
A menina filha do dragão…
No mangá Ruri Dragon a gente conhece uma adolescente chamada Ruri Aoki que, certo dia, ao acordar vê que está com chifres na cabeça. Embora ela ache estranho o que aconteceu, ela não se assusta e vai falar com a mãe, que também não fica tão surpresa assim.
A mãe de Ruri, então, informa que, na verdade, o pai dela (de Ruri) é um Ryu (um tipo de dragão japonês). A garota não entende direito, mas logo aceita a situação como um todo e decide ir para a escola mesmo com os chifres na cabeça.
Todos acham estranho, mas querem tocar nos chifres da garota. Apesar dos pesares, porém, tudo parecia ir bem, só que, infelizmente, os chifres não eram a única característica de dragão que aparecia em Ruri e a segunda coisa se manifestaria em plena sala de aula…

Ruri Dragon é um mangá de vida cotidiana com temática escolar e que tem como protagonista essa garota-dragão chamada Ruri. A gente verá ela percebendo suas características de dragão, treinando para não causar problemas às pessoas, e, ao mesmo tempo, socializando com as colegas da sala, inclusive com pessoas das quais ela nem imaginava conseguir falar.
A obra é um tanto quanto curiosa, pois ela fica num limiar bem interessante entre o humor nonsense e a seriedade, de maneira que nós, leitores, ficamos sem reação em diversos momentos, sem entender direito o que a história quer contar ou como os personagens agem…
Isto é, a verossimilhança do mangá é dúbia, pois parece se passar no mundo real, mas os personagens meio que não levam a sério a questão de existir um ser lendário com chifres no meio deles, não estranhando TANTO a situação de um modo geral. Em todo o primeiro volume, por exemplo, apenas uma personagem têm medo da Ruri por conta dos acontecimentos em sala de aula e de sua nova aparência.

Verossimilhança, para quem não sabe, é um conceito da ficção que diz que os elementos dentro de uma obra devem ser coerentes e fazer sentido dentro do mundo criado. Por exemplo, ninguém voa na vida real, mas se no mundo de Dragon Ball algumas pessoas podem aprender a voar, isso está embasado na realidade daquele mundo (que tem dinossauros, nuvem voadora, bastão mágico, poderes especiais, etc).
Em Ruri Dragon, em tese, o mundo criado é o mundo real, é o Japão comum e normal em que dragões não deveriam existir, nem pessoas com chifres na cabeça. Daí que toda estrutura do mangá é estranhíssima, pois a gente vê Ruri agindo normal sem medo de eventuais preconceitos por conta de seus chifres, vê a mãe dela sem maiores preocupações, os colegas da escola sem maiores medos e assim por diante. Mesmo após o incidente em sala de aula, a maioria dos colegas da garota acabam ficando mais interessadas nela, em vez de ficar com medo ou com preconceito.


É um estilo de contar a história diferenciado, pois trata com mais naturalidade certos acontecimentos que não seriam naturais em um mundo real. Por mais que isso cause um estranhamento em nós, leitores, igualmente faz com que a trama seja incrivelmente leve, se tornando um mangá de vida escolar comum, em que veremos uma pessoa com características diferentes se enturmar.
Assim, deixando esse estranhamento de lado, o que a gente vê são determinados acontecimentos muito ternos e divertidos, como Ruri não querendo ir para a escola após um certo incidente e sendo convencida pela simples presença de uma amiga, ou um passeio dela com novos amigos, e assim por diante.
O mangá é muito bom desde as primeiras páginas e o desenvolvimento da obra é bem legal de se ver, com Ruri se tornando popular com o tempo e o aparecimento gradativo das características de dragão que ela herdou do pai…


Em resumo, Ruri Dragon é um mangá realmente estranho, com uma verossimilhança dúbia, mas igualmente muito bom desde o início, sendo um mangá de vida escolar muito legal de acompanhar (em nenhum momento ele parece chato).
É um título, então, que vale dar uma conferida, ainda mais que é uma obra recente e com poucos volumes até o momento…

Ruri Dragon é um mangá de autoria de Masaoki Shindo que começou a ser publicado no Japão em julho de 2022 na revista Weekly Shonen Jump, da editora Shueisha, e ainda está em andamento, atualmente com 3 volumes publicados e com o 4º previsto para novembro.
No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Panini no dia 28 de fevereiro de 2025 e começou a ser lançado em setembro. A previsão é que o segundo volume seja publicado no próximo mês.
A edição brasileira veio no formato padrão da editora Panini, no tamanho 13,7 x 20 cm, com miolo em papel offwhite, e capa cartonada simples, com laminação fosca e verniz localizado. São 176 páginas e o preço no volume #01 é R$ 44,90. A partir do segundo será R$ 49,90.
De modo geral, é uma edição simples, mas ok, com um papel razoável e uma boa encadernação. Em relação ao texto, achei ele bem adaptado, além de bastante coeso e coerente, e sem erros de revisão.
O preço é bem elevado, mas como se trata de um mangá ainda no início e que não deve ganhar volumes frequentemente, acho que é um título que todos podem acompanhar sem problemas. A história é bem legal, tem um estilo diferenciado, e, como comentado, vale dar uma chance, mesmo que se espere alguma boa promoção.
FICHA TÉCNICA
Título Original: ルリドラゴン
Título: Ruri Dragon
Autor: Masaoki Shindo
Tradutor: Edward Kondo
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 3 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite
Acabamento: Capa Cartão
Páginas: 176
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 44,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini
Sinopse: Ruri Aoki, uma colegial, acorda uma certa manhã com chifres na cabeça! “Talvez você tenha puxado o seu pai, já que ele é um dragão”, confusa com revelação da mãe, ela decide ir mesmo assim a escola… Enquanto os colegas ficam curiosos com a visão inusitada dos chifres, a menina revela outra característica física de dragões!! O dia-a-dia dela muda um pouco…O cotidiano da menina-dragão Ruri começa de forma descontraída.