
Veja como está o mangá
Mangá Aberto é uma coluna de resenhas em que analisamos a edição física e demais aspectos editoriais de um mangá. Fazemos isso em alguns lançamentos específicos para os leitores verem como veio tal ou qual publicação.
Hoje falaremos do mangá Foi Olhando Para Você…, de Rumi Ichinohe, publicado no Brasil pela editora Taverna do Rei.
O mangá já foi lançado tem um tempo (e o segundo número até foi publicado), mas como é o primeiro mangá da editora pretendemos analisá-lo ainda e bem detalhadamente, dando nossas impressões para os consumidores que até o momento não adquiriram o produto.
DETALHES INICIAIS DA PUBLICAÇÃO
A edição brasileira de Foi Olhando Para Você… veio no formato 13,7 x 20 cm (mesmo tamanho dos mangás da Panini, Baú e MPEG), com miolo em papel Ivory e capa cartonada com sobrecapa. São 288 páginas, todas em preto e branco, e o preço é R$ 59,90.
Vale informar que a versão original deve ser concluída em 6 volumes no total, mas a edição da Taverna do Rei será completa em 4 (ou seja, cada número brasileira compila um volume e meio).
SOBRECAPA
Como é de conhecimento corrente dos leitores mais afincos, no Japão todos os mangás têm sobrecapa, mas no Brasil isso é raridade e poucas empresas a adotam como padrão. A Taverna do Rei parece que será uma delas (que a adotam como padrão) e seu primeiro mangá veio com sobrecapa.
Também chamada de jacket, a sobrecapa é uma “capa removível”, um item que fica em cima da capa. É feito de um papel mais fino que o da capa.
No caso da sobrecapa de Foi Olhando Para Você…, a editora usou um bom material, com um papel semelhante ao couchê, mas mais robusto e em acabamento brilho. É parecida com a maioria das sobrecapas feitas no Brasil. Para além disso existe aquele “recuo” formando uma “lombada redonda”.



Desde que a sobrecapa foi divulgada, o que chamou a atenção negativamente foi o design dela, especialmente da parte da frente, com muita gente nem vendo direito que se tratava da capa nacional visto que ela estava poluída com os caracteres japoneses.
Pessoalmente ela é melhor do que nas imagens de divulgação, mas ainda assim é uma composição que deixou a desejar. Os caracteres japoneses em uma das orelhas também ficou estranho, mas ali era mais aceitável do que na parte da frente da sobrecapa.
Acerca da lombada da sobrecapa, creio que foi feito o que era possível (dado que o título é enorme) e o design ficou razoável. Já a composição da parte de trás ficou bem melhor, com uma boa ilustração, o título na parte de cima e a sinopse embaixo. Por fim, na outra orelha temos umas pequenas palavras da autora.

O resumo básico acerca do design da sobrecapa é que ela poderia ser muito melhor e a editora ficou devendo nesse primeiro mangá, como dito, especialmente pela parte da frente.
CAPA
Abaixo da sobrecapa fica a capa. Ela é feita em material semelhante ao da maioria dos mangás no Brasil, sendo aquele “papel cartão” comum, então é uma capa bem feita e sem deméritos.
No que toca ao design, a capa é branca em acabamento fosco, com fonte em cor de rosa. Os detalhes em japonês fica melhor do que na sobrecapa, mas igualmente me parece meio feinha.
Já a lombada da capa (igualmente em cor rosada) parece pior, pois o título só está em japonês. Tudo bem que só se usará essa capa se por ventura a sobrecapa estragar, mas mesmo assim é uma escolha curiosa.
Na parte de trás da capa tem a apresentação de uma das personagens do mangá, novamente em tom rosado (e essa parte é bem bonitinha).



CAPAS INTERNAS
As capas internas são brancas como costumam ser boa parte dos mangás e livros. Após a capa interna da frente temos uma folha de rosto com o nome do mangá, nome da autora, editora e tradutora, além de outros detalhes. Particularmente, achei feia, assim como a capa.
Após isso temos o índice e mais algumas páginas antes do início da história em si.




Após a capa interna de trás temos o tradicional aviso de “Pare” (no caso, “Atenção!”) para informar aos leitores desavisados que aquela não é a primeira página.
Uma coisa mais importante ainda é que a empresa colocou uma ilustração de como se lê os quadrinhos. Embora a simples mensagem possa parecer suficiente, se por algum motivo aquele for o primeiro mangá da pessoa, a ordem dos quadrinhos pode atrapalhar, então a informação gráfica também é muito necessária.
Depois disso temos a página com o expediente, onde ficam as informações da editora, o copyright e a sempre fundamental Ficha Catalográfica.


PAPEL E ACABAMENTO GERAL
O papel utilizado no mangá é um Offwhite da marca Ivory. É um papel de cor creme bem alvo e com uma boa qualidade de impressão. Entretanto, tem um pouco de transparência, o que pode incomodar alguns leitores.



Já o miolo é apenas colado (sem costura), mas a encadernação é excelente, de modo que a gente consegue ler ou folhear o mangá sem quaisquer engasgos.
Como um todo, o acabamento geral é muito bom. Achei o papel bem ok, apesar da transparência, a encadernação, como dito, é muito boa, e a sobrecapa dá uma boa melhoria ao conjunto do produto. É um mangá que dá para a gente chamar de premium.
TEXTO E DETALHES EDITORIAIS
A tradução do mangá foi feita diretamente do japonês e por uma tradutora bastante experiente no mercado, a Drik Sada. Então, podemos ter toda a confiança de que a tradução está muito boa.
Mas agora falando do texto em si, eu achei bom e igualmente não vi problemas, sendo bem coeso e coerente. Também não vi erros de revisão. A única coisa que eu não gostei foi o uso de honoríficos japoneses (visto que não fazem sentido no português), mas reclamar disso é uma batalha perdida, infelizmente.
No que toca às onomatopeias, a Taverna do Rei utilizou-se do mesmo expediente da maioria das editoras de mangás no Brasil, deixando-as no original e colocando uma legenda do lado, de maneira bem encaixada e com uma fonte semelhante à onomatopeia.
A editora fez um trabalho muito bom, ficando igual ao das principais editoras brasileiras, com as legendas realmente integradas ao texto e sem destoar. Nem pareceu que era o primeiro mangá da editora.



Acerca do letreiramento dentro dos quadrinhos igualmente não pareceu o primeiro mangá da editora, pois a editora fez um trabalho impecável. As fontes escolhidas, bem como o tamanho, estavam boas, a posição estava excelente, sem parecer poluído mesmo em páginas com mais texto.

Outro detalhe que a Taverna do Rei pareceu uma editora de anos estrada (e dessa vez nem tão positiva assim) diz respeito ao tratamento desigual dado às placas e outros textos fora dos balões.
Normalmente, a editora traduz as placas e textos (o que é um ponto muito positivo), mas em alguns momentos ela não traduz colocando apenas uma nota. Isso é o que muitas editoras fazem e sempre me causa espécie. Se traduziu uma, porque não traduziu as outras? Há um quadrinho em que a editora traduz uma placa e não traduz outra.




Para terminar, há um bom glossário ao final do mangá, em que a editora explica diversas coisas, inclusive algumas que outras empresas nem fazem mais, como os citados honoríficos. Há também até alguns curiosos, como a a autorreferência que a autora faz a um de seus outros mangás.
O único problema é que o glossário foi feito em folha escura e isso dificultou um pouco a leitura.

CONCLUSÃO
O primeiro mangá da Taverna do Rei teve críticas tanto de nós, quanto de outras pessoas, por conta do design da capa e são críticas bastante válidas, já que a escolha não foi nada boa e confundiu alguns leitores. Só que esse é o único grande problema de fato.
O mangá como um todo é muito bem feito. O texto e demais detalhes editoriais mostram o empenho da empresa e passam para o leitor um trabalho muito bom, sem estranhamentos. A sobrecapa dá um charme À obra e a boa encadernação, juntamente com o número de páginas elevado (são quase 300) faz com que o produto esteja na prateleira dos mangás premium.
O que precisaria melhorar um pouco é o papel. Embora ele seja bom, o excesso de transparência certamente fará alguns leitores olhares torto para a publicação.
No mais, foi mesmo um bom primeiro trabalho da empresa. Continuaremos acompanhando as próximas publicações para ver se continua assim ou não…
FICHA TÉCNICA
Título Original: きみの横顔を見ていた
Título: Foi olhando para você…
Autor: Rumi Ichinohe
Tradutor: Drik Sada
Editora: Taverna do Rei
Número de volumes no Japão: 4 (ainda em publicação e a ser concluído em 6)
Número de volumes no Brasil: 2 (ainda em publicação e a ser concluído em 4)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Ivory
Acabamento: Capa Cartão com Sobrecapa
Páginas: 288
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 59,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Hikari Mori é uma garota extremamente comum e gosta de ser assim. Muito dedicada à música e sempre com ideias na cabeça. Um dia, fantasiando um namorado ideal para a sua bela e tímida amiga Mari Takahashi, ela observa os colegas de sala e percebe o quanto Shintaro Otani, o garoto que senta na sua frente, é divertido e pode ser uma boa opção para Mari…! Porém, observar os outros significa descobrir, sem querer, os seus segredos, assim como pode trazer à tona aquele sentimento secreto, que escondemos no lugar mais profundo do nosso coração. Ela tem mesmo que ser apenas a coadjuvante nessa história? Se ao menos Otani a visse como ela o vê… Olhares e sentimentos emaranhados se desenrolam a cada página nesta história de amor e amizade…!