Mangá Aberto: “Shigahime”

Veja como está o mangá

Durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, a editora Darkside Books lançou, de surpresa, o primeiro volume do mangá Shigahime.

O título nem havia sido anunciado oficialmente e só se sabia dele porque a empresa o cadastrou no ISBN e isso acabou noticiado. Então o lançamento foi totalmente de surpresa mesmo e somente algumas semanas após o evento a empresa começou a vendê-lo em sua loja online.

Adquirido o volume, viemos falar dele para vocês, mostrando os pontos positivos e os negativos da edição da Darkside Books e comentando algumas de nossas opiniões pessoais.


UM POUCO SOBRE A OBRA


Shigahime é de autoria de Hirohisa Sato e foi publicado no Japão entre novembro de 2016 e março de 2019 na revista Comic Zenon, da Coamix, sendo compilado em um total de 5 volumes.

No Brasil, como dito, a obra nem chegou a ser anunciada oficialmente e já foi lançada. Um detalhe extra, porém, é que antes mesmo de a editora cadastrar no ISBN já se sabia que a obra viria ao Brasil (só não se sabia por qual editora), pois uma outra empresa havia dito que tentou o título, mas a obra já estava nas mãos de outra…

A versão da Darkside Books seguirá o número de volumes originais, então ela será completa em 5 volumes.


A EDIÇÃO FÍSICA


Falar de uma edição física de um mangá da Darkside Books muitas vezes é chover no molhado, pois costumam ser edições de luxo e sem quaisquer deméritos ou com deméritos relativos.

A edição física de Shigahime não foge disso, mas num conjunto de coisas pode fazer com que a desvalorização seja maior. Basicamente, a editora utilizou um formato diferente do que vinha fazendo até então e com um preço mais elevado.

O mangá veio no formato 13 x 18 cm, com miolo em papel Offset, e capa dura com verniz localizado e corte colorido. É uma edição muito bonita, mas é necessário um pouco mais de cuidado na análise justamente pela questão do preço e do formato diferente. Então, vamos por partes.

A CAPA

Shigahime é um mangá de luxo e tem um material de qualidade na capa, sendo uma capa dura, como informado antes, e bem resistente. Possui laminação fosca com verniz localizado no título, nome do autor, nome da editora e caracteres japoneses.

O verniz também se encontra na parte de trás (os caracteres japoneses) e na lombada (nome e logo da editora, número e caracteres japoneses).

Em questão de design, como se vê, é uma capa muito bonita e que tem um charme próprio. A lombada, por sua vez, tem um grande demérito (característico da editora) de não ter o título em letras romanas e sim apenas em japonês.

A quarta-capa (parte de trás) é até bonita, tem uma imagem interessante, mas falta uma sinopse mais detalhada. Os pequenos escritos, porém, dão uma pré-visualização da história e pode servir de chamariz para alguns consumidores de lojas físicas.

CORTE COLORIDO

Um detalhe legal de acabamento desse mangá é que ele tem o corte colorido, em cor preta. O corte é a lateral das folhas do mangá fora a lombada.

São raríssimos os mangás com corte colorido no Brasil e, salvo engano, todos saíram pela própria Darkside Books.

GUARDAS

As guardas internas são coloridas em vermelho e branco, tendo apenas uma imagem, a mesma imagem da vampira, personagem principal do mangá.

O PAPEL

O papel utilizado no miolo é o Offset, o famoso papel branco. É o papel de todos os mangás da editora, e também é o mesmo usado por outras empresas como a MPEG e a Baú.

De uma maneira geral é um bom papel e que costuma agradar boa parte dos consumidores. Entretanto, para produtos de luxo, acaba sendo um pequeno demérito, pois edições assim meio que exigem um papel melhor para a leitura, que não agrida tanto aos olhos.

O TAMANHO

Se o papel pode não ser exatamente um problema, o mesmo não se pode dizer do tamanho. Shigahime veio no formato 13 x 18 cm (ou 14 x 19 cm, considerando a capa dura) e para quem não sabe, esse é um tamanho pocket, menor do que os demais mangás da editora e menor do que a maioria dos mangás no Brasil, com os da Panini. Vejam a seguir:

Inicialmente existe um grande choque e até um desgosto ao ver o tamanho pocket, mas ao ler a gente até gosta, pois não cansa tanto a mão quanto outros mangás da editora. Aí fica um produto bonitinho e confortável.

O problema do tamanho, porém, persiste por um conjunto de fatores ou um grande fator. Basicamente, o tamanho atrelado à questão do preço e a uma comparação com outros títulos faz com que a gente ache isso meio ruim…

PREÇO E ACABAMENTO GERAL

Shigahime tem cerca de 200 páginas e custa R$ 74,90. Esse é um valor extremamente alto, mesmo considerando os preços atuais e o fato de ser uma edição de luxo. Isso porque, como dito, ele tem o tamanho pocket, menor do que outros mangás da editora, e ainda custa mais alto (os outros mangás da editora de 200 páginas custam, no máximo, R$ 69,90).

Esse é o grande problema de Shigahime. A edição é sensacional, uma edição de luxo mesmo, e só poderíamos questionar as escolhas editoriais de não colocar o título na lombada, o papel e o tamanho. Juntando ao preço, porém, tudo acaba fazendo com que a gente não goste tanto assim e ficando com uma impressão ruim.

Dito de outro modo, a edição física é praticamente perfeita como costumam ser os mangás da Darkside Books, mas tem seus “poréns” mesmo assim e esses “poréns” desagradam muito.


HISTÓRIA E CONCLUSÃO


Mangá Aberto é uma coluna dedicada a falar da edição física, mas como Shigahime é um mangá que não é lá tão conhecido assim, vale falar um pouco da história.

A obra é mais um título que fala sobre vampiros, mas ela reimagina esse mundo alterando a forma como eles se alimentam e se mantém. Em vez de sugar o sangue no corpo da pessoa, os vampiros precisam tirar o coração da pessoa para poderem se alimentar e, mais que isso, conservarem uma forma humana.

Na história acompanhamos um certo adolescente que acaba tendo contato com uma vampira e esta termina por transformá-lo num servo, uma espécie de monstro encarregado de trazer corações para alimentá-la. O rapaz, desnorteado, não saberá o que fazer quando ver que sua vida como até então conhecia não existe mais.

Embora tenha certas coisas que eu não gostei na trama, Shigahime é um mangá bem interessante e apresenta uma história até que consistente e que nos intriga a querer continuar e ver como se desenvolverá a situação do rapaz, o que acontecerá com a bruxa, etc, etc, etc.

***

Nisso, eu acabo achando uma pena que Shigahime tenha vindo pela Darkside Books. No México, o mangá foi licenciado pela Panini de lá, então eu esperava que viesse pela Panini daqui também, aí teríamos uma publicação rápida que se concluiria quando muito em um ano (salvo aprovações demoradas).

Pela Darkside Books, os volumes posteriores devem demorar a aparecer. Além disso, ele veio num tamanho pocket e custando uma fortuna. Mais que isso, existe um fator preocupante: Deathdisco.

Embora a editora tenha completado A Menina do Outro Lado, a gente fica receoso de uma série vir pela editora por causa de Deathdisco, uma série de apenas 7 volumes e que a empresa parou de publicar no volume #04 (este lançado em junho de 2022) e que não dá sinais de que continuará em algum momento.

Se uma série vende bem, certamente irá até o fim, mas e se Shigahime não for tão bem assim? Por outra editora a gente veria ela sendo concluída de qualquer forma, pela Darkside Books fica o receio…


FICHA TÉCNICA


Título Original: 屍牙姫
Título: Shigahime
Autor
: Hirohisa Sato
Tradutor: Jéssica Ilha
Editora: Darkside Books
Número de volumes no Japão: 5 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13 x 18 cm
Miolo: Papel Offset 90g
Acabamento: Capa Dura
Páginas: 200
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 74,90
Onde comprar: Amazon / Mundos Infinitos

SinopseOs vampiros sempre estiveram entre nós ― na literatura, no cinema e nas lendas que povoam nossos sonhos desde a mais tenra infância. Mas e se eles resolvessem invadir o mundo dos mangás com toda a intensidade do horror japonês? É exatamente isso que Shigahime nos propõe. Sucesso de público e crítica no Japão, a série de Hirohisa Sato entrega uma narrativa sombria, provocante e inesperada sobre morte, desejo e monstros que nem sempre aparecem com presas visíveis. Em Shigahime, acompanhamos Osamu Hirota, um adolescente comum imerso no tédio. Sua rotina desinteressante é virada do avesso ao cruzar o caminho de Miwako, uma vampira poderosa, imortal… e completamente enfastiada com a eternidade. O encontro entre essas duas figuras não é somente o início de uma aliança improvável, mas também de um pacto mortal. Miwako está à procura de alguém para unir-se a seus intentos perversos. E nada é isento de dor e provação: antes de adquirir qualquer poder, Hirota terá que enfrentar criaturas grotescas dignas do melhor do horror japonês. Em troca, talvez consiga salvar uma pessoa importante. Ou talvez apenas se perca de vez na medida em que cumprirá tarefas contrárias ao seu código de honra. Com traços intensos e um visual que transita entre o sensual e o macabro, Shigahime entrega cenas de ação vertiginosa e questiona as próprias fronteiras da humanidade. A cada página, o leitor é confrontado com escolhas morais ambíguas, personagens que sangram, literal e emocionalmente, e uma atmosfera densa em que amor, morte e desejo se misturam em proporções perigosas. Se você acha que já viu de tudo no universo dos vampiros, prepare-se. Shigahime chega ao Brasil como uma das obras mais ousadas do horror japonês moderno ― e você não vai dormir tranquilo depois da leitura. Afinal, como Hirota nos mostra, os vampiros surgem nos lugares mais improváveis.