
Veja como está o mangá
Em fevereiro, a editora Panini começou a publicar no Brasil o mangá Billy Bat, de Naoki Urasawa e Takashi Nagasaki. Se trata do primeiro mangá inédito do Urasawa por aqui desde Pluto em 2017.
No momento em que esta postagem vai ao ar já saíram dois volumes da obra e existem algumas reclamações na internet de páginas caindo acerca do segundo número, mas aqui só falaremos do primeiro, pois foi o único que a gente comprou.
Assim, com o primeiro volume em mãos viemos mostrar fotos, falar dos detalhes e dizer nossa opinião sobre o produto…
UM POUCO SOBRE A OBRA
Billy Bat foi publicado originalmente no Japão entre 2008 e 2016 na revista Morning, da editora Kodansha, tendo seus capítulos compilados em um total de 20 volumes.
No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Panini no dia 18 de julho de 2024, durante seu painel no Anime Friends, e tinha previsão de ser lançado no primeiro semestre de 2025. O primeiro volume entrou em pré-venda em dezembro com previsão de lançamento para fevereiro e efetivamente foi lançado nesse mês.
A edição brasileira compila os 20 volumes originais em apenas 10 de mais de 400 páginas por tomo.
UM POUCO DA HISTÓRIA
Nos Estados Unidos, no fim dos anos 1940, uma história em quadrinhos está fazendo bastante sucesso, uma história que tem um morcego como protagonista, o Billy, e a história é chamada de “Billy Bat”.
O quadrinho em questão é produzido por desenhista nipo-americano chamado de Kevin Yamagata, e tudo parece estar indo bem até que a polícia aparece em seu escritório buscando uma base para vigiar um local vizinho. Ocorre que um dos policiais reconhece o desenho e diz ter visto uma obra similar no Japão.
Temendo ter plagiado a obra sem querer, Yamagata volta ao Japão (onde esteve um tempo antes) em busca do autor original do personagem do morcego, mas ele acaba envolvido numa trama que envolve assassinatos, o exército americano, uma possível seita, duplos, um poder irreal, e talvez toda a história da humanidade, de Jesus Cristo à Viagem à Lua… E tudo isso relacionado a essa figura do morcego ou mais de um morcego…
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É uma trama de suspense bastante inventiva, que envolve a luta do bem contra o mal, e mistura elementos realistas com ultra ficcionais, formando uma história bastante intrigante e que desperta uma curiosidade ímpar.
O clima de mistério, na verdade, é semelhante a outras obras do autor, como Pluto e 20th Century Boys, havendo inclusive elementos muito parecidos (um pretenso fim da humanidade, uma possível seita, etc), mas a trama se destaca com bases mais fantasiosas e sobrenaturais.
É um mangá sensacional para quem gosta de obras de mistério, sobrenatural, suspense, mistura de ficção e realidade, dentre outras coisas.
FORMATO E DETALHES DA EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira veio no formato 13,7 x 20 cm (padrão da editora Panini), com miolo em Papel Offset 90g (o mesmo de Pluto e 20th Century Boys – Edição Definitiva) e capa cartonada com sobrecapa.
São 416 páginas ao todo, sendo 30 coloridas. O preço é R$ 95,90 cada volume.


SOBRECAPA
A sobrecapa da edição brasileira segue as capas originais japonesas, com mesma ilustração e design, mudando basicamente apenas o idioma.
Entretanto, como se trata de uma edição 2 em 1 que não existe no Japão, a versão local usa as duas capas originais na sobrecapa. Assim, na parte da frente fica a imagem do volume #01 japonês e na parte de trás fica a capa do volume #02 japonês.


Há pessoas que não gostam quando as editoras fazem isso, mas eu particularmente não vejo tanto problema, o único “porém” de minha parte é a falta de sinopse na parte de trás, o que faz ser um grande demérito.
Em relação à lombada, ela é toda vermelha e, apesar de simples, é bem bonita e dá um destaque na estante. Por fim, as orelhas da sobrecapa possuem a imagem do morcego com um pequeno texto em cor preta, texto este que acaba sendo de difícil leitura, provavelmente por conta da junção das cores.

Mas a sobrecapa de Billy Bat é um pouco especial, pois na parte de trás têm a imagem da sombra de um morcego. Não é nada muito elaborado, mas pode servir como um pôster.

Em questão de material, o papel usado na sobrecapa é o mesmo da maioria das sobrecapas. Além disso, ela tem laminação fosca com verniz localizado. Vejam o vídeo a seguir:
CAPA
A capa (que fica abaixo da sobrecapa) também possui o mesmo material das capas da maioria dos mangás no Brasil. Em questão de design ela tem apenas um fundo preto com a sombra do morcego. Isso vale tanto para a parte da frente, quanto para a parte de trás.


A lombada, por sua vez, é cinza. Ela é meio sem vida, mas dá para entender que o conceito é ser assim. O problema é que ela pode ficar marcada quando você abrir o produto, assim como o meu ficou. Falaremos mais disso no tópico “encadernação e acabamento geral”.

CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS
As capas internas são pretas e, em cada uma delas, há um pequeno texto, o mesmo que tem nas orelhas da sobrecapa. Após a capa interna da frente tem uma folha toda preta, um “pôster fictício do Billy Bat” o “início” da história.



Após a capa interna de trás, temos o tradicional aviso de “Pare!”. Em seguida, há o expediente e a ficha catalográfica e mais uma página preta com o silhueta do morcego.
Um detalhe interessante é que temos o sumário a seguir, bem do lado da última página da história. Imagino que seja porque o início do mangá seja, na verdade, a história em quadrinhos fictícia do protagonista do mangá.



PAPEL
O papel utilizado no miolo (tanto das páginas em preto e branco, quanto das coloridas) é o Offset 90g, sendo o mesmo de Pluto, 20th Century Boys – Edição Definitiva, Banana Fish, Neon Genesis Evangelion – Collector’s Edition, dentre outros.
Para quem não viu nenhum desses, é o famoso papel branco que muita gente gosta. Então é um papel bom e legal, daqueles grossos e com pouca ou nenhuma transparência.



ENCADERNAÇÃO E ACABAMENTO GERAL
A encadernação do mangá é apenas colada e quando um mangá tem muitas páginas, a depender de uma série de fatores, a encadernação pode ficar dura, o que é o caso de Billy Bat. O papel grosso, o número de páginas alto, etc, etc, etc, fizeram com o que mangá ficasse difícil de abrir e folhear.
Não que a encadernação tenha ficado 100% ruim, mas não estava tão agradável assim para ler, o que dava um grande demérito para o produto em minha opinião. Estava assim pelo menos até que em uma determinada abertura do mangá deu um “trec”.
A partir desse momento deu para folhear melhor o mangá, os cantos das páginas ficaram mais visíveis, e a encadernação deu uma boa melhorada. O que aconteceu? A lombada quebrou, foi isso.
Lembram da lombada estar marcada que mencionamos em um tópico anterior? Foi exatamente isso o que aconteceu. Ao virar numa determinada página aconteceu esse “trec” e a lombada ficou marcada. Eu apenas abri o mangá normal, não forcei e nem nada e aconteceu isso.
Aí ficou uma mistura ambígua, porque eu não gostei de ver a lombada quebrada, mas também não estava gostando da encadernação. Mas, pesando os dois na balança, entre os dois males o menor, e como ainda tem a sobrecapa para tampar, meio que ficou tudo bem, porém… meio… que… não devia ser assim…

De uma maneira geral, o acabamento como um todo do mangá é apenas ok. O papel é legal, a sobrecapa com verniz localizado é legal, a boa quantidade de páginas coloridas também, mas essa questão da encadernação dura, da dificuldade de folheamento e da posterior quebra da lombada que melhorou o aspecto deixam o produto com um status inferior em termos de qualidade.
O mangá é muito bonito, isso não se discute, mas a qualidade dele não é das melhores, é apenas ok. E para um produto que custa R$ 95,90 nos dias de hoje, ser apenas ok não é aceitável…
TEXTO
Em relação ao texto, achei ele bom, sem quais problemas linguísticos ou de revisão. É bem coeso, coerente e a tradução e a adaptação me parecem também sem problemas.
PREÇO E CONCLUSÃO
Como a gente disse em tópicos anteriores, como produto Billy Bat é apenas “ok”. E ser apenas “ok” custando R$ 95,90 não é aceitável.
A gente não precisa nem ir muito longe para vermos o quão desproporcional é esse preço. 20th Century Boys, mangá do mesmo autor, tem a mesma quantidade de páginas, quase os mesmos detalhes de acabamento (apenas o tamanho é maior), mas a encadernação é um primor. E sabe o que mais? 20th Century Boys custa quase trinta reais a menos.
Assim, não vale a pena comprar Billy Bat sem ser com um desconto de no mínimo 40% de desconto. O preço é elevado demais e o acabamento oferecido fica bem distante do nível do conveniente, do admissível.
Desde a segunda metade de 2018 os preços dos mangás estão subindo muito mais do que o salário das pessoas, então tudo está muito caro, mas existem aqueles que destoam mais ainda dentro desse caro, e Billy Bat é um deles. A história é muito boa, não tem o que falar dela, mas pelo acabamento oferecido Billy Bat não vale se não tiver um bom desconto.
Ficha Técnica
Título Original: ビリーバット
Título: Billy Bat
Autor: Naoki Urasawa
Tradutor: Caio Suzuki
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 20 (completo)
Número de volumes no Brasil: 2 (ainda em publicação e a ser completo em 10)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offset 90g
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 408
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 95,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini
Sinopse: Dois mil anos atrás, em um lugar desconhecido, um homemdescalço anda com um fardo nas costas… Apedrejado pela multidão delirante, o homem está coberto de sangue. E um garoto tem o olhos grudados nessa cena! Completo em 10 volumes, acompanhe mais um mistério envolvente da mente do mestre Naoki Urasawa, responsável pelos premiados Pluto, Monster e 20th Century Boys.

