Leituras da Semana: “Skip e Loafer #06” e outras obras

Comentando minhas leituras

Na coluna desta semana, comento as leituras dos mangás Skip e Loafer #06, Cherry Magic #06, Vampeerz #03, Tokyo Revengers #28 e #29 e Ao Ashi #13 e #14. Vejam a seguir:

Skip e Loafer #06: esse foi um volume em que o romance esteve no ar em boa parte do tempo, de um jeito de outro. Em contrapartida, a nossa protagonista ficou um pouco escanteada, dando lugar a outros personagens buscando encontrar o seu amor.

Basicamente, vimos aqui o Dia de São Valentim, o White Day, o aniversário de Mitsumi e o fim das aulas do primeiro ano escolar, e em boa parte desses momentos alguma discussão sobre romance, sobre a formação de casais esteve presente. Vimos uma pequena cena de ciúme por parte do Shima, vimos ele receber uma declaração de amor, vimos um outro personagem falar sobre si mesmo e assim por diante.

Assim como os outros volumes, esse foi muito bom de ler, foi muito agradável e fez a gente amar ainda mais a história e os personagens. É um mangá que pega a gente e coloca num lugar de conforto muito bom, além de nos fazer pensar sobre certos momentos de nossas vidas…

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Outra coisa que eu gostei desse volume foi mais um pequeno destaque para a Tia Nao. No volume passado, a gente tinha visto um pouco do passado dela e aqui a gente viu um pouco do presente, com ela se sentindo um tanto frustrada por Mitsumi ter uma vida adolescente com apoio familiar e grandes amigos, enquanto ela (Nao) não teve nada disso.

É uma passagem muito importante por dois motivos. Primeiro para mostrar que os traumas do passado permanecem com as pessoas, e isso as influencia de maneira negativa, por mais gentis que sejam e por mais que pareçam ter superado os momentos difíceis. Segundo porque mostra bem o contraste com o próprio mangá.

Por mais que a obra tenha seus lamentos, tenha seus dramas, o contexto colegial de Skip e Loafer é de paz e harmonia, com todos envolta de Mitsumi Iwakura se dando bem, como se eles fossem a vacina para um trauma adolescente que quase todos têm. Assim, essa parte da Tia Nao contrasta bem, mostrando a união, a amizade dos amigos de Iwakura, contra a solidão e o desprezo que a tia Nao sofreu.

No aguardo do sétimo volume…

“Skip e Loafer” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 12 volumes publicados. No Brasil, saíram 6 até o momento.

Cherry Magic #06: vocês podem analisar essa capa comigo? O que ela dá a entender? Que os dois finalmente se amam e descobriram que podem ser felizes juntos? Bem, eles já tinham começado a namorar em volumes anteriores, além disso Adachi já contou ao Kurosawa que consegue ler mentes, então as coisas já podem partir para um algo além e isso é o que a capa quer dizer…

Ou não, afinal nem todas as capas representam o que está efetivamente acontecendo no mangá, e esse sexto número foi bem mais dramático do que a gente esperaria de uma obra tão amena como essa. Não que tenha extrapolado e nem nada do tipo, mas a história acabou indo para uma pequena encruzilhada envolvendo o amor dos dois.

Adachi ganhou a oportunidade de uma promoção, mas isso faria com que ele tivesse que se mudar e ficar longe do Kurosawa, e esse fato acabou gerando questionamentos dentro dele e que acabaram ocasionando uma pequena agrura com Kurosawa.

Tudo isso foi muito legal e, como a obra é leve, as coisas se arranjam até que facilmente, tão facilmente que as coisas evoluem para um estágio que… parece que a premissa original do mangá pode ter acabado… Só no próximo volume para sabermos…

“Cherry Magic” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 15 volumes publicados. No Brasil, saíram 6 até o momento.

Vampeerz #03: eu realmente creio que as capas de Vampeerz não são tão chamativas assim para o público em geral e elas podem dar uma impressão muito errada sobre a obra.

É um título sobre vampiros? É. Se trata de uma história de romance entre duas mulheres? Sim. Só que o desenvolvimento da obra, a escolha temática, e o estilo fazem do mangá um grande achado, um título ímpar no mercado atual.

Akili desenvolve a história calcada em um jeito humorístico bem pastelão e que lembra muito os animes dos anos 1990. Em um determinado momento deste terceiro volume, por exemplo, a vampira Aria ganha uma infinidade de cartas de amor e pensa ser bullying. A autora em seguida desenha Ichika caindo igual aos animes dos anos 1990 quando uma burrice acontece.

Esse estilo humorístico permeia a obra toda. Vemos Ichika com olhos esbugalhados ao presenciar um absurdo. Vemos ela ver a recém personagem chegada como uma rival, o jeito como ela demonstra seu amor por Aria, etc, etc, etc.

A história avança, é claro (descobrimos que Aria é uma espécie de rainha e que existem seres querendo matá-la), mas a grandiosidade desse mangá está nessa forma de contar, mesclando o humor junto ao romance e aos outros aspectos da história.

Tudo isso acontece desde o volume #01, mas lá havia um estranhamento tão grande de nossa parte que a gente não conseguiu aproveitar direito, pois primeiro a gente precisava se acostumar com o estilo para então compreender o que estava acontecendo. O volume #02 a gente já estava acostumado e no #03 já virou uma obra-prima.

Eu recomendo demais esse título e eu peço que vocês não parem no primeiro. Leiam ao menos esses três volumes. Se vocês não gostarem até aqui, ok, o estilo não é para vocês, mas garanto que muitos de vocês amarão…

“Vampeerz” foi concluído no Japão em 9 volumes. No Brasil, saíram 3 até o momento.

Tokyo Revengers #28 e #29: e aqui nós temos o início do embate entre a gangue do Takemichi com a de Manjiro Sano, com Takemichi mais ativo, mesmo morrendo de medo. Os volumes se desenvolvem com um monte de lutinhas, entre diversos personagens, com vista a chegar ao momento derradeiro, do confronto entre os líderes…

E meio que é só isso mesmo. Tokyo Revengers é legalzinho, mas perdeu o brilho com o passar do tempo e só estou lendo para terminar a coleção e nada mais. Dificilmente irei reler a obra…

“Tokyo Revengers” foi concluído no Japão em 31 volumes. No Brasil, saíram 29 até o momento.

Ao Ashi – Craques da Bola #13 e #14: o que o nosso protagonista Ashito Aoi tem que aprender em relação a ser um bom defensor? Já sabemos que – mesmo ele sendo um prodígio no que diz respeito à visão de jogo – ele ainda é iniciante nesse aspecto, o que faz com que ele esteja sempre com problemas. Numa liga mais fraca, ele até consegue se sobressair, mas numa mais difícil sua inexperiência fica evidente.

E foi isso que nós vimos nesses dois volumes, com ele sendo colocado num jogo difícil (e sofrendo em demasia com o ataque adversário e com um companheiro de equipe incapaz de orientá-lo) e posteriormente buscando treinar com seus companheiros para melhorar a sua falta de habilidade.

Assim como todos os volumes de Ao Ashi, esses dois foram brilhantes na questão de passar emoção. Há diversas cenas em que um simples quadro parece trazer toda uma complexidade de sentimentos para o desenrolar da obra. A cena em que o treinador entra no vestiário e decide colocar Aoi no jogo é emblemática. A dura dele no Akutsu também. E posteriormente ele não ter nada a falar pro Aoi após um treino é hilariante de tão bom.

O mangá fica melhor a cada volume realmente, a história vai progredindo bem, os personagens vão se destacando (o Togashi teve uma mudança muito legal nesses tomos) e tudo vai melhorando, de um jeito ou de outro.

Eu realmente espero que a JBC consiga dessa vez efetivar a mudança desse mangá para ser mensal, pois eu já quero ler o próximo…

“Ao Ashi – Craques da Bola” foi concluído em 40 volumes no Japão. No Brasil, saíram 14 até o momento.


Tradutores dos mangás:

Cristina Mayumi Maki

  • Cherry Magic #06 (JBC)
  • Vampeerz #03 (JBC)

Lucas Cabral

  • Skip e Loafer #06 (JBC)

Luis Libaneo

  • Ao Ashi: Craques da Bola #13 e #14 (JBC)

Mie Ishii

  • Tokyo Revengers #28 (JBC)

Renata Leitão

  • Tokyo Revengers #29 (JBC)