
Segredos escondidos…
ON/OFF: Entre o Profissional e o Pessoal é um mangá de autoria de Shinnosuke Kanazawa e que começou a ser publicado no Japão em 2023.
Como muitas séries atualmente, a casa inicial do mangá foi o Twitter, ele acabou fazendo sucesso, e em pouco tempo foi cooptado pela editora Square Enix. Ele ainda está em lançamento no Japão, no site Gangan Pixiv, e soma 4 volumes publicados, o mais recente deles posto à venda em junho de 2025.
No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Panini no dia 28 de fevereiro de 2025 e começou a ser lançado em meados de julho. De posse do primeiro volume, viemos falar um pouco da obra para vocês.

SINOPSE OFICIAL
Todos os trabalhadores têm um lado profissional e um pessoal. Certa pessoa trabalha numa empresa e usa roupas femininas de lolita. Já outra, também trabalha, mas se veste como um garoto punk. A disparidade entre “on” e “off” leva àquele aperto no coração inevitável! Esta é a história do dia a dia cheio de metamorfoses de dois trabalhadores!
HISTÓRIA, DESENVOLVIMENTO E OPINIÕES
Como a sinopse mostra, em ON/OFF: Entre o Profissional e o Pessoal nós temos novamente uma obra em que acompanha (pelo menos em parte) adultos em seu ambiente de trabalho. Assim, vemos possíveis rusgas, admirações, dentre outras coisas que podem acontecer em um ambiente corporativo.
São raros os mangás desse tipo no Brasil e alguns deles possuem alguma especificidade. Em Cherry Magic, por exemplo, o protagonista é capaz de ler mentes e em O Homem de Gelo e Sua Fria Colega de Trabalho também há personagens com poderes especiais.

ON/OFF, por outro lado, é uma história mais pés no chão e apresentam trabalhadores comuns, que querem realizar suas funções, querem ser reconhecidos, reclamam de seus colegas, etc, etc, etc, tudo isso sem qualquer espécie de fantasia envolvida.
Entretanto, a obra não fala só sobre os personagens no ambiente de trabalho, ela mostra também eles quando estão no “OFF”, quando estão em casa, e é aí que vem a grande maestria dessa história. Ao mostrar os lados diversos da vida pública e da vida privada, o mangá diverte ao mesmo tempo em que coloca na mesa diversos questionamentos acerca de gênero e sociedade.

Falando mais especificamente da história, na obra há dois colegas de escritório (Soutarou Amata e Akira Hanku) que possuem hobbies (na falta de uma palavra melhor usaremos ela) em comum. O rapaz (Soutarou) quando está fora do ambiente de trabalho gosta de se vestir de Lolita, com aqueles vestidos lindos e graciosos, já a moça (Akira) gosta de se vestir de Punk, com aquelas roupas mais gritantes e chamativas.
Eles não são amigos, têm o mínimo contato possível no trabalho, e não sabem do hobbie um do outro, assim eles conhecem apenas o “”lado normal””, o lado profissional, o “ON”, do outro. Entretanto, eles acabarão se topando fora do escritório e uma interessante conexão começará entre eles, entre suas identidades “OFF”, sem que eles saibam que se conhecem do trabalho…

O primeiro volume ainda é bastante introdutório, de maneira que muito pouco acontece. Isto é, como a trama parece sugerir uma interação entre os dois protagonistas, talvez um romance, talvez uma bela amizade, esse primeiro volume deixa a desejar nesse quesito, pois só vemos o pequeno início, sem um desenvolvimento maior dessa relação.
Ainda assim, vemos esse contato inicial, vemos os dois se conhecendo de algum modo e gostando daquele estilo diferenciado, ainda que os dois não saibam a verdade por trás de suas vestimentas.

Uma coisa que eu acho bem legal é que fica nítido como a questão de se vestir é importante para eles e fazem parte de suas personalidades, mesmo quando estão na sua vida “ON”, no trabalho.
Assim, por exemplo, enquanto se veste como um homem de escritório, Soutarou age de um jeito que orgulharia o lado “Lolita” (aquela coisa de remeter ao clássico, aos costumes da realeza, etc), sempre buscando ser gentil com todos.
Desse modo, o volume todo mostra os personagens sendo eles mesmos e amando tudo o que fazem, como se não existisse a regra moral da sociedade, pronta para apontar o dedo para eles por sua forma de se vestir, por sua forma de pensar.

Evidentemente, como a trama se chama ON/OFF, a “regra moral da sociedade” já está incutido de uma vez, afinal Soutarou não pode ir de Lolita para o trabalho, enquanto Akira igualmente não pode ir de Punk.
Por mais que isso seja primariamente por uma questão de tipo de vestimenta adequada para um determinado contexto, essa separação já mostra de antemão o dedo da sociedade que não entende o diferente, que coloca regras (totalmente arbitrárias) do como as pessoas devem se vestir.
Como dito, o primeiro volume ainda é uma grande introdução, então a gente ainda não tem maiores detalhes da vida dos personagens, a gente apenas sabe que eles se vestem de um jeito que eles gostam, que os faz se sentir bem, um jeito que é diferente do que a sociedade considera “correto”.
De tal sorte que toda a discussão envolvendo questões de gênero e sociedade apenas fica no ar, sem que exista uma crítica de fato até aqui. Ainda assim é algo que se espera que aconteça em volumes posteriores, visto que o mangá está todo envolto nisso. Contudo, pelo jeito leve do primeiro volume tomo, a gente imagina que não irão pesar demais o clima, deixando as coisas mais no lúdico na maior parte do tempo…

Sim, pois, deixar as coisas no ar, como foi nesse primeiro número, já é uma crítica por si só, afinal tratam-se apenas de roupas, de um estilo de se vestir, e nada mais. Isso não interfere na vida deles, não interfere no trabalho, não faz mal a ninguém, e só isso já é uma forma de mostrar ao público que tal ou qual preconceito é errôneo por natureza.
Ou seja, mesmo não entrando no mérito ou no cerne de toda a questão envolvida com os personagens vestindo roupas que seriam para o gênero oposto, a obra já faz uma crítica evidente, já deixa no ar, mesmo que a “crítica de fato”, em palavras, não exista.
EDIÇÃO BRASILEIRA E CONCLUSÃO
A edição brasileira de ON/OFF: Entre o Profissional e o Pessoal veio no tamanho 15 x 21 cm, com miolo em papel Offwhite e capa cartonada com sobrecapa e verniz localizado.
Acerca do tamanho, ele é um pouco maior do que a maioria dos mangás da Panini, sendo semelhante a títulos como 20th Century Boys – Edição Definitiva, O Homem de Gelo e Sua Fria Colega de Trabalho, Os Dias de Folga do Vilão, dentre outros.
O papel é aquele de cor creme padrão da Panini e que contém um pouco de transparência aqui e ali. A sobrecapa tem laminação fosca e possui um bonito verniz localizado no título. A encadernação é macia, daquelas em que a gente consegue ler e folhear sem problemas.
São 138 páginas ao todo, sendo 2 coloridas e o preço é R$ 43,90. Como um todo, é uma edição bem ok, digna e não há nada para reclamar, tendo um bom tamanho e uma boa sobrecapa, possuindo assim um plus perante os mangás comuns da Panini e custando o mesmo preço.





Para terminar, como demonstrado, embora o primeiro volume seja apenas uma introdução e a gente sinta falta de mais coisas acontecendo, a história é muito boa e nos apresenta uma história muito gostosinha de ler, com um pretenso romance (ou amizade?) entre duas pessoas com gostos parecidos, embora não saibam.
Esse volume inicial foi bem cativante e nos deu vontade de continuar e querer ver até onde vai. É um mangá que eu acho que vale a pena mesmo para aqueles que não gostam de comprar séries abertas, pois ele só tem quatro volumes ainda e ganha tomos muito esporadicamente, então dá para conciliar no orçamento.
FICHA TÉCNICA
Título Original: 会社と私生活-オンとオフ-
Título: ON/OFF: Entre o Profissional e o Pessoal
Autor: Shinnosuke Kanazawa
Tradutor: Eliana Celestino
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 4 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel Offwhite 66g
Acabamento: Capa Cartão com Sobrecapa
Páginas: 138
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 43,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini
Sinopse: Todos os trabalhadores têm um lado profissional e um pessoal. Certa pessoa trabalha numa empresa e usa roupas femininas de lolita. Já outra, também trabalha, mas se veste como um garoto punk. A disparidade entre “on” e “off” leva àquele aperto no coração inevitável! Esta é a história do dia a dia cheio de metamorfoses de dois trabalhadores!