma mudança em relação ao protagonista, o clima de investigação policial manteve-se muito bom,  de maneira que a trama continuou com um estilo bem gostoso de acompanhar, com as deduções aqui e ali, além de mistérios deixados que atiçam a gente como leitor.

Isso não quer dizer que a trama não tenha problemas. Como ocorre certa coisa com Sawamura, a obra parece ir num ritmo um pouco mais lento e coisas que poderiam ser resolvidas já nesse volume acabam postergadas para o número final.

Para além disso, o protagonista da obra não chega a ser gostável. Por mais que o autor coloque certas coisas aqui e ali para dar uma maior humanidade a ele, a gente acaba vendo ele mais como um produto dos seu inúmeros defeitos e das consequências de suas ações. Daí que meio que tanto faz ou tanto fez o que acontecerá com ele.

Em resumo, Museum: O Assassino Ri na Chuva continua bom em sua trama de investigação e mistério, está legal de acompanhar, embora o ritmo tenha diminuído um pouco. Mas em relação ao desfecho, ou melhor dizendo, ao que acontecerá ao protagonista e à sua família, meio que tanto faz ou tanto fez, pois a gente não consegue se importar tanto.

Isto é, a gente quer ver a inventividade do autor, a gente quer saber como o autor trabalhará esse final, agora se é um final feliz ou triste para o protagonista, não é algo particularmente relevante para a minha opinião sobre a trama. Desde que seja bem feito, bem construído e coerente, para mim estará de boa.

***

O segundo volume de Museum possui uma história extra ao final. Ela se chama “A Garota e o Assassino” e foi publicada originalmente em 2009 na revista Young Magazine. A história foi vencedora do 61º Prêmio Tetsuya Chiba, divisão jovem. E é uma história muito boa e interessante, falando sobre o que é se sentir humano, sobre como a violência também nos molda negativamente, etc, etc, etc. É uma história que vale a leitura por si só.

“Museum – O Assassino Ri na Chuva” foi concluído no Japão em 3 volumes. No Brasil, saíram 2 até o momento e ainda não há uma data exata para o terceiro.


Tradutores dos mangás:

Cristina Mayumi Maki

  • Cherry Magic #03

Lucas Cabral

  • Skip e Loafer #02 (JBC)

Natália Rosa

  • Museum: O Assassino Ri na Chuva #02
  • Silver Spoon #14 (JBC)

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