
Comentando minhas leituras
Nesta semana, eu li o oitavo volume de Sangatsu no Lion – O Leão de Março, além dos números #03 e #04 de Bokurano, e o #02 e #03 de Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch.



Sangatsu no Lion: O Leão de Março #08: existem mangás que possuem um nível de qualidade muito superior aos demais. Daqueles em que após a gente ler, a gente fica com vergonha de falar que uma outra obra inferior é muito boa (mesmo sendo). Sangatsu no Lion é um desses mangás de qualidade superior, pois mesmo um volume ruim acaba sendo melhor do que boa parte da concorrência.
Esse oitavo volume esteve bem distante da qualidade geral da obra, mas ainda assim foi muito melhor do que a maioria. Nos volumes mais recentes, a obra carregou um drama pesado – sobretudo em relação a bullying -, e nesse oitavo volume a gente teve um pouco de descanso, muito embora o drama estivesse presente também.
Aqui tivemos um foco maior no Shogi, com boa parte das páginas sendo preenchidas por partidas, mas sem deixar de lado o foco no ser humano e em suas peculiaridades. O grande mote desse volume foi a questão da idade, do passar do tempo, das amarras que as pessoas “de fora” e que nós mesmos nos colocamos com o decorrer dos anos. A própria capa é referente a isso, mostrando o personagem central dessa parte da história e suas agruras perante seu envelhecimento…
Por mais que não tenha sido um volume daqueles, o oitavo número de Sangatsu no Lion teve um bom desenvolvimento e colocou bons temas em discussão (além da questão da idade, também tivemos elementos de como as pessoas encaram o shogi, independente de suas situações). No aguardo dos próximos volumes.
“Sangatsu no Lion: O Leão de Março” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 17 volumes publicados. No Brasil, saíram 8 até o momento.



Bokurano #03 e #04: se você não conhece esse mangá ainda, ele tem uma grande questão que permeia a obra como um todo: você entraria em uma batalha arriscando sua vida, sabendo que mesmo se você vencer, você morre? E o que você faria se você não tivesse escolha nessa situação, se você fosse obrigado a lutar sabendo que morrerá?
Em Bokurano um grupo de adolescentes acaba, sem saber, “assinando um contrato” em que eles terão que lutar para proteger a terra. Se perderem, a terra explode e todos os humanos morrem. Se ganharem, eles mesmos morrem. Não há a possibilidade de anular o contrato e a cada luta, um adolescente é escolhido e deve controlar um robô gigante e lutar contra outro robô gigante que aparece do nada.
O ponto principal é que o mangá trata das histórias desses adolescentes, suas vidas pregressas (quem eles eram? quais suas maldades? seus arrependimentos? suas ingenuidade?) e suas reações perante o fim iminente de suas vidas. Todos guardam mágoas, todos têm problemas e alguns são completamente desestabilizados.
Acerca desse último ponto, nesses dois volumes, por exemplo, há o caso de dois adolescentes que estão interligados nessa desestabilização emocional, um por ser malvado, por só pensar em si mesmo, e causar violência nos outros, um (uma garota) por ser vítima de violência.
Esse é um volume em que a gente vê dois adolescentes em um estado de pouca lucidez, mas o interessante é que o menino malvado fica desesperado com a morte iminente, enquanto a garota apenas quer sua tão sonhada vingança antes do fim. Essas duas histórias têm suas implicações próprias, e que geram reflexões distintas e elas só estão interligadas mesmo por mostrarem como cérebros adolescentes desestabilizados têm reações extremas em momentos de tensão.
Só que cada pessoa é uma pessoa, cada um têm uma história que os fez chegar até ali. E assim como existe gente que o raciocínio fica nebuloso em uma situação extrema, existe gente que vê as coisas de uma forma mais clara e busca corrigir os erros do passado. E a obra vai sendo assim, mostrando essas diferentes naturezas dos seres humanos, seres humanos estes ainda em formação…
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Bokurano tem alguns pontos que nos deixam perplexos. Nós vemos, por exemplo, o caso da garota que buscava vingança e a gente entende ela e torce para ela conseguir, mas existe um elemento que ocorre e a gente fica com a sensação de que não houve justiça.
Tudo bem que na vida real também não existe justiça do jeito que gostaríamos, mas ler uma obra de ficção e ver a mesma coisa acaba dando um belo de um incomodo. Mas, ok, faz parte do que a obra quer contar. No aguardo do volume #05.
“Bokurano” foi concluído no Japão em 11 volumes. No Brasil, saíram 4 até o momento.



Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch #02 e #03: esse é basicamente um mangá de garotas mágicas, em que meninas se transformam para lutar, mas no caso as meninas são sereias e o seu poder é o canto. Na obra, os setes mares estão em perigo e as sereias devem se reunir para poder chamar Áqua-Regina e acabar com o perigo ocasionado pelo inimigo, Gackto.
É uma história também de romance, que fala sobre os sentimentos, principalmente da protagonista Lucia e de seu amado Kaito, mas que também perpassa toda a trama e outros personagens, incluindo a luta de bem contra o mal. É uma história bem conectada, com um enredo amarradinho e que pode agradar uma parcela do público, com suas reviravoltas (ainda que esperadas) e carisma dos personagens.
A trama possui duas partes. Após a luta contra o Gackto, existe um outro arco com alguém querendo acabar com os humanos. Porém, assim como na primeira parte, a trama está mais centrada nos personagens, em protegê-los, em proteger seus sentimentos, do que necessariamente em salvar a humanidade. Novamente é uma história que é bem interessante e que termina bem…
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ENTRETANTO, eu posso dizer com tranquilidade que esse foi um dos piores mangás que li nos últimos anos. E em se tratando de mangás da revista Nakayoshi (a mesma revista de Cardcaptor Sakura) foi o pior que li em toda a história.
A questão é que existem mangás que são ruins por suas histórias, elas têm pontos ruins, desandam em algum momento ou são ruins o tempo todo. A história de Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch é legal, daqueles bem interessantes e divertidas de acompanhar… só que o jeito de contar não é bom.
A obra tem um estilo que não é agradável aos dias de hoje: a sequência de cenas são curtas (se você não ficar atento, ocorre uma mudança de cena sem que você perceba e você tem que voltar para entender o que aconteceu), algumas coisas ocorrem do nada (em uma página está uma coisa, na outra está outra completamente diferente, ou isso dentro da mesma página), e parte da emoção se perde, dentre diversas outras coisas.
Por mais que eu gostasse da Lucia e da arte da autora, eu quase desisti da leitura várias vezes no volume #02 por conta desse estilo de contar pouco usual. E eu só não desisti porque já tinha comprado os 3 volumes… Isso acaba sendo bem frustrante, pois a história tem todo um jeito interessante e agradável, mas o estilo dos quadrinhos, de contar a história fez tudo ficar insuportável de tão chato. A adaptação em anime provavelmente deve ser bem melhor…
“Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch” foi concluído originalmente no Japão em 7 volumes, posteriormente a obra foi republicada em 3 números. É segunda edição que chegou ao Brasil. Todos já saíram por aqui.
Tradutores dos mangás:
Caio Suzuki
- Bokurano #03 e #04 (Devir)
- Sangatsu no Lion – O Leão de Março #08 (JBC)
Lucas Cabral
- Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch ##02 e #03 (Panini)