
As sereias estão entre nós
Em dezembro de 2023, em sua conferência na CCXP, a editora Panini anunciou que publicaria no Brasil o mangá Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch, de Michiko Yokote e Pink Hanamori.
O anúncio foi uma surpresa, pois a obra é um mangá shoujo da Nakayoshi do início dos anos 2000, que só os mais antigos conheciam e mesmo assim nem todos.
Eu mesmo só havia sabido da existência dele alguns meses antes quando a obra fora anunciada na Itália. Na ocasião, eu nem imaginava a possibilidade de um dia ela vir ao Brasil, mas eis que surpreendentemente, ela veio.
O lançamento começou em novembro de 2024, seguindo a nova edição japonesa que compila os 7 volumes originais em apenas 3.
HISTÓRIA
Em Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch o mundo das sereias está enfrentando problemas nunca vistos antes, com diversas anomalias sendo causadas pelo vilão Gackto.
Gackto planeja dominar o mundo subaquático e, para tanto, deve se apossar de Aqua-Regina, a deusa do mundo marinho, que só é invocada após a reunião das sete pérolas sagradas, pertencentes às princesas dos sete mares. Assim, ele está atrás dessas pérolas e, consequentemente, das sereias que as possuem.
Enquanto isso, acompanhamos na obra a jovem sereia Lucia Nanami, a Princesa do Pacífico Norte, que vêm à terra para encontrar a sua pérola perdida. No passado, ela salvou um garoto do afogamento e sua pérola acabou ficando com ele.
Não demora muito e Nanami o reencontra, obtém sua pérola de volta e descobre sua nova missão: encontrar as outras princesas dos sete mares, invocar Aqua-Regina e salvar o mundo.
Em meio a isso, Lucia acaba se apaixonando pelo garoto que salvou, Kaito, mas este não reconhece Lucia na forma humana. Para piorar, a sereia não poderá revelar a sua identidade sob pena de se transformar em espuma.
Na obra, então, veremos as agruras do amor de Lucia por Kaito, bem como a luta incessante da garota-sereia contra as forças do mal de Gackto.

DESENVOLVIMENTO
Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch exala os anos 1990 e início dos anos 2000, com uma mistura de comédia, romance e aventura, bem como um estilo narrativo que lembra demais outras obras da época, em especial os clássicos Sailor Moon e Guerreiras Mágicas de Rayearth.
O título não é outra coisa senão uma obra de garotas mágicas típica, com Lucia e suas amigas vivendo na terra em suas formas humanas, mas se transformando sempre que preciso for para salvar o mundo. Seus poderes, vale dizer, são a sua voz (daí o título “Melodia da Sereia”), por isso as lutas são sempre com canções que, de algum modo, acabam com o inimigo.

Ainda nesse ínterim, é muito interessante ver que os personagens principais também são característicos de uma obra juvenil de luta do bem contra o mal. O vilão é um vilão daqueles clássicos que tem o seu objetivo em mente, não poupa esforços para realizar o seu desejo e manda suas serviçais fazerem seu trabalho^^.
Lucia por outro lado é aquela personagem sempre alegre, romântica e sonhadora, mas que fica triste em determinados momentos por achar não ser correspondida. Já o par romântico da protagonista, Kaito, é aquele tipo que age e parece meio antipático no geral, meio senhor de si, mas é um cara legal e sempre que pode ajuda.

O estilo narrativo por sua vez é um tanto diferente do que estamos acostumados. As páginas passam voando (como em diversas obras), mas aqui é mais pelo modo como as autoras fizeram a disposição dos quadros e o desenrolar da trama, sempre em sequências mais curtas dentro de um mesmo fio e com cortes abruptos que fazem a história correr e correr.
Isso é um dos pontos tanto positivos, quanto negativos, pois se de um lado a obra se desenvolve mais rapidamente e a história vai fluindo e fluindo, por outro ela nos deixa um pouco confusos em certos momentos, em especial nas primeiras “lutas”.
Assim que as sereias se transformam para lutar, o combate acaba em coisa de um ou dois quadrinhos. A gente não vê exatamente as lutas, pois a arma é o canto e não são dispendidos muitos quadros nisso. Praticamente em todo momento, assim que se transformam, elas já ganham dos adversários e Lucia já diz se elas (as adversárias) querem um “bis”.
Desse modo, a gente precisa dessas lutas se repetirem algumas vezes para a gente assimilar a dinâmica da coisa, pois de primeira, só voltando e observando melhor a cena a gente entende o que aconteceu e, mesmo assim, fica parecendo que está faltando alguma coisa.
Na cena a seguir, por exemplo, Lucia e sua amigas vão começar a cantar, passa dois quadrinhos e a personagem já está derrotada dizendo que não irá perdoá-las de jeito nenhum, sem que a gente visse o que efetivamente aconteceu.
O contexto é que a personagem malvada estava tocando uma melodia horrível no piano como parte de seu plano, mas ele foi subjugado por conta do coral da três sereias, que, como visto, durou apenas um quadrinho. Esse é um estilo que causa um pouco de confusão.

UM POUCO MAIS DE OPINIÃO
Fora isso, a história é até bem agradável, pois é divertido ver as agruras amorosas de Lucia (o natal, o dia dos namorados, etc), é legal acompanhar esse romance juvenil com fantasia mais tradicional e bobinho que não apela para aquelas coisas mirabolantes e impactantes de obras dramáticas mais adultas.
Isto é, a obra se foca com mais afinco apenas na questão dos sentimentos (em contraste com a luta do bem contra o mal que está acontecendo o tempo todo), sobretudo com da relação de Lucia com Kaito, mas sem que isso se desenvolva para um melodrama.
Como um todo, eu acho que Mermaid Melody é uma história que cumpre o que promete, mas que – por isso mesmo – tende a ficar numa “linha plana” sem ares mais ousados, sem ir para um clima de êxtase e catarse, nem mesmo nas cenas de “luta” (tendo em vista os problemas outrora apontados).

A questão principal é que, como dito, o jeito que o enredo é feito certamente não irá agradar todo mundo, pois tem marcas de um estilo que não é tão agradável nos dias atuais (a obra de fantasia de bem contra o mal clássico, o estilo de acabar com os confrontos em poucos quadrinhos) e esse mangá não tem a nostalgia para dar um suporte.
Ainda assim, eu creio que vale dar uma olhada nesse título, principalmente para quem deseja ter acesso à produção do início dos anos 2000 fora do mainstream. Não que essa obra não faça parte do mainstream, ela faz, mas o que quis dizer foi sobre conhecer a produção fora dos grandes títulos de destaque que nos acostumamos por aqui.
Sim, pois, Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch também tem seu status de clássico, mas é uma obra que nunca foi tão conhecida no Brasil e a vinda dele é importante para conhecermos e lermos mais obras de uma determinada época.

A EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira veio no formato padrão da editora Panini, no tamanho 13,7 x 20 cm, com miolo em papel offwhite e capa cartonada simples. Os dois primeiros volumes terão cerca de 380 páginas e custarão R$ 69,90. O terceiro e último volume terá 544 páginas (é uma edição 3 em 1) e custará R$ 99,90.
É uma edição simples, mas bonitinha, com uma boa encadernação (permitindo ler e folhear o mangá sem quaisquer problemas) e um papel que não agride os olhos. Tem um pouco de transparência nas páginas aqui e ali, mas não chega a ser um incomodo no meu entender.





Ficha Técnica
Título Original: ぴちぴちピッチ
Título: Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch
Autor: Michiko Yokote, Pink Hanamori
Tradutor: Lucas Cabral
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 3 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite 66g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 384
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 69,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini
Sinopse: Lucia, a princesa de um reino de sereias, veio até o mundo dos humanos em busca de Kaito, o garoto que ela salvou no mar quando eram mais novos e que se tornou seu primeiro amor. E ao se reencontrar com ele, Lucia percebe que Kaito ainda se lembra da sua forma de sereia! Porém, estando disfarçada de humana, ela não pode revelar sua verdadeira identidade… Em meio a isso tudo, Lucia será levada a procurar pelas sete sereias que vão proteger os reinos e se opor a Gackto, que busca dominar os mares.
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