
Comentando minhas leituras
Essa é a décima sétima postagem dessa coluna e hoje venho falar de muitos volumes de Tokyo Revengers, um novo número de um BL, o fim do mangá de Nami Sami e o segundo volume de Leviathan. Vejam a seguir:


A Lança Lendária e o Escudo Impenetrável #02: o título do mangá e a sinopse colocam essa obra no campo do folclórico, da gargalhada, da zoação, pelo seu completo inusitado e esquisito. O que se espera dessa obra é uma grande galhofa e… não se pode dizer que não é isso o que encontramos nela, mas apenas no volume #01. Ele é autoconclusivo, contando uma história inteira, com começo, meio e fim.
A partir do segundo volume, a obra passa apenas a acompanhar o dia a dia dos personagens principais, com eles tendo encontros, conhecendo a família um do outro, fazendo besteiras por amor e, claro, transando muito. Assim o tal do escudo impenetrável já não é mais impenetrável, muito (muito, muito, muito) pelo contrário. E a tal lança lendária, agora só transpassa uma única pessoa.
Então todo o inusitado da questão praticamente ficou no primeiro volume e, a partir daqui, se tornou uma obra de romance +18 normal, com o desejo incontrolável entre os protagonistas, os problemas triviais, etc. Ainda é possível dar boas gargalhadas (a cara dos personagens em determinados momentos é impagável), mas já não tem a aura do primeiro número. Não ficou ruim, mas acho que a leitura do volume inicial é mais do que o suficiente.
“A Lança Lendária e o Escudo Impenetrável” ainda está em publicação no Japão, atualmente com 4 volumes publicados, mas já se sabe que a obra será concluída em 5 números. No Brasil, saíram dois tomos até o momento e o terceiro está em pré-venda.


Migi e Dali #05 a #07: dizem que não se fazem mais novelas como antigamente, mas Migi e Dali é a prova de que isso é um grande engano, pois esse mangá é um novelão daqueles.
A obra é um misto de humor nonsense com mistério e suspense que é difícil de compreender a princípio, mas as páginas vão passando e passando e todo o plano de vingança dos irmãos vai se fazendo mais claro em meio aos momentos de riso.
A gente consegue se sentir preso na história do mistério do assassinato, vê as esquisitices do lugar, mas nada nos prepara para a grande virada da trama nos três volumes finais, onde o assassino é descoberto, mas meio que isso não importa tanto.
Nesses volumes finais chove cenas de ação, e acontecimentos mirabolantes se sucedem, com fugas, resgates, revelações e tudo mais que um grande novelão precisa. O volume final, então, é todo dramático, com chegadas de salvadores de forma abruptas, supostas presenças fantasmagóricas, etc, etc, etc.
O mangá termina de um jeito alucinante e gentil, apresentando um bom desfecho para uma obra sui generis. É claro que a gente pode dizer que o final derrapou em uma coisa ou outra, fazendo com que ela não fosse totalmente brilhante, mas acho que tudo isso pode ser relevado perante uma trama bem interessante e bem construída. Terminei a leitura me sentindo satisfeito com tudo e recomendo a obra.
“Migi e Dali” foi concluído no Japão em 7 volumes. No Brasil, a obra também já está completa.


Leviathan #02: a leitura do primeiro volume de Leviathan me despertou sensações distintas. De um lado achei uma obra bastante promissora, com uma história que me agradou e despertou um grande interesse e curiosidade sobre os acontecimentos futuros.
Por outro lado, achei que o título ainda era muito incipiente, com pouco amadurecimento por parte do autor na criação de personagens e desenvolvimento da trama. O segundo volume mostrou-se exatamente igual, para o bem e para o mal.
A história é um daqueles títulos de sobrevivência, ao estilo “battle-royale involutário”, em que vemos uma gama de personagens que, por certos incidentes, acabam tendo que se matar até que reste apenas um.
A obra é ótima na ação, os conflitos entre os personagens vão acontecendo um após o outro e as mortes vão se sucedendo. O clima é bem intenso, daqueles que geram bastante emoção e fazem com que a gente não consiga parar de ler. O problema são os personagens.
A história deles são todas muito simples, sem um grau a mais de sofisticação. O conflito sobre o local de nascimento dos estudantes é quase apenas jogado na trama, o TOC de uma personagem a mesma coisa, a tentativa de estupro também, só o caso do menino que sofria bullying é que foi um pouco mais desenvolvido.
Assim tudo fica raso, tudo fica na superfície e a gente não consegue enxergar melhor aquelas pessoas, fazendo com que suas mortes não sejam exatamente sentidas.
Leviathan, então, é apenas e tão somente uma daquelas obras para se divertir com o suspense, com as cenas de ação, com a matança desenfreada, sem pensar adequadamente em maiores complexidades da trama.
Nesse sentido, analisando apenas por esse prisma, Leviathan é uma boa obra e terminamos o segundo volume com vontade de ler o terceiro e descobrir o desfecho da história. Quem será que sobreviveu?
“Leviathan” foi concluído na França e no Japão em 3 volumes no total. No Brasil saíram 2 até o momento. Ainda não há data para o terceiro.


Tokyo Revengers #10 a #14: uma diferença entre Shiro Kuroi (Leviathan) e Ken Wakui (Tokyo Revengers) é que Ken Wakui já domina melhor as técnicas narrativas e consegue fazer uma obra que gera aquela sensação de êxtase sem que a gente olhe para determinados pontos e pense que foi mal feito.
Isso é especialmente verdade, pois Tokyo Revengers possui muitas passagens que são melodramáticas demais e, mesmo assim, soam coerentes e bem feitas no todo da trama. Nesses volumes que li durante a semana, por exemplo, há diversas situações que parecem meio bestas e bobas, mas num todo a gente consegue relacionar aos demais acontecimento.
Assim, eu acho que Tokyo Revengers é igual Leviathan em determinado sentido: é um mangá apenas para se divertir com as cenas de ação, as lutas e tudo mais, não tendo nada mais aprofundado. Só que Tokyo Revengers consegue ser melhor, dando mais contexto aos personagens e colocando elementos que nos fazem ter mais compaixão com eles e até refletir sobre alguma coisa.
***
No todo da história até aqui, eu continuo gostando bastante do modo como Takemichi segue sua tentativa de mudar o futuro mesmo sem ter forças para isso. É legal ver que no passado ele continua ganhando mais e mais respeito na Toman, vai tentando mudar as coisas, e, mesmo assim, as alterações no futuro não são para melhor^^.
Claro, se as alterações dessem certo, a obra acabaria no mesmo instante, mas esse mecanismo é bem interessante, pois gera uma curiosidade de saber o que cada ação acarretará no futuro.
Por fim, eu não esperava que o Takemichi fosse revelar a verdade para alguém do passado. Igualmente me pegou de surpresa a decisão dele de não voltar para o futuro até se tornar “o Top da Toman”, daí fico imaginando que vai demorar para esse mecanismo da viagem do tempo aparecer novamente no mangá. A ver como será isso…
“Tokyo Revengers” foi concluído no Japão em 31 volumes. No Brasil saíram 24 até o momento. Ainda não há data para o 25º
Tradutores dos mangás:
Luana Tucci
- A Lança Lendária e o Escudo Impenetrável #02 (Panini)
Mateus Britto
- Migi e Dalo #05, #06 e #07 (Panini)
Mie Ishii
- Tokyo Revengers #13 e #14 (JBC)
Pedro Hamaya
- Leviathan #02 (JBC)
Renata Leitão
- Tokyo Revengers #10, #11 e #12 (JBC)
NOS SIGA EM NOSSAS REDES SOCIAIS