Mangá Aberto: “Twisted-Wonderland – Livro de HeartsLabyul”

Veja como está o mangá

Mangá Aberto é uma coluna de resenhas em que analisamos a edição física e demais aspectos editoriais de um mangá. Fazemos isso em alguns lançamentos específicos para os leitores verem como veio tal ou qual publicação.

Hoje falaremos do mangá Twisted-Wonderland: O Mangá – Livro de Heartslabyul –, de Yana Toboso, Wakana Hazuki, Sumire Kowono, e publicado no Brasil pela editora Universo dos Livros.

A empresa já havia publicado quadrinhos em estilo mangá anteriormente, mas até então todos feitos para os Estados Unidos, e esse é o primeiro mangá efetivamente japonês feito para o público japonês.

Essa obra já saiu há algum tempo e tem sido um grande sucesso no Brasil, com o primeiro volume já entrando em fila de reimpressão, segundo dito pela editora em live para o Fora do Plástico. Mas – para vocês que ainda não compraram – como está a obra? Como veio esse mangá da editora? Veremos a seguir…

DETALHES INICIAIS DA PUBLICAÇÃO

A edição brasileira de Twisted-Wonderland: O Mangá – Livro de Heartslabuyl veio no formato 13,7 x 20 cm (mesmo tamanho dos mangás da Panini, Baú e MPEG), com miolo em papel Offwhite (marca não divulgada) e capa cartonada com verniz localizado. São cerca de 200 páginas por volume, sendo algumas delas coloridas (publicadas no mesmo tipo de papel).

CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA

A capa da edição brasileira segue a mesma ilustração da edição original japonesa e o mesmo design, com os elementos dispostos nos mesmos lugares, mudando apenas o idioma. A edição possui capa fosca e verniz localizado no título e na ilustração principal.

A lombada, por sua vez, é em cor preta e também possui verniz localizado em alguns elementos. A quarta-capa igualmente têm elementos com verniz localizado (nas ilustrações e no texto em vermelho).

Ainda falando da quarta-capa, como é possível ver, ela é bem simples, mas com a sempre importante sinopse, o que é algo que muito nos agrada, visto que nem todos os mangás possuem.

Em termos de material, se trata de uma capa cartão simples, com o mesmo material da maioria das capas do Brasil. Falamos simples por não ter orelhas e nem sobrecapa, mas como dito há verniz localizado em diversas partes da capa, lombada e quarta-capa.

CAPAS INTERNAS E PRIMEIRAS PÁGINAS

As capas internas são brancas, como costumam ser boa parte dos mangás e dos livros publicados no Brasil. Após a capa interna da frente temos algumas páginas coloridas e o início do mangá.

Após a capa interna de trás temos o aviso de que é a última página e não o começo, comum nos mangás. Senti, porém, falta de um gráfico explicativo para a leitura da ordem dos quadrinhos. Para leitores de primeira viagem pode ser importante.

Em seguida, temos a página com expediente com as pessoas que trabalharam na obra e a importante ficha catalográfica. Há também algumas ilustrações e palavras dos autores.

Aviso de última página, mas sem o gráfico de como ler os quadrinhos
Página de expediente e a sempre importante e necessário Ficha Catalográfica (aquele item dentro do retângulo).

PAPEL E ACABAMENTO

O papel usado no miolo é um papel do tipo Offwhite de marca não divulgada. É um papel de cor creme, de qualidade ok. Há um pouco de transparência aqui e ali, mas é daquele tipo que na leitura a gente nem nota.

Quanto ao acabamento, o miolo é apenas colado, mas a encadernação é muito boa, podendo ler e folhear a obra sem problemas. No todo, é uma edição simples, mas bem boa, daquelas básicas, semelhante aos mangás da Panini.


TEXTO E ASPECTOS EDITORIAIS


Não vejo deméritos tão criticáveis assim na edição física de Twisted-Wonderland. Podia ter sobrecapa? Podia. Podia ter orelhas? Podia. Mas não ter não torna a edição ruim e acho que está ok para um produto básico. A questão não fica tão boa, porém, quando vemos as escolhas editoriais por parte da editora.

Para começar, tem o que falamos anteriormente, a falta de um gráfico da ordem de leitura dos quadrinhos na última página do mangá. É bom que tenha o aviso, mas o gráfico também é algo necessário. Mas tudo bem, é algo passável. O problema mesmo começa agora.

Todo o interior do mangá parece advindo da edição americana. As onomatopeias são todas traduzidas (redesenhadas com caracteres ocidentais) e a tradução não foi feita do japonês e sim do inglês. Essas informações são públicas, estando escritas na página de expediente.

Sobre tradução, o problema é o mesmo que falamos na resenha de Minha História de Amor com Yamada-Kun Nível 999. O texto está bom, bastante coeso e coerente, com leitura bastante fluída e sem erros aparentes, mas o problema não é esse.

A questão é que toda tradução significa uma perda. Por mais que ela se seja fiel ao original, sempre haverá um certo prejuízo, de um jeito ou de outro, por diversas barreiras, tanto linguísticas, quanto culturais. Muitas vezes, por exemplo, você precisa adaptar muito uma certa coisa para fazer sentido na língua de destino.

Se uma tradução é feita a partir de uma tradução, o referencial original já se perdeu e mais distorções podem acontecer nessa re-tradução. Então por mais que o texto esteja bom, isso não significa que ele esteja necessariamente aceitável.

A gente entende que essa obra advém de uma licença da Disney e os materiais que a editora conseguiu devem ter  vindo dos Estados Unidos, mas ela precisava conseguir os originais japoneses para trabalhar…

No que concerne às onomatopeias (imagens a seguir), o público brasileiro prefere que elas sejam mantidas no original (em japonês) e com uma legendinha do lado.

De minha parte, eu particularmente não me importo delas serem traduzidas, mas a Universo dos Livros precisa levar a opinião da maioria para seus próximos mangás, já que existe uma quase unanimidade sobre esse ponto. A própria  Devir (que era a única que traduzia) mudou o seus sistema e agora mantém elas no original e coloca legendas como a maioria das editoras…

Para terminar, tirando esses grandes problemas, os demais aspectos editoriais estão de boa. O letreiramento dentro dos quadrinhos está ótimo, com o texto bem centralizado, o tamanho da fonte está legal não poluindo nenhuma das páginas, etc.


CONCLUSÃO


A edição física de Twisted-Wonderland: O Mangá – Livro de Heartslabyul – é daquelas básicas, simples, mas está bem boa e não temos nada a criticar negativamente. O mangá tem uma boa encadernação e um bom papel (que é bom para ler), então tudo ok.

Os pontos que a editora precisa melhorar são a questão da tradução (seus próximos mangás precisam ser traduzidos diretamente do japonês) e as onomatopeias (visto o gosto do público, que prefere onomatopeias originais e com legendinha), comentados no tópico anterior.

Como as pessoas que agora trabalham na editora são já acostumadas com os mangás e  com o modus operandi comum no Brasil, é de se esperar que os próximos mangás venham já com essas melhorias, ao menos os que não são licenças da Disney.


FICHA TÉCNICA


Título Original: ディズニー ツイステッドワンダーランド ザ コミック エピソード オブ ハーツラビュル
Título: Twisted-Wonderland: O Mangá – Livro de Heartslabyul –
Autor
: Yana Toboso, Wakana Hazuki, Sumire Kowono
Tradutor: Guilherme Kroll
Editora: Universo dos Livros
Número de volumes no Japão: 4 (completo)
Número de volumes no Brasil: 3 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite (marca não divulgada)
Acabamento: Capa Cartão
Páginas: 200 (sendo 6 coloridas)
Classificação indicativa: não divulgada
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon

SinopseYuu é levado para o Night Raven, um colégio arcano no mundo de Twisted Wonderland. Preso até encontrar um caminho para casa, ele é autorizado a permanecer no campus, apesar de não ter magia própria. Quando seus novos amigos o colocam em apuros com o grão-mago, seu futuro na instituição parece sombrio. Agora, o destino de Yuu depende de reunir dois calouros briguentos e um gato-monstro cuspidor de fogo….