Mangá Aberto: “Tokyo Babylon – CLAMP PREMIUM COLLECTION”

Veja como está o mangá

Agora em fevereiro, a editora Panini começou a publicar no Brasil a nova edição brasileira do mangá Tokyo Babylon. Ela segue a versão japonesa da chamada CLAMP PREMIUM COLLECTION.

De posso do volume, viemos apresentá-lo para vocês, mostrando algumas fotos do mangá, comentando o acabamento e outros detalhes e até fazendo algumas comparações com outras edições da obra.

O nosso resumo antecipado é que se trata de uma edição bonita e bem feita, basicamente não temos do reclamar, ENTRETANTO é comum e muito cara.


UM POUCO SOBRE O MANGÁ


Tokyo Babylon é um mangá de autoria do grupo CLAMP e foi publicado no Japão originalmente entre 1990 e 1993 na revista Wings, da editora Shinshokan, sendo concluído em um total de 7 volumes. Durante os anos seguintes, a obra ganhou algumas republicações por lá, uma em 5 números também pela Shinshokan e uma em 3 pela Kadokawa Shoten.

Em 2022, veio a republicação mais recente (igualmente pela Kadokawa Shoten), da chamada coleção CLAMP PREMIUM COLLECTION. Essa coleção está republicando as obras do grupo CLAMP com uma nova identidade visual, mas sempre seguindo o número de volumes originais. Assim, essa nova edição de Tokyo Babylon também saiu em 7 volumes.

No Brasil, Tokyo Babylon foi publicado primeiramente pela editora JBC entre junho e dezembro de 2005, sendo completo em 7 volumes e seguindo a edição original da Shinshokan. Agora a obra retorna pela Panini, também em 7 volumes.


 UM POUCO DA HISTÓRIA


Na história acompanhamos Subaru Sumeragi, um jovem que trabalha resolvendo casos sobrenaturais e realizando exorcismos na cidade de Tóquio. Em meio a isso, vemos também a relação dele com sua irmã gêmea Hokuto e com um veterinário mais velho chamado Seishiro.

Seishiro diz estar apaixonado por Subaru e querer casar com ele, e Hokuto está sempre apoiando para os dois virarem um casal, no entanto Subaru acha que tudo não passa de uma brincadeira e/ou não entende direito o que está acontecendo.

A história é semi-episódica e nos apresenta alguns casos e discussões interessantíssimas, como a natureza do “gostar” e a inata solidão do ser humano, a hipocrisia das pessoas perante o meio ambiente, dentre outras coisas. E essas discussões acabam nos tocando de um jeito ou de outro.

Assim, Tokyo Babylon é um mangá muito divertido, daqueles que começam meio qualquer coisa, mas basta um par de páginas para você começar a amar e ver como ele tem várias coisas a falar com a gente.


UM POUCO SOBRE A COLEÇÃO CLAMP PREMIUM COLLECTION


A CLAMP PREMIUM COLLECTION é uma nova coleção japonesa que está republicando os mangás do grupo CLAMP com uma nova identidade visual. A coleção está saindo por duas editoras, a Kodansha e a Kadokawa Shoten, e elas estão se revezando na publicação dos títulos.

Já saíram no Japão, em ordem de publicação

XXX Holic (Kodansha, 2021-2022)
Tokyo Babylon (Kadokawa Shoten, 2022)
Guerreiras Mágicas de Rayearth (Kodansha, 2022-2023)
X (Kadokawa Shoten, 2023)
Chobits (Kodansha, 2024)
Clamp Gakuen Tanteidan (Kadokawa Shoten, 2025)

No Brasil, os dois primeiros da Kadokawa (Tokyo Babylon e X) foram anunciados pela Panini e os dois primeiros da Kodansha (XXX Holic e Guerreiras Mágicas de Rayearth) foram anunciados pela JBC.

Dito isso, uma coisa que muita gente acha erroneamente é que a CLAMP PREMIUM COLLECTION se trata de uma edição de luxo, quando, na verdade, não é exatamente assim. Via de regra se trata de uma republicação ipsis literis da obra original, então se o mangá não teve páginas coloridas na primeira publicação também não teve agora.

Para além disso, os títulos da coleção também são lançados no Japão em tamanho pocket, similar à maioria dos mangás. A grande diferença e o destaque da coleção é justamente a identidade visual, que dá um tom de modernidade e elegância.

Ademais, o material da sobrecapa japonesa é diferenciado, mais grosso do que o normal, com um outro toque, o que dá a impressão de um produto premium. Então, fora isso, é só uma edição comum. Não é exatamente uma edição de luxo.


FORMATO E DETALHES DA EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira de Tokyo Babylon – CLAMP PREMIUM COLLECTION veio no tamanho 13,7 x 20 cm (padrão da Panini), com miolo em Papel Offwhite 66g (também padrão da Panini) e capa cartonada com sobrecapa. Foram 150 páginas ao todo (sendo 6 coloridas em couchê) e o preço foi R$ 49,90.

Assim, a versão brasileira é maior que a edição original, mas tem um acabamento semelhante, com sobrecapa. Nos tópicos seguintes falaremos mais detalhadamente.


SOBRECAPA


A sobrecapa da edição brasileira segue a mesma ilustração e design da capa original japonesa, havendo apenas algumas mudanças pontuais como o logo da editora brasileira e o nome “Tokyo” em letras ocidentais.

Não há nenhuma mudança expressiva, tanto que as orelhas são idênticas (não há nada escrito) e a parte de trás só tem os elementos obrigatórios, não tendo uma sinopse (o que achamos uma pena, na verdade, mas dado o contexto do tipo de publicação até que faz sentido).

Em termos de acabamento, a sobrecapa brasileira possui laminação fosca, igual à original. E, também como a original japonesa, não há verniz localizado nem qualquer outro elemento adicional.

O toque é um pouco macio, mas não sei dizer se existe soft touch ou não, pois não sou especialista nisso e nem foi divulgado pela editora que teria. Então pode ser apenas uma impressão de minha parte.

Como dito antes, porém, os mangás japoneses da CLAMP PREMIUM COLLECTION usam uma sobrecapa diferenciada, um pouco mais áspera, um pouco mais grossa e (além da nova identidade visual) é isso o que dá o charme da coleção. A sobrecapa da edição brasileira, por outro lado, é mais comum, é mais lisinha e aparenta ser um pouco mais fina, distando, então, da original japonesa.

Isso não quer dizer que ela seja ruim, longe disso (o toque macio, por exemplo, é legal). Inclusive, se você não teve contato com a edição japonesa não verá qualquer inconveniente nela.


CAPA


Abaixo da sobrecapa vem a capa, não é mesmo? Se trata de uma capa simples, em cor vermelha com laminação brilho. É uma capa comum idêntica aos demais da editora.

Em termos de design, a versão brasileira usa os mesmos elementos da edição japonesa, mudando apenas alguns detalhes de lugar, substituindo o logo, etc. Isso vale tanto para a capa, quanto para a quarta-capa e a lombada.


CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS


As capas internas são totalmente brancas, não tendo qualquer elemento nelas. Isso é bastante normal em livros em mangás, a própria versão japonesa também não tem nada.

Versão brasileira
Versão japonesa

Após a capa interna da frente, temos um “conjunto de páginas coloridas”. São seis páginas que se transformam em uma espécie de pôster, mas que não pode ser destacado.

Assim que você vira a primeira página você se depara com essas duas.
Ao virar a página com a personagem de luva vermelha e você terá essa imagem, parecendo um pôster.
E essa é a última página colorida, com o sumário e a página de rosto do primeiro capítulo.

Como a gente falou, a CLAMP PREMIUM COLLECTION é uma reedição da versão original apenas com uma identidade visual diferente, então com exceção da capa, o resto é tudo igual.

Assim, essas páginas coloridas também estão na primeira versão brasileira, da JBC.  Há até uma diferença na primeira página em questão de cor, mas fora isso é realmente a mesma coisa.

JBC com o fundo preto / Panini com o fundo vermelho
JBC em cima, Panini em baixo

Agora falando da parte de trás, temos uma coisa bastante rara, um aviso de “Pare” de uma página inteira. Normalmente, a Panini coloca apenas um quadradinho na parte superior da última página e nada mais. Talvez sobrou página e resolveram preencher com isso…

Após essa página, temos o expediente, informações de Copyright e Ficha catalográfica. Não há extras após o final da história do primeiro volume.


PAPEL


O papel utilizado no miolo do mangá é o Offwhite 66g, o mesmo que a Panini usa em Os Dias de Folga do Vilão, Thunder 3, Gokushufudou e a grande maioria dos demais mangás da editora, ou seja o famoso papel de cor creme que editora adotou há alguns anos.

De maneira geral é um bom papel, tem um pouco de transparência em alguns lugares, mas não é nada que afetará muito nesse mangá, pois tem muitos tons acinzentados e escuros.

As páginas coloridas, por sua vez, são em papel couchê (aquele mais liso e brilhoso que é bastante usado justamente em páginas coloridas).

Em comparação com a versão japonesa, tanto o papel das páginas coloridas, quanto das em preto e branco da edição brasileira são mais finos.

Em relação às páginas preto e branco, particularmente não vejo tanta diferença assim e até prefiro o da nossa edição. Em relação ao das páginas coloridas, eu prefiro a da versão japonesa (que, além de ser mais grosso, é mais áspero, idêntico ao da sobrecapa japonesa).


ENCADERNAÇÃO E ACABAMENTO GERAL


A encadernação de Tokyo Babylon é apenas colada (não tem costura), mas é boa e, em certo sentido, até melhor do que alguns mangás da editora. Não sei se é pelo número de páginas ou pelo jeito que fizeram a colagem, mas o processo de folhear o mangá parece mais macio e “livre”.

Agora, em relação ao acabamento geral, o título é apenas um mangá comum com sobrecapa. Sim, pois, se a gente olhar atentamente, a única diferença entre Tokyo Babylon e a maioria dos mangás básicos da Panini como Diários de uma Apotecária ou Marriage Toxin, é a presença da sobrecapa. E se a gente compara com outros títulos como Atelier of Witch Hat ou Os Dias de Folga do Vilão, aí não tem diferença nenhuma.

Não há nenhum problema nisso e eu considero o acabamento geral da edição brasileira muito boa e eu elogio muito, pois realmente não tem nada do que reclamar. O problema é o preço (falaremos disso logo adiante na conclusão).


TEXTO


A nova edição brasileira veio com uma nova tradução, esta creditada a Thiago Péres, então há muitas diferenças no texto desta versão para a edição da JBC.

Pelas pequenas comparações que fizemos não são diferenças que influenciam na percepção da história, são apenas questões de adaptação, escolha no uso de notas de rodapé e coisas assim.

Particularmente, achei o texto bem bom, sem gargalos linguísticos e nem erros de revisão. Então, achei o texto da nova versão brasileira bastante competente.


PREÇO E CONCLUSÃO


A única coisa que a gente não discutiu até aqui foi o preço e ele é o maior problema (talvez o único) e resume todos os outros (se é que existem). Mas é preciso dar um grande contexto antes.

Atualmente, os mangás básicos da Panini custam de R$ 37,90 a R$ 44,90, no máximo. Mangás com menos páginas normalmente (existem exceções) costumam custar menos, assim Os Dias de Folga do Vilão (130 páginas) custa só R$ 37,90, enquanto a maioria dos mangás com 200 páginas saem por R$ 43,90 ou R$ 44,90.

Esses mangás básicos costumam ter apenas uma capa comum (alguns têm verniz localizado, outros não) e usam, em sua maioria, o papel offwhite 66g. Alguns chegam a ter orelhas (como Orbe) e outros têm sobrecapa (como Atelier of Witch Hat), mas o preço normalmente é semelhante.

Desse modo, um mangá que tenha sobrecapa não necessariamente custará mais do que um mangá sem sobrecapa. Por exemplo, o último volume lançado de Atelier of Witch Hat (saiu em agosto de 2024) foi publicado por R$ 37,90 e ele tem sobrecapa. O volume mais recente de Tanya the Evil (sem sobrecapa) saiu a R$ 39,90 (em novembro de 2024).

Berserk #42 (papel offset, sem sobrecapa) saiu em outubro de 2024 a R$ 40,90, enquanto One-Punch Man #30 (papel offset, com sobrecapa) saiu a R$ 39,90 no mesmo mês. Já Pluto #01 (papel offset, com sobrecapa), saiu recentemente a R$ 40,90.

Em outras editoras, como a JBC, acabamentos diferenciados (orelhas, sobrecapa, hot stamping, verniz localizado) são refletidos no preço dos mangás básicos, mas na Panini isso não têm acontecido. Então um mangá da Panini ter ou não ter sobrecapa, ter ou não ter orelhas, não o faz ficar necessariamente mais caro do que os demais.

***

Quando o preço de Tokyo Babylon foi divulgado (R$ 49,90) ele distou demais dos mangás básicos da Panini, daí que a gente pensou que a inflação do setor havia disparado e tudo iria subir para esse preço (o mangá Lycoris Recoil também entrou em pré-venda por esse valor) ou que esse preço significava que o mangá não viria num acabamento básico e seria, isso sim, uma edição diferenciada aproveitando a lenda da CLAMP PREMIUM COLLECTION ser uma versão de luxo.

A primeira opção foi descartada em pouco tempo, pois todos os mangás da Panini foram subindo para R$ 43,90 e R$ 44,90 e os títulos novos também estavam vindo nessa faixa. Então só sobrou a opção de ser uma versão mais deluxe.

A gente já sabia que teria sobrecapa (isso a empresa divulgou), mas, como dito, ter ou não ter sobrecapa, ter ou não ter orelhas, não tem feito a Panini cobrar mais caro do que os mangás que não têm isso. Desse modo, como o preço era muito diferente, a gente só poderia pensar que o mangá viria com uma sobrecapa mais grossa igual a original japonesa e o papel talvez fosse bem grosso para dar corpo ao mangá (pois ele tem apenas 150 páginas e é bem fino), mas, no entanto, só veio uma edição comum mesmo.

***

Não me entendam mal, eu gostei do que vi, eu gostei do produto, eu vou elogiar o acabamento do mangá sempre que for possível, mas não tem nada ali que justifique ele custar pelo menos cinco reais a mais do que a média.

Tokyo Babylon tem o mesmo papel dos demais mangás da editora, tem o mesmo tamanho e um número de páginas baixo. E tem a sobrecapa. Mesmo que ela eventualmente tenha soft touch (como dito, eu não sou especialista nisso e pode ser só uma impressão) não é algo que eu veja como motivo para o preço ser tão distante. Basta ver que Os Dias de Folga do Vilão tem sobrecapa, número de páginas quase próximo, e custa R$ 37,90 ainda hoje. São 12 reais (DOZE REAIS) de diferença…

A gente entende um mangá vir por um preço maior por ele ser publicado numa edição especial, por ele vir com um acabamento melhor, diferenciado e tal, mas a gente não entende quando não tem nada disso.

Em comparação com Lycoris Recoil (o mesmo número de páginas, mas sem sobrecapa e também custando R$ 49,90 no primeiro volume, mas com reajuste para R$ 55,90 no segundo) até que o preço está ok, mas Lycoris Recoil não é a realidade, ele só uma exceção. Em comparação com outros mangás da própria Panini fica difícil de achar que o preço está “justo” ou “dentro da realidade do mercado”, pois não está.

O preço de Tokyo Babylon (e também o de Lycoris Recoil, ou pior ainda o de Lycoris Recoil) é difícil de entender e não faz qualquer sentido dentro da realidade dos preços da Panini. Para piorar, a empresa não fez qualquer pronunciamento a respeito do motivo de o mangá custar tanto e a divulgação dos detalhes nas redes sociais só mostrava que era um mangá comum e com o produto em mãos confirmou-se exatamente isso.

Então, assim, é um preço sem sentido, é um preço esquisito, é um preço absurdo, principalmente considerando que quase todo o resto está vindo por no máximo R$ 44,90.

***

É um tanto complicado ficar indignado com algo que eu gostaria de indicar a vocês. É um mangá bom, é um mangá que dá gosto de ler, a edição está bem feita, mas o preço é muito distante da realidade do próprio mercado ou da própria editora.

Em resumo, a minha opinião sobre essa edição é que olhando o produto por ele mesmo, não temos do que reclamar, é uma edição que está tinindo. A reclamação é o preço. Ele deveria custar no máximo R$ 44,90, como os demais mangás da editora.

Então, se você não for muito fã da obra ou das autoras, acho que só vale em uma promoção com no mínimo 40% de desconto. Fora disso esquece…


Ficha Técnica


Título Original: 東京 BABYLON – CLAMP PREMIUM COLLECTION
Título: Tokyo Babylon – CLAMP PREMIUM COLLECTION
Autor
: CLAMP
Tradutor: Thiago Péres
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 7 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite 66g
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 150
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini

Sinopse: Tóquio. Uma cidade linda. Ao mesmo tempo sendo fria, é uma cidade cheia de vida e luzes cintilantes. Lá reside Subaru Sumeragi, o décimo terceiro chefe de seu clã e um poderoso onmyouji. Ajudado por sua divertida e espontânea irmã gêmea, Hokuto, e pelo veterinário que afirma amá-lo, Seishirou Sakurazuka, ele resolve os problemas sobrenaturais que afligem os cidadãos de Tóquio, sejam eles os vivos… ou os mortos!


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